Especialista avalia o processo de implementação da manufatura avançada no Brasil

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) fez recentemente a primeira pesquisa nacional sobre a adoção de tecnologias digitais relacionadas à era da manufatura avançada, a chamada indústria 4.0, termo que se refere à integração digital das diferentes etapas da cadeia de valor dos produtos industriais. No levantamento, realizado com 2.225 empresas de todos os portes, identificou-se a adoção de dez tipos de tecnologias digitais e seu uso em diferentes estágios da cadeia. E boa parte dos esforços feitos está na fase dos processos industriais.

Segundo a pesquisa, 73% das empresas que afirmaram usar, ao menos, uma tecnologia digital, o fazem na etapa de processos. Outras 47% utilizam na etapa de desenvolvimento e apenas 33% em novos produtos e novos negócios. Esse, aliás, é o caminho natural: primeiro a indústria otimiza processos para, então, mover-se para aplicações mais voltadas ao desenvolvimento, a produtos e novos modelos de negócios.

“Nós temos muito a melhorar, um longo caminho a ser percorrido. Temos plenas condições de implementar uma manufatura avançada no Brasil. Mas uma coisa é as empresas estarem utilizando tecnologia digital, outra é avançarem nesses processos”, elucida João Alfredo Delgado, diretor de Tecnologia da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), explicando alguns desafios dessa evolução.

“Estamos no caminho. Vamos avançar de acordo com os passos do País”

“Para tudo tem um processo natural de implementação que deve ser lento, porque depende do investimento macro. Mas estamos no caminho. Estamos enfrentando as dificuldades estruturais que o Brasil enfrenta. Vai avançar de acordo com os passos do País”, avalia.

Diferentemente de outros saltos tecnológicos já observados na indústria, que demandavam um investimento maciço, agora o setor precisa encarar dois desafios: uma mudança cultural e um problema de infraestrutura.

“É uma mudança cultural, pois o modelo de negócio muda bastante. E esse processo vai mudar muito tanto na Alemanha quanto aqui. Muda o conceito que as empresas trabalham, e isso é uma revolução que está acontecendo”, afirma o diretor da Abimaq. “Mas isso depende de uma infraestrutura de comunicação, de uma banda larga que funcione, de uma boa internet, de toda uma discussão sobre segurança.”

Uma boa estratégia para enfrentar essas dificuldades é, segundo ele, ir mudando aos poucos, testando na prática os melhores processos. “Quando você está usando várias tecnologias juntas, fica mais complexo determinar qual o investimento deve ser feito”, pondera. “A empresa deve experimentar aos poucos, entender o que está dando certo, desde o produto até o processo de produção. O processo, aliás, é até um pouco mais simples. As dificuldades maiores vêm nas etapas seguintes mas achamos que é possível.

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