A Voz da Indústria faz parte da divisão Informa Markets da Informa PLC

Este site é operado por uma empresa ou empresas de propriedade da Informa PLC e todos os direitos autorais residem com eles. A sede da Informa PLC é 5 Howick Place, Londres SW1P 1WG. Registrado na Inglaterra e no País de Gales. Número 8860726.

Skills interpessoais e empreendedores: o engenheiro no contexto da Indústria 4.0

soft skills engenheiro 4.0
Nessa coluna de estreia, confira a reflexão de Pedro Ferreira sobre as habilidades interpessoais desejáveis para os engenheiros 4.0.

Há algum tempo eu atuo na pesquisa de temas relacionados a formação de engenheiros aptos a atuarem no contexto da quarta revolução industrial. A cada dia surgem novas tecnologias disruptivas, que remodelam a produção industrial, os serviços, as relações humanas e a educação de novos profissionais. Com o rápido avanço, os pesquisadores educacionais tentam estabelecer quais seriam os skills necessários para um engenheiro atuar.

Mas o termo necessário se aplicaria a questão? Nos diversos eventos que participo vejo este termo com frequência e com base nas pesquisas que faço na literatura, principalmente de pesquisadores internacionais, vejo que não há uma definição com relação ao tema. Portanto passei a adotar uma nomenclatura que acho mais apropriada, desejável.

Voltando ao tema skills podemos afirmar que não podemos mais incentivar o desenvolvimento apenas dos técnicos, que são obviamente esperados de um engenheiro bem formado.  A questão agora é definir como podemos fornecer os skills interpessoais e empreendedores, algo que as empresas procuram identificar nas entrevistas de emprego. O leitor pode agora se perguntar como fazer isso e eu irei mostrar algumas direções que temos seguido e que apresentam até o momento bons resultados.

Cada instituição deve enxergar o seu processo educacional como único e estabelecer como fronteiras as dimensões curriculares do curso de Engenharia. Mais especificamente nas atividades de laboratório, professores deverão inovar dentro destas fronteiras, com projetos, kits educacionais e as tecnologias disruptivas, em um processo que denominei Design de Laboratórios. O aluno desenvolve as habilidades de forma gradativa e tem a oportunidade de estabelecer o seu próprio método de aprendizagem, algo que já é indicado como habilidade desejável para o profissional que atuará no contexto da Indústria 4.0.

A indústria tem papel fundamental encarando a universidade não mais como um cliente, mas um parceiro que desenvolverá seus futuros engenheiros, e que difundirá o uso das novas tecnologias. A indústria deve fornecer tecnologia disruptiva, transferir conhecimento para as instituições de ensino auxiliar ela a desenvolver kits educacionais customizados. Neste sentido a Mitsubishi Electric, juntamente com a CIM automação tem atuado junto ao curso de Engenharia da Universidade Paulista, onde já desenvolveu kits customizados de controladores lógicos programáveis com interface homem máquina, já focados no desenvolvimento de habilidades necessárias para a indústria 4.0. Já a FESTO tem fornecido kits baseados no comportamento animal e soluções de realidade virtual como o CIROS, software onde os futuros engenheiros poderão atuar em um processo produtivo logo em seus primeiros anos de curso. Estas empresas não só fornecem estes equipamentos, mas transferem o conhecimento para professores, técnicos e alunos.

A nós, administradores e pesquisadores educacionais cabe abrir as portas da academia para as indústrias, mostrar as características dos nossos alunos, suas dificuldades e necessidades. Cada vez mais as pesquisas focarão nas entrevistas dos especialistas industriais, que em conjunto com a opinião dos especialistas educacionais estabelecerão enfim os skills desejados para o novo engenheiro. Você já está se preparando? Em nosso próximo artigo iremos tentar desmistificar o conceito de “tudo ou nada” na implementação das novas tecnologias disruptivas.

Ocultar comentários
account-default-image

Comments

  • Allowed HTML tags: <em> <strong> <blockquote> <br> <p>

Plain text

  • No HTML tags allowed.
  • Web page addresses and e-mail addresses turn into links automatically.
  • Lines and paragraphs break automatically.
Publicar