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Alto potencial de consumo do gás natural gera demanda por ferramentas e tecnologia

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O consumo de energias renováveis no Brasil vai mais que dobrar até 2035, segundo dados apontados pelo relatório do BP Energy Outlook. O levantamento prevê aumento de 4,8% ao ano no consumo desse setor, o que dará ao País status de exportador líquido de energia, com o crescimento das produções de petróleo, gás e energias hidroelétrica, nuclear e renováveis. Além disso, a produção de energia vai passar de 94% do consumo em 2015 para 112% em 2035.

O BP Outlook mostrou, ainda, que o único combustível que vai sofrer retração no seu consumo é o carvão, com queda de 16%. Os renováveis, incluindo biocombustíveis, vão crescer 157%. E nessa toada,  o gás natural deve registrar aumento de 43%. O relatório apontou, também, que esse tipo de combustível vai crescer 1,8% ao ano, mais do que a média mundial, que vai ficar em 1,6%. Já a produção deve subir 1,7% ao ano no período, crescendo cerca de 1 Bcf/d até 2035.

O setor industrial responde por 56% do consumo total de gás natural. Aproximadamente, a metade desse mercado utiliza o combustível para produzir vapor, e, a outra, para queima direta. Diversos segmentos industriais, como o de papel e celulose, vidros e siderurgia, por exemplo, têm a preferência pela utilização do gás natural como fonte de energia para a geração de calor, ganhando, assim, qualidade nos processos.

O Brasil possui uma cultura no desenvolvimento de combustíveis renováveis e conta com um grande potencial de produção, porém, devido à falta de uma política clara nesse sentido, os projetos ainda não tiveram a curva de crescimento que deveriam.

No que diz respeito à expansão, de acordo com Guilherme Garcez Cabral, professor da PUCRS, os segmentos mais impactados positivamente são os de tubulações e acessórios para redes de distribuição em condomínios e estabelecimentos comerciais. “Nas redes de distribuição de gás natural, são exigidas as instalações de válvulas de segurança, que também deveriam ser utilizadas no gás de cozinha convencional (GLP), mas que, geralmente, não estão”, explica. Além disso, podemos destacar o desenvolvimento de medição remota para cada unidade consumidora em condomínios e prédios comerciais.

Entre os mercados mais importantes, que podem apresentar uma ampliação no consumo de gás natural, quatro estão dentro do setor industrial e demandam incremento de maquinário. São eles:

1 - Sistema de transporte

O mercado nacional é carente de tecnologias dedicadas ao gás natural, tanto para veículos leves quanto para pesados. O gás natural proporciona uma redução significativa na emissão de gases poluentes. E para o desenvolvimento desse mercado, há uma demanda pela criação de equipamentos capazes de facilitar a sua aplicação.

2 - Biogás

O biogás pode ser aplicado para a geração de energia e mesmo para uma eventual substituição do óleo diesel. Há um movimento muito forte para o seu desenvolvimento, que assim como no caso do transporte, também depende de equipamentos específicos que garantam a produção, o tratamento, a compressão e o transporte.

3 - Centrais termoelétricas

No Brasil, já há três projetos termoelétricos que devem utilizar gás natural, um no Rio Grande do Sul, outro em Pernambuco e o terceiro em Sergipe.

4 - Rede de distribuição

Ocorrendo a expansão para as áreas citadas, haverá a necessidade da construção de uma infraestrutura de distribuição local desse gás natural. Isso poderá ocorrer por tubulações e seus periféricos, assim como ela forma comprimida ou, até mesmo, liquefeita do produto.

Outras demandas do mercado de gás natural

Para que a ampliação do mercado de gás natural possa efetivamente ocorrer, a indústria precisa realizar revisões de projetos de máquinas e equipamentos. O professor Garcez destaca um dos segmentos da indústria que precisa passar por essa atualização.

“Um exemplo desse trabalho é o desenvolvimento de grupos geradores que funcionem com gás natural de forma a torná-los tão competitivos quanto os comuns, à base de óleo diesel, existentes no mercado nacional. Eles atenderiam tanto estabelecimentos residenciais e comerciais em grandes centros, que possuem a distribuição do gás natural, quanto poderiam ser utilizados para geração distribuída de energia elétrica em pequenas centrais de produção de biogás no setor rural”, enfatiza.

João Luiz Ponce Maia,  professor da Fundação Getúlio Vargas, comenta outro ponto importante para o crescimento do mercado de gás natural. “Ainda não temos tecnologia para estocar gás natural, isso envolve segurança, normas e custo. Uma vez que o consumo seja expandido, é preciso que se produza maquinário para estocar o produto”, destaca.

A participação do gás natural na Matriz Energética Brasileira (conjunto de fontes de energia ofertado pelo País) é de 12,9%. Esse número vem sendo ampliado, sobretudo em função da versatilidade desse combustível (que pode ser usado na indústria química, automotiva, no comércio, no uso doméstico, etc.) e pelo fato de se tratar de uma fonte de energia menos poluente.

