A indústria brasileira tem avançado consideravelmente em diversos aspectos. Prova disso, são os resultados apresentados pela 6ª edição do Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar – Indústria 2025, que foi divulgado pelo Great Place To Work (GPTW).
A respectiva lista revela um setor que, mesmo diante de desafios como custos, automação acelerada e percalços estruturais, mantém uma evolução consistente, de modo a dar passos importantes rumo a uma inovação mais ágil.
Confira os pontos de destaque do ranking a seguir.
O estudo GPTW Indústria
No estudo, 553 empresas participaram sendo avaliadas. Dessas, 100 eram indústrias reconhecidas, sendo 50 de médio porte e 50 de grande porte. Para se ter uma ideia, o ranking em questão compreende a indústria de maneira geral.
Alguns segmentos ganharam destaque, entre os quais, o metalmecânico, o de materiais e o de máquinas e equipamentos. Ou seja, áreas que concentram operações intensivas em tecnologia, mão de obra qualificada e processos produtivos complexos.
Segundo Ian Lopes, diretor de Recursos Humanos da Schneider Electric Brasil, um das premiadas de 2025, “a metodologia do GPTW baseia-se em pesquisas rigorosas e confidenciais que medem a experiência dos colaboradores em diversos temas”. Entre eles, confiança, liderança, valores organizacionais, inovação e práticas de gestão.
“Os rankings contemplam apenas organizações que demonstram desempenho consistente nesses indicadores.”
O que o mapa industrial do GPTW revelou?
As melhores empresas para trabalhar, conforme a premiação, estão em 13 estados brasileiros. A principal concentração está no Sudeste e no Sul. E a liderança vai para São Paulo, com 43 indústrias reconhecidas. Quem ganhou o segundo lugar foi o Rio Grande do Sul, com 14 nomes. Paraná (11) e Rio de Janeiro (9), levaram o terceiro e o quarto lugar, respectivamente.
Mas a lista não para por aí. Estados como Bahia, Ceará, Minas Gerais e Santa Catarina aparecem com quatro empresas cada, ao passo em que Goiás soma três. Espírito Santo, Mato Grosso, Pará e Pernambuco têm uma empresa premiada cada.
O respectivo resultado reforçou a tradição industrial das regiões e, paralelamente, sinalizou um avanço gradual na competitividade em diferentes áreas brasileiras. “Os dados deste ano evidenciam um setor que avança em inclusão, estabilidade demográfica e inovação”, divulgou o GPTW.
Temos um cenário positivo? Sim. E ele dialoga com os números da economia. Segundo o IBGE, a indústria brasileira acumulou um crescimento de 1,9% nos últimos 12 meses, com desempenho relevante no setor de máquinas e equipamentos (1,2% a mais).
Outros segmentos também aparecem, como o químico, o alimentício e o farmacêutico. Para a organizadora do prêmio, “esse contexto reforça o papel das organizações reconhecidas, que avançam na construção de ambientes mais seguros, produtivos e inovadores”.
Equilíbrio para as operações
O GPTW abordou também o perfil etário das empresas premiadas. Ele se mantém estável desde 2023. Dados mostram que a maior parte da força de trabalho está concentrada entre 35 e 44 anos (33%), enquanto os profissionais com 26 a 34 anos (28%) completam o segundo lugar.
Já as equipes com 45 a 54 anos representam 17% do total das pesquisadas e os jovens com até 25 anos somam 16%. Os colaboradores com 55 anos ou mais permanecem como o menor grupo, com 6%.
A título de informação, o equilíbrio entre as gerações pode ser um ponto estratégico para setores manufatureiros como o metalmecânico e o de máquinas e equipamentos, uma vez que dependem da experiência técnica e da capacidade de absorver novas tecnologias e métodos produtivos ao mesmo tempo.
Conforme o GPTW, “ele reforça que a indústria mantém uma mistura de experiência e renovação”.
Renovação e estabilidade
As melhores empresas do ranking aqui apresentado mostram um outro fator importante: o de tempo de casa. O que isso significa? Pelo menos, de acordo com o GPTW, o ano passado mostrou que o setor está em tempos de renovação.
Isso porque 36% dos colaboradores das empresas pesquisadas apresentam até dois anos de atuação, seguidos pelos 25% de funcionários que estão entre dois e cinco anos na mesma companhia.
Em contrapartida, a participação de profissionais com 11 a 15 anos de casa e mais de 20 anos reduziu de 2023 para cá.
As mulheres e os cargos de liderança
O número de mulheres nas indústrias vem aumentando. Elas passaram de 27%, em 2023, para 31%, em 2025. Tal crescimento mostra um avanço ante a média nacional do setor, que, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), está hoje em 24,9%.
Porém, com relação à liderança, as profissionais ainda encontram limites. Em 2025, elas representavam 21% dos cargos, uma baixa em relação a 2024, quando o dado era 32%.
“Os resultados mostram que, embora o quadro geral indique avanço feminino no setor, os cargos de maior poder decisório ainda demandam atenção e ações estruturadas para garantir progressão contínua”, revelou o GPTW.
Inovação na indústria
De acordo com a 6ª edição do Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar – Indústria 2025, o Índice da Velocidade da Inovação (IVR) aponta um resultado gradual. No ano que passou, 51% das empresas premiadas se mantiveram no Estágio de Atrito. E isso configura uma queda com relação aos anos anteriores.
Por sua vez, o Estágio Funcional subiu para 40%, o que indica maior fluidez operacional, de modo a beneficiar principalmente as indústrias de máquinas, equipamentos e materiais. Já o Estágio Acelerado continua restrito. Conforme a pesquisa, em 9%.
Pontos positivos da indústria para os profissionais atuantes
O que mantém o colaborador na indústria? Segundo o que foi revelado pelo GPTW, há mudanças importantes com relação a isso. Hoje, o principal motivo é a oportunidade de crescimento, com 35%, seguida pela qualidade de vida, com 29%, e pela remuneração e benefícios, com 17%.
Outro dado relevante é o crescimento do alinhamento de valores, que alcança 16%. A estabilidade também aparece, mas com menor peso, o que mostra um mercado mais dinâmico e competitivo.
Confira também quais são as tendências para o setor industrial em 2026.
Tags