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Machine Learning é uma aposta para eficiência em procedimentos

machine learning

Cada vez mais o ser humano busca praticidade e autonomia para efetuar atividades simples com mais rapidez e, geralmente, com apenas um clique. O método de Machine Learning surgiu com essa possibilidade, entre as suas infinitas atuações. Utilizando a Inteligência Artificial em dispositivos, o sistema pode aprender com dados e, ao identificar um padrão, pode tomar decisões com o mínimo de intervenção humana.

Com o intuito de trazer mais praticidades para a sala de aula, os professores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) estão usando o aplicativo IAmHere, que utiliza a Inteligência Artificial, para reconhecer o rosto dos alunos e, assim, realizar a chamada. A tecnologia assegura o controle de presença com mais rigidez e reduz o tempo para verificar quais alunos assistiram à aula.

O aplicativo foi desenvolvido pelo Laboratório de Extensão em Desenvolvimento de Soluções (Leds) do Ifes, Campus Serra. Ele foi pensado por professores do próprio laboratório e desenvolvido por quatro alunos do curso de graduação em Sistemas de Informação, e do curso técnico em Informática. O app está em uso no instituto desde abril do ano passado (2019).

O coordenador do projeto e professor de Engenharia de Software, Fabiano Borges Ruy, afirmou que o objetivo principal é otimizar o tempo do professor dentro da sala de aula. “Uma chamada convencional, que dura de 3 a 5 minutos, é reduzida para 20 a 30 segundos”, disse. A tecnologia também armazena todas as informações, o que concede ao professor a possibilidade de conferir as presenças posteriormente.

Em sua funcionalidade, professores e alunos cadastram a lista de chamada através de uma foto individual ou uma foto coletiva. Após isso, só será pedido o nome e o número de matrícula do estudante. Na hora da chamada, os professores pedem aos alunos para olharem para a câmera do smarthphone com o aplicativo aberto e, ao tirar uma foto da turma, o aplicativo identifica a face dos alunos e compara com as fotos cadastradas no sistema. Após confirmar a presença, os estudantes recebem uma notificação em seus telefones de confirmação.

Atualmente, o IAmHere é utilizado por dois professores em turmas de tamanhos variados. Além disso, a integração do aplicativo está em interligada com o sistema acadêmico do Ifes, fazendo com que os registros de frequência sejam transferidos diretamente para o sistema oficial da instituição.

Machine learning salvando vidas

Um aplicativo que acelera o diagnóstico de câncer de pele, com apenas uma foto, foi criado por desenvolvedores do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Instituto de Engenheiros Eletrônicos e Eletricistas (IEEE). A tecnologia, que pode ser utilizada por um clínico geral, por exemplo, acelera o diagnóstico de um dos tipos mais comuns de câncer no país, informando se a lesão aparenta ser maligna ou não. “O clínico vai encaminhar o paciente para o dermatologista, já indicando que a lesão tem potencial para ser maligna. Então, em uma fila de espera do SUS [Sistema Único de Saúde], a pessoa terá alta prioridade”, exemplifica o professor e coordenador do projeto, Jacob Scharcanski.

Com a imagem capturada, o aplicativo detecta e analisa a lesão da pele, levando em conta a regularidade das bordas, as cores e o tamanho.

Por enquanto, existe apenas um protótipo em fase de teste na universidade. Ainda não há previsão para que a nova tecnologia chegue ao mercado, pois isso depende de investimentos do setor privado. “É preciso que alguma empresa tenha interesse e faça o processo de certificação. Mas, se isso acontecesse hoje, dentro de um ano o produto já estaria sendo comercializado”, diz o professor.

Câncer de Pele

O câncer de pele não melanoma é o mais frequente no Brasil – corresponde a 30% de todos os tumores malignos –, com 165.580 casos novos em 2018, e alta taxa de cura.

Por sua vez, o melanoma é o mais grave, devido ao alto risco de metástase, mas corresponde a apenas 3% dos casos de câncer de pele. A estimativa foi de 6.260 novos casos em 2018. Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

O diagnóstico de lesões de pele é feito com um aparelho especializado chamado dermatoscópio. Ele só pode ser usado por dermatologistas treinados.

 Com isso, percebemos que os benefícios para a sociedade provenientes da evolução tecnológica são notáveis. Graças ao aprimoramento das ferramentas, podemos esperar mais aplicações nacionais de IA para os próximos anos, trazendo melhorias consideráveis para a qualidade de vida da população.

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Gestão de ativos na indústria: como melhorar a sua?

gestao de ativos na indústria

A gestão de ativos vem sendo um assunto que tem ganhado cada vez mais notoriedade no ambiente industrial. E isso é justificável, afinal, as iniciativas voltadas para a administração dos bens de uma indústria têm feito toda a diferença para oferecer um produto mais competitivo no mercado.

Basicamente, a gestão de ativos industriais é uma atividade coordenada em que há a correta gestão de todo o ciclo de vida de um ativo industrial, desde a sua aquisição, até seu descarte. Mas, o mais interessante é que esse tipo de gestão pode ser melhorado e trazer ganhos significativos para a indústria.

O que é gestão de ativos industriais?

O termo gestão de ativos na indústria é um conjunto de atividades e sistemas que envolve a avaliação de custos, oportunidades de melhorias e riscos frente ao desempenho desejado para atingir os objetivos organizacionais.

Neste cenário, Ariel de Oliveira Kempf, fundador da Trisolutions e especialista na área, explica que essa forma de gestão é bastante ampla, e abrange todo o ciclo de um ativo dentro da indústria.

A gestão de ativos abrange as mais diversas áreas em todos os níveis hierárquicos da organização e pode envolver atividades que vão desde a seleção e aquisição dos ativos, passando pela utilização e manutenção, até a sua desativação e descarte com as devidas responsabilidades”, explica.

Mesmo que à primeira vista essa gestão pareça simples, Alisson Castanho Da Silva, Gerente de Produto na Gestão de Ativos da Atech, explica que esse é um dos processos mais importantes dentro de qualquer indústria.

Exatamente por conta dessa complexidade, em 2014, o especialista ressalta que foi criada A ISO 55000, que trata de todo o sistema de gestão e manutenção de ativos. “A norma descreve toda a metodologia, como também como realizar a análise de aspectos relevantes, tais como desempenho financeiro do investimento realizado naquele ativo, potenciais riscos de gestão e sustentabilidade organizacional”, complementa o gerente da Atech.

Benefícios da gestão de ativos para indústrias

Ter um maior controle sobre seu parque de equipamentos é tarefa essencial para minimizar paradas corretivas, gastos com manutenções desnecessárias, riscos de saúde/ambiental e reputacional da empresa.

Dessa forma, os benefícios passam pela adoção de novos processos de trabalho que sejam automatizados e inteligentes, possibilitados pela incorporação dos avanços da Tecnologia da Informação (TI), da Tecnologia da Automação (TA) e Ciência de Dados, de forma a contribuir para que as plantas industriais evoluam e utilizem os modernos conceitos de produção, denominados como "Indústria 4.0".