E essa é uma tendência vista em todo o mundo: já há 185 trilhões de m³ de gás natural distribuídos pelo planeta. Não à toa, os especialistas acreditam  que o gás natural seja um combustível de transição ( por ser o mais limpo dos combustíveis fósseis), imprescindível para uma nova economia, na qual as fontes renováveis terão papel de impacto significativo, principalmente para a geração de eletricidade e na revolução energética global, demandando tecnologias, máquinas e equipamentos que acompanhem essa evolução.

Saiba como calcular o payback do seu projeto e não sair no prejuízo

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Ele costuma ser muito usado por empreendedores, investidores e todo gestor que deseja saber o prazo de recuperação do valor investido em um projeto. Sim, o famoso payback (retorno, em português) é um importante indicador de desempenho para qualquer negócio. E para a indústria, ele é especialmente valioso, pois também pode ser calculado para identificar se a aquisição de uma máquina ou a reforma do chão de fábrica, por exemplo, dará o retorno esperado.

Para o consultor do Sebrae-SP, Wagner Paludetto, conhecer os custos dentro do setor industrial é fundamental. “Quem domina os custos da empresa garante que suas operações estarão sempre adequadas ao tipo de negócio, mantém a produtividade em níveis aceitáveis e reage adequadamente aos fatores de riscos e de oportunidades em seu segmento”, enfatiza.

Cabe ressaltar, também, que, mediante o cálculo do payback, é possível medir previamente o período para o retorno de determinada ação de forma técnica, e não apenas intuitiva, por feeling. Além disso, ele também é uma forma de acompanhar o investimento realizado a fim de verificar se tudo ocorreu conforme o projetado.

Como é feito o cálculo do payback?

O payback é definido pelo período de tempo que se leva para gerar um valor de caixa igual ao investimento realizado. A explicação pode até parecer complexa, mas o cálculo é simples. Para chegar ao resultado, basta dividir o valor do investimento realizado pelo valor do lucro atual da empresa.

“Por exemplo: se o investimento necessário para se realizar determinado projeto é de R$ 100, e ele gera um caixa anual de R$ 20, o payback será 5. Isso significa que o investidor levará cinco anos para recuperar o investimento realizado”, exemplifica Rodrigo Leiria, consultor em plano de negócios, estratégia e finanças.

Pegando como base o exemplo citado, cabe ao gestor analisar cada resultado e fazer a seguinte pergunta: o payback está dentro dos parâmetros aceitáveis? Caso não esteja, e você não possa esperar cinco anos para obter o retorno total do valor investido, poderá tomar a decisão de descartar o projeto, antes mesmo que ele se inicie.

Vantagens e desvantagens do payback

Um dos principais fatores positivos do payback é a simplicidade do seu cálculo. “Por usar a unidade de tempo, diferentemente de outros indicadores, como valor Atual Líquido e Taxa Interna de Retorno, que utilizam unidades monetária e percentual, respectivamente, ele se torna mais simples", destaca Leiria.

Vale lembrar que, em tempos de instabilidade, a utilização deste método é uma forma de aumentar a segurança na tomada de decisões e na avaliação de viabilidade e de risco dos projetos, o que é fundamental para a sustentabilidade dos negócios.

Apesar disso, Paludetto vê como uma desvantagem o fato de o método do payback não levar em conta pontos importantes da contabilidade da empresa. “Ele não avalia os fluxos de caixa gerados depois do ano de recuperação, tornando-se, assim, desaconselhável na avaliação de projetos de longa duração”, explica.

No entanto, o paypack oferece ao empresário elementos para embasar seu processo de tomada de decisões, uma vez que fornece uma métrica relacionada à viabilidade e ao risco dos projetos. Ele é um aliado na hora de realizar o planejamento de seus próximos passos e investimentos e, caso o empreendedor busque investidores ou financiamento para o seu negócio, o payback poderá ser um fator-chave para a prospecção de um parceiro.

Quer saber mais sobre outras métricas e técnicas financeiras importantes para a sua indústria? Acompanhe nosso canal de conteúdo e fique por dentro das novidades do setor.

Como é o nosso DNA?

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Movido pela curiosidade, um grande amigo meu foi pesquisar na internet como é o DNA de todos nós, humanos. E qual não foi a sua surpresa ao descobrir que o DNA dos seres humanos, com a sua forma helicoidal, é muito, mas muito, semelhante aos cavacos provenientes do trabalho de Máquinas-Ferramenta, principalmente os cavacos gerados pelas operações de torneamento, fresamento e furação. É muito interessante conhecer um totem estilizado que se encontra na entrada do prédio da ABIMAQ, que sugere ser tanto um cavaco, como a representação do DNA humano. A imagem acima demonstra tal semelhança, mas também salienta a diferença entre ambos, onde o DNA humano determina o início da vida e os cavacos representam o material arrancado que restou na criação de uma nova peça.

Tal constatação de meu colega motivou-me a escrever esta crônica e relatar que muitos e muitos cavacos foram gerados nas usinagens feitas por Máquinas-Ferramenta produzidas no Brasil, desde o início da produção das mesmas, há cerca de um século, por empresas detentoras hoje de uma vasta experiência na criação e produção de máquinas de alta qualidade e desempenho, que competem em igualdade de condições nos mais exigentes mercados, nacional e internacional.

