Micro, pequenas e médias empresas respondem por uma fatia relevante do crescimento econômico. O papel delas é decisivo na geração de empregos, na inovação e no desenvolvimento regional. Ainda assim, muitas PMEs do setor industrial seguem operando aquém do potencial. O Nova Indústria Brasil (NIB) se apresenta como uma janela estratégica.  

Os motivos da instabilidade de muitas PMEs podem ser diversos, entre os quais, restrições de capital, dificuldades de acesso à tecnologia ou a percepção de que grandes transformações estão restritas às grandes corporações. 

Mais do que um programa governamental, o NIB visa reposicionar as PMEs como agentes centrais do processo de reindustrialização, inovação e do aumento da produtividade no país. 

De acordo com um material técnico publicado por João Ricardo de Freitas, coordenador de planejamento estratégico do FI Group, Anita Dedding, gerente divisional de tecnologia e inovação da ABIMAQ e Ruy Cortez, sócio e CEO do Kaizen Institute Consulting Group Brasil, iniciativas de fomento como o NIB mostram-se cada vez mais necessárias para a modernização e a competitividade da indústria. 

“Já o segmento das PMEs se consolida como uma ferramenta de manutenção e crescimento do mercado nacional, além de desempenhar um papel relevante na geração de empregos, no fomento à inovação e no desenvolvimento regional.” 

Um novo ciclo para a indústria 

Nova Indústria Brasil foi lançado em 2024 pelo Governo Federal. A sua estrutura foi pensada para orientar o desenvolvimento industrial brasileiro até 2033. A ideia é reunir instrumentos financeiros, regulatórios e institucionais voltados à modernização do setor. A propósito, o volume de recursos mobilizados é expressivo.  

Além disso, combina investimentos públicos e privados, organizados em missões estratégicas que dialogam diretamente com os desafios contemporâneos da indústria. São eles: transformação digital, sustentabilidade, infraestrutura, saúde, agroindústria e soberania nacional. 

Ao estabelecer metas claras, como a ampla digitalização das indústrias e o fortalecimento da produção nacional em tecnologias avançadas, o NIB busca reverter o processo de desindustrialização observado nas últimas décadas.  

“A iniciativa reúne uma série de instrumentos de apoio, como subsídios, empréstimos com juros reduzidos, ampliação dos investimentos federais, incentivos tributários e fundos especiais administrados por instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii)”, revelam os especialistas. 

Nova Indústria Brasil: onde entram as PMEs? 

Para as PMEs do setor industrial, o NIB oferece um ambiente de maior previsibilidade e estímulo ao investimento produtivo, principalmente no que diz respeito à inovação, automação e eficiência operacional. 

As linhas de financiamento com condições diferenciadas, os recursos não reembolsáveis para projetos de pesquisa e desenvolvimento, os incentivos à aquisição de máquinas e equipamentos e as políticas de estímulo ao conteúdo local ampliam o leque de possibilidades para empresas que desejam crescer de maneira estruturada. 

Fora isso, os executivos acreditam que as missões estratégicas do programa encontram-se com as demandas reais das PMEs, como a modernização do parque fabril, a digitalização de processos, a adequação a padrões de sustentabilidade e a ampliação do acesso a mercados externos. Para eles, “são metas ambiciosas”

Inovação, produtividade e ambiente de negócios 

Um outro diferencial da NIB, conforme o material dos especialistas, está na atenção ao ambiente de negócios. A inovação não depende apenas de tecnologia, mas também de processos mais simples, regras claras e menor burocracia. 

Por isso, o programa contempla uma agenda específica de desburocratização, com dezenas de projetos voltados à melhoria regulatória, à atração de investimentos e ao aumento da competitividade industrial

E o que essa frente significa para as PMEs? Ela é especialmente relevante, pois reduz barreiras que historicamente dificultam o acesso a incentivos, financiamentos e políticas públicas. 

Quer dizer que, ao criar condições mais favoráveis, o programa contribui para que a inovação passe a fazer parte da estratégia de longo prazo das empresas. 

Oportunidades pelo Nova Indústria Brasil 

Apesar do volume de recursos e das oportunidades disponíveis, o acesso aos mecanismos do NIB ainda pode gerar dúvidas. Algumas delas nas áreas jurídica, financeira e técnica. 

Portanto, compreender os instrumentos adequados, bem como estruturar projetos e atender aos requisitos exigidos é fundamental para aproveitar o programa com segurança e efetividade. 

Segundo João Ricardo, Anita e Ruy, as oportunidades do NIB compreendem a atualização dos parques fabris, a modernização das estruturas organizacionais e a digitalização dos processos. E são caminhos essenciais para aumentar a competitividade das empresas. 

“O NIB foi concebido para oferecer maior estabilidade e confiança, principalmente às micro e pequenas empresas, estimulando o investimento em inovação com foco no ganho de produtividade.” 

Ou seja, para que o país amplie a sua complexidade industrial e se mantenha competitivo internacionalmente, é indispensável que as PMEs estejam no centro dessa transformação. “O fortalecimento das PMEs industriais tem impacto direto na economia nacional”.  

Conforme o material dos especialistas, desta forma, será possível ampliar a complexidade industrial do país e impulsionar um modelo de crescimento mais inovador, sustentável e produtivo.