inovação continua sendo a principal tendência para a indústria em 2026. Mas ela vem acompanhada de diretrizes importantes, conforme explica Mauro Andreassa, professor e secretário do Comitê de Tecnologias Quânticas da ABNT aos leitores do portal A Voz da Indústria

“A colaboração entre a Inteligência Artificial e os humanos, bem como os modelos de negócios descentralizados, a computação quântica e os ecossistemas financeiros integrados podem iniciar uma remodelação neste ano.” 

Ainda segundo o professor, talvez alguns desses tópicos estejam além do senso comum no Brasil, mas a longo alcance podem inspirar uma revolução frente aos crescimentos previstos para o país.  

A indústria deve estar preparada. Mas como? 

De acordo com o nosso colaborador, ter um modelo de negócios é importantíssimo. “Depois, é preciso pensar em como aumentar a resiliência dele”

Incerteza geopolítica, interrupção do comércio, tarifas e a disrupção impulsionada pela tecnologia são temas entre os executivos da indústria. 

“É fundamental que a indústria saiba como lidar com qualquer tipo de situação, de modo a ter planos de contingência para seguir em frente diante de possíveis perdas. O BCP (Business Continuity Plan) tem de ser constantemente atualizado.” 

Uma excelente recomendação do professor é ter provisão de recursos para acompanhar as tendências em 2026. Ou seja, um fluxo de caixa que permita flexibilidade para tomar decisões de ajuste de curso. “Quando não se sabe o que vai acontecer, tudo pode acontecer”

Empresas, acompanhem as novidades! 

Por que as empresas devem acompanhar as novidades (do setor e do mundo)? Primeiramente, porque muitas delas podem fazer sentido para o respectivo negócio e produção. 

Aliás, Mauro ressalta que é essencial que a indústria faça uma avaliação a respeito. “Você sabe onde realmente a sua empresa está alicerçada? Pular de cabeça sem estar ‘antenado’ pode trazer mais dores do que dinheiro”

E como identificar as tendências vigentes? A recomendação é acompanhar os fluxos e financiamento de capital de risco, os registros de patentes e a até mesmo a atividade das startups. 

Vale ainda monitorar as parcerias corporativas, os desenvolvimentos regulatórios e as alianças no respectivo ecossistema. 

O que as tendências de 2026 prometem? 

IA continuará marchando com as mudanças em 2026. Por isso, aproveitar o potencial da automação e capacitar as equipes com as habilidades necessárias para lidar com a disrupção causada pela chegada das máquinas inteligentes podem ser as principais medidas aqui. 

“Agentes e IAs autônomas, que executam tarefas complexas de várias etapas e se comunicam com serviços de terceiros com mínima intervenção humana, começarão a gerenciar muitos processos de negócios de ponta a ponta”, ressalta Mauro. 

Além disso, as empresas mais inovadoras começarão a criar produtos e serviços baseados em IA para resolver os problemas dos clientes de diferentes maneiras. E, como os ataques cibernéticos estão aumentando em escala e frequência, construir defesas robustas e uma cultura de segurança desde a diretoria até o chão de fábrica deverá ser uma prioridade para a indústria brasileira.  

“Quanto ao ESG, as organizações com visão de futuro buscarão separar as preocupações com os temas ambiental e social da política e abordá-las como oportunidades e desafios de negócios.” 

O mercado para as indústrias 

O cliente é a razão da existência de qualquer mercado. “Parece jargão, mas não é”, brinca Mauro. 

Para ele, as tendências não existem apenas para aumentar o lucro da empresa. Antes disso, elas devem satisfazer o cliente, superar suas expectativas e finalmente fazer dinheiro. 

Fato é que todas as tendências levam a indústrias mais ágeis e capazes de personalizar os produtos para os clientes, que estão cada vez mais exigentes. Isso, com uma entrega mais rápida e preços surpreendentemente mais baixos. 

“Competir com mercados como China, Índia, Vietnã e Turquia, por exemplo, nos exige atenção imensa aos movimentos globais com ações locais”, finaliza o secretário da ABNT.