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Sequestro de dados industriais: Como se proteger?

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O conceito de Indústria 4.0 está intimamente relacionado com dados gerados por equipamentos, máquinas e softwares. Porém, ao mesmo tempo que cresce a quantidade de dados, crescem, também, as ocorrências de sequestro de dados industriais.

O sequestro de dados industriais é, na atualidade, uma das principais modalidades de cyber ataque, quando hackers invadem os sistemas das indústrias e “sequestram” seus dados, cobrando resgates para devolver a base ou até mesmo para não vazar os dados na deep web.

Exatamente por isso, é essencial que toda indústria - essencialmente as de médio e pequeno porte - adote medidas de segurança para garantir a proteção de seus dados sigilosos.

Sequestro de dados industriais: problema sério na indústria 4.0

Atrás apenas dos EUA, o Brasil já figura na segunda posição quando o assunto é sequestro de dados industriais, segundo o Fast Facts, relatório mensal sobre segurança cibernética produzido pela Trend Micro, multinacional especializada em segurança digital. Mas o que, de fato, é o sequestro de dados?

Segundo Thiago Ramos, Regional Account Manager da Trend Micro, o sequestro de dados industriais segue o mesmo padrão em todas as verticais, inclusive na indústria 4.0, cujo volume de dados é elevado.

O especialista em cyber segurança salienta ainda que a atuação dos cybers criminosos é muito bem organizada e afeta cada vez mais as pequenas e médias indústrias. “Eles estudam os principais alvos e iniciam seus ataques por meio de engenharia social, em geral abordando os usuários por e-mails que contenham links para acesso a sites ou arquivos maliciosos”.

Uma vez os computadores comprometidos pelo hacker, Alexandre Veiga, Head de Cyber Intelligence da Stefanini Rafael, explica que o hacker, normalmente, faz uma cópia de uma série de dados relevantes, e, em seguida, realiza a criptografia das informações para posterior pedido de resgate financeiro em troca da senha para de criptografar as informações.

Quando atacada a indústria não consegue realizar qualquer tipo de alteração de parâmetros de produção/configuração e, com isso, pode ocasionar uma série de problemas, sendo o mais grave o risco de vida, pois pode-se ficar sem a possibilidade de controle ou interação ao processo industrial, gerando risco de vida aos operários e/ou a planta industrial”, explica Veiga.

Consequências do sequestro de dados para a indústria

Assim que o “sequestrador” toma possa dos sistemas operacionais da indústria, as consequências podem ser trágicas. Segundo Ramos, a consequência inicial para um ataque de sequestro de dados industriais é a interrupção dos serviços prestados.

No caso de uma indústria, essa interrupção se torna crítica, principalmente por que representa a parada de produção, o que ocasionará uma série de transtornos desde o não cumprimento de entrega até o vencimento de matéria-prima”, diz o especialista.

Olhando especificamente para as indústrias de pequeno e médio porte, as consequências se tornam mais críticas porque, no geral, são indústrias que possuem poucos ou apenas um ponto de produção dos seus itens, além de ter uma quantidade pequena de clientes.

O rompimento de contrato por parte de um desses clientes, pode significar um grande perigo para a organização financeira e escoamento da produção dessas pequenas e médias indústrias”, complementa Thiago Ramos.

Sua indústria foi vítima de um ataque: o que fazer?

Sua indústria foi vítima de um ataque de hacker? Há algumas medidas emergenciais que você pode tomar! Segundo Thiago Ramos, a ação emergencial mais importante é não negociar com o cyber criminoso!

Uma vez vítima de um sequestro de dados, não há qualquer indício de que ao realizar o pagamento, os dados serão liberados ou mesmo que não haverá um outro ataque, após o pagamento”, cita Ramos.

Além disso, se sua indústria só se perguntar a quem procurar ou como responder a um ataque de sequestro de dados industriais, isso significará que sua estratégia de segurança está completamente equivocada.

