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ABINFER coordena força tarefa no combate ao coronavírus

ABINFER na luta contra o coronavirus

Distanciamento social, quarentena, respiradores, leitos... De um dia para o outro, esses termos passaram a dominar os noticiários e rodas de conversa em todo o país. Para alguns setores, como a indústria, o impacto do COVID-19 será sentido mais diretamente. Nesse cenário ainda confuso, um projeto da ABINFER (Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais) se guia por uma pergunta: o que podemos fazer? O resultado é uma força tarefa multidisciplinar, pronta para atuar em muitas frentes, e que já começa a agir.

Segundo Alexandre Mori, diretor comercial da Usifer e um dos porta-vozes do projeto, as primeiras conversas focaram em identificar as necessidades e entender como as indústrias ferramentais podiam atuar. “Vivemos dias de muita incerteza e começamos a trocar entre nós o que já estávamos fazendo. Conversamos sobre a potencial falta de respiradores para UTIs e buscamos, nesse primeiro momento, formas de atuar diretamente nisso”, comenta. A ideia, segundo o diretor, foi deixar o pânico inicial de lado e partir para a ação, dando início a processos coletivos envolvendo toda a cadeia da ferramentaria em prol do combate à pandemia.

Equipe multidisciplinar e primeiras ações

Além da estrutura e expertise das empresas associadas à ABINFER, o projeto também recrutou voluntários como empresários, engenheiros, projetistas e operários altamente especializados, capazes de avaliar as ações e definir de forma rápida as melhores abordagens. A iniciativa mapeou quem eram os atuais fabricantes de respiradores no Brasil, com projetos já aprovados e tecnologia adequada para a produção, e definiu formas de oferecer suporte.

Uma das definições foi colocar à disposição dessas empresas toda a estrutura das indústrias envolvidas no projeto. Com o envolvimento de representantes de toda a cadeia produtiva da ferramentaria, o projeto vai permitir que as fabricantes de respiradores dobrem sua produção. “Além disso, criamos também uma equipe de manutenção com profissionais especializados, disponível para garantir o funcionamento das máquinas sem interrupção mesmo com a alta demanda”, comenta Mori.

Atualização de projetos e produção de face shields

A equipe de projetistas envolvidas na iniciativa identificou que é possível dobrar a capacidade dos respiradores já em funcionamento na rede médica, a partir da produção de uma única peça. “O projeto já foi aprovado pela nossa equipe de médicos e agora aguarda aprovação do Ministério da Saúde. Com essa peça, um respirador que atenderia uma pessoa ganha capacidade de atender duas”, explica o diretor.

Outra iniciativa do grupo é a produção de máscaras face shield, indicadas para proteger médicos e enfermeiros que lidam diretamente com pacientes de COVID-19. O projeto existente foi adaptado para uma versão mais simples, que vai agilizar a produção e permitir que 80 mil máscaras sejam fabricadas por dia. “Toda essa produção é voluntária, tanto a estrutura quanto o tempo de máquinas ligadas, a operação e os materiais. A produção será completamente doada para a rede médica”, afirma Mori.

Formas de apoiar o projeto

Segundo Mori, a intenção do grupo é tanto humanitária quanto prática. “Queremos agir para causar impacto na proteção das pessoas, sabendo que essas ações podem ajudar quem precisa e que essas pessoas podem ser nossos parentes, amigos ou colegas”, aponta. “Ao mesmo tempo, acreditamos que quanto antes vencermos a pandemia, mais rápido veremos a reação e a recuperação dos nossos negócios na indústria”, acredita.

Atualmente, mais de 300 empresas estão envolvidas nessa força tarefa, espalhadas entre São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. “Todos os projetos que desenvolvermos estarão disponíveis para que indústrias de outros Estados possam replicar as ideias em sua região”, comenta Mori. Indústrias interessadas em participar das iniciativas ou em mais informações sobre o projeto podem entrar em contato através dos canais criados: 19 98139-7523 ou [email protected]

 

 

Gestão em tempos de crise: como se organizar em períodos críticos

gestão em tempos de crise

Declarada pandemia em 11/3, a COVID-19 (coronavírus) traz consequências globais para a produtividade e a economia. O setor industrial é um dos mais diretamente afetados, com fábricas precisando reduzir a produção e investimentos sendo adiados. Porém, mesmo diante de momentos críticos como essa crise, uma gestão eficiente pode fazer toda a diferença na hora de manter sua empresa funcionando.