Será uma grande oportunidade para conferir os DNA’s de máquinas e equipamentos que estarão sendo demonstrados na EXPOMAFE, de 9 a 13 de maio próximo, no São Paulo Expo - www.expomafe.com.br. Não deixem de visitar os dois Estandes Âncoras:

  • Estande Temático, realizado pela empresa Jacto, com o slogan “Tecnologia a serviço do agricultor”.

  • Demonstrador Manufatura Avançada, realizado pela ABIMAQ e SENAI-SP, que estará apresentando uma Célula de Manufatura Flexível nos conceitos da Indústria 4.0.

Aproveite, clique aqui e faça seu credenciamento agora mesmo para visitar a EXPOMAFE.

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Realidade Aumentada na indústria: quais são as vantagens?

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O conceito de Realidade Aumentada não é algo novo. No começo da década de 1990, o pesquisador da Boing, Tom Caudell, usou o termo para descrever um display que misturava gráficos virtuais com a realidade. Já nos anos 1960, aviões de guerra possuíam painéis inteligentes que mostravam informações sobre a aeronave no próprio vidro dianteiro, evitando que o piloto desviasse o olhar do seu percurso. Com o passar dos anos, no entanto, a tecnologia ganhou espaço como pilar da Manufatura Avançada, oferecendo importantes soluções produtivas.

“A Realidade Aumentada é a possibilidade de usar um aparelho, como um tablet, celular ou computador, com algum tipo de marca de referência (QR Code), posicioná-lo em direção a algo, para que ele possa reconhecê-lo e, combinado com um programa de computador, gerar dados adicionais que, ao serem aumentados, possibilitam uma série de alternativas”, explica, em linhas gerais, o consultor e especialista em Manufatura Avançada, Paulo Roberto dos Santos.

Indo um pouco além, a aplicação do conceito de Realidade Aumentada só faz sentido pleno quando compreendido dentro de um contexto maior, interagindo com IoT (Internet das Coisas) e Big Data Analytics para que integre toda a complexidade da Manufatura Avançada. Essas combinações, permitiriam mostrar o estado de um determinado produto – se ele já está montado, se tem algum defeito, se ainda falta algo na linha de produção – a qualquer um que tenha acesso a um tablet, celular ou computador.

Profissionais do segmento afirmam que a tecnologia extremamente disruptiva, que tem demanda latente para redução de custo, de prazo, da melhora da produção e dos equipamentos. A boa notícia é que o Brasil dispõe das tecnologias necessárias para usar Realidade Aumentada na manufatura, mas há problema na articulação e na eficiência do sistema brasileiro, com problemas como o tributário, que podem impor lentidão ao avanço tecnológico.

De robôs autônomos a Big Data: confira os 9 pilares da Manufatura Avançada

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Ela está no centro do debate mundial sobre a produtividade e a inovação dos meios de produção das indústrias de todo o mundo por representar a interação – autônoma e inteligente – entre os sistemas de fabricação. Sim, a Manufatura Avançada já é uma realidade, colocada em prática por meio da combinação de modernos recursos capazes de permitir que linhas de montagem e produtos troquem informações entre si ao longo do processo produtivo, ao mesmo tempo em que diferentes unidades fabris tomam decisões sobre produção, compras e estoques sem a interferência humana.

No Brasil, entretanto, alguns pilares que sustentam a base tecnológica desse novo formato de indústria ainda precisam sair do papel. “Estamos distantes dos conceitos apresentados como fundamentais nos grandes seminários internacionais. No entanto, várias empresas já estão se mobilizando e realizando testes conceituais e comparativos, o que nos leva a crer que aqueles ‘Early adopters’ ou pioneiros, também serão os mesmos que colherão os frutos antes, tanto em termos de produtividade quanto em customização, aumentando em muito suas chances de se tornarem players globais”, analisa Osvaldo Lahoz Maia, Gerente de Inovação e Tecnologia do SENAI de São Paulo.

Confira, então, os 9 pilares da Manufatura Avançada apontados pelo relatório do BCG (Boston Consulting Group).

1. Robôs Autônomos

Além das funções atuais, eles podem interagir com outras máquinas e seres humanos, tornando-se mais flexíveis e colaborativos, inclusive na realização de tarefas mais difíceis.

2. Manufatura Aditiva

Produção de peças por meio de impressoras 3D, que moldam o produto (inclusive os de geometrias complexas) por meio de adição da matéria-prima, sem o uso de moldes físicos.

3. Internet das Coisas

Permite conectar máquinas por meio de sensores e dispositivos a uma rede de computadores, possibilitando a centralização e a automação do controle e da produção.

Institutos de pesquisa estimam que a partir de 2020, a Internet das Coisas seja o maior mercado de dispositivos do planeta. São previstos, em todo o mundo, em torno de 200 bilhões de carros, aplicativos e maquinários realizando operações remotas, monitorando e fazendo a interação entre produtos conectados à internet.

4. Cyber Segurança

Meios de comunicação ficarão cada vez mais confiáveis e sofisticados.

