A indústria depende cada vez mais do universo digital, com linhas automatizadas, sensores IoT, sistemas de gestão integrados, plataformas em nuvem, além de análises avançadas de dados. 

Junto com a Indústria 4.0, a digitalização tem impulsionado os resultados do setor. E nessa evolução, as empresas contam com um alicerce excepcional: os data centers

Segundo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o mercado de serviços de data center no Brasil tem crescido de forma relevante nos últimos anos tamanha a sua importância.  

E por que a relação com a indústria é considerada estratégica? Antes, o chão de fábrica dependia basicamente de servidores locais e redes internas. Já hoje, as linhas de produção trabalham com base em dados, os quais sustentam os sistemas. 

Ou seja, um relacionamento que evolui de maneira acelerada, tanto pela demanda por processamento quanto pelos níveis de segurança e disponibilidade exigidos nas operações. 

Por que os data centers devem ser considerados pela indústria? 

A indústria conta, atualmente, com equipamentos mais inteligentes, máquinas conectadas e sistemas de monitoramento. Essa gama de tecnologias gera um volume intenso de informações e exige capacidade de armazenamento e processamento. 

Geralmente, o local ambiente não comporta, logo, os data centers podem fornecer a infraestrutura necessária para as empresas lidarem com o big data industrial. 

Outro ponto importante, o chão de fábrica comporta um ecossistema digital valioso, por isso, exige uma infraestrutura capaz de suportar aplicações críticas, baixa latência e alta disponibilidade. Fora isso, podemos dizer que paradas não planejadas custam caro. 

A missão dos data centers é reduzir o risco de indisponibilidade causada por falhas de hardware, quedas de energia ou vulnerabilidade de segurança para que sistemas e plataformas continuem em operação contínua. 

Data center e eficiência energética 

Além dos dados, os data centers oferecem à indústria um ganho expressivo em eficiência energética. Isso porque eles operam com sistemas avançados de resfriamento, gestão inteligente de carga, uso otimizado de energia e, em muitos casos, integração com fontes renováveis. Ou seja, permitem que as indústrias reduzam significativamente o consumo energético associado ao processamento e armazenamento de dados. 

Como resultado, a indústria melhora o desempenho ambiental, reduz despesas operacionais e se aproxima das metas ESG sem comprometer a performance tecnológica. 

De acordo com Dion Harris, diretor sênior de HPC, Nuvem e Infraestrutura de IA da NVIDIA, a medida que as demandas de IA continuam a crescer em todo o mundo, os data centers precisam de novas abordagens de distribuição de energia que melhorem a eficiência e simplifiquem os projetos.  

“As futuras arquiteturas de energia de data centers combinarão um sistema de energia ininterrupta (UPS) de média tensão (MT) com distribuição de energia em corrente contínua (CC) até a sala de servidores, utilizando dispositivos eletrônicos de potência de estado sólido.” 

Redata no cenário brasileiro 

Nesse contexto, data centers e indústria, o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center) se mostra essencial. Trata-se de um programa criado pelo Governo Federal para incentivar a construção, a expansão e a modernização de data centers no país. 

Como tudo funciona? Por meio de isenções de impostos como PIS, Cofins, IPI e imposto de importação para equipamentos de TIC. O programa busca tornar o Brasil mais competitivo na economia digital, de modo a atrair investimentos nacionais e internacionais. 

Em troca, as empresas beneficiadas precisam cumprir exigências como investir parte dos recursos em pesquisa e inovação, garantir capacidade mínima de processamento destinada ao mercado brasileiro e adotar práticas de eficiência energética e sustentabilidade. 

Conforme divulgou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o recurso será aplicado em programas prioritários de apoio ao desenvolvimento e adensamento industrial da cadeia produtiva de economia digital. 

Especificamente para a indústria, o Redata representa um avanço estratégico. Com data centers mais modernos, seguros e acessíveis, os setores ganham infraestrutura digital capaz de sustentar os sistemas em grande escala. 

O regime também fortalece a continuidade operacional, reduz custos e aumenta a competitividade das empresas ao garantir acesso a serviços de alta disponibilidade e desempenho dentro do próprio país. 

A propósito, o Futurecom Digital publicou um conteúdo dedicado ao Redata e suas especificações.  

Desenvolvimento do setor 

A título de informação, a ABB desenvolveu um projeto, em parceria com a NVIDIA, para a fabricação de data centers de próxima geração em escala de gigawatts. Segundo a ABB, a solução será focada no desenvolvimento e na implementação de soluções de ponta necessárias para criar uma entrega de energia escalável e altamente eficiente para as cargas de IA do futuro. 

“Os projetos de pesquisa e desenvolvimento apoiarão a introdução planejada pela NVIDIA de uma arquitetura de energia de 800 VDC para racks de servidores de 1 megawatt”. Para a empresa, fornecer esse nível de energia de forma eficiente exige grandes avanços nas tecnologias e arquiteturas de distribuição de energia.  

Ainda de acordo com a ABB, aproximadamente 40% da sua pesquisa científica em eletrificação está concentrada em áreas críticas para os data centers de próxima geração, como arquiteturas elétricas, dispositivos de proteção, distribuição em CC e resfriamento. 

Sobre a importância dos data centers para o setor industrial, saiba mais sobre a rastreabilidade de dados