O Sebrae preparou um site especial com dicas para garantir sua gestão da melhor forma possível durante esse período. Confira algumas delas a seguir:

Investir, poupar, gerir – como encontrar o equilíbrio?

De acordo com os profissionais do Sebrae, um bom entendimento dos números e ciclos do seu negócio ajudará nisso. “Optar por investir em produtos ou serviços que tenham um ciclo de vendas mais longo pode comprometer as reservas de caixa necessárias. Às vezes, não há uma ótima opção aqui, mas tente equilibrar suas necessidades imediatas sem prejudicar completamente os planos de longo prazo. Você terá que avaliar o risco de gastar e não gastar e como isso afeta os negócios.

Bancos e linhas de crédito

Para o Sebrae, é recomendado conversar com seu banco antes de enfrentar grandes problemas de caixa. “Geralmente, é mais fácil solicitar linhas de crédito antes de estar desesperado por elas. Lembre-se de que seu banco deve ser tratado como um parceiro, afinal, seu sucesso é o sucesso deles. Se está tendo problemas para cumprir com as obrigações de dívidas existentes, não espere para obter orientação. Eles podem estar dispostos a negociar acomodações de curto prazo para aliviar sua carga de caixa.”

Gerenciamento de inventário: novas possibilidade

“É muito comum as empresas terem dinheiro envolvido em inventário improdutivo. Uma boa compreensão do seu inventário muda com o tempo, e a idade dele o ajudará a encontrar os itens que precisam ser liquidados e transformados em dinheiro. Se pretende fazer descontos para aumentar as vendas, esse é o lugar certo. Coloque o inventário antigo para funcionar e transforme-o em dinheiro.”

Confira outras dicas e cases de empresas no site do Sebrae.

Conscientização de funcionários: reforço na comunicação interna para prevenir doenças

higiene das mãos na indústria

Diante do alastramento do COVID-19 (Coronavírus), classificado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como pandemia, é preciso adaptar algumas práticas e reforçar certas atitudes. Nesse cenário de rápido espalhamento de uma doença viral, medidas de higiene e isolamento social têm se mostrado valiosas para proteger as pessoas.

Para parte das empresas e funções, o home office é uma opção que ajuda a manter a segurança coletiva. Por outro lado, para profissionais que atuam na indústria – principalmente no chão de fábrica – essa é uma abordagem inviável. Enquanto as indústrias são orientadas a manter sua produção, para evitar desabastecimentos e impactos financeiros, também são incentivadas a melhorar as ações de higiene e orientação de suas equipes. Mas como fazer isso? Confira algumas dicas a seguir!

Home office: a importância da comunicação interna

Algumas funções na indústria, como as administrativas, podem ser realizadas de forma remota, através do home office. Contudo, a implementação do trabalho remoto nem sempre é uma tarefa fácil. De acordo com especialistas, a comunicação interna é peça fundamental para esse processo. “O trabalho em home office exige uma dose de atenção a mais na comunicação das empresas com seus empregados. Além da necessidade de ferramentas que façam a transmissão de informações de maneira direta e coerente com o momento, o discurso online precisa ser tão consistente quanto o presencial. É aí que uma estratégia de comunicação interna bem estruturada, aliada à cultura da empresa, entra como diferencial para manter engajamento e produtividade”, afirma Elizeo Karkoski, Diretor Executivo da P3K Comunicação, agência especializada em Comunicação Interna Estratégica e Endomarketing.

Como medida preventiva para a situação em que estamos vivendo, o home office tomou outras proporções para os negócios. Porém, como toda inovação a ser implantada no ambiente de trabalho, o trabalho remoto demanda planejamento. Esse método facilita o dia a dia de trabalho ao estabelecer acordos e metas focados em trazer maior confiança para os funcionários, gerando motivação e melhora no clima organizacional, assim como aumento da produtividade. Mas é importante estarmos alinhados: as regras precisam ficar claras para que todos saibam como participar, pois disciplina é fundamental nessa mudança”, ressalta Karkoski.