Assim, segundo o fundador da Trisolutions, as soluções de gestão de ativos industriais permitem que uma organização obtenha incrementos de valor extraídos de seus ativos de acordo com seus objetivos organizacionais, tais como:

  • Redução de custos pela preservação do valor do ativo e melhor planejamento de intervenções nos equipamentos, com procedimentos mais bem direcionados, estendendo suas vidas-úteis;
  • Permite que se realize investimentos baseados em dados, ponderando riscos, oportunidades e desempenhos;
  • Gerenciamento de riscos operacionais/ocupacionais relacionados a saúde, segurança, reputação, impacto no meio-ambiente, seguros, multas e penalizações;
  • Garantia da qualidade dos produtos e serviços através da manutenção do bom desempenho, permitindo atingir ou exceder as expectativas de clientes;
  • Aumento do entendimento sobre os ativos, seus desempenhos e riscos associados, digitalizando conhecimento que, antes, acabava não documentado, e consolidando melhores práticas e condutas que afetam os ativos.

Assim, para Alisson da Silva não importa se há maior ou menor emprego da tecnologia, o importante é que a indústria faça a implementação desse sistema de gestão para controle dos ativos, principalmente para o atual momento.

Em momentos como esse que estamos passando, priorizar esse tipo de gestão é fundamental para garantir operacionalização, rentabilidade, e custos desnecessários”, diz.

Medidas e estratégias para melhorar a gestão de ativos na indústria

Embora a definição desse termo seja bastante abrangente, Ariel Kempf diz que iniciativas em áreas específicas da organização podem ser a semente inicial para uma adoção mais ampla da gestão de ativos da indústria.

Estas áreas devem sempre contar com o suporte de áreas superiores na hierarquia, pois irão envolver equipes multidisciplinares, de diferentes setores e, por isso, irão requerer uma coordenação mais geral para que todos estejam alinhados com os objetivos”, complementa.

Além dessa questão, o Gerente de Produto na Atech explica que o processo de gestão de ativos precisa estabelecer políticas claras de manutenção preventiva e corretiva, bem como provisionamento de itens para manutenção.

Ele completa explicando que a Industrial Asset Management (IAM) dá três orientações essenciais para a gestão de ativos, que são:

  • Manutenção do ativo para operar em condições nominais, com sua melhor performance, levando em consideração o custo-benefício da operação;
  • Prolongamento da vida útil do ativo, com a realização de melhorias operacionais e tecnológicas, o que pode promover a extensão desse tempo útil da máquina; e
  • Adaptação do ativo, com o objetivo de oferecer melhor desempenho operacional, dentro das demandas de produção.

O gerente da Atech explica que o advento da Indústria 4.0 tem impactado bastante na forma como as empresas fazem a gestão dos seus ativos. Mas, segundo ele, a digitalização da gestão de ativos ainda é a realidade de poucas fábricas instaladas no Brasil.

Para quem conta com uma gestão com baixa digitalização, a organização é a chave para conseguir manter a operação. Claro que, dentro desse contexto, é preciso mais gente trabalhando nessa operacionalização. Quando tratamos de um contexto de alta tecnologia, teremos uma melhor manutenção preventiva, por exemplo, já que sensores vão fazer um trabalho muito mais fino de detecção de problemas”, explica.

Por fim, Ariel Kempf diz que, para engajamento das lideranças/patrocinadores na implementação da gestão de ativos, há a necessidade de evidenciar os benefícios tangíveis e intangíveis que estas atividades trazem.

Parcerias para acelerar a inovação na indústria

parcerias para inovação na indústria

Mais do que nunca, a inovação tem sido uma estratégia importante para muitas indústrias. Neste setor, inovar significa produzir mais e melhor. Mas como fazer isso da melhor forma? A resposta pode estar na adoção de parcerias para acelerar a inovação na indústria.

Muitas indústrias têm o objetivo de inovar de forma rápida para alcançar resultados em curtos espaços de tempo, mas por vezes, não tem mão de obra direcionada ou não sabem por onde começar. Por isso, parcerias para acelerar a inovação na indústria são essenciais.

Ao fazer isso, a indústria se une a especialistas na área em que pretende inovar (como startups, escolas técnicas e universidades) para desenvolver um modelo de negócio repetível e escalável, em um ambiente de extrema incerteza.

Por que investir em parcerias para acelerar a inovação na indústria?

No atual contexto, as indústrias que querem inovar em seus processos precisam, quase que por necessidade, investir em transformação digital. Porém, segundo Claudio Luiz Foltran Rodrigues, Gerente da Qualidade do Centro de Pesquisas do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), elas precisam superar algumas barreiras.

Geralmente, para que as indústrias promovam de maneira mais estruturada e assertiva a transformação digital e iniciar um processo de inovação sólido é necessário que elas, inicialmente, vençam algumas barreiras internas bastante importantes”.

Entre essas barreiras, Rodrigues cita:

  • Falta de iniciativa da liderança em desejar mudar;
  • Necessidade de pessoal qualificado para implementar as mudanças;
  • Falta de garantia de retorno;
  • Cultura da empresa, caracterizada como mais tradicional e menos inovadora;
  • Insegurança quanto a reputação da empresa em situações de falhas na segurança dos dados, entre outras.

Diante destas dificuldades, o Gerente de Qualidade do Centro de Pesquisas do IMT explica que as parcerias para acelerar a inovação na indústria são essenciais e ajudam o setor a adotar soluções mais acessíveis em indústria 4.0.

A busca por parceiros externos oxigena a empresa, estimulam a promoção de mudanças mais profundas e na maioria das vezes traz benefícios para o negócio”.

Rodrigues complementa: “Aqui no IMT, por possuirmos um relacionamento muito estreito com as empresas, atuamos com nossos parceiros para reduzir o caminho para a transformação digital, promovendo eventos para divulgação de tecnologias e processos, bem como consultorias dedicadas às necessidades da empresa nestes assuntos, utilizando de nosso corpo técnico e especialistas no assunto”.

Como funciona esse tipo de parceria?

Quando o assunto é inovação, a forma como as startups, universidades e centros de pesquisa lidam com as ideias e os erros é bem diferente das indústrias.

Além de trabalhar com um modelo enxuto e ágil, elas atuam em um cenário de incerteza, em que é difícil prever se determinada ideia ou projeto de empresa vai realmente dar certo.

Dessa forma, as parcerias para acelerar a inovação nas indústrias representam uma forma de aproximar toda coletividade com as demandas/necessidades do mercado, no caso, as indústrias.

Quando uma empresa nos procura e percebemos que existe interesse da aproximação entre as partes, assim apresentamos as diversas formas de relacionamento. Atualmente, no IMT possuímos mais de 15 formas de atuação”, indica Rodrigues.

O representante do IMT explica que, no caso do instituto, há duas formas de relacionamento.