Segurança da informação é um organismo vivo, as indústrias precisam definir seus parceiros de segurança, desenvolvendo junto a esses parceiros uma estratégia de detecção e resposta a incidentes baseada em múltiplas camadas e sempre a realizar validações para obter uma visão quanto à eficiência da estratégia adotada, bem como quais são os pontos onde há espaço para melhorias”, recomenda Ramos.

Essa opinião é compartilhada por Alexandre Veiga. Segundo ele, é importantíssimo que a equipe de segurança cibernética esteja preparada e capacitada para gerenciar o incidente, identificando qual a porta de entrada e equipamentos comprometidos.

A companhia deve possuir de forma bem estruturada em sua área de segurança os processos de monitoração, proteção, detecção, resposta ao incidente, recuperação e análise post-mortem”, salienta.

Não priorize a ação reativa, e sim a preventiva

Para evitar o sequestro de dados industriais, a prevenção e segurança cibernética serão sempre as melhores estratégias. “A melhor forma de evitar um sequestro de dados industriais é não atuar de forma reativa, ou seja, aguardar que um incidente aconteça para tomar providencias”, indica Ramos.

Segundo o especialista da Trend Micro, as melhores práticas para evitar incidentes relacionados a sequestro de dados industriais passam por definir uma estratégia consistente de segurança da informação.

Porém essa ainda não é uma prioridade de pequenas e médias indústrias. “No Brasil, infelizmente, segurança da informação ainda é vista como produto e muitas indústrias acreditam que por possuírem um antivírus estarão protegidas”.

Assim, uma boa prática é fugir de fornecedores que querem vender produtos e buscar no mercado de segurança de informação um parceiro que possa auxiliar a desenvolver uma estratégia de segurança organizada em camadas e em fases, tais como backups e walls para os dados mais sensíveis.

Além disso, é importante trabalhar com todos os colaboradores um plano de conscientização cibernética, com campanhas de phishing (e-mails de phishing, simulando uma tentativa de distribuição de malware), algumas vezes no decorrer do ano.

Este tipo de simulação permite à empresa entender a maturidade de seus colaboradores por área e ramo de atuação e, assim, entender qual perfil está mais sujeito a “cair” em um email de phishing verdadeiro”, finaliza Veiga.

O Compliance como aliado a prevenção das demandas jurídicas.

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Por Camila Ávila*

O Compliance é um termo derivado do verbo to comply, que significa estar em conformidade, cumprir, estar de acordo com as normas.

Internacionalmente o Compliance possui uma estrutura mais sólida do que no Brasil, como é o caso dos Estados Unidos da América (EUA) que contam com a Securities and Exchange Commission (SEC), a Foreign Corrupt Practices Act (FCPA) e da United Kingdom Bribery Act, lei britânica criada no Reino Unido, considerada extremamente rigorosa no combate a corrupção.  

Dentro do ordenamento jurídico brasileiro, é um instituto relativamente novo e ganhou força por conta da Operação Lava Jato que deflagrou esquemas de corrupção e de lavagem de dinheiro no País.

Em que pese o Compliance ser utilizado pelas empresas como prevenção a corrupção, por ser condição atenuante das multas previstas na Lei Anticorrupção nº 12.846/2013, esse instituto pode ser um grande aliado para redução das demandas jurídicas nas demais áreas, uma vez que cria mecanismos capazes de precaver demandas futuras.

Um programa de Compliance eficaz é capaz de identificar e combater as práticas contrárias as leis, as normas e regulamentações e das políticas internas da empresa, criando um ambiente ético e eficaz reduzindo riscos de fraudes, sanções, multas, conflitos judiciais, e garantindo maior transparência na comunicação da empresa com o mercado e seus investidores/ acionistas.

Na área trabalhista, por exemplo, a empresa que possui demandas reduzidas de processos traz confiança, uma vez que reflete um ambiente de trabalho saudável em que as leis são efetivamente cumpridas.