Higiene e saúde: conscientização através da comunicação interna

De acordo com as autoridades sanitárias globais, a higiene das mãos e a etiqueta respiratória são duas ações decisivas no combate ao coronavírus e outras doenças virais, principalmente entre aqueles que precisam continuar trabalhando. Garantir que isso aconteça entre os colaboradores presentes no chão de fábrica exige medidas por parte da empresa, como o reforço na reposição de sabão, a disponibilização de álcool em gel e estabelecimento de ações de comunicação focadas em orientar e proteger as pessoas. 

Conscientizar e treinar os operadores responsáveis pela limpeza também é parte do processo de implantar uma limpeza profissional segura na indústria. Porém, também é importante estimular os colaboradores. Enrico Vacaro, coordenador da RL Higiene, reforça que “cartazes, vídeos e materiais de comunicação ajudam a mudar a mentalidade do ambiente em prol do bem coletivo”. Treinamentos internos, palestras online e orientações em murais também podem ajudar nessa etapa. A colaboração de todos é essencial nesse momento.

Higienização e limpeza para indústrias afetam a saúde e os custos

Higienização e Limpeza para indústrias

Executar com segurança os procedimentos de higienização e limpeza para indústrias é uma necessidade muito séria para diversos segmentos. Garantir que esse processo seja realizado de forma ágil, correta e segura é imprescindível, principalmente em períodos de alta transmissão de doenças virais. A limpeza profissional, orientada e executada por especialistas, pode fazer muita diferença nesse sentido.

Enrico Vacaro, coordenador de marketing da RL Higiene, reforça que é preciso limpar e higienizar maquinários e esteiras, no menor tempo possível e sem espaço para contaminações. “Isso porque, em ambientes industriais, o tempo de máquina parada afeta diretamente a produção. Além disso, em segmentos mais críticos como a indústria alimentícia ou farmacêutica, todas as contaminações cruzadas devem ser controladas ao máximo, para evitar riscos”, comenta.

Higienização e limpeza para indústrias: profissionalização e controle

Os processos de limpeza na indústria estão diretamente relacionados a ganhos de produtividade, segurança e bem-estar dos colaboradores. Por isso, os gestores devem buscar melhorias no processo de higiene e limpeza como um todo. “Tudo começa num diagnóstico e a partir daí deve ser desenhada uma solução personalizada com produtos e processos. É de suma importância que esses produtos sejam profissionais, com alto desempenho e baixo impacto ambiental”, aponta Vacaro.

De acordo com ele, cada tipo de sujidade requer uma limpeza específica e isso fica mais evidente na indústria, onde há uma gama maior de componentes em jogo. “Um processo bem desenhado estabelece os produtos químicos específicos, suas diluições, ferramentas, panos descartáveis e, é claro, a solução de banheiros”, completa.

Conscientizar e treinar os operadores responsáveis pela limpeza é parte do processo de implantar uma limpeza profissional na indústria. “Também é importante estimular os colaboradores com cartazes, vídeos e materiais de comunicação que mudem a mentalidade do ambiente em prol do bem coletivo. Depois de implantada a solução, é necessário definir métricas e acompanhamento da operação”, comenta Vacaro.

Problemas causados pela limpeza incorreta em indústrias

Além de causar problemas para a saúde dos colaboradores, comprometendo a produtividade e como consequência aumentar o grau de absenteísmo, a limpeza incorreta acarreta custos de áreas produtivas que nem sempre são visíveis. Confira três desses custos a seguir, segundo a RL Higiene:

  • Custo do tempo de máquinas paradas – “Uma limpeza mais eficiente pode reduzir o tempo de setup de máquina em até 40%.  A economia mensal em horas de produção é maior do que o próprio investimento inicial”.
  • Custo de problemas com a qualidade – “Limpeza mal realizada custa caro. Uma simples contaminação pode levar a produção a prejuízos consideráveis. Saber usar corretamente produtos profissionais pode reduzir perdas e trazer grande resultado financeiro”.
  • Custo de perda de produtividade – “Linha de produção parada por problemas de limpeza compromete o resultado e elimina qualquer ganho de custo unitário de materiais”.

