A indústria vem avançando em digitalização, automação e inovação. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios com relação a sua força de trabalho. A chegada da Geração Z, que são os nascidos a partir da segunda metade dos anos de 1990, mudou as expectativas, os valores e os relacionamentos na indústria. 

As pessoas dessa geração estão mais acostumadas aos ambientes digitais, bem como com a velocidade da informação e a busca constante por propósitos. Sendo assim, oferecem ao chão de fábrica uma visão diferente sobre plano de carreira, liderança e ambiente de trabalho. 

Ao conversar com Giovanna Gregori Pinto, executiva de RH e fundadora da People Leap, A Voz da Indústria mostra que compreender esse perfil é fundamental para a competitividade no setor industrial.  

Uma geração com um novo olhar para a indústria 

Durante décadas, a indústria foi associada a estruturas e trabalhos rígidos, com rotinas repetitivas e pouca flexibilidade. A Geração Z, no entanto, quebra alguns paradigmas. 

Segundo Giovanna, as mudanças continuarão e a gestão de pessoas passará a ocupar um papel decisivo e impactante nos resultados corporativos. “Isso, com líderes cada vez mais orientados por dados, tecnologia e uma visão integrada do desempenho humano e organizacional”

A indústria do século 21, com a Indústria 4.0, está mais moderna e altamente tecnológica. A conexão aos dados, a inovação, a sustentabilidade e as soluções que impactam diretamente a vida das pessoas revelam essa métrica. Ou seja, um ambiente que precisa ser traduzido como um espaço de desenvolvimento, criatividade e protagonismo. Logo, uma geração atenta a tais fatores tende a contribuir consideravelmente. 

A executiva diz que o foco não é mais apenas atrair, desenvolver e reter talentos. “É aprimorar sistemas que antecipem comportamentos, ajustem processos e conectem  a gestão dos recursos ao objetivo do negócio”

Tecnologia como ponte de conexão  

A Geração Z, ou simplesmente gen Z, tem familiaridade com as ferramentas digitais. E isso contribui para o avanço da indústria, uma vez que os jovens profissionais já chegam ao mercado com facilidade em lidar com softwares, automação, análise de dados e ambientes mais colaborativos. 

E ao investir na Indústria 4.0, na digitalização e em inovação, as empresas do setor de manufatura, além de aumentar a produtividade, criam um ambiente mais atrativo para os respectivos talentos.  

“A inteligência artificial, por exemplo, já vem sendo utilizada como parceira na seleção, na leitura de dados e até nas conversas de performance, transformando análises que antes eram subjetivas em decisões baseadas em evidências”, explica Giovanna. 

Em resumo, a tecnologia é uma ponte de conexão entre gerações dentro do chão de fábrica.   

Cultura, liderança e propósito na indústria 

Outro ponto importante com relação ao engajamento da Geração Z é sobre a cultura organizacional. Para colaborar com a indústria, os profissionais em questão esperam ser ouvidos, participar de decisões e entender como o próprio trabalho pode contribuir com os resultados e também para a sociedade.  

Por isso, temas como sustentabilidade, responsabilidade social e ética corporativa também pesam na escolha de onde eles querem trabalhar. 

Sendo assim,  ao adotar práticas ESG e comunicar suas ações com transparência, a indústria consegue fortalecer a sua imagem como um setor alinhado às demandas contemporâneas capazes de gerar impactos positivos.  

Liderança e Geração Z 

“Os líderes em destaque em 2026 serão aqueles capazes de usar dados para orientar decisões, mas sem abrir mão do olhar genuíno”, revela Giovanna. E ela acredita que integrar a Geração Z ao trabalho industrial não significa romper com a experiência das gerações anteriores. Trata-se de promover a convivência entre diferentes visões, habilidades e expectativas.  

Ao investir em cultura, tecnologia e desenvolvimento humano, a indústria atrai jovens talentos e ainda constrói um futuro mais competitivo, sustentável e preparado para os desafios globais. 

“Existem jovens com perfis, ritmos e formas de trabalhar muito distintas, e o papel da empresa é ter (e dar) clareza sobre suas características e seus atrativos e sustentar isso de forma consistente.” 

Para alinhar a gen Z e todos as outras gerações, com seus múltiplos perfis profissionais, confira também o guia de Gestão de Pessoas para indústrias