O Compliance aplicado na área tributária evita multas decorrentes de infrações ou de não cumprimento e atraso das obrigações fiscais reduzindo prejuízos.

Portanto, as empresas podem utilizar-se de um programa de Compliance estruturado e independente como aliado a prevenção das demandas judiciais, gerando maior confiabilidade, transparência e competitividade destacando-se no mercado.

Colocamos à disposição a nossa equipe de profissionais para auxiliá-los na avaliação, estruturação, e implementação de programas de Compliance, que possam gerar maior transparência aos seus acionistas, investidores e maior valor à sua empresa.


*Camila Ávila é advogada da TAG Brazil e formou-se pela Universidade Nove de Julho, é pós-graduanda em Direito e Processo Tributário pela Escola Paulista de Direito

O ensino moderno de Engenharia

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Muitos se perguntam como adaptar o ensino em engenharia para formar os profissionais que o mercado deseja. A resposta não é simples e depende de muitos fatores, como o cumprimento de diretrizes nacionais curriculares, o público destinado ao curso, os investimentos disponíveis e as habilidades que desejamos desenvolver nos futuros engenheiros. Com base nestes desafios e na premissa de fornecermos um ensino moderno, eu propus em minha tese de doutorado uma metodologia de ensino denominada Maker Smart Education (MsE).

MsE, apresentada na figura abaixo, é a intersecção de três metodologias de ensino: a tradicional, a por desafio e a online.

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Metododologia MsE

Na primeira delas, o processo de ensino-aprendizagem é centrado na figura do professor. Já na metodologia online, os alunos participam de fóruns de discussão, assistem vídeos e palestras, e exercem maior autonomia no processo de aprendizagem. A terceira citada é a aprendizagem por desafio, onde os alunos recebem uma proposta de trabalho desafiadora e ao final da atividade devem apresentar um protótipo funcional da solução projetada. É uma atividade que dá ao aluno um pouco do “gosto” do que será se tornar e trabalhar como engenheiro, atividade que eles adoram executar todos os semestres.

Para difundir o conhecimento, uma plataforma de ensino contínua é disponibilizada para que professores, técnicos e alunos conheçam as tecnologias disruptivas e um sistema de avaliação da metodologia possibilita que ela seja modificada de acordo com as necessidades atuais (que são dinâmicas).

Para suportar essa moderna metodologia de ensino foram selecionadas tecnologias disruptivas e que remodelam a produção de produtos e serviços na atualidade, como a realidade virtual, os laboratórios de fabricação digital (FabLab) e um laboratório 4.0, onde está localizada a Learning Factory (uma fábrica de pequenas proporções). Neste sistema de ensino os alunos podem desenvolver um produto para atender determinada demanda da sociedade, criar uma linha de produção automatizada para a fabricação do produto, estabelecer um sistema de gestão, indicadores de segurança, custos e produtividade, exatamente como na futura vida profissional.

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Laboratório 4.0 da Universidade Paulista, campus Bacelar. Learning Factory à disposição dos alunos.

Atualmente desenvolvo uma pesquisa para saber a opinião de especialistas educacionais de países como Portugal, Polônia, Alemanha, Japão e Brasil a respeito da metodologia e tecnologias citadas. Parece um consenso que a Learning Factory é primordial para a formação de novos engenheiros, pois possibilita uma antecipação dos desafios profissionais e desenvolve habilidades nos alunos que apenas a situação real pode desenvolver. Os alunos podem trabalhar em grupos de habilitações distintas da engenharia, podem mesclar times de outras instituições de ensino e até de outros países. O uso das demais tecnologias, como o FabLab também contribuem ao processo, dando liberdade para os processos de inovação e empreendedorismo dos alunos.

