Brasil é o quarto país em que a energia eólica mais cresce no mundo; veja dados do setor

Nos últimos anos, o setor eólico se tornou um dos mais promissores mercados do Brasil, com grande potencial de expansão, contando, hoje, com 10,6 GWs e uma perspectiva de terminar 2017 com 13 GWs de capacidade. Em 2015, o Brasil foi a quarta nação que mais cresceu em termos de energia eólica no mundo, conforme o Relatório Anual do Global Wind Energy Council (GWEC).

A indústria eólica terminou o ano de 2015 com investimento de R$ 16,5 bilhões. Se considerarmos o investimento acumulado, o valor já passa dos R$ 48 bilhões nos últimos seis anos. Porém, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), para que o crescimento seja mantido, será necessária a contratação de, pelo menos, 2 GWs de energia eólica por ano. Isso dará um sinal de investimento e segurança para toda a cadeia produtiva, além de ser essencial para alcançar os objetivos que o Brasil assinou na Conferência do Clima (COP).

A energia eólica representa, hoje, 7% da matriz elétrica e, em diversos momentos, a produção do setor tem sido responsável por suportar 10% de toda a carga do sistema interligado nacional. No Nordeste, por exemplo, esse número é ainda maior, alcançando 40% do subsistema suprido pela energia dos ventos.

Leia, a seguir, mais informações sobre o mercado de energia eólica e suas oportunidades.

Financiamentos para o setor eólico

Em dezembro de 2016, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) apresentou a ampliação de linhas de crédito de longo prazo aos financiamentos de energia renovável e eficiência energética para empresas brasileiras, disponibilizando US$ 750 milhões para investimentos no setor eólico.

O programa oferece prazo e taxas que atendem aos fluxos necessários, tendo em vista que os projetos de energia limpa são de longo prazo, requerem uso intensivo de capital e que, na contramão disso, a manutenção e o funcionamento dos parques eólicos têm baixo custo.

O incentivo foi aprovado pela Abeeólica, como destaca a Presidente Executiva da associação, Elbia Gannoum. “Novas opções de financiamentos são imprescindíveis para a indústria eólica. Inclusive, novas opções de fomento e alternativas de investimento são a trajetória comum de indústrias em expansão. As empresas produtoras de energia limpa e todas as outras pertencentes à cadeia produtiva eólica devem analisar as opções oferecidas pelo BID e verificar a viabilidade do recurso para a implantação de novos projetos”, enfatiza.

Ela explica, ainda, que o setor não precisa apenas de financiamentos, mas também da realização de novos leilões regulados. No final do ano passado, havia a previsão de que um ocorreria, mas a expectativa não se confirmou. “Em 2016, pela primeira vez na história, não houve contratação de energia eólica. Em 2017, a indústria espera, pelo menos, um leilão de reserva para movimentar e sustentar a cadeia de produção, já existente e nacionalizada dessa indústria”, ressalta.

Cadeia produtiva e oportunidades

A produção da energia eólica está concentrada em duas regiões brasileiras: Nordeste e Sul, sendo a primeira a que concentra a maior parte, chegando a 70%. No que diz respeito à produção industrial de máquinas e equipamentos, os grandes polos são divididos pelo país, inclusive no Sudeste, não estando apenas concentrados nas duas regiões citadas acima.

O setor eólico conta, hoje, com seis fabricantes de aerogerador (equipamento que faz uso da energia cinética do vento, convertendo-a em energia elétrica): Acciona, Gamesa (recentes interações de aquisição da Siemens), GE (adquiriu Alstom), Vestas, WEG e Wobben Windpower. A capacidade de produção dessas empresas pode alcançar, anualmente, 4GW, o que representa cerca de dois mil aerogeradores por ano. Porém, esta demanda pode variar de acordo com o que é contratado em leilões regulados.

Em consequência das regras de nacionalização do novo FINAME (financiamento promovido pelo BNDES) e a produção dos fabricantes que, hoje, possuem 80% de nacionalização, uma cadeia completa de insumos também se instalou no Brasil. São mais de 10 fabricantes de torre, 3 de pás e mais 1.000 de outras peças e componentes.

No caso das máquinas mais demandadas pelo setor, encontram-se aquelas cadastradas no novo FINAME, que são imprescindíveis para a aprovação do financiamento pelo BNDES para empreendedores de parques eólicos.

O setor eólico vem conquistando cada vez mais a atenção das pessoas e espaço de mercado. Fatores como seu baixo custo, a crise da energia térmica, a demanda por energia renovável, o fato de o Brasil ter um dos melhores ventos do mundo e os incentivos do governo favorecem o surgimento de oportunidades de negócio nesse segmento e abrem espaço para novos empreendimentos e maquinários nacionais.

Gostou de ficar por dentro dos dados sobre o setor eólico? Continue acompanhando o nosso canal de conteúdo para conferir outras informações e até a próxima!   

 

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