 

A relação entre Lean Manufacturing, World Class Manufacturing e Indústria 4.0

lean manufacturing world class manufacturing indústria 4.0

Os desafios na indústria são contínuos. Com o passar dos anos, diversas metodologias surgiram para potencializar os resultados nas empresas. Historicamente, podemos notar que a indústria está em constante evolução para atender à demanda exigida pelos contextos social, ambiental ou econômico.

Neste período de tempo, termos como Lean Manufacturing e World Class Manufacturing (WCM) surgiram envolvendo diversos fatores, como a otimização da produção e a redução de desperdícios. Na era da Indústria 4.0, muitos dos conceitos são semelhantes aos aplicados nas metodologias citadas. No entanto, o entendimento das especificidades de cada termo é essencial para a sua implementação nas empresas.

Antes de tratar sobre a relação entre Lean Manufacturing e WCM com a Indústria 4.0, vale discorrer sobre o que representa cada um dos termos.

Lean Manufacturing

A idéia central do Lean Manufacturing é otimizar a produção e reduzir os desperdícios. De maneira resumida, consiste em fazer mais com o mínimo de recursos. O termo nasceu no Japão, no período pós 2ª guerra mundial, com base no Sistema Toyota de Produção (STP).

Para isso, o pensamento Lean muda o foco do gerenciamento, otimizando separadamente as tecnologias, os ativos, e os departamentos verticais, para melhorar o desenvolvimento de produtos e serviços, por meio de fluxos  horizontais de valor, que seguem entre tecnologias, ativos e departamentos para os clientes.

A eliminação do desperdício ao longo de fluxos inteiros de valor, em vez de pontos isolados, cria processos que necessitam de menos esforço humano, espaço, capital e tempo para desenvolver  produtos e serviços com muito menos custos e defeitos, em comparação com os sistemas de negócios tradicionais. As empresas são capazes de responder às mudanças dos desejos dos clientes com alta variedade e qualidade, baixo custo e rapidez na produção. Além disso, o gerenciamento de informações se torna muito mais simples e preciso.

World Class Manufacturing

World Class Manufacturing (WCM) é um conjunto de conceitos, políticas, técnicas e princípios para operar e gerenciar uma empresa de manufatura. O conceito de WCM é baseado nos resultados positivos alcançados pelas empresas japonesas de manufatura com a implementação do STP, ou seja, é derivado do Lean Manufacturing.

O termo surgiu quando as empresas dos Estados Unidos começaram a implementar os conceitos Lean para se manterem competitivas nos mercados globais. Para isso, elas se concentraram no desenvolvimento de produtos e serviços de qualidade com a menor quantidade de recursos possível. A adoção dos processos de fabricação ajudou os gerentes a se concentrarem na melhoria contínua de qualidade, custo, prazo de entrega, flexibilidade e atendimento ao cliente.

Para alcançar um status de classe mundial e otimizar seus processos, as empresas devem alterar procedimentos e conceitos. Isso levará à reconstrução do relacionamento com fornecedores, compradores, produtores e clientes.

As empresas que usam estratégias de WCM se concentram em melhorar, continuamente, as operações, em eliminar o desperdício e em criar organizações Lean, o que geralmente resulta em maior produtividade. Essas empresas também  visam estabelecer novos padrões de velocidade, desde o recebimento de pedidos até a entrega, sem grande dependência de estoque.

A combinação das filosofias da WCM com as ferramentas do Lean ajuda as empresas a obter sucesso e a reduzir o desperdício. As metodologias sequenciais de execução do trabalho estão sendo substituídas por métodos simultâneos para comprimir o tempo, e as divisões funcionais e hierárquicas de tarefas estão sendo substituídas por atividades conduzidas pela equipe.