Quando identificamos uma oportunidade/desejo da empresa, esta é direcionada para que seja realizada pelo meio educacional - que demanda baixo valor a ser investido e é caracterizado pelo forte envolvimento dos alunos - ou então pode ser realizada por meio empresarial - onde a demanda apresentada necessita de maior agilidade na solução, apresentando cláusulas de confidencialidade”.

Vantagens das parcerias para acelerar a inovação nas indústrias

 A adoção de parcerias para acelerar a inovação na indústria, certamente, traz benefícios para os dois elos desse processo.

Claudio Luiz Foltran Rodrigues explica que as indústrias poderão usufruir dessa parceria de diversas formas, pois focam nas necessidades da empresa e permitem:

  • Desenvolvimento de produtos, processos e serviços;
  • Identificação de talentos e que tenham o perfil alinhado à indústria 4.0;
  • Qualificação dos profissionais das empresas por se atualizarem com o que há de mais moderno em pesquisa acadêmica;
  • Utilização da infraestrutura das universidades, como auditórios, salas de aula e laboratórios para workshops e treinamentos;
  • Redução no investimento das empresas para realização de projetos de P&D;
  • Participação de profissionais da empresa em uma atividade eletiva aberta a todos os cursos (engenharia, design e administração).

Denominado PAE (projeto e atividades especiais) essa é uma das parcerias para acelerar a inovação na indústria que permite que o representante da empresa ministre uma atividade direcionada as necessidades da empresa com objetivo de identificar talentos”, complementa Rodrigues.

Da mesma forma, as parcerias para acelerar a inovação na indústria também são benéficas para startups, centros de pesquisa e universidades, como é o caso do IMT, citado pelo seu Gerente da Qualidade do Centro de Pesquisas.

Essa aproximação com as empresas é muito importante para o IMT, pois permite que nossos professores e alunos lidem com problemas do mundo real, auxiliando e preparando os alunos para lidar com situações que serão enfrentadas por eles quando se inserirem no mercado de trabalho”.

Além disso, esse contato entre aluno e empresa também permite a identificação prematura de talentos para recrutamento futuro, fazendo com que a parceria indústria/pesquisa seja vantajosa e duradoura.

Habilidades do gestor industrial no pós-pandemia

habilidades do gestor industrial

Os desafios para a sociedade brasileira, para a economia mundial e, em especial para a indústria, serão muitos pós-pandemia. Mas é consenso que existirão algumas habilidades indispensáveis para o gestor industrial estar inserido no que vem sendo chamado de “novo normal”.

Assim, muitas aptidões associadas ao gestor vêm ganhando cada vez mais importância dentro desse novo cenário, representando grandes diferenciais para aquele que vislumbra potencializar a gestão do seu negócio e fazer parte do processo de inovação industrial.

Para entender melhor quais são as habilidades indispensáveis para o gestor industrial pós-pandemia, conversamos com o professor Eduardo Endo, coordenador acadêmico do MBA em Tech Driven do Centro Universitário FIAP. 

Habilidades indispensáveis para o gestor industrial no cenário pós-pandemia

Mesmo antes de o Brasil superar completamente a pandemia,  o novo cenário já vem trazendo algumas mudanças bastante intensas no modelo de gestão das empresas, como explica o professor da FIAP.

“Muitas empresas estão atuando em modelo de home office total ou parcial com certo sucesso. Porém, grande parte delas, incluindo as indústrias, tinha muito receio em adotar a modalidade, além de muitas delas não terem se preparado para tal”, diz.

Neste cenário, Endo acredita que as habilidades indispensáveis para o gestor de indústrias são:

Empatia

Com o "novo normal", uma realidade diferente se apresenta a todos. “Vão ocorrer situações antes impensáveis até então, como mães e pais tendo que se desdobrar para ajudar os filhos em suas aulas virtuais, funcionários que não tinham ambientes preparados para o trabalho remoto, dentre outras”, diz.

Em um primeiro momento, é natural que a vida pessoal e a profissional estejam ainda mais entrelaçadas, e reconhecer isso será essencial para o gestor industrial.

Criação de indicadores e rotinas de controle

Antes deste "novo normal" já estávamos vivendo em uma transformação forte no modelo de gestão, inclusive digital, indo do modelo de comando e controle para o de entrega de resultado.

Porém, existe uma grande confusão nisso. “Trabalhar por resultado não significa falta de controle”, explica Endo.

De fato, os gestores precisam mais do que nunca criar indicadores de controle de eficiência e entrega junto a suas equipes. Por outro lado, não adianta ter indicadores se não existirem rotinas de controle. Por isso, vale a pena combinar uma rotina diária com o time e investir nas famosas daily meetings (reuniões diárias).

“Combine um horário onde todos devem se comunicar e contar rapidamente o que fizeram e o que irão fazer e, principalmente, se existe algum impedimento para a realização da entrega. Isso facilita a comunicação, evita atrasos, gera responsabilidade e cria um senso de grupo importante”, indica o professor.

Adaptação

Com a pandemia, muita coisa mudou e de maneira repentina: seja o local de trabalho, as relações, os horários, o volume de tarefas, os processos...

Assim, se o gestor não tiver "jogo de cintura" e se permitir flexibilizar alguns pontos, o time vai sofrer - e ele também. “Se adaptar é algo indispensável para melhorar o desempenho da equipe e do próprio gestor da indústria”, completa Endo.

Comunicação

O trabalho no mesmo ambiente físico tem por característica favorecer conversas rápidas que, muitas vezes, ajudam a decidir coisas importantes. Por isso, com o trabalho remoto, uma das habilidades indispensáveis para o gestor de indústrias é a capacidade de comunicação com toda a equipe, inserindo as pessoas corretas no momento certo em cada processo.

Transparência e autonomia

O professor da FIAP explica que, para muitos gestores, dar autonomia e confiar no time é um desafio enorme, principalmente em uma cultura muito forte de comando e controle.

Neste "novo normal", é essencial que o gestor entenda que precisa confiar no time para alcançar os resultados desejados, deixando claros os objetivos e as implicações do não cumprimento. “Transparência e autonomia andam muito juntas em um time de alta performance, principalmente agora", completa.

Além dessas características, acolhimento, engajamento e alinhamento são, também, essenciais, seja para o gestor industrial, sejam para as equipes comerciais. 

O gestor industrial deverá ser mais softskills e menos hardskills

Basicamente, os termos 'softskills' e 'hardskills' representam grupos de habilidades e características de profissionais.

As hardskills são as habilidades que podem ser facilmente aprendidas (e ensinadas) por meio de cursos, treinamentos, workshops etc. Já as softskills são mais difíceis de quantificar e reconhecer, por ser habilidades sociocomportamentais, como comunicação interpessoal, capacidade de persuasão, proatividade e capacidade de resolução de conflitos.

Mas o interessante é que esses dois termos serão, também, habilidades indispensáveis para o gestor de indústrias no novo normal. É o equilíbrio entre elas que forma o cenário ideal. 