Como resultado da aplicação da nova metodologia espera-se o desenvolvimento de skills importantes para quem quer atuar na indústria e no contexto da quarta revolução industrial. Se a metodologia é efetiva, o tempo dirá, mas com certeza o processo de aprendizagem é mais interessante e divertido para os alunos, algo que sentíamos falta quando cursamos Engenharia anos atrás.

6 habilidades que um bom líder de chão de fábrica deve ter

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Você já parou para pensar o quão importante é o papel de um líder de chão de fábrica para as indústrias? Hoje em dia ele é protagonista desse novo momento do setor industrial, como abordaram as palestras da segunda edição da Indústria Xperience.

Independentemente do ramo de atuação, é fundamental que as indústrias invistam em desenvolver os líderes de chão de fábrica, já que eles são os responsáveis por liderar e gerir equipes visando a máxima eficácia.

O mais interessante é que todo bom líder de chão de fábrica deve possuir 6 habilidades de maior importância que, quando presentes, contribuem com a melhoria contínua dos processos e permite uma boa condução da equipe de trabalho.

Para indicar quais são essas habilidades, conversamos com dois especialistas na área: Thiago Coutinho, CEO da Voitto, e Thayse Ferro, Coordenadora de Educação Empresarial e Desenvolvimento de Carreira - IEL/AL.  

1. Ser líder de chão de fábrica através do exemplo

Imagine um determinado líder de chão de fábrica que não respeite prazos, não faça uso de EPI 's e está sempre atrasado para as reuniões. Certamente, seus liderados seguirão os mesmos hábitos e será muito difícil corrigir esses erros no futuro, não é verdade?

Para Thiago Coutinho, um bom líder é aquele que inspira seu time por meio de bons exemplos. “Essa é uma de suas habilidades mais importantes”, diz o CEO da Voitto.

Além disso, a forma de falar, se comportar diante das situações adversas, utilizar equipamentos de proteção, e respeitar a cultura organizacional são comportamentos que o líder precisa garantir e estão aderentes ao que ele solicita para seu time, uma vez que a tendência é os liderados usarem o líder como referência.

Esse estilo de liderança deve ser contínuo, em várias dimensões da vida, para que possa ser coerente”, complementa Thayse Ferro.

2. Desenvolver habilidades de liderança de forma contínua

Um grande profissional é aquele que nunca para de estudar e está sempre antenado às tendências do mercado, além de novas estratégias, metodologias e habilidades requisitadas.

Mas para saber quais habilidades necessitam ser desenvolvidas, Thayse Ferro salienta que o líder de chão de fábrica precisa ter uma clara percepção das suas competências, emoções, pontos fortes e fracos.

Um líder que tem consciência do efeito que seus sentimentos têm sobre si mesmo fará um esforço para expressar suas emoções de forma adequada com a equipe, mesmo quando o contexto é desagradável”.

3. Saber ouvir e observar

Saber ouvir é um grande desafio para todo líder de chão de fábrica. Isso exige a disposição de parar e ouvir com atenção, principalmente quando as atividades do dia a dia pedem agilidade para resolver tudo.

Quando o líder observa como seu squad trabalha e reage diante das decisões e estimula conversas que são acessíveis, ele estabelece conexões baseadas em confiança que irão refletir nos resultados da equipe”, indica Thiago Coutinho.

Essa é uma habilidade que todo líder deve ter, pois:

  • Gera uma relação de confiança com os colaboradores;
  • Permite que o líder de chão de fábrica tenha informações do que está acontecendo, podendo se antecipar às soluções; e
  • Demonstra abertura para novas ideias e sugestões de melhoria.

4. Ter capacidade técnica e conhecimento tecnológico

No chão de fábrica, é extremamente importante que o líder possua um vasto conhecimento técnico, principalmente para conseguir auxiliar sua equipe na resolução de diferentes problemas da indústria, como explica a Coordenadora de Educação Empresarial e Desenvolvimento de Carreira da IEL/AL.