Lean Manufacturing e Indústria 4.0

Muitas das ações que integram a Indústria 4.0 também têm como finalidade a otimização da produção e a redução de desperdícios, assim como o Lean Manufacturing. No entanto, o conceito de I4.0 é mais abstrato e compreende outros aspectos que não são substituíveis apenas com a implementação do Lean, mas, sim,  complementares.

O especialista em Indústria 4.0, Mário Bonifácio, que atua com Pesquisa e Desenvolvimento no FIT- Instituto de Tecnologia, afirma que a relação dos termos é muito discutida atualmente, possuindo três visões distintas. "Existem duas correntes que se contrapõem ao se tratar de Lean e Indústria 4.0. A primeira acredita que é necessário um certo grau de maturidade em Lean para adotar a Indústria 4.0. Já a outra afirma que o Lean está se tornando obsoleto no contexto atual, com limitações que podem ser superadas com Indústria 4.0. Mais além disso, há uma terceira perspectiva, que enxerga vantagens na atuação dos termos em conjunto".

Sobre o último ponto de vista citado, Bonifácio complementa. "O pensamento Lean ainda é muito importante atualmente. Hoje, muitas empresas já estão em um estágio de maturidade avançado no Lean, enquanto a Indústria 4.0 está em fase de ascensão. Neste sentido, o ideal é conseguir utilizar as tecnologias provenientes da Indústria 4.0 como ferramentas habilitadoras que otimizem as ações do Lean Manufacturing". 

Na direção do que foi exposto acima, a estabilidade dos processos produtivos e a padronização dos produtos são dois elementos importantes na base da cultura da manufatura enxuta. Por outro lado, o cenário atual exige cada vez mais produtos individuais e personalizados. Para lidar com a crescente complexidade nos sistemas produtivos uma alternativa complementar é o campo da Indústria 4.0. O sistema ciberfísico proposto pela I4.0, torna possível a agilidade e benefício na tomada de decisão e até mesmo antecipando-a preditivamente. Assim, ferramentas do Lean que ocorrem ainda de maneira reativa poderão ser antecipadas com o uso combinado das duas fiolosofias.

Como um dos pilares da Indústria 4.0, a digitalização da cadeia de processos é um requisito indispensável nesta nova era da indústria. Porém, a implementação de ferramentas por si só não garante a efetividade das ações. Automatizar processos ineficientes só irá potencializar a ineficiência da empresa. Portanto, se considerarmos o Lean como um antecessor da I4.0, é ideal que o processo seja sinérgico.

Para participar de discussões sobre esse e outros temas relacionados, participe do Cluster VDI de Digitalização na Indústria. Os encontros reúnem membros de diversas instituições, promovendo debates que tratam da adaptação de manuais de boas-práticas alemãs à realidade da indústria brasileira. Acesse o site e saiba mais.

Manufatura orientada por dados: impactos e como se preparar

manufatura orientada por dados

A análise de negócios continua sendo uma das maiores prioridades nas indústrias para tornar os processos mais enxutos e custo-eficientes. Mas, mesmo com todas as ferramentas disponíveis, muitas empresas ainda encontram dificuldade ao fazer a transição para a manufatura orientada por dados.

"Embora as indústrias manufatureiras tenham uma quantidade cada vez maior de dados disponíveis, gerados a partir de diversas fontes internas e externas, seu uso ainda é incipiente. No entanto, a tendência é de que, cada vez mais, os dados sejam incorporados ativamente na cadeia de valor das indústrias", afirma Felipe Azevedo, consultor e cientista de dados. 

O que é a manufatura orientada por dados?

Cada vez mais, a conectividade está presente nas empresas, sendo responsável pela geração de uma quantidade considerável de dados. 

No caso das indústrias, a manufatura orientada por dados significa que sempre que se toma uma decisão, seja definindo taxas de produção para diferentes produtos com base na demanda prevista ou reorganizando o chão de fábrica para otimizar o fluxo de recursos, ela se baseia em uma grande quantidade de fatos e informações relevantes - e não em fatos, suposições, desejos, teorias ou opiniões.