Esse equilíbrio pode pender mais para um lado, pois estamos vivendo uma situação diferente, as pessoas estão mais sensíveis, esgotadas pelo volume de trabalho e deveres de casa, sem o contato próximo dos colegas de trabalho.

“Neste cenário, o gestor não é somente um "chefe", ele é um colega, é um confidente, é um amigo e, principalmente, um facilitador para a sua equipe. Portanto, os softskills se sobressaem neste momento”, opina o professor.

As habilidades podem ser aprimoradas e desenvolvidas pelos gestores

Vale apontar que essas habilidades indispensáveis para o gestor de indústrias podem ser desenvolvidas, incentivadas e aprimoradas. 

“Acredito que a empresa deve estimular este tipo de desenvolvimento, inserindo habilidades indispensáveis para o gestor de indústrias conseguir gerir melhor o negócio, afinal, fomos “jogados” para esta nova realidade e muito do que vivemos não vai voltar a ser como era antes”, pondera o professor da FIAP.

Na ideia de Endo, se adaptar será uma questão de sobrevivência. “Para mim, está claro que o gestor que não se adaptar ao novo normal deve estar com seus dias contados”, conclui.

A Era da AIOT - Como ela vai mudar a indústria?

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Desde que surgiu, a Indústria 4.0 está trazendo diversas tecnologias para o setor industrial. Neste cenário, a Inteligência Artificial (IA) é uma tecnologia que avança rapidamente, já a Internet das Coisas (IoT) é outra inovação tecnológica que vem ganhando importância no mundo 4.0. Mas você sabia que já há uma nova tecnologia que começa a ganhar novos adeptos no setor industrial?

Então, seja bem-vindo à era da AIoT ou “Artificial Intelligence of Things”! Essa é uma ferramenta que promete unir essas duas tecnologias para trazer importantes avanços para o setor industrial. 

Tanto a IA quanto a IoT são duas tendências bastante promissoras, então que tal unir seus recursos e benefícios em um único processo de inovação e tecnologia? Foi assim que nasceu o termo que vem sendo chamado de AIoT, que vem sendo conhecida como Inteligência Artificial aplicada à Internet das Coisas. Estas são duas tecnologias complementares, portanto uni-las para alcançar um mesmo propósito faz todo sentido, principalmente dentro do setor industrial, onde os avanços tecnológicos são sempre importantes e necessários.

Mas, para que essa ferramenta traga melhores resultados, ela precisa ser muito bem entendida, planejada e implementada pelas indústrias.

Por isso, para ajudar o setor industrial a não errar na implantação da AIoT industrial, conversamos com especialistas da área tecnológica industrial. Eles mostrarão os benefícios dessa inovação, além das formas de implantação da AIoT para indústrias. 

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Quais os impactos da alta do dólar na indústria brasileira?

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Desde o início de 2019, o valor do dólar já subiu quase 50%. Metade dessa alta se deu após o início da pandemia da COVID-19, com a moeda sendo cotada a R$5,14 em 23 de junho. Assim, é possível observar os impactos da alta do dólar são muitos para toda a economia brasileira, principalmente para a industrial.

Este expressivo aumento vem trazendo reflexos diretos nos custos de produção da indústria nacional, em grande parte dependente de peças e componentes importados. Por outro lado, as de exportação comemoram a elevação do dólar.

Este cenário tem levado muitas indústrias e a replanejar suas ações para enfrentar a elevação do dólar. Por isso, conversamos com profissionais do setor, que nos contam quais são os principais impactos da alta do dólar para o setor e quais as medidas que precisam ser tomadas. Confira.

Produtos e matérias-primas mais caros: os principais impactos da alta do dólar

Certamente, a alta do dólar trará importantes impactos para a indústria brasileira, exercendo influência sobre diversos aspectos da atividade industrial. Dentre os impactos, estão: 

  1. Insumos importados ficaram mais caros

Na indústria brasileira de máquinas e equipamentos, matéria-prima, peças e componentes representam, em média, 52% do custo da produção industrial - e estes ficarão mais caros.

Os bens e produtos importados, como máquinas e equipamentos para a produção, ficarão, sem dúvida alguma, mais caros. A matéria-prima importada para produção nacional também ficará mais cara”, explica Eduardo Gonzaga Oliveira de Natal, tributarista e sócio do Natal & Manssur.

Esse impacto nos preços é confirmado por Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças. Segundo ele, a alta do dólar é um dos fatores que influenciam a decisão de compra de autopeças.

Da mesma forma que é relevante para o custo de produção de autopeças, visto que há um componente importado relevante e muitas matérias-primas, mesmo quando produzidas aqui, têm seus preços referenciados em dólares”, completa.

  1. Redução da margem de lucro de revendedores de produtos importados

Outro ponto importante da alta do dólar citado por Eduardo de Natal tem relação com revendedoras que perdem em margem de lucro: “se você importa para a produção e revende no mercado interno, provavelmente não vai conseguir repassar esse custo da alta do dólar para o mercado interno, levando a uma diminuição de margem de lucro ou de operação”.

O sócio da Natal & Manssur completa: “O impacto no crédito para indústrias que fazem importações com fundamentos em financiamento internacional, ou seja, quem buscou funding, quem buscou dinheiro fora do Brasil, certamente está tendo um impacto muito grande no pagamento dessas obrigações financeiras”.

Indústrias exportadoras brasileiras podem se beneficiar com a alta do dólar

O lado positivo do dólar alto recai, sem dúvida, nas empresas exportadoras, como o mercado de proteína animal, ou até mesmo de minério de ferro.

Entretanto, Natal salienta que o Brasil não é um país que exporte muito o produto acabado: “somos um país que exporta muita matéria-prima, portanto, para aquelas poucas indústrias nacionais que fazem exportação de produto acabado ou até mesmo se considerarmos o agronegócio, que envolve uma cadeia produtiva para exportação, os impactos da alta do dólar serão, sem dúvida, positivos”.

Por outro lado, Ioschpe acredita que, para que haja um movimento de “localização” efetiva, será necessária competitividade ao longo do tempo da indústria brasileira: “essa competitividade envolve o trabalho árduo de redução do custo sistêmico local, o chamado “custo Brasil”, amplamente citado como um grande desafio para o país”.

Como indústrias devem lidar com os impactos da alta do dólar?

Como vimos, muitos podem ser os impactos da alta do dólar para a indústria brasileira, que deve trabalhar baseada em muita estratégia e constante análise dos riscos de mercado sobre os negócios.

É preciso que as grandes empresas tenham uma tesouraria que saiba fazer muito bem o controle de caixa, controle da moeda estrangeira, o swap cambial, avaliando todos esses riscos de mercado”, destaca Natal. 

Especialmente para as pequenas indústrias, a capacidade de deter informação de qualidade é fundamental. “A questão cambial é extremamente complexa e nem mesmo os grandes operadores de câmbio conseguem fazer um prognóstico de aumento ou redução da variação”, pondera Natal. 

