Gestão, Oportunidades

Compartilhar conhecimento é sinônimo de diferencial competitivo; entenda

Conforme já falamos em outra oportunidade por aqui, o conceito da Manufatura Avançada (Indústria 4.0) está trazendo para o debate a importância de as empresas do setor industrial brasileiro compartilharem cada vez mais conhecimento. Na opinião de Mariano Laplane, professor do Instituto de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), “o tipo de transformação tecnológica que está ocorrendo combina com diversos tipos de conhecimento. Então, quando falamos em digitalização para uma empresa da indústria metalmecânica, com equipamentos e produtos inteligentes, ela precisa de competências de TI, de programadores, desenvolvedores, engenheiros de sistemas, etc.”, destaca.

E essa troca de informações se dá em três níveis:

  • Vertical: entre sistemas de manufatura em uma mesma linha de produção.
  • Horizontal: entre sistemas de manufatura em empresas diferentes.
  • Por meio da cadeia de engenharia de produto: troca de informações desde as etapas de projeto até as de fabricação e suporte técnico.

Renato Gavioli, pesquisador do Núcleo de Bionanomanufatura do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT),  destaca como esse processo deve acontecer na prática.

“Um determinado sistema de manufatura pode ser capaz, por exemplo, de ajustar seus parâmetros de processamento com base nas especificações e variações de um determinado lote de matéria-prima. Para tomar essa decisão de maneira autônoma, no entanto, esse sistema precisa ter acesso a essas informações técnicas de matéria-prima, lote a lote, que devem ser compartilhadas pelos fornecedores”, esclarece.

Papel das universidades na cultura do compartilhar conhecimento

Os especialistas destacam, ainda, o papel das universidades para que a cultura de compartilhar conhecimento seja implementada na indústria. “Hoje em dia, a engenharia mecânica, por exemplo, precisa ter disciplinas de engenharia de sistemas, elétrica e de programação”, salienta Laplane.

Essa interdisciplinaridade se faz necessária porque as novas tecnologias são complexas e envolvem áreas de conhecimento que até pouco tempo eram completamente independentes e, agora, não são mais, tornando comum o movimento das empresas do mundo digital em direção ao agronegócio como fornecedoras de sistemas inteligentes, auxiliando na gestão de equipamentos de colheita, assim como sistemas de gestão de sensores que indicam a temperatura para o produtor.

As universidades estão fazendo um trabalho para propor essa mudança de pensamento e levar para o mercado profissionais que já tenham essa filosofia. No entanto, esse é um esforço recente, por isso é necessário que os gestores já comecem a propor essa transformação.

“As empresas que não se adaptarem a isso vão se tornar menos competitivas. Elas precisam se acostumar a compartilhar, inclusive, em situações nas quais haja picos de demanda e capacidade produtiva insuficiente para atendê-la. O compartilhamento de informações em tempo real pode tornar possível direcionar parte dessa demanda para uma outra empresa, a fim de garantir o atendimento ao cliente. Essa outra empresa, antes concorrente, pode ser tratada como parceira”, afirma Laplane.

Sua indústria já está se adaptando à ideia de compartilhar conhecimento? Qual a sua opinião sobre isso? Deixe sua mensagem no campo de comentários abaixo e até a próxima. 

 

 

 

 

 

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