A Inteligência Artificial deixou de ser apenas um recurso tecnológico, como adiantamos aqui em A Voz da Indústria. Ela se consolidou, definitivamente, como um vetor estratégico de transformação dentro das indústrias.
Está cada vez mais presente nas operações e a sua tecnologia tem provocado mudanças profundas nos processos produtivos e na maneira como as empresas decidem, lideram e se relacionam internamente.
Tudo isso tende a impactar diretamente a cultura organizacional. Falaremos dessa relação a seguir.
As tecnologias e a cultura organizacional
Segundo um estudo publicado pela Deloitte, 58% das grandes empresas no Brasil já utilizam IA em suas operações diárias. E 79% delas pretendem expandir o uso da tecnologia para novas áreas.
Para Christian Struve, CEO e cofundador da Fracttal, esse movimento confirma o papel estrutural da IA nas organizações. “A Inteligência Artificial não é mais apenas uma ferramenta, é uma mudança nos processos e uma aliada à competitividade dos negócios”, afirma.
Sabemos que a cultura organizacional é formada por valores, decisões e exemplos das lideranças. Ela é um dos campos mais impactados pela transformação do século 21.
A propósito, iniciativas de inovação tendem a fracassar quando não encontram um ambiente cultural coerente e preparado para as mudanças. Nesse contexto, a IA surge como um catalisador capaz de revelar como a cultura realmente funciona na prática.
“A tecnologia está atuando como um agente de transformação transversal. Ela impacta diretamente a cultura organizacional das corporações”, diz Christian. Ainda conforme o especialista, a IA contribui para tornar as organizações mais autoconscientes e consistentes. Dois pontos estratégicos para a indústria de manufatura.
Decisões, dados e novas lideranças
O CEO acredita que um dos principais impactos da implementação da IA na cultura organizacional está nas decisões orientadas por dados (Big Data). Isso porque, ao substituir percepções subjetivas por análises mais objetivas, a tecnologia fortalece valores como transparência, imparcialidade e responsabilidade.
É importante ressaltarmos que tal movimento redefine ainda o papel das lideranças. Segundo Christian, “a IA pode ser considerada um agente de transformação neste processo, pois permite compreender como a cultura organizacional realmente opera, de modo a identificar as lacunas entre o discurso e a prática”.
Ela contribui ainda para a maneira como as lideranças potencializam ou prejudicam as equipes. Ou seja, uma aliada na construção de empresas mais coerentes e autoconscientes. Em suma, a inovação contínua, apoiada por tecnologia, passa a integrar o cotidiano da indústria.
Efeitos da IA na cultura organizacional
Para se ter uma ideia, os impactos da IA na cultura organizacional podem ser mensurados. Indicadores como a taxa de adoção de novas tecnologias, a incorporação de projetos-piloto, ganhos de eficiência operacional e a redução de erros ajudam a mapear essa evolução.
Outras métricas são: o engajamento das equipes, a satisfação interna, a velocidade na tomada de decisões e as mudanças no estilo de liderança.
“A cultura organizacional dentro de uma companhia é um processo que se desenvolve a partir da tomada de decisão, dos valores estipulados e dos exemplos trazidos pelas lideranças.”
Na indústria, por exemplo, isso se reflete em equipes mais qualificadas, que deixam de executar tarefas repetitivas para atuar em ações estratégicas.
Ética e responsabilidade
Por um lado, a IA oferece ganhos expressivos, mas por outro impõe desafios éticos relevantes. Conforme o especialista, vieses nos dados, decisões automatizadas sem transparência e dificuldades na atribuição de responsabilidades estão entre os principais riscos da adoção desordenada da tecnologia.
“Integrar a IA de maneira responsável é um processo que exige princípios éticos claros e que atuem como um direcionamento”, completa. A saber, entre os pilares dessa abordagem estão a supervisão humana, a transparência dos algoritmos, a proteção de dados e a rastreabilidade das decisões.
“O futuro pertence às organizações que combinam inovação, aprendizado contínuo e uma referência ética clara”, conclui Christian.
Além da ética na adoção e operação das tecnologias, saiba mais sobre a cibersegurança em tempos de Inteligência Artificial.