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Quais os impactos da alta do dólar na indústria brasileira?

Como ficam as indústrias nesse cenário em um cenário de dólar alto? Veja os impactos da alta do dólar e saiba como o setor precisa agir para enfrentar.

Desde o início de 2019, o valor do dólar já subiu quase 50%. Metade dessa alta se deu após o início da pandemia da COVID-19, com a moeda sendo cotada a R$5,14 em 23 de junho. Assim, é possível observar os impactos da alta do dólar são muitos para toda a economia brasileira, principalmente para a industrial.

Este expressivo aumento vem trazendo reflexos diretos nos custos de produção da indústria nacional, em grande parte dependente de peças e componentes importados. Por outro lado, as de exportação comemoram a elevação do dólar.

Este cenário tem levado muitas indústrias e a replanejar suas ações para enfrentar a elevação do dólar. Por isso, conversamos com profissionais do setor, que nos contam quais são os principais impactos da alta do dólar para o setor e quais as medidas que precisam ser tomadas. Confira.

Produtos e matérias-primas mais caros: os principais impactos da alta do dólar

Certamente, a alta do dólar trará importantes impactos para a indústria brasileira, exercendo influência sobre diversos aspectos da atividade industrial. Dentre os impactos, estão: 

  1. Insumos importados ficaram mais caros

Na indústria brasileira de máquinas e equipamentos, matéria-prima, peças e componentes representam, em média, 52% do custo da produção industrial - e estes ficarão mais caros.

Os bens e produtos importados, como máquinas e equipamentos para a produção, ficarão, sem dúvida alguma, mais caros. A matéria-prima importada para produção nacional também ficará mais cara”, explica Eduardo Gonzaga Oliveira de Natal, tributarista e sócio do Natal & Manssur.

Esse impacto nos preços é confirmado por Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças. Segundo ele, a alta do dólar é um dos fatores que influenciam a decisão de compra de autopeças.

Da mesma forma que é relevante para o custo de produção de autopeças, visto que há um componente importado relevante e muitas matérias-primas, mesmo quando produzidas aqui, têm seus preços referenciados em dólares”, completa.

  1. Redução da margem de lucro de revendedores de produtos importados

Outro ponto importante da alta do dólar citado por Eduardo de Natal tem relação com revendedoras que perdem em margem de lucro: “se você importa para a produção e revende no mercado interno, provavelmente não vai conseguir repassar esse custo da alta do dólar para o mercado interno, levando a uma diminuição de margem de lucro ou de operação”.

O sócio da Natal & Manssur completa: “O impacto no crédito para indústrias que fazem importações com fundamentos em financiamento internacional, ou seja, quem buscou funding, quem buscou dinheiro fora do Brasil, certamente está tendo um impacto muito grande no pagamento dessas obrigações financeiras”.

Indústrias exportadoras brasileiras podem se beneficiar com a alta do dólar

O lado positivo do dólar alto recai, sem dúvida, nas empresas exportadoras, como o mercado de proteína animal, ou até mesmo de minério de ferro.

Entretanto, Natal salienta que o Brasil não é um país que exporte muito o produto acabado: “somos um país que exporta muita matéria-prima, portanto, para aquelas poucas indústrias nacionais que fazem exportação de produto acabado ou até mesmo se considerarmos o agronegócio, que envolve uma cadeia produtiva para exportação, os impactos da alta do dólar serão, sem dúvida, positivos”.

Por outro lado, Ioschpe acredita que, para que haja um movimento de “localização” efetiva, será necessária competitividade ao longo do tempo da indústria brasileira: “essa competitividade envolve o trabalho árduo de redução do custo sistêmico local, o chamado “custo Brasil”, amplamente citado como um grande desafio para o país”.

Como indústrias devem lidar com os impactos da alta do dólar?

Como vimos, muitos podem ser os impactos da alta do dólar para a indústria brasileira, que deve trabalhar baseada em muita estratégia e constante análise dos riscos de mercado sobre os negócios.

É preciso que as grandes empresas tenham uma tesouraria que saiba fazer muito bem o controle de caixa, controle da moeda estrangeira, o swap cambial, avaliando todos esses riscos de mercado”, destaca Natal. 

Especialmente para as pequenas indústrias, a capacidade de deter informação de qualidade é fundamental. “A questão cambial é extremamente complexa e nem mesmo os grandes operadores de câmbio conseguem fazer um prognóstico de aumento ou redução da variação”, pondera Natal. 

Por isso, ter uma assessoria financeira é muito importante para garantir uma proteção cambial nesses momentos de grandes aumentos de moeda.

Neste cenário, independentemente da estratégia de venda adotada pela empresa, desvalorizações cambiais geram sempre ganhos de competitividade, que permitem ao produtor ampliar seu market share.

Mas, para além da desvalorização do real frente ao dólar, Maria Cristina Zanella explica que a ABIMAQ defende ações que anulem a volatilidade da paridade cambial:

É Preciso ter uma política cambial que garanta a previsibilidade dos negócios: desde o desenvolvimento do projeto, que em alguns setores da indústria de bens de capital é superior a 6 meses, até o estabelecimento do preço do bem e defende”.

Além disso, Zanella crê que medidas, como a reforma tributária, são essenciais para enfrentar os impactos da alta do dólar.

Essas políticas têm o potencial de eliminar todos os resíduos tributários presentes nas diversas cadeias produtivas nacionais, desonerando exportação e investimentos”. Segundo ela e Ioschpe, essas medidas visam anular definitivamente o tão falado “Custo Brasil”.

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