5. Simulação

Permite que operadores testem e otimizem processos e produtos ainda na fase de concepção, diminuindo os custos e o tempo de criação.

6. Big Data Analytics

Sistema que identifica falhas nos processos de uma indústria, ajuda a otimizar a qualidade da produção, economiza energia e torna mais eficiente a utilização de recursos na produção. Porta de entrada para pequenas e médias indústrias à Manufatura Avançada.

7. Computação na Nuvem

Banco de dados criado pelo usuário, capaz de ser acessado de qualquer lugar do mundo, por meio de uma infinidade de dispositivos conectados à internet.

8. Sistemas Integrados

Sistemas de TI que integram uma cadeia de valor automatizada, por meio da digitalização de dados.

9. Realidade Aumentada

Integração simultânea do ambiente real e virtual por meios tecnológicos que proporcionam a exibição de imagens virtuais no ambiente real. Se integrada, pode melhorar toda a eficiência da indústria, desde a energética até a produtiva.

Tudo o que você precisa para entender a aplicação da manufatura aditiva na indústria

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Estamos vivendo uma nova revolução industrial com a entrada da Manufatura Avançada. A tecnologia das impressoras 3D, também conhecida como manufatura aditiva, já é uma realidade na indústria brasileira. Antes restrita a simples e pequenas peças, hoje, a impressão na indústria de grande porte está presente em setores como automobilístico, defesa e aviação.

Um relatório da consultoria de inteligência de mercado IDC aponta para um crescimento anual de 24,1% no setor, duplicando os gastos mundiais com impressão 3D até o final da década, prenunciando um movimento de 35 bilhões de dólares em 2020 nesse segmento.

Para Anderson Soares, gerente de território da Stratasys Brasil, as empresas que adotam a tecnologia da impressão 3D podem ter uma redução média de 70% nos custos e de 60% no lead time. “Hoje, com a tecnologia da manufatura aditiva e os materiais avançados que dispomos, consigo imprimir moldes para uma linha de produção de injeção plástica, por exemplo. Posso, ainda, fazer ferramentas que vão desde a linha de produção automobilística até mesmo a peças do setor aeroespacial, tendo a certificação que esses mercados requerem”, afirma.

Recentemente, a montadora Audi apresentou um protótipo em pequena escala de um carro totalmente fabricado com impressoras 3D. Agências espaciais, como a NASA, estão desenvolvendo impressoras que funcionam em microgravidade, tecnologia prioritária para que, no futuro, sejam construídas colônias humanas na Lua ou em Marte. Também há experiências para a produção de alimentos e até mesmo órgãos humanos impressos em 3D.

A tecnologia é tão ampla e promissora que entusiastas já preveem que, no futuro, as pessoas poderão imprimir seus móveis e objetos do dia a dia em suas próprias casas.

Veja, a seguir, mais detalhes sobre essa tecnologia e suas vantagens para impressão na indústria. Confira!

A impressão 3D

Apesar de ter ganhado fama mais recentemente, a tecnologia da impressão 3D já existe há mais de 30 anos e, por muito tempo, esteve restrita a poucos setores industriais. Durante esse período, a técnica era utilizada para criação de protótipos para estudo de conceitos e formas. Hoje, a tecnologia começa a revolucionar a indústria, com uma gama maior de materiais imprimíveis e de aplicações.

Em um processo de usinagem tradicional, a fabricação de uma peça consiste na retirada progressiva do cavaco de grandes pedaços metálicos, até alcançar o produto final. Na manufatura aditiva, a partir de um desenho digital, as impressoras 3D constroem a peça sobrepondo finas camadas de polímeros, resinas que simulam o plástico, entre outros produtos, promovendo menos desperdício de material.

No futuro, não será necessário cortar ou dobrar peças de metal, pois alguns materiais da manufatura aditiva podem ser tão resistentes quanto determinadas ligas metálicas ou mesmo o náilon usinado. “Cerca de 90% das ferramentas de alumínio ou náilon que utilizamos hoje podem ser substituídas por uma impressa em termoplástico, equiparando-se em resistência mecânica e térmica”, assegura Anderson.

Alguns materiais plásticos também possuem certificação antichama, antifumaça e atóxica. Eles também são mais ecológicos, podendo ser reciclados.

Vantagens desse tipo de impressão na indústria

Com a popularização da tecnologia, as impressoras 3D têm ficado cada vez mais eficientes e acessíveis, até mesmo para empresas de pequeno e médio portes, que podem contar com máquinas próprias ou mesmo terceirizar esse serviço.

Além de mais rápida, padronizada e eficiente que a fabricação tradicional, a impressão na indústria pode ser mais barata. A manufatura aditiva também promove a redução de custos com transporte e armazenamento de peças ou ferramentas. Os itens ficam armazenados em computadores e podem ser impressos no momento em que se tornam necessários, sem a necessidade de moldes ou ferramental específico. Quanto às máquinas impressoras, elas podem ser instaladas em qualquer lugar e compor microfábricas mais próximas do cliente final.

