Entrevista: Fabiana Serra fala sobre as vantagens do 4S+S

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Para a professora e especialista Fabiana Gusti Serra, uma das ferramentas do Sistema Toyota de Produção mais subutilizada na indústria é o 5S. Por isso, foi este o tema escolhido por ela para o primeiro curso da Voz da Indústria, que está com inscrições abertas gratuitamente, por tempo limitado. 

A aplicação dos conceitos do 5S é o principal ponto desse conteúdo, que será discutido ao longo de todo o curso. Nessa entrevista exclusiva, Fabiana divide um pouco de sua carreira e de suas percepções obre esse tópico - e convida o público a conhecer mais nesse curso gratuito. 

Voz Da Indústria: Fale um pouco sobre a sua carreira. Como foi seu primeiro contato com o Sistema Toyota de produção e o que mais te interessou nessa área?

Fabiana Serra: Sou engenheira mecânica de produção pela FEI e iniciei a minha carreira como engenheira na planta da Ford em Camaçari onde fui contratada para a Engenharia de Sistema da Qualidade e da Linha Final de Inspeção. O projeto Amazon tinha entre suas premissas, a formação da mão de obra entre tantas no FPS (Ford Production System) através de horas massivas de treinamentos e imersões, como FPS Boot Camp. Então aprendi todas as ferramentas do TPS (Toyota Production System) na Ford e a época. A que mais me chamava atenção, por ter parte da responsabilidade, era o FTT (First Time Thru) onde era medido a eficiência dos processos anteriores através da inspeção da Qualidade e foi ai que comecei a questionar que a qualidade deveria nascer no processo, não ser controlada 100%.

VDI: Você comenta que existe uma tendência de encarar esse 5S como uma ferramenta estética e que isso é um erro. Para você, por que isso acontece e como ela deve ser encarada?

FS: O apelo visual da cultura japonesa, traduzido para nós pela gestão a vista, muitas vezes saltam aos olhos a “beleza” visual que ele tem, e muito menos o sistema suportado que o mantém. Outro exemplo típico é o Kanban onde o seu funcionamento salta aos olhos, porém existem diversas outras ferramentas que permitem suporta-lo, como o próprio 5S e o Trabalho padrão. Dessa forma, é possível identificar 5S onde não á funcionalidade com o fluxo do processo e consequentemente, ele na melhor das hipóteses, é para ficar bonitinho, rs.

VDI: Falamos muito sobre Lean Manufacturing, que é uma das suas especialidades como consultora. Como o 5S se relaciona com essa filosofia?

FS: Uma das ferramentas desse sistema é o 5S. O 5S é uma das ferramentas que suporta a estabilidade básica do fluxo de produção. Geralmente é a ferramenta mais desafiadora de implementar e tb a de se fazer melhoria continua, isso sem falar no comportamento, na disciplina, que tem que se refletir pela liderança. Isso quer dizer que manter um 5S funcional e orientado ao fluxo de valor já traz resultados em termos de redução de Lead time, por exemplo.

VDI: Falando sobre o 5S, como ele deve ser aplicado? Para você, quais são os passos para aplicar essa ferramenta em uma indústria de médio ou pequeno porte?

Fabiana Giusti_V2.jpgFS: O 5S é uma ferramenta que tem que seguir o fluxo de valor de Mão de Obra, Material e Máquina de forma a sempre objetivar a utilização máxima dos recursos, assim deve-se começar como mandam o 4S, Utilização, Organização, Limpeza e Padronização.

VDI: Em que áreas de uma empresa o 5S pode ser aplicado? Como ele pode ser adaptado, por exemplo, para a gestão de dados?

FS: O 5S deve ser aplicado em todas as áreas e processos, seguindo o mesmo conceito de orientação de valor. Para as áreas administrativas, aplica- se o 5S eletrônico que nada mais é que o 5S no fluxo de dados e informações.

VDI: Qual o papel do 5S no contexto da indústria 4.0?

FS: Assim como na operação e comercial o 5S está associada ao tratamento de dados e tomadas de decisões oriundas dos dados coletados nesses processos. Se não há organização de dados, padronização de processos capabilidade na coleta, os entregas que os devices da Industria 4.0 serão com base em dados “sujos”, que refletem um processo não padronizado e, por consequência, decisões serão tomadas com dados que nem deveriam ser considerados ao fluxo de valor.

VDI: Sobre seu curso, “4S+S: da Manufatura Enxuta à Gestão de Dados (TI)”, como ele foi desenvolvido? Como você definiu os pontos a serem abordados e, na sua opinião, quais os destaques?

FS: Esse curso foi desenvolvido acompanhando a transformação no perfil dos meus clientes para a Gestão de Dado e TI. Vendo que a única diferença entre a Manufatura e Gestão de dados é a tangibilidade física, evolui o conceito para a aplicação do 4S+S em Gestão de Dados. O 4S+S é o conceito que aprendemos na Toyota, um pouco ocidentalizado, mas com o mesmo sentido até o 4S, havendo a separação do último S, o comportamento, a disciplina.

VDI: Qual o ponto mais importante que o curso oferece para os alunos?

FS: Os exemplos reais de aplicação praticas apresentados e discutido, que podem ser replicados nos mais diversos processos.

VDI: Para encerrar, qual a principal mensagem que você gostaria de passar sobre o 5S para a indústria?

FS: O 5S é uma ferramenta mínima, básica e necessária para o suporte e sustentação do fluxo de valor. Não é uma ferramenta difícil de se implementar, desde que orientada ao fluxo e com mudança de comportamento da liderança, principalmente.

 

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