A pauta transição energética não está focada apenas no quesito ambiental. Não mais. Agora é também um vetor estratégico para quem busca competitividade.
No Brasil, o custo da energia ocupa uma fatia importante da produção na indústria, portanto, investir em eficiência é uma decisão sustentável e economicamente eficaz.
Sobre este assunto, A Voz da Indústria preparou este artigo sobre o Fundo de Aval da Eficiência Energética (FAEE), cujos mecanismos são capazes de reduzir um dos principais gargalos do setor industrial.
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Quem são os responsáveis pelo FAEE?
O FAEE é uma linha de financiamento diferenciada para micro, pequenas e médias indústrias (PMEs) que desejam modernizar seus processos produtivos. Ele dá acesso a um importante crédito. Instituído pela Lei n° 17.615/22, está vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil).
Já a sua gestão operacional está sob a responsabilidade da Desenvolve SP, agência de fomento do governo estadual. Segundo a própria secretaria, “São Paulo é o estado mais pujante do Brasil, por isso, o fundo é tão relevante”.
Além disso, o FAEE conta com um apoio internacional, de onde vem um aporte inicial de 8 milhões de euros. A responsável, neste caso, é a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), entidade alemã especializada em cooperação tecnológica e desenvolvimento sustentável.
A saber, a respectiva estrutura integra o programa PotencializEE-SP, voltado à eliminação de desperdícios energéticos na indústria paulista.
Ricardo Dias Brito, presidente da Desenvolve SP, ressalta que a indústria paulista, a maior do Brasil, é competitiva, porém defasada no aspecto da eficiência energética. Por sua vez, Natália Resende, da Semil, contribui dizendo que “é preciso entender como ser mais eficiente”.
Objetivo do Fundo de Aval da Eficiência Energética
O FAEE visa garantir operações de crédito destinadas à implementação de projetos de eficiência energética.
A ideia é garantir 90% dos 8 milhões de euros disponíveis em financiamentos de até R$ 30 milhões por empresa. Na prática, o programa atua como uma garantia complementar para financiamentos contratados junto a outras instituições financeiras. Ou seja, tende a reduzir os riscos para o banco em questão e, consequentemente, facilitar o acesso da indústria (PMEs) a recursos importantes.
Conforme explica Ricardo, existem dois problemas que mostram a importância do FAEE, o primeiro é o custo. “Se as máquinas não têm eficiência energética, elas consomem mais energia e lá na frente o produto sairá mais caro”.
O outro gargalo é o aspecto ambiental. “A gente precisa olhar para essa externalidade e ver o que estamos gerando de aquecimento e desgaste para o meio ambiente”.
O auxílio financeiro do FAEE deverá contribuir com a modernização do maquinário, a melhoria em sistemas de refrigeração, aquecimento e cogeração, o otimismo de motores, bombas e ventiladores industriais, além de projetos de geração própria de energia.
Em suma, a ideia é mitigar riscos de inadimplência e, com isso, ampliar a oferta de crédito, de modo a permitir que as empresas possam investir na melhoria dos processos.
Quem pode ter acesso ao FAEE?
O foco do FAEE está nas micro, pequenas e médias empresas do setor industrial. Porém, elas devem estar focadas em projetos para a diminuição de custos operacionais, o aumento da eficiência produtiva e a redução do consumo energético. Também, da minimização das emissões de gases de efeito estufa e no avanço de metas para a descarbonização.
Segundo divulgou a Semil, o fundo estima viabilizar cerca de R$ 420 milhões em crédito, para beneficiar até 425 projetos industriais.
Além do impacto econômico direto, com a redução da conta de energia, a expectativa é economizar mais de 7 TWh no consumo. Já o potencial de mitigação de CO2 equivalente é de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas.
A indústria precisa saber
A pressão por produtividade e sustentabilidade é crescente. Sendo assim, a eficiência energética ganha uma posição estratégica. Ao destravar investimentos, com o FAEE, as empresas garantem condições para avançar simultaneamente em desempenho econômico e responsabilidade ambiental. Ambos os pilares estão cada vez mais contextualizados na nova economia de baixo carbono.
“Desenvolvimento sustentável tem uma importância muito grande, sobretudo, num cenário de emergências climáticas que estamos vendo com mais frequência. Esse olhar é relevante para uma política de estado estruturada”, finaliza Natália.
Agora que você conheceu o FAEE, descubra também as vantagens do Nova Indústria Brasil para PMEs.