Garantir maior qualidade e produtividade com baixo custo são algumas das preocupações dos líderes de chão de fábrica, por isso ter competência técnica é fundamental, uma vez que as atividades desenvolvidas exigem conhecimentos técnicos e tecnológicos por parte do líder”.

Além disso, para o CEO da Voitto “o líder deve estar a par das principais tendências do mercado e em constante aprendizado com as metodologias, ferramentas e softwares vigentes dentro deste ambiente”.

5. Saber comunicar informações para a equipe

Manter as equipes de trabalho bem informadas sobre a missão, visão, e valores da empresa torna o time informado, envolvido e sempre motivado com o propósito institucional. Também facilita a construção de planos de ação da fábrica.

Cabe ao líder do chão de fábrica manter seus colaboradores sempre informados a respeito dos rumos da empresa, estratégias adotadas, resultados alcançados e metas globais da companhia”, indica Coutinho.

Além disso, deixar o time informado sobre os produtos do portfólio, metas, e projetos futuros também desperta o sentimento de pertencimento de colaboradores, que é essencial para trazer bons resultados.

No entanto, a coordenadora do IEL/AL indica que essa relação não deve acontecer na forma de cobrança do líder para seu colaborador, e nem de modo que pareça “forçado” ou como forma de obrigação. "A comunicação deve permitir um entendimento claro sobre a atividade e não uma forma de obrigação”, diz.

6. Delegar tarefas é essencial

Delegar é preciso! Para alcançar os objetivos da produção industrial, é necessário executar muitas responsabilidades e, ainda, cuidar das pessoas.

Assim, para cumprir prazos e alcançar resultados positivos, o líder de chão de fábrica deve delegar algumas de suas responsabilidades. Para tanto, a equipe precisa estar qualificada a fim de garantir que os objetivos empresariais sejam cumpridos.

Outro fator importante citado no momento de delegar tarefas é ter uma comunicação clara sobre o que deve ser feito, quando e como fazer. “Um bom líder desenvolve pessoas para ser tão boas quanto ele, então delegar passa a ser fácil”, completa Ferro.

Um bom líder é aquele que consegue extrair a melhor versão do seu time e fazer com que a produtividade aumente com resultados cada vez melhores, escolhendo pessoas certas, sendo aberto às sugestões e possuindo uma didática muito clara", finaliza Coutinho.

Muito além da Kodak

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A história da Kodak acabou virando icônica. É triste, pois muitos de nós ainda se lembram dos prazeres de comprar filmes, tirar fotos e revelar. Ainda lembramos de como era deixar o filme no fotógrafo e ir buscar as fotos quase uma semana depois. Da alegria de chegar em casa e mostrar as fotos, inclusive aquelas em que o seu dedo estava na lente ou mesmo aquele filme que havia escapado do carretel da máquina. Saudosismos a parte, com o que hoje é arcaico, a Kodak ganhava muito dinheiro e tinha receitas de US$ 4 bilhões, algo próximo de US$ 50 bilhões em dólares de hoje na década de 1970. 

É até um exagero a Kodak ter se transformado em um exemplo triste de decadência, pois várias outras empresas passaram e passam pelo mesmo processo, que chamo agora de Kodakização.

Pela minha definição, kodakização seria possuir uma inovação técnica ou saber o caminho desta inovação, mas a corporação não possuir as habilidades essenciais (cérebro) e vontade (musculatura) para arregimentar seu exército de colaboradores rumo ao futuro, preferindo lucros maiores com tecnologias tradicionais a curto prazo, não conseguindo enxergar a ponta do nariz, mas enxergando muito bem o umbigo.

Explico agora: em 1975, Steve Sasson, engenheiro da Kodak inventou uma câmera digital capaz de tirar fotos de até 0.1 megapixel. A companhia ainda continuou desenvolvendo tecnologias nesta linha: em 1986, uma câmera de 1 megapixel. Mas, a companhia não levou as câmeras digitais para o mercado pois tinha medo de que isso acabasse prejudicando as vendas de filmes e câmeras tradicionais.