A manufatura aditiva na indústria promove, ainda, a liberdade no desenho de peças. Em um centro de usinagem tradicional, nem sempre é possível fabricar peças com geometrias complexas, devido a limitações físicas do processo de usinagem. Muitas empresas adotaram a impressão 3D justamente para produzir peças que eram impossíveis ou difíceis de serem fabricadas na usinagem. Na manufatura aditiva não existe essa limitação. É possível imprimir qualquer coisa, mesmo os itens mais complexos – e sem a necessidade de impressão em grande volume.

Outra vantagem é a manufatura de ferramentas. Quando ocorre a quebra ou desgaste de alguma ferramenta, normalmente, a empresa precisa aguardar todo o procedimento de cotação, compra, fabricação e entrega da peça, um processo que pode demorar até 60 dias. “Quando a empresa adota a manufatura aditiva internamente, esse processo é muito mais curto. A partir do momento em que é decidido que determinada ferramenta é necessária, pode-se fazer rapidamente o desenho e, do dia para noite, a ferramenta passa a ser impressa e ficar disponível para a linha de produção”, defende Soares.

Além disso, sendo metálica ou de náilon usinado, a ferramenta fabricada na manufatura tradicional é muito pesada. Quando impressa em 3D, além de ter a resistência mecânica e térmica que a indústria necessita, ajuda na eliminação de peso e na ergonomia do operador. Uma ferramenta que antes pesava 5 kg pode ser substituída por uma impressa de apenas 400 gramas, afirma o especialista da Stratasys.

A tecnologia também não requer muita mão de obra, no entanto necessita de profissionais especializados na operação das impressoras ou no design de peças 3D.

E você, já conhecia a impressão 3D? Continue acompanhando o canal de conteúdo para ficar por dentro das novidades de impressão na indústria e até a próxima. 

5 motivos para manter-se atualizado em automação do controle dimensional

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Com o avanço tecnológico, cada vez mais se faz necessário que profissionais e empresas busquem aperfeiçoamento e atualização. No caso da automação do controle dimensional, esse aprimoramento é ainda mais importante, uma vez que a necessidade de um conhecimento aprofundado acaba servindo de peneira para o mercado e dando espaço exatamente àqueles que conseguem acompanhar essa evolução.

A automação do controle dimensional representa uma racionalização da mão de obra, por significar a própria viabilização econômica e técnica da medição e por minimizar erros na indústria metalmecânica.

Trazemos, a seguir, cinco motivos que mostram a importância de manter-se atualizado quanto à automação do controle dimensional e também mais informações sobre a sua aplicação. Confira!

1- Redução de erros

Tendo um processo automatizado e não mais manual, diminui-se o retrabalho, como explica o supervisor dos laboratórios da UniSociesc, de Santa Catarina, Marcelo Santos. “Quando se desenvolve um produto, ele tem várias peças que formam um conjunto. Se uma delas estiver fora do dimensional, leva-se mais tempo para acabar este trabalho”, comenta.

O professor do curso de Engenharia Mecânica da Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, Leandro Tagliari, reforça essa tese enfatizando que o equipamento automatizado tem uma qualidade de medição exata. “Não há como cair no erro do olho humano. Sem a automação, dependendo do ângulo em que estiver determinado objeto, pode haver um erro ao dimensioná-lo e, consequentemente, um comprometimento de processo”, comenta.

Dessa forma, a automação do controle dimensional proporciona redução de erros e retrabalho, tornando as peças precisas e adequadas a sua função.

2 - Rapidez nos processos

Esse é um dos grandes benefícios para a indústria metalmecânica, como explica o professor Tagliari. “Imagina medir um equipamento que tenha de 10 a 12 casas depois da vírgula de forma manual. Com os produtos a laser, há uma leitura, o que gera um ganho significativo em agilidade”, explica.

Assim, a automação do controle dimensional traz agilidade e rapidez ajudando a tornar os processos da indústria metalmecânica economicamente viáveis e mais assertivos.

3 - Soluções de problemas complexos

Com a automação, as soluções são mais rápidas e fáceis, pois a tecnologia auxilia no processo e na minimização dos erros, atuando, sobretudo, na resolução de problemas complexos. Como diz o especialista da Universidade de Santa Catarina, “a inserção da robótica nos processos permite um ajuste melhor das peças e que não se 'mate' matéria-prima, devido a uma medição eficaz promovida pela automação”, comenta.

Isso, claro, é capaz de acontecer se o profissional e as empresas realmente acompanharem a evolução tecnológica e fizerem capacitações junto a fabricantes ou centros de pesquisa que os permitam visualizar as melhores soluções adquiridas por uma vivência acadêmica e de mercado.

Dessa forma, a automação do controle dimensional auxilia na medição técnica, favorecendo a resolução de problemas complexos de aquisição e processamento dos dados.

4 - Grande volume em pouco tempo

Com a automação do controle dimensional, é possível produzir mais em menos tempo. Ela ajuda a viabilizar a manipulação de grande volume em um curto intervalo, de modo a produzir informações quanto ao andamento do processo produtivo de forma instantânea.

