Gestão

Integração vertical e horizontal dos sistemas de produção; veja as diferenças

A integração vertical e horizontal dos sistemas de produção está diretamente ligada ao conceito da Manufatura Avançada (Indústria 4.0). Isso porque tem como objetivo fazer com que a indústria opere de forma universal, por meio de um processo de transformação digital.

Dessa forma, o processo produtivo passa a ser otimizado, independentemente do momento em que as atividades ocorrem na cadeia produtiva.

Mas qual a diferença entre a integração vertical e horizontal? Confira os detalhes a seguir:

Diferença entre integração vertical e horizontal

Gabriel Vidor, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da UCS (Universidade de Caxias do Sul), diz que, para entender a integração  vertical e horizontal, é preciso lembrar dos chamados sistemas de “Make or Buy”.

“As empresas sempre têm uma decisão para tomar em relação aos seus produtos e processos, como optar por desenvolver internamente ou terceirizar. Basicamente, essa escolha leva à diferença básica que existe entre integração vertical e horizontal. Quando uma empresa internaliza a fabricação de seus produtos e processos, dizemos que ela está verticalizando os sistemas. Em contrapartida, quando a empresa tem uma estratégia de terceirização, a estratégia é horizontal”, explica.

Daniel Pacheco Lacerda, professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção e Sistemas da UNISINOS, completa afirmando que “a integração vertical e horizontal nos sistemas produtivos pode ocorrer para melhorar sua produtividade e eficiência.”

Integração vertical

“A integração vertical se refere à capacidade de integrar, reconfigurar e flexibilizar os processos produtivos, desde o desenvolvimento de produtos até a manufatura. Essa abordagem permite maior agilidade na reconfiguração, tanto do sistema de manufatura (atividade produtiva em si), quanto do sistema de produção (subsistemas que apoiam manufatura, como manutenção e qualidade)”, explica Lacerda.

Segundo o professor, como há uma necessidade grande em ampliar o mix de produtos para atingir fatias cada vez mais específicas do mercado e, ao mesmo tempo, o ciclo de vida dos produtos está cada vez mais curto, reconfigurar os sistemas de produção de forma rápida é uma necessidade emergente.

“A modularidade pode contribuir significativamente ao considerarmos os produtos, os processos e a própria organização de maneira modular e flexível. Contudo, a empresa sempre deve pensar qual a sua real meta”, ressalta.

Vantagens da integração vertical

Entre as vantagens da integração vertical, podemos citar:

  • Aumento da flexibilidade da fábrica;
  • Aumento da confiabilidade na produção;
  • Reconfiguração do sistema produtivo;
  • Incrementação da variedade de produtos.

Além disso, segundo Gabriel Vidor, a integração vertical abre mais possibilidades de oferta, fazendo com que as organizações ganhem espaço no mercado de produtos customizados, oferecendo maior valor agregado.

Integração horizontal

De acordo com o professor Daniel Pacheco Lacerda, a integração horizontal nos sistemas produtivos “se refere ao compartilhamento de dados e informações entre os diversos sistemas de informação, dispositivos e softwares que suportam a atividade produtiva.”

Dessa forma, a coleta, o tratamento e a análise de dados ajudam a aumentar a precisão e a velocidade da tomada de decisões na indústria. “Essa abordagem possui maior volume de dados e informações que qualificam e melhoram a performance do ambiente de manufatura”, completa. 

Não à toa, diante desse cenário, aquela tomada decisões baseada apenas em instintos ou experiências passa a perder força. “Contudo, ainda é necessária uma harmonia e integração horizontal dos sistemas de comunicação e informação”, alerta.

Vantagens da integração horizontal

As principais vantagens da integração horizontal são:

  • Agilidade na tomada de decisão;
  • Incremento da confiabilidade da tomada de decisões pela integração e consistência dos dados e informações;
  • Incorporação da inteligência e tomada de decisão nos sistemas produtivos (autonomação);
  • Qualificação da tomada de decisão a partir da análise sistemática de dados em tempo real.

Vidor complementa dizendo que as empresas que optam pela integração horizontal focam em fazer grandes volumes, com produtos padronizados e baixos custos de produção.

Por qual caminho optar?

É importante dizer que qualquer mudança realizada com o objetivo de implementar a Manufatura Avançada deve vir acompanhada de planejamento e análise de resultados.

“Todas as questões relacionadas ao conceito precisam  convergir para a geração de resultados (dinheiro) hoje e no futuro. Do contrário, essas tecnologias não contribuirão para o aumento da produtividade e, por consequência, da competitividade das empresas”, declara Lacerda.

O professor alerta também para o fato de que as mudanças realizadas sem essa base podem acabar comprometendo o resultado da organização, justamente pelo custo associado às novas tecnologias.

“A empresa deve pensar em como a integração vertical ou horizontal contribui para fazê-las alcançar a sua meta hoje e no futuro, com o aumento da produtividade e da eficiência.”  

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