A indústria brasileira está se kodakizando?

Em 1985 a participação da indústria no PIB brasileiro chegou a 48%. Em 2019, tempos pré-pandêmicos, estava em 21,4%.

Produção de certas peças automotivas como carburadores, platinados, distribuidores estão sob a mesma lápide dos filmes coloridos da Kodak. Atualmente, à exemplo da Kodak que já conhecia a fotografia digital e, portanto, conhecia o futuro, mas não foi nesta direção, nós também sabemos para onde temos que ir: mais eletricidade e eletrônica no lugar de mecânica. Software. Inteligência Artificial. Internet. Comutação quântica. Optoeletrônica. Plasmônica. Tecnologia de carbono no lugar de silício.

Independente dos detalhes dos próximos capítulos, aprendemos que existem variáveis não controláveis como uma epidemia, por exemplo. Contudo, as tendências acima são implacáveis.

Se não eletrificarmos nossa indústria, certamente o cemitério ficará abarrotado de empresas. As soluções estão chegando, mas muitos estão aferrados à sua forma de fazer negócios com medo de perder dinheiro. E provavelmente não perder muito mais que dinheiro: vão perder tudo.

Como diria Peter Drucker, “As oportunidades de uma empresa residem fora dela, no ambiente em que está inserida”. Aumentar a eficiência operacional não salva a empresa, apenas adia a morte – são cuidados paliativos. Melhorar a qualidade, diminuir downtime de equipamentos, ter uma logística mais eficiente são ações que levam a uma melhor utilização de recursos, devem ser feitas, mas não salvará sua empresa da morte. Não é estratégia competitiva e, portanto, não te dará uma vantagem competitiva.

Muitos me perguntam o que fazer quando leem minhas provocações. Uma pitada de autoajuda, não gosto muito, mas vai lá. Os fatores que devem servir de reflexão são:

  • Conhecimento não é crítico. Crítico é a capacidade de aprendizado incessante, que exige construção e desconstrução. Conhecimento é coisa antiga e fora de moda. Na prateleira ou no Google, o conhecimento envelhece de qualquer forma.
  • Você deve fazer ou saber alguma coisa que é difícil e, difícil de ser copiado também. Se for fácil, você será copiado e tchau-tchau vantagem competitiva.
  • A liderança deve ser um motor identificando as competências essenciais para o futuro e se preparar e preparar seu pessoal para este futuro. Liderança não é só para saber quando termina o trimestre.

Descansar em paz não é para a nossa indústria. Isto não nos dará paz.

Porque o controle de temperatura na indústria é uma prioridade

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O controle de temperatura na indústria é uma das preocupações mais importantes deste setor. É através dele que podemos assegurar a temperatura correta de um processo de fabricação, garantindo que ele estará em um valor adequado para alcançar melhores resultados.

Em processos de fabricação, o controle de temperatura na indústria é essencial: se a temperatura estiver muito acima ou abaixo da faixa ideal necessária para uma determinada fase de um processo de fabricação, os resultados podem não ser ideais, comprometendo a qualidade do produto usinado, além da vida útil do maquinário.

Por isso, dispor de um sistema de controle de temperatura não deve ser negligenciado pelo gestor. Cabe a ele considerar alguns pontos específicos do processo de controle de temperatura que podem influenciar nos resultados da atividade.

Por que realizar o controle da temperatura na indústria?

No ambiente industrial, o controle da temperatura nas operações de fabricação cumpre a função de garantir os padrões, medindo a temperatura constantemente e fazendo com que o processo não apresente falhas.

No processo usinado, por exemplo, o controle de temperatura na indústria permite a redução de custos e desperdícios na cadeia produtiva, como salienta Wesley Reis, engenheiro e Coordenador Técnico Comercial da SIGMA SENSORS.