Minerar dados e liberar o potencial da informação em um contexto da Internet das Coisas, chips RFID e de outros sistemas, utilizando Big Data e serviços de Inteligência Artificial, permite que os dados certos cheguem ao lugar certo, na hora certa.

Isso significa que os processos podem ser ajustados para colocar as máquinas em funcionamento de maneira a torná-las mais produtivas, enquanto os funcionários recebem tarefas de maior valor que somente os humanos podem executar.

Manufatura orientada por dados: quais os impactos e as vantagens para a indústria?

A capacidade de coletar dados sobre o processo de fabricação começa a afetar áreas críticas que envolvem todas as operações de fabricação no curto, médio e longo prazo.

O primeiro deles é o design de produtos. Por meio da modelagem digital, é possível eliminar o custo das falhas, impedindo antes que elas aconteçam. Também se consegue economizar tempo durante a pesquisa e o desenvolvimento, antecipando problemas ao fazer a análise de dados do mundo real e que tangibilizam demandas de mercado.

A capacidade de coletar dados e subsequentemente gerar modelos que prevejam falhas cria, também, maneiras para controlar a qualidade de produção e garantir um fornecimento consistente de produtos que chegam ao mercado.

É possível, ainda, controlar os processos industriais em virtude da modelagem de dados, aproveitando esse conhecimento privilegiado para aumentar sua velocidade de produção. Ainda, pode-se gerenciar trocas rápidas de peças e moldes, bem como processos de manutenção preditiva, estabelecendo um modelo agilizado, produtivo e eficiente de fabricação. 

E tudo isso pode ser aplicado de diferentes formas, trazendo diferentes tipos de vantagens, conforme exemplifica Azevedo.

"Uma grande indústria automotiva pode utilizar os dados de pedidos acumulados de clientes para prever melhor a demanda futura, fazendo ajustes nos pedidos de matéria-prima e na alocação de espaço no depósito. Da mesma forma, outra indústria pode vender produtos que exigem um nível elevado de personalização usando o aprendizado de máquina para prever combinações prováveis de modo a se preparar para atender pedidos customizados antes mesmo desses se materializarem, garantindo mais agilidade na produção, satisfação do cliente e produtividade. Outras vantagens desse modelo são a redução de desperdícios, aumento na eficiência e adição de valor para a competição em um cenário de Indústria 4.0."

Como estar pronto para esta tendência?

Colocar os dados no coração de uma organização é a etapa fundamental em um cenário de Indústria 4.0. Para isso, é preciso implantar soluções para capturar, armazenar e estruturar esses dados. Por meio de um planejamento cuidadoso e de métodos inteligentes de coleta, é possível gerenciar a imensa quantidade de informações enviada por sensores ao longo do chão de fábrica.

No entanto, para aproveitar ao máximo os dados, é preciso aplicar métodos que ajudem a tratar esses dados e a extrair deles insights que realmente ajudarão no processo produtivo. Fazer isso significa investir em tecnologias que possam, de fato, proporcionar uma vantagem competitiva.

"Por exemplo, o tipo certo de software pode ajudá-lo a automatizar a coleta de dados e o fluxo de informações, transformando conceitos e práticas de melhoria de processos em ferramentas de suporte à decisão relacionados às metas e aos objetivos gerais do negócio", destaca.

O especialista ressalta, ainda, a importância do Analytics para que as indústrias, de fato, consigam utilizar os dados de modo estratégico para gerar inteligência e resultados. 

"Para apostar na manufatura orientada por dados, é preciso combinar a IA com a análise das informações para que as empresas comecem a perceber completamente o valor de seus dados. A IA emprega tecnologia e algoritmos para ajudar os gestores a extrair automaticamente conceitos e cruzamentos de dados, entender seu significado e criar melhorias a partir disso. O Analytics fornece o elemento vital para interpretar o significado dessas informações e aplicá-las para acelerar e melhorar a tomada de decisões nas indústrias", finaliza.

Assim, a recompensa por análises bem-sucedidas se torna clara e quantificável. Uma indústria que investe na manufatura orientada por dados colhe mais rapidamente os inúmeros benefícios para as operações, o que aumenta a sua competitividade e, potencialmente, a satisfação do cliente.