O especialista da Universidade de Passo Fundo dá um exemplo claro disso. “Um relatório que manualmente se leva três horas para fazer, no processo automatizado leva 30 minutos. Uma economia de tempo e dinheiro. Supondo, que a hora do profissional seja de R$ 300, ele faz o relatório e ainda pode começar outro processo”,enfatiza.

5 - Controle de qualidade em tempo real

A automatização deu às peças qualidade no acabamento. Antes, ele era inferior, muitas vezes sem precisão, sobretudo pela dificuldade, sem ajuda da tecnologia para contar 10 ou 12 casas decimais manualmente. Santos dá um exemplo muito claro disso, a produção das luzes do farol de um carro: “ hoje, elas têm cores mais distintas, antes esse processo estava mais suscetível a um erro humano. Quando se automatiza e padroniza há um melhor funcionamento do processo industrial”, conclui.

Manter-se atualizado quanto à automação do controle dimensional proporciona diversos benefícios à rotina dos colaboradores e ao resultado entregue pela indústria metal-mecânica.

Você já conhecia as vantagens da automação do controle dimensional? Acompanhe nosso canal de conteúdo e fique por dentro do que acontece no setor industrial. 

Financiamento para pequenas indústrias: confira check-list do que fazer para conseguir

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As micro e pequenas empresas representam 95% dos negócios de todo o Brasil e correspondem a uma fatia de 27% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados são da Secretaria Especial da Micro e Pequena Empresa (SEMPE) e refletem a importância desse tipo de corporação para a economia brasileira. Apesar disso, as  micro e pequenas organizações ainda sofrem com a dificuldade para acessar linhas de crédito junto a instituições financeiras.

A crise econômica impactou a liberação de financiamentos para capital de giro. Conforme a Sondagem Especial - Financiamento para Capital de Giro, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 53% das empresas do segmento renovaram seus empréstimos em piores condições do que nas negociações anteriores. Além disso, 35% não conseguiram obter o crédito e 40% obtiveram apenas parte do valor solicitado.

O governo tem anunciado medidas específicas para micro e pequenas indústrias, entretanto, as condições de hoje para obtenção de crédito estão mais rigorosas, o que exige um maior cuidado do empreendedor para não cair em armadilhas. De acordo com o diretor do Departamento de Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp, Claudio Luiz Mequelim, o sistema para adquirir crédito mudou muito nos últimos anos.

“Antigamente, 80% do financiamento dependia do gerente do banco. Hoje, é o contrário, os gerentes não têm mais autonomia, os bancos estão mais seletivos e, por isso, o que dependia desse profissional, atualmente, depende mais da empresa”, explica.

Portanto, como a liberação do pedido depende mais da indústria, alguns pontos na hora de solicitar o financiamento devem ser observados. Veja, a seguir, quais são eles.

Atualizar cadastro e documentação

A primeira coisa a ser feita, segundo Mequelim, é manter a situação cadastral de sua empresa no banco sempre em ordem. “A pequena indústria tem de ter toda a documentação atualizada no banco. Se não estiver tudo organizado, ela não conseguirá o crédito”, enfatiza.

No que diz respeito aos documentos, não se pode descuidar dos cadastros (da empresa, dos bens da empresa e dos sócios), do balanço e da declaração de Imposto de Renda dos últimos três anos de todos os sócios, da demonstração de resultados de exercício do mesmo período já citado e de certidões negativas.

Demonstrar a viabilidade do seu projeto em um plano de negócios 

Algo muito importante que a empresa precisa fazer ao requisitar um financiamento é desenvolver ou atualizar o seu plano de negócios. É preciso mostrar para o banco que o projeto para o qual está sendo solicitado o aporte financeiro é viável. E, para isso, é importante incluir no planejamento o orçamento financeiro da empresa e, quando possível, os relatórios gerenciais e contábeis do negócio.

Seu plano pode ser desenvolvido por uma ferramenta da própria instituição financeira, por exemplo. O Sebrae também possui diversos guias e ferramentas para ajudá-lo nessa tarefa.

Escolher bem a linha de financiamento

Cláudio Mequelin ressalta que, antes de procurar um banco, o empresário deve buscar auxílio, seja do Sebrae ou da Federação das Indústrias do seu estado. “O empresário da indústria de pequeno porte precisa encontrar o tipo de linha de crédito que se enquadre com a sua realidade. Há linhas da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil com juros mais baixos, por isso, é importante buscar as duas instituições para ver as possibilidades disponíveis no mercado”, recomenda.

Ele exemplifica a questão citando o caso de um programa lançado pelo Governo Federal. “O PROGEREN, que oferece uma linha de crédito mais atrativa, sob a condição da manutenção dos empregos. Por isso, é importante avaliar e escolher a receita de bolo que garanta que, ao final, ele seja feito direito”, salienta. Em relação aos bancos privados, não há muita diferenciação, pois alguns também oferecem benefícios semelhantes por terem programas do governo.

De acordo com um recente estudo da CNI, 60% das indústrias não realizaram os investimentos que tinham planejado para 2016, 39% delas alegaram  o custo e a dificuldade de financiamento como justificativa. Para evitar essa situação, mantenha a documentação atualizada, escolha a linha de crédito adequada para a sua indústria e tenha um bom plano de negócios. Assim, ficará mais fácil encurtar o caminho até o financiamento e expandir os seus negócios.