Por isso, ter uma assessoria financeira é muito importante para garantir uma proteção cambial nesses momentos de grandes aumentos de moeda.

Neste cenário, independentemente da estratégia de venda adotada pela empresa, desvalorizações cambiais geram sempre ganhos de competitividade, que permitem ao produtor ampliar seu market share.

Mas, para além da desvalorização do real frente ao dólar, Maria Cristina Zanella explica que a ABIMAQ defende ações que anulem a volatilidade da paridade cambial:

É Preciso ter uma política cambial que garanta a previsibilidade dos negócios: desde o desenvolvimento do projeto, que em alguns setores da indústria de bens de capital é superior a 6 meses, até o estabelecimento do preço do bem e defende”.

Além disso, Zanella crê que medidas, como a reforma tributária, são essenciais para enfrentar os impactos da alta do dólar.

Essas políticas têm o potencial de eliminar todos os resíduos tributários presentes nas diversas cadeias produtivas nacionais, desonerando exportação e investimentos”. Segundo ela e Ioschpe, essas medidas visam anular definitivamente o tão falado “Custo Brasil”.

Manufatura 4.0: conheça os investimentos que tendem a crescer

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Nos últimos anos, em todo o mundo, houve aumento significativo no número de indústrias que investem em tecnologias digitais e manufatura 4.0, e a tendência é que essa aposta cresça bastante daqui para frente.

Essa é a constatação de uma pesquisa mundial da Nokia, realizada em parceria com a ABI Research. No estudo, foram entrevistados mais de 600 tomadores de decisão, que avaliaram estratégias de investimento relacionadas à manufatura 4.0, com o uso das tecnologias 4G/LTE, 5G e Indústria 4.0.

Saiba mais sobre as tendências de investimento em manufatura 4.0 definidos pela pesquisa e veja em quais áreas esses investimentos tendem a ocorrer.

349 milhões de conexões 5G no chão de fábrica para os próximos anos

Segundo a pesquisa, 74% dos entrevistados pretendem atualizar suas redes de comunicação e controle até o final de 2022, com mais de 90% ponderando o uso de 4G e/ou 5G em suas operações, já que entendem que muitos serão os benefícios destas tecnologias.

Além disso, pouco mais da metade dos entrevistados (52%) acredita que a última geração de 4G/LTE e 5G será necessária para atingir seus objetivos de transformação.

Assim, a tendência é que a fábrica digital fique cada vez mais conectada e sem fio, com as principais áreas de investimento sendo automação e atualizações de máquinas (47%), iniciativas de IIoT (41%) e infraestrutura de nuvem em (37%).

Até 2030, teremos cada vez mais ferramentas conectadas, rastreamento de ativos e PLCs conectados principalmente com tecnologia 5G”, acredita Wilson Cardoso, Chief Solutions Officer da Nokia para a América Latina.

Quando falamos de manufatura 4.0, esperamos um número de 349 milhões de conexões 5G no chão de fábrica, sendo que os anos de 2021 e 2022 são fundamentais na avaliação do 4G/5G quando a maioria dos fabricantes está procurando atualizar suas redes de comunicação/controle de fabricação, visando aumentar a rentabilidade e diminuição dos custos operacionais durante um período de 5 anos”, complementa Cardoso.

No caso do Brasil, o ambiente regulatório se mostra alinhado com as necessidades da indústria, como pode ser comprovado pelos últimos atos da Anatel, em que frequências de 3,7 a 3,8 GHz e 27,5 GHz a 27,9 GHz foram atribuídas às redes privativas.

Além disso, as primeiras redes que podem suportar 5G em uso industrial, como a implantada pela Neoenergia em parceria com a Nokia, já nos permitem avaliar o potencial dessa tecnologia”, avalia Wilson Cardoso.

Desafios precisam ser superados para que os investimentos em manufatura 4.0 se confirmem

Os drivers de investimento em sistemas de fabricação inteligentes são principalmente orientados ao curto prazo para evitar tempo de inatividade da máquina (53%), melhorar a eficiência das operações (42%) e aprimorar a segurança (36%).

Porém, para Wilson Cardoso, há alguns desafios que precisam ser superados para que os investimentos em manufatura 4.0 tragam os benefícios esperados, transformando o "custo elevado" em investimento com alto retorno.

Temos como desafios técnicos o acesso de espectro de reguladores e órgãos de especificação 5G para firmar a conectividade padrão, para que um ecossistema de dispositivos possa ser estabelecido”, explica.

No entanto, o desafio dos negócios é principalmente a justificativa do Capital Expenditure necessário para uma implantação de rede celular privada. “Enquanto o entendimento de alto nível da tecnologia existe, definir e quantificar casos de uso para justificar o investimento ainda é um cenário desafiador”, diz o diretor da Nokia.

Neste sentido, um dos fatores fundamentais no âmbito do Brasil é o ganho de produtividade que a tecnologia 5G trará à manufatura 4.0, mas isso precisa ser mostrado ao setor.

Essa tecnologia precisa ser aplicada nas mais diversas indústrias, o que nos leva ao último ponto no acordo do SENAI-SP e Nokia para a formação de especialistas em conectividade para a indústria e manufatura 4.0”, explica Cardoso.

A atual pandemia, por enquanto, não afetará os investimentos

Com base nos dados da pesquisa, o investimento no setor 4.0, hoje, se torna fundamental para obter uma clara vantagem econômica competitiva sobre aqueles que optam por esperar.

Wilson Cardoso estima um benefício econômico, traduzido em ganho no PIB da indústria, de R$ 250 bilhões em 2035. “Esse ganho é extremamente significativo, pois é transversal a todos os segmentos da indústria”, complementa.

Por fim, apesar de as consequências do novo coronavírus ainda serem incertas, a tendência é que os projetos de investimentos pré-pandemia sejam mantidos, como é o caso dos investimentos da Nokia.

"Todos os projetos que tínhamos antes da crise do COVID-19, relativos à implantação de redes 4G/5G para o uso deste tipo de aplicação, estão mantidos”, finaliza o diretor gigante de tecnologia.

Pergunte ao especialista: protocolos de higienização na indústria

medidas de higienização e limpeza covid

 

Pergunte ao especialista: Quais os protocolos de higienização de superfícies estão sendo adotados pela indústria? O que muda na limpeza profissional tanto das áreas produtivas, quanto administrativa, para que os colaboradores possam sentir-se seguros? Há algum movimento de aculturar os colaboradores sobre a importância da higiene pessoal e do ambiente que ocupa, para conter a disseminação de microorganismos e com isso aumentar a produtividade e diminuir custos com afastamento, absenteísmo...? (Denise Cruz)

Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia global pelo coronavírus. Neste cenário, questionamentos desse tipo fazem todo o sentido, pois a limpeza e a desinfecção de superfícies e a higiene pessoal são maneiras eficazes de conter a proliferação do vírus.

