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A caracterização de resíduos para o setor industrial: o primeiro passo para a valorização sustentável

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O setor industrial está passando por um momento significativo de transformação, impulsionado por agendas e ações que levam a repensar suas atividades e o seu papel na sociedade e na economia. Mudanças nos padrões de consumo, a crescente conscientização ambiental e a adoção de novas estratégias e regulamentos estão impulsionando uma corrida por inovação, investimentos e ações que atendam às metas de desenvolvimento sustentável e às agendas de ESG (Environmental, Social, and Governance) e CSR (Corporate Social Responsibility).

Nesse contexto, a agenda de "neoindustrialização" no país tem ganhado destaque, trazendo a revitalização e a modernização ao setor por meio da incorporação de tecnologias avançadas, práticas sustentáveis e modelos de negócios inovadores. Esse processo está se tornando central à medida que as empresas buscam equilibrar crescimento econômico com sustentabilidade e inclusão social.

Embora a neoindustrialização promova avanços tecnológicos e ambientais, as indústrias tradicionais ainda enfrentam obstáculos significativos, especialmente no que diz respeito ao impacto ambiental negativo. Um exemplo que ilustra este contexto é a enorme quantidade de resíduos sólidos, efluentes líquidos e gasosos gerados pelo setor industrial, que muitas vezes são destinados a aterros industriais ou outras formas de descarte que, embora corretas, são pouco sustentáveis. 

Reaproveitar resíduos e ressignificá-los no ambiente industrial é um desafio crítico que  precisa ser abordado de maneira abrangente e eficiente. Eles não são inúteis, muito pelo contrário. Todos os resíduos industriais podem ser valorizados, tornando-se uma nova matéria-prima circular. A partir do princípio de conservação de massa, fica claro que o total de insumos de entrada em um processo industrial deve ser igual à massa total de saída, evidenciando que resíduos industriais em algum momento foram adquiridos como insumos.

No Brasil, os resíduos industriais são classificados de acordo com a norma NBR 10.004, que define os resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública. Embora essa norma ajude as indústrias a classificar e gerenciar resíduos de produção, garantindo seu descarte adequado, ela não identifica características que possam potencializar os resíduos para um processo de valorização.

Para consolidar um modelo de economia circular, promovendo o uso eficiente e responsável dos recursos, é necessário desenvolver uma caracterização dos resíduos que investigue seus principais componentes e identifique potenciais mercados que possam absorver esses materiais como fontes alternativas e mais sustentáveis aos insumos tradicionais. A caracterização físico-química dos resíduos pode identificar a exata composição e estrutura de um resíduo industrial, permitindo que ele seja visto como um recurso renovável para aplicação como matéria-prima circular. 

O papel da caracterização dos resíduos industriais

Levantar  e analisar as características dos resíduos industriais é primordial para valorização em rotas de soluções circulares. Além de trazer significativa redução de custos na gestão de resíduos, este processo potencializa sua transformação em matéria-prima e sinaliza os mercados que possam absorver e reutilizar esse material - antes descartados para aterros - como insumos para novos processos produtivos.

No entanto, apenas a caracterização dos resíduos não garante sua valorização como matéria-prima, mas é o primeiro passo essencial para esse processo. Após a caracterização, é necessário desenvolver um projeto ainda mais complexo, onde  as informações levantadas darão suporte para identificar com precisão o mercado que absorverá a matéria-prima circular, os processos físicos e químicos necessários para alcançar a qualidade desejada e para a análise de viabilidade econômica da rota escolhida.

Mesmo com tantos avanços na agenda sustentável no ambiente industrial nos últimos anos, ainda não existe uma norma técnica que direcione o olhar para os resíduos como fontes de recursos naturais. Por isso, todo o esforço envolvendo empresas, academia, indústrias e governos para a aplicação de metodologias de caracterização de resíduos é essencial como ponto de partida para uma economia circular real e em grande escala, ou seja, em escala industrial.

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