Sua empresa já conseguiu um financiamento? Compartilhe sua experiência nas redes sociais e acompanhe o nosso canal de conteúdo. 

Brasil é o quarto país em que a energia eólica mais cresce no mundo; veja dados do setor

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Nos últimos anos, o setor eólico se tornou um dos mais promissores mercados do Brasil, com grande potencial de expansão, contando, hoje, com 10,6 GWs e uma perspectiva de terminar 2017 com 13 GWs de capacidade. Em 2015, o Brasil foi a quarta nação que mais cresceu em termos de energia eólica no mundo, conforme o Relatório Anual do Global Wind Energy Council (GWEC).

A indústria eólica terminou o ano de 2015 com investimento de R$ 16,5 bilhões. Se considerarmos o investimento acumulado, o valor já passa dos R$ 48 bilhões nos últimos seis anos. Porém, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), para que o crescimento seja mantido, será necessária a contratação de, pelo menos, 2 GWs de energia eólica por ano. Isso dará um sinal de investimento e segurança para toda a cadeia produtiva, além de ser essencial para alcançar os objetivos que o Brasil assinou na Conferência do Clima (COP).

A energia eólica representa, hoje, 7% da matriz elétrica e, em diversos momentos, a produção do setor tem sido responsável por suportar 10% de toda a carga do sistema interligado nacional. No Nordeste, por exemplo, esse número é ainda maior, alcançando 40% do subsistema suprido pela energia dos ventos.

Leia, a seguir, mais informações sobre o mercado de energia eólica e suas oportunidades.

Financiamentos para o setor eólico

Em dezembro de 2016, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) apresentou a ampliação de linhas de crédito de longo prazo aos financiamentos de energia renovável e eficiência energética para empresas brasileiras, disponibilizando US$ 750 milhões para investimentos no setor eólico.

O programa oferece prazo e taxas que atendem aos fluxos necessários, tendo em vista que os projetos de energia limpa são de longo prazo, requerem uso intensivo de capital e que, na contramão disso, a manutenção e o funcionamento dos parques eólicos têm baixo custo.

O incentivo foi aprovado pela Abeeólica, como destaca a Presidente Executiva da associação, Elbia Gannoum. "Novas opções de financiamentos são imprescindíveis para a indústria eólica. Inclusive, novas opções de fomento e alternativas de investimento são a trajetória comum de indústrias em expansão. As empresas produtoras de energia limpa e todas as outras pertencentes à cadeia produtiva eólica devem analisar as opções oferecidas pelo BID e verificar a viabilidade do recurso para a implantação de novos projetos”, enfatiza.

Ela explica, ainda, que o setor não precisa apenas de financiamentos, mas também da realização de novos leilões regulados. No final do ano passado, havia a previsão de que um ocorreria, mas a expectativa não se confirmou. “Em 2016, pela primeira vez na história, não houve contratação de energia eólica. Em 2017, a indústria espera, pelo menos, um leilão de reserva para movimentar e sustentar a cadeia de produção, já existente e nacionalizada dessa indústria”, ressalta.

Cadeia produtiva e oportunidades

A produção da energia eólica está concentrada em duas regiões brasileiras: Nordeste e Sul, sendo a primeira a que concentra a maior parte, chegando a 70%. No que diz respeito à produção industrial de máquinas e equipamentos, os grandes polos são divididos pelo país, inclusive no Sudeste, não estando apenas concentrados nas duas regiões citadas acima.

O setor eólico conta, hoje, com seis fabricantes de aerogerador (equipamento que faz uso da energia cinética do vento, convertendo-a em energia elétrica): Acciona, Gamesa (recentes interações de aquisição da Siemens), GE (adquiriu Alstom), Vestas, WEG e Wobben Windpower. A capacidade de produção dessas empresas pode alcançar, anualmente, 4GW, o que representa cerca de dois mil aerogeradores por ano. Porém, esta demanda pode variar de acordo com o que é contratado em leilões regulados.

Em consequência das regras de nacionalização do novo FINAME (financiamento promovido pelo BNDES) e a produção dos fabricantes que, hoje, possuem 80% de nacionalização, uma cadeia completa de insumos também se instalou no Brasil. São mais de 10 fabricantes de torre, 3 de pás e mais 1.000 de outras peças e componentes.

No caso das máquinas mais demandadas pelo setor, encontram-se aquelas cadastradas no novo FINAME, que são imprescindíveis para a aprovação do financiamento pelo BNDES para empreendedores de parques eólicos.

O setor eólico vem conquistando cada vez mais a atenção das pessoas e espaço de mercado. Fatores como seu baixo custo, a crise da energia térmica, a demanda por energia renovável, o fato de o Brasil ter um dos melhores ventos do mundo e os incentivos do governo favorecem o surgimento de oportunidades de negócio nesse segmento e abrem espaço para novos empreendimentos e maquinários nacionais.

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Implantação de tecnologias digitais: custo ou investimento?

