Máquina a laser, controle por pistão e alumínio: conheça a construção da tocha

Giro na manopla da base é realizado por um pistão pneumático e uma mola

Foi um dos momentos mais aguardados de 2016. Gustavo Kuerten, o Guga, adentrou ao Maracanã, correu alguns metros e entregou a tocha olímpica para Hortência. Então, sob olhares ansiosos, emanando do estádio ou das televisões, a rainha do basquete avançou e entregou-a para Vanderlei Cordeiro de Lima, o maratonista símbolo do espírito brasileiro, que acendeu a chama olímpica e encerrou uma inesquecível jornada. Por trás dessa viagem, havia o mundo: a tocha circulara por milhares de cidades, países, continentes, empunhada por heróis, esportistas, políticos, executivos, todos representantes do espírito olímpico. Mas, ainda mais ao fundo dessa viagem, havia um componente substancial: a tecnologia.

Movimento constante é inovação predominante da tocha olímpica

Não haveria tocha olímpica, afinal, sem a técnica. E não haveria essa tocha, especificamente, tão elogiada por sua beleza e criatividade, sem o engenheiro Gustavo Chelles e seu escritório de design, a Chelles & Hayashi, responsável pela concepção do projeto da tocha. “Tudo se iniciou em 2014, quando participamos de uma concorrência. Abriram um edital e 76 empresas entraram. Dessas, somente 10 foram selecionadas. E o nosso projeto foi o vencedor.”

Chelles conta que a fabricação utilizou 80% de alumínio reciclado. O restante é basicamente de latão, aço e resina. Embora várias tecnologias tenham sido empregadas, ele pondera que não há nenhum processo especial. “Foram utilizados processos genéricos. Na verdade, o que ela usou de mais específico foi uma máquina a laser de 5 eixos, que não é muito comum. Mas não se trata também de tecnologia específica.”

A tocha, porém, apesar de utilizar elementos relativamente simples, traz uma grande inovação: o movimento constante. Tudo se deve a um giro na manopla de sua base que abre cinco seções e revela os elementos coloridos – o movimento é realizado por um pistão pneumático e uma mola. Um segundo giro, por sua vez, libera o gás e mantém viva a chama olímpica. Já a parte externa é produzida pelo alumínio reciclado, enquanto as nuances são feitas em resina e colorizadas com verniz.

Desenvolvido pela Chelles & Hayashi, o projeto contou também com a participação da catalã Recam Làser, empresa que venceu a concorrência internacional para produzir o artefato. A mesma Recam foi a responsável por fazer a tocha dos Jogos Olímpicos de Barcelona.

E, em meio a um processo tão trabalhoso, capaz de envolver a expectativa de milhões de pessoas, a tocha teve seus problemas de efetivação. Chelles lembra que “as dificuldades sempre existem”, como o tempo e a execução, “que não era nem pequena e nem grande”, exigindo uma adequação à escala, ao custo, à qualidade e à verba limitada. Mas, certamente, o trabalho valeu a pena. A tocha do Rio-2016 já entrou para história como uma das mais belas da história olímpica.

Foto: Rio 2016/Marcos de Paula

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