Agora que você já sabe mais sobre os impactos e as vantagens da manufatura orientada por dados, descubra, também, como manter a segurança desses dados em sua empresa.

Impressão 3D reduz custo com ferramentaria de moldes automotivos

Divulgação - Wishbox Technologies manufatura aditiva impressão 3D indústria automotiva.png

A manufatura aditiva tem ganhado espaço em indústrias de diversos segmentos. Capaz de acelerar processos e reduzir custos, a implantação de impressão 3D, principalmente para o desenvolvimento de protótipos, permite que a ferramentaria observe vantagens nos processos. Indústrias fabricantes de moldes automotivos, por exemplo, podem se beneficiar do uso dessa técnica. 

Ao incorporar o uso da impressão 3D no desenvolvimento de protótipos e para a avaliação das aplicações, indústrias de moldes automotivos podem reduzir em menos de uma semana o tempo de desenvolvimento de protótipos, além de diminuir custos. “Empresas tradicionais que não se derem conta ou que não reconhecerem que precisam se reinventar nos dias atuais estão fadados a desaparecer cada vez mais em um curto espaço de tempo. O processo de implantação da impressão 3D é um exemplo que está revolucionando a nossa engenharia e já impactou na imagem da empresa junto aos nossos principais clientes”, comenta Gunther Faltino diretor superintendente da Riosulense, indústria catarinense de moldes automotivos que incorporou a técnica em seus processos. 

Vantagens da implantação de impressão 3D na fabricação de moldes

Para Rodrigo Marin, diretor da Wishbox Technologies, especializada em soluções na implementação da manufatura aditiva em empresas, existem três grandes vantagens ao implementar a impressão 3D na fabricação de moldes: tempo, custo e sigilo industrial. "Quando falamos em lançamentos de produtos, velocidade é um fator determinante para se destacar entre os concorrentes, e com essa técnica pode-se economizar tempo na confecção de um molde", defende. "Além disso, podemos destacar o custo de fabricação da ferramenta que é bem menor com a impressão 3D do que nas outras técnicas.  Outro ponto importante é que as ferramentas são fabricadas internamente com a impressora 3D, evitando a contratação de terceirizados, o que economiza tempo com os prazos do prestador de serviços e logística, além de manter o projeto em absoluto sigilo industrial", completa. 

Ao utilizar a técnica de manufatura aditiva, não existe limitação de tamanho para a peça final, uma vez que a ferramenta pode ser feita em partes. "Porém, existe limitação na tecnologia de impressão 3D. Isso porque não é qualquer tipo de equipamento que consegue fazer essas ferramentas. Além da máquina certa, você vai precisar das técnicas certas para conseguir uma boa extração", reforça o especialista. 

Capacitação e treinamento

Para o diretor, é indispensável apostar na capacitação dos engenheiros e projetistas para a utilização da impressora 3D. "Durante o treinamento vamos ensinar os operadores todas as técnicas necessárias para ter impressões de sucesso. Porém, para fazer estes tipos de ferramentas não basta entender como utilizar a impressora. É necessário conhecimento técnico na modelagem da ferramenta, ou seja, precisa ter um conhecimento prévio antes da implementação da tecnologia de manufatura aditiva", aponta Marin. 

impressão 3D para moldes industriais

Na aplicação da técnica na fábrica de moldes automotivos, a manufatura aditiva reforçou o relacionamento e o atendimento com ao cliente. “Nosso processo de venda consiste no sucesso do cliente e, portanto, não estamos dispostos a vender apenas o equipamento, mas a solução à fábrica que precisa reduzir o tempo de desenvolvimento das peças. Inicialmente, o engenheiro não tinha uma rápida resposta dos clientes quanto aos ajustes nos moldes. O processo de ferramental levava cerca de 2 a 3 semanas para ser concluído, o que uma impressora 3D poderia realizar em questão de horas”, explica o diretor da Wishbox Technologies. 

O desenvolvimento de protótipos para moldes automotivos gera tempo e os gastos reduzidos. A metodologia também oferece a oportunidade de desenvolver a criatividade em todo o processo até as medidas de execução.