Controlar a temperatura do material na linha de produtos auxilia, por exemplo, a identificar produtos que venham a ser defeituosos, pois ajuda a identificar pontos de inatividade e determinar a causa raiz do problema no decorrer do processo”.

Além disso, ao mapear pontos térmicos, a indústria consegue aumentar a produtividade e o foco no entendimento do problema. “Com isso, garantimos que tais problemas não voltem a acontecer”, completa Reis.

Tudo isso permite que o controle de temperatura ajude a indústria a prevenir gastos excessivos, trazendo benefícios na produtividade e na qualidade das operações industriais que funcionam em condições específicas.

Sistema de controle de temperatura na indústria: por que ter?

Quando aplicado na indústria, o controle de temperatura representa uma das tecnologias mais importantes na fabricação adequada de produtos. Diante disso, é cada vez mais importante que o fabricante não apenas determine a temperatura adequada para cada etapa de produção, mas também monitore a temperatura dentro deste processo.

Por isso, dispor de um sistema de controle de temperatura na indústria é essencial, independentemente do tipo de indústria. Os controladores de temperatura nas operações de fabricação são responsáveis por garantir que a etapa do processo opere dentro dos padrões, medindo a temperatura constantemente e comparando e corrigindo com a temperatura especificada (programadas internamente) no controlador.

Falando da Indústria de Bebidas e Alimentos, à exemplo, para o processo de pasteurização, Wesley Reis diz revela que é comumente utilizado um data logger medidor de temperatura para garantir a eficácia do processo, que requer a medição de temperatura do produto (líquido ou alimento) enquanto passa pelo túnel de pasteurização.

Cervejas e refrigerantes são produzidos todos os dias cumprindo múltiplos parâmetros de processamento que resultam em produtos com identidades únicas, deste modo, existem fatores que são avaliados periodicamente, como o calor, resfriamento, dosagem e a distribuição uniforme da temperatura do túnel”, diz.

Tipos de sensores medidores de temperatura na indústria

Segundo o Coordenador Técnico Comercial da SIGMA SENSORS, o controle de temperatura na indústria pode ser feito de diversas formas, com diferentes tipos de sensores que podem variar de acordo com o setor industrial.

Para melhor controle da temperatura na indústria há a possibilidade de uso de Termopares, Placa de Fluxo de Calor, Sensor de Fluxo de Calor tipo anel, Detector de Temperatura de Resistência, Espalhador Térmico, Sensor PT100 e PT1000”.

Diante disso, Reis salienta que é importante considerar a escolha de acordo com algumas variáveis. “O gestor deve saber onde será aplicado o sensor, podendo ser maquinário, chapa, solo, água e até alimento”, diz.

Depois disso, o especialista indica que o gestor da indústria deve buscar sensores compatíveis com os ranges necessários do ambiente/local da aplicação. “Hoje, trabalhamos com sensores com range de -200°C, do tipo data loggers para gelo seco, até 1.700°C do tipo sensor termopar para têmperas de vidro”, complementa.

Uma vez definidos estes fatores, será muito mais fácil determinar qual é o tipo de sistema controlador de temperatura mais adequado para uma aplicação específica.

5G para a indústria: o que muda nas operações das fábricas?

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A conexão 5G para a indústria está chegando e essa conexão ultrarrápida permitirá a troca de informações de uma forma muito rápida dentro do ambiente 4.0.

Devido às velocidades mais altas e à baixa latência, o 5G industrial se torna essencial e fator-chave para a quarta revolução da indústria, podendo fazer toda a diferença no uso potencial de ferramentas, como sistemas de IIoT (Internet Industrial das Coisas), robótica, armazenamento em nuvem e realidade virtual.

Por meio dessas inovações, o 5G para a indústria promete revolucionar o setor em todos seus campos. Mas quais são as mudanças nas operações das fábricas?

Para saber mais, conversamos com José Borges Frias Júnior, Diretor de Inovação Corporativa da Siemens. Ele explica quais são os impactos do 5G