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Antes exclusiva às grandes empresas, a automação de processos tem proporcionado benefícios no cotidiano das pequenas e médias indústrias brasileiras hoje em dia. Muitos empreendedores têm apostado na, na Manufatura Avançada, também conhecida como Indústria 4.0, fazendo uso de mecanização, automação, robotização, software, entre outras tecnologias digitais para inovar e produzir mais e melhor.

De acordo com estudo realizado pela FIESP, das quase 350 mil indústrias de transformações existentes no Brasil, 97% delas são de pequeno porte. Em pesquisa realizada pela CNI, do total das indústrias brasileiras, 58% demonstraram conhecer a importância dessas tecnologias digitais. Porém, ainda é muito comum, em boa parte dos segmentos dessas pequenas indústrias, encontrar empresas com processos produtivos pouco automatizados ou, até mesmo, sem qualquer mecanização, quase artesanais.

“Podemos dizer que o índice de robotização no Brasil ainda é muito pequeno, contudo, quando comparamos essa situação com países que produzem os mesmos produtos, percebemos que não estamos com tanta desvantagem assim, visto que, mesmo em nações com grande escala de produção, o grau de robotização também é muito baixo”, afirma Ronaldo Alves, consultor do Sebrae-SP.

Mas por que investir em tecnologias digitais?

A Manufatura Avançada busca diminuir ou eliminar por completo a interferência do homem na maior parte dos processos industriais, visando produtos finais com melhor qualidade, o aumento da produtividade e a redução dos custos. "Trazer o auxílio de tecnologias digitais para a indústria ajuda a conquistar mais eficiência nos processos internos, proporcionar uma redução drástica de erros e de retrabalho, além de gerar inovação, uma vez que se torna possível realizar coisas que, sem o auxílio tecnológico, não se conseguiria", resume Ronaldo Alves.

Contudo, justificar investimentos em tecnologias aplicadas por intermédio desses meios fica muito mais difícil quando a empresa em questão não apresenta uma grande escala de produção. Não à toa, segundo o estudo da CNI, para 66% das empresas consultadas, a maior barreira para a adesão à Manufatura Avançada é o preço da tecnologia envolvida. Praticamente empatadas em segundo lugar com, respectivamente, 26% e 24%, estão a falta de clareza na definição do retorno sobre o investimento e a estrutura/ cultura da própria empresa. Talvez por isso, pouco menos da metade das indústrias ouvidas utiliza uma ou mais das 10 tecnologias listadas ao longo da pesquisa.

Em um primeiro momento, o investimento em maquinário moderno demanda, realmente, custos mais elevados, mas pode, em contrapartida, otimizar processos de produção, o que, potencialmente, resulta em uma grande economia ao longo prazo.

Apesar disso, vale a pena ressaltar que os investimentos em tecnologia ainda necessitam que as pequenas indústrias tenham escala de produção suficiente para serem justificados. Para o consultor do Sebrae-SP, o retorno de um investimento em tecnologia para automação, por exemplo, pode acontecer entre 12 e 18 meses. Exceto em casos excepcionais, um período maior que 18 meses para o retorno do valor empregado não justifica tais investimentos.

Uma nova cultura para a implementação de tecnologias digitais

O investimento nas tecnologias digitais não requer apenas uma adoção de modernos equipamentos, softwares e a integração digital das etapas da cadeia de valor dos produtos industriais, mas também uma nova cultura organizacional.

Em um primeiro momento, muitas indústrias acreditam que investir em Manufatura Avançada significa apenas aumentar a produtividade e reduzir custos. Apesar de positivo, esse pensamento é limitado, pois a Indústria 4.0 permite, ainda, melhorar o desenvolvimento da cadeia produtiva e criar novos produtos e modelos de negócio mais sustentáveis.

Além dos benefícios da melhoria de produtividade, com a eliminação de refugos e retrabalhos, o uso da tecnologia por meio da automação ou robotização também dá mais segurança aos colaboradores. Com a automação, é possível monitorar 24 horas por dia, 7 dias por semana, todo o complexo industrial. Sensores verificam os processos e fazem alertas em caso de qualquer irregularidade que possa colocar funcionários em perigo, diminuindo assim os riscos de prejuízos e resultados indesejados.

Outro ponto de discussão é a oferta de empregos. A introdução da automação ou robotização em uma empresa não eliminará empregos, mas substituirá a mão de obra operacional por uma mais qualificada.

“A empresa substitui a mão de obra utilizada  em uma operação manual, por exemplo, por um equipamento automático ou um robô, mas, por outro lado, ela precisará de técnicos capazes de realizar as manutenções, os ajustes, as customizações e o desenvolvimento desses equipamentos”, defende Ronaldo.

As tecnologias digitais podem ajudar as indústrias na otimização e aperfeiçoamento dos seus processos, assim como na geração de inovação e diferenciais competitivos. Por isso, a adoção dessas tecnologias não deve ser vista apenas como um gasto, mas, sim – e principalmente – como um investimento para o negócio.

Quer saber mais sobre a implementação de tecnologias digitais na indústria? Continue acompanhando nosso canal de conteúdo e até a próxima.