Com o objetivo de contribuir com a indústria e responder ao questionamento da nossa leitora, conversamos com Susi Ane Fiorelli e Márcia Bueno, especialistas da Diversey, empresa líder mundial em produtos de limpeza profissional.

A seguir, saiba mais sobre a importância da limpeza profissional e quais devem ser os protocolos de higienização na indústria para que o setor colabore com a segurança dos colaboradores e sociedade. 

Quais protocolos de higienização na indústria precisam ser adotados?

A prática de higienização costuma ser um hábito comum dentro das indústrias, a partir do processo conhecido como OPC (Open Plant Cleaning).

As indústrias farmacêuticas, de bebidas e de alimentos, por exemplo, conhecem a importância da higienização externa de equipamentos e/ou superfícies que têm contato com o alimento, e que podem favorecer a contaminação dos mesmos. Porém, neste momento de pandemia, e depois dele, as especialistas da Diversey recomendam que os protocolos de limpeza sejam revistos.

Para manter a produção ativa dentro destas indústrias, é fundamental promover a higienização (limpeza e desinfecção) em uma frequência muito maior. Também é importante se preocupar com as superfícies com risco de contaminação dos alimentos e, agora, também dos colaboradores”, ressaltam.

Sendo assim, Fiorelli e Bueno explicam que os protocolos de higienização na indústria devem incluir:

  • Revisão dos POPs de higienização;
  • Validação do processo (verificação com ATP e análises microbiológicas para a validação, através de análises atualizadas e recomendadas pela ANVISA, Codex Alimentarius);
  • Revisão do APPCC e mapeamento dos possíveis riscos (nas indústrias que os possuem);
  • Revisão de procedimentos de Boas Práticas de Fabricação. “As indústrias devem priorizar a importância da excelência na higienização das mãos e operações de processo, além de higiene dos colaboradores”, sugerem;
  • Revisão e implantação do Programa 5S. “Colaboradores devem deixar somente o básico de material sobre as mesas e implementação de processos, para evitar o aumento das áreas ou superfícies de contato”, indicam.

Mudanças na limpeza profissional de indústrias serão uma necessidade

Além da adequação dos protocolos de higienização na indústria sugeridos, as especialistas da Diversey ressaltam que as áreas produtivas e administrativas do setor industrial precisarão, também, aumentar a frequência de higienização de todas as áreas.

  • Limpeza das áreas de comum acesso e de presença de colaboradores. “Importante esclarecer ao colaborador o motivo do aumento da frequência de limpeza nestes locais e como se proteger ao realizar a operação”, indicam Susi Ane e Márcia;
  • Limpeza do ar ambiente e confirmação com análises microbiológicas;
  • Desinfecção do ambiente, para atingir superfícies pouco tocadas e de difícil acesso com a higienização manual;
  • Limpeza e conservação dos EPIs (luvas, capacetes, aventais, etc);
  • Aumento da frequência de troca das máscaras e dos separadores de ambiente em locais de maior volume de pessoas trabalhando, sempre respeitando o distanciamento social;
  • Implantação do programa 5S.

Além disso, as especialistas indicam que é preciso aumentar a frequência e melhorar a qualidade da higienização de superfícies frequentemente tocadas: “Áreas não produtivas, como maçanetas, descargas de sanitários, interruptores de luz, botões de elevador, teclados, telefones; e áreas produtivas, como válvulas, conexões, parede de tanques, misturadores, tubulações, facas, amoladores, luvas, bandejas de corte, precisam de higiene constante e muito criteriosa”.

Essas recomendações também são indicadas pela OMS, que tem publicado em seu site uma lista de orientações para todo o ambiente de trabalho das empresas e ambientes, industriais ou não.

Aculturar o colaborador ao “novo” normal: a mais importante ação nas indústrias

O movimento capaz de aculturar os colaboradores ao “novo” normal é, na ideia das especialistas da Diversey, o investimento em treinamentos práticos, que torne visível aos colaboradores (qualidade da limpeza) o que é invisível (presença de microrganismos).

Esta é uma das importantes ações para promover a segurança dos colaboradores. Para isso, podemos utilizar produtos reveladores ou análises de ATP para apresentar de forma imediata a qualidade do procedimento executado aos responsáveis pela higienização e colaboradores em geral”.

Esse tipo de investimento também auxilia na capacitação da equipe, de maneira que tenham consciência da importância dos protocolos de higienização na indústria, evitando executar procedimentos de higienização de forma automática, ou até mesmo falha.

Para isso é preciso realizar treinamentos de atualização e capacitação dos processos de higienização, BPF e Motivação Profissional. Também vale tranquilizar os colaboradores, mostrando a importância dos protocolos de higienização na indústria e dos cuidados gerais no combate à COVID-19.

O crescimento da realidade aumentada na Indústria pós-crise

realidade aumentada na indústria pós pandemia

Em razão da COVID-19, indústrias de diversos setores tiveram que reavaliar seus processos de produção e os métodos de serviço, tornando-os mais seguros e eficientes. Neste cenário, o uso da realidade aumentada na indústria é somente uma das oportunidades que está se expandindo e tende a permanecer pós-crise.

Com a Indústria 4.0, soluções de realidade aumentada, realidade virtual e demais tecnologias começaram a, naturalmente, serem adotadas pelo setor industrial. Mas o atual distanciamento social que estamos sujeitos tende a acelerar esse processo, especialmente porque o setor procura implementar essas tecnologias em variados fluxos de trabalho, minimizando interação humana na cadeia de produção.

A realidade aumentada na indústria, por exemplo, é uma dessas tecnologias que podem ser usadas em diversas frentes dentro do atual momento pandemia, mas que certamente serão mantidas após a atual crise.

“Novo normal” – Como a AR e a VR vão contribuir?

Os desafios para a sociedade brasileira, para a economia mundial e, em especial, para as indústrias decorrentes da atual crise são muitos, e ainda é difícil definir o que será exatamente o “novo normal”.

No entanto, considerando o momento que vivemos, Carlos Paiola, diretor da Aquarius Software e professor do curso de Indústria 4.0 da Fundação Vanzolini, acredita que qualquer diminuição na exposição das pessoas a um ambiente físico compartilhado é de extremo valor:

Essa necessidade pode ser auxiliada pelo emprego de tecnologias relacionadas à Indústria 4.0, como a Realidade Virtual (Virtual Reality – VR) e a Realidade Aumentada (Augmented Reality - AR)”, destaca. 

Paiola explica que a VR permite reproduzir produtos, equipamentos e, até mesmo, toda uma linha de produção em ambiente totalmente virtual. “Isso vem a habilitar a execução de simulações e treinamentos à distância, de maneira imersiva, segura e controlável”, indica.

Já a realidade aumentada na indústria habilita a criação de elementos virtuais que podem interagir com objetos reais através do uso de dispositivos móveis (tablets, celulares, óculos inteligentes etc.). “A AR auxilia os profissionais da indústria em suas tarefas diárias, aumentando a segurança operacional e reduzindo a quantidade de retrabalho, bem como o tempo de execução de certas tarefas industriais”, completa o diretor da Aquarius Software.

Tecnologias de AR e VR: uso em diversas frentes no setor industrial

Tanto a realidade virtual quanto a realidade aumentada na indústria vêm sendo aplicadas em diversas frentes. Dentro da fábrica, elas são usadas desde a concepção de um novo produto até a sua produção, auxiliando as pessoas em atividades de projeto, operação e manutenção.

Mesmo no final da cadeia, já em contato com o consumidor, essas tecnologias, associadas à Indústria 4.0, têm sido muito aplicadas em vendas, marketing e até no enriquecimento da experiência de uso dos produtos acabados.

No chão de fábrica, os recursos da realidade aumentada na indústria são valiosos, principalmente para aumentar a segurança dos processos de fabricação, prevenindo riscos aos operadores diretos de máquinas.

A AR pode permitir a reprodução detalhada de determinadas tarefas complexas, diminuindo o risco de um erro operacional ou de manutenção inadequada”, explica Paiola.

A Realidade Virtual, por sua vez, costuma ser bastante empregada em treinamentos de equipes de operação e manutenção industriais. “Muito antes de serem postos à prova na linha de produção real, os profissionais podem ser capacitados a realizar tarefas críticas ou complexas, aumentando a chance de acerto quando acontecerem na vida real”, complementa o diretor da Aquarius Software.

Além disso, no atual momento, essa modalidade de ensino permite a participação de especialistas e técnicos à distância, o que ajuda com a redução do contato social.

Além disso, muitos são os benefícios da AR e VR no setor industrial, tais como:

  • Auxílio na manutenção industrial à distância, permitindo, dentre outras coisas, apoio remoto de especialistas, acesso a manuais e instruções diretamente na interface do dispositivo utilizado, resultando na resolução mais ágil e assertiva dos problemas;
  • Visualização em tempo real da produção;
  • Correção de problemas operacionais com o acionamento imediato de profissionais envolvidos nos processos.

A realidade aumentada na indústria vai acelerar a transformação digital

Como vimos, a realidade aumentada na indústria se tornou uma grande aliada do setor em tempos de distanciamento social. Mas, Paiola acredita ser bastante provável que a busca por todas as tecnologias habilitadoras que fazem parte deste movimento da Indústria 4.0 continue após a pandemia:

Na verdade, a projeção que temos para o mercado industrial, nos mostra que o número de projetos de inovação, eficiência e segurança operacionais deve ser ampliado. Assim, demandas de integração de sistemas, acesso remoto à indicadores, gestão da qualidade e eficiência do processo tem sido cada vez mais comuns entre nossos clientes”, conclui.

Devido aos recentes acontecimentos, as empresas tiveram que acelerar seus processos de transformação digital, dando início a um movimento irreversível de adoção de novas tecnologias e de integração de dados do chão de fábrica com as camadas gerenciais.

Dessa forma, a realidade aumentada na indústria é uma das tecnologias que vieram para ficar e trazer vantagens às indústrias. “Esse é um processo que não tem volta, certamente, esse é o “novo normal”, pelo menos do ponto de vista tecnológico”, finaliza Paiola.

Perspectivas internacionais: como os EUA e a Itália estão reagindo aos impactos da COVID-19

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Os impactos da COVID-19 chegaram em ondas, afetando gradativamente todos os países do mundo. A crise global observada por todos os setores foi sentida especialmente pelo segmento industrial. Atuando em rede, a cadeia como um todo foi atingida: a paralisação das indústrias chinesas afetou o abastecimento e, consequentemente, a capacidade produtiva de países em todos os continentes. Com o avanço do vírus, a produção acabou interrompida, parcial ou completamente, ao longo de todo o primeiro semestre.

No Brasil, os efeitos mais graves começaram a ser observados em março e abril, embora já se observasse impactos no abastecimento de peças desde o início do ano. Ao mesmo tempo, indústrias de outros pontos do mundo retomaram aos poucos suas atividades e, hoje, países enfrentam momentos diferentes de um mesmo problema. Se na Europa e na Ásia a pandemia já dá sinais de controle e estabilidade, a América, especialmente os Estados Unidos, ainda se vêem diante de uma fase mais aguda da doença. Como indústrias dos EUA e da Itália reagiram e se preparam para os momentos de retomada?

Perspectiva americana: impactos e transformação

Para Achilles P. Arbex, gerente geral do Centro de Tecnologia AMT (Association For Manufacturing Technology), o início de 2020 trouxe um cenário de muitas incertezas para o setor industrial. “O que sabíamos era que os efeitos da pandemia seriam rápidos e devastadores, ao passo que as relações de negócio seriam evidenciadas ou, no mínimo, colocadas à prova”, comenta. “A cadeia de suprimentos foi em geral impactada, em principal pela redução dos níveis de produção das plantas industriais localizadas na China”, aponta o gerente.

A implantação da quarentena e de políticas de distanciamento social, além do fechamento de fronteiras, afetaram as indústrias dos mais variados segmentos. Segundo Arbex, o ritmo de trabalho foi então modificado à medida que os novos procedimentos de foram implementados. “Nenhuma indústria trabalha em isolamento, assim como nenhuma economia funciona bem em atmosfera de isolamento. Entretanto, para os EUA, a desaceleração da economia Chinesa representava dois grandes desafios: uma cadeia de suprimentos sem muita atividade vivendo um momento de abalo em suas relações comerciais e uma reduzida demanda dos consumidores”, conta. 

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Utilizando o automóvel de passeio como exemplo, o gerente geral da AMT comenta: “Este é composto por algo em torno de 30.000 peças, fabricadas por uma vasta cadeia de fornecedores situados em múltiplas países. A perturbação da cadeia automotiva foi tão grande que, mesmo considerando a existência de acordos como EUA-México-Canada (USMCA), a produção Chinesa de componentes essenciais afetou os níveis americanos da indústria automobilística. Gigantes americanos como a General Motors e Fiat Chrysler se apoiaram na China para a produção de componentes chaves como dobradiças de portas, componentes eletrônicos e de suspensão/direção. Dados os laços estreitos entre os países do USMCA, a perturbação se espalhou pelas cadeias Mexicanas e Canadenses, devastando ainda mais uma economia altamente produtiva e com altíssima perspectiva”.

A indústria de circuitos e semicondutores dos EUA, representando cifras na ordem de 54 bilhões de dólares, é a maior fornecedora de diodos, microcircuitos, chips de memória e outros semicondutores. Com a cadeia chinesa voltada para a produção de componentes de telecomunicação e equipamentos eletrônicos de alto valor agregado, a indústria de circuitos e semicondutores americana sofreu. “A China representa um consumo de aproximadamente 26% da produção americana deste setor, o que nos indica apenas uma breve ideia do quão grande foram as perdas geradas pela redução de demanda dos produtos manufaturados nos EUA”, comenta Arbex. Vieram, então, os pacotes de ajuda do governo. Tais programas foram lançados em diferentes fases e somariam 3 trilhões de dólares, o que certamente colaborou para a recomposição da indústria no geral.

Tecnologia e transformação digital

As tecnologias emergentes se consolidaram, assim, como o futuro dos negócios. “As empresas mais e mais enxergam a transformação digital como necessidade, mesmo enquanto há dúvidas e desafios quanto a sua implantação”, comenta o gerente da AMT. “Quando confrontados com a realidade, sua implementação é difícil enquanto conduzimos os negócios como de costume. No entanto, existem exemplos impressionantes em que as empresas mudaram de curso e transformaram seus negócios, integrando a tecnologia digital para mudar fundamentalmente a maneira como operam e como agregam valor aos clientes”, diz.

Para Arbex, transformar um negócio dessa maneira não é simples e requer uma tremenda quantidade de coragem e liderança visionária. “Os elementos principais incluem: migração de sistemas locais para nuvens híbridas, modernização de software financeiro e operacional, melhoria da experiência do cliente usando a tecnologia e criação de um ambiente de trabalho mais dinâmico e flexível. Em resposta às nossas ‘lições de casa’ e outras medidas de bloqueio devido à pandemia do COVID-19, muitas empresas adotaram alguns desses elementos, usando a tecnologia por necessidade; esse afastamento dos negócios normais pode ser o primeiro passo significativo no caminho da transformação digital”.

“Acredito que a maior lição que todos estão tirando dessa crise é a necessidade de cadeias de suprimentos mais localizadas e robustas”, defende Arbex. “Existe um nível crítico de autossuficiência de fabricação, necessário para os interesses econômicos, de saúde e de segurança nacional. Em segundo lugar, acredito que a clara proposta de valor que níveis mais altos de automação proporcionam em tempos de distanciamento social e capacidade limitada de viajar - a automação pode aumentar essa lacuna e manter os níveis de produção elevados, ao mesmo tempo em que apoia a segurança do trabalhador”, completa. 

Confira a entrevista completa de Achilles P. Arbex para A Voz da Indústria.

Itália: crise e recuperação diante dos olhos do mundo

Segundo Massimo Carboniero, presidente da UCIMU-SISTEMI PER PRODURRE, o impacto observado na Itália foi muito pesado. “A Itália foi o primeiro país a enfrentar a emergência com poucas informações recebidas da China. Fomos o país de teste e o observado pelos outros países europeus para decidir o que fazer. No entanto, apesar do nosso exemplo, alguns países perderam um tempo precioso e levaram vários dias - e até semanas - para implementar uma estratégia apropriada para responder à pandemia”, comenta.

Para Carboniero, os efeitos dessa crise na indústria italiana de máquinas-ferramenta já foram parcialmente perceptíveis pelo índice de pedidos recebidos no primeiro trimestre de 2020, que mostrou uma queda de 11% em comparação com o período de janeiro a março de 2019. “A desaceleração se mostrou forte para o mercado interno, onde os pedidos recebidos caíram 43%, e menores no mercado externo, onde houve uma redução de 4,4%. O efeito da crise foi, no entanto, mitigado pela boa tendência dos negócios nos dois primeiros meses do ano”, explica.

“Emergências e a quarentena começaram a nos afetar a partir de março. Portanto, o impacto dessa crise será evidente no próximo trimestre. Os fabricantes preveem uma queda de 20% a 30% no faturamento de 2020, mas esperamos uma recuperação a partir de 2021, ano em que a Itália sediará a EMO, a exposição mundial de referência para a indústria de transformação, que certamente trará muitas vantagens e estimulará o momento de recuperação”, conta.

No início de março, as fábricas italianas interromperam temporariamente suas produções, obedecendo às medidas adotadas pelas autoridades do país. “Usamos as primeiras semanas para nos organizar da melhor maneira, pensando em todas as medidas que poderíamos implementar para alcançar a mais alta segurança em nossas plantas. Em seguida, adotamos procedimentos e regras ainda mais rigorosas do que aqueles estabelecidos pelas autoridades de saúde competentes. Também, graças a investimentos extraordinários, equipamos nossas fábricas com organizações e ferramentas ‘especiais’ que nos permitiriam abrir muito antes das nossas autoridades darem sinal verde”, comentou.

Durante as cinco semanas de bloqueio, a atividade de produção quase parou. “Por outro lado, também graças às tecnologias digitais, fomos capazes de garantir assistência remota para nossos clientes em todo o mundo. Para todas as atividades não relacionadas à produção e montagem, experimentamos com sucesso o trabalho inteligente. No entanto, o coração de nossos negócios foi interrompido até o início de maio. Foi um período muito longo que agora estamos tentando recuperar com muito esforço. Esta crise é pesada, mas as empresas italianas são muito flexíveis por natureza e assumiram o desafio de uma nova mudança. Estou certo de que os resultados serão positivos”, acredita.

Massimo Carboniero, presidente da UCIMUMCarboniero pres UCIMU logo 1.jpg

Tecnologia e perspectivas para o futuro

“O que experimentamos prova que nenhum país estava preparado para enfrentar uma emergência desse tipo. Sem dúvida, alguns aspectos poderiam ter sido mais bem gerenciados, mas devemos admitir que as autoridades tiveram que lidar com uma situação realmente muito difícil”, aponta Carboniero. Porém, a tecnologia também se mostrou decisiva no cenário italiano. “Esse período realmente particular certamente fez com que todos entendessem que, graças às inovações tecnológicas à nossa disposição, podemos mudar e melhorar os procedimentos de trabalho operacional. Também no setor de máquinas-ferramenta, a flexibilidade e as tecnologias inovadoras estão cada vez mais presentes, ajudando a avançar de maneira mais rápida e a atender aos novos requisitos de maneira mais reativa, além de facilitar o controle remoto e o gerenciamento dos processos de negócios e produção”, acredita.

Todo o trabalho realizado na Indústria 4.0 mostrou seu valor e eficácia nessa situação. “Há muito o que fazer e, mesmo neste caso, a emergência prova como a questão da digitalização é essencial para o nosso setor e para o nosso trabalho. Nós, fabricantes italianos, fizemos grandes investimentos no desenvolvimento de máquinas e soluções baseadas em tecnologias 4.0 e isso tornou nosso produto ainda mais competitivo no mercado internacional. Também diante dessa má experiência, seguiremos nessa direção, com a certeza de que o mercado nos seguirá”, comenta.

“Essa experiência nos ensinou que devemos estar prontos para nos reorganizar, também fazendo mudanças extensas em relação à nossa maneira de gerenciar negócios em um tempo muito curto. Além disso, aprendemos que ninguém está a salvo de crises dessa extensão, independentemente da posição geográfica e do grau de desenvolvimento do país em que vive e opera. Além disso, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento no campo científico e técnico representam a chave para garantir o futuro e o desenvolvimento da sociedade. E nós somos os principais jogadores neste campo”, finaliza Carboniero.

Confira a entrevista completa de Massimo Carboniero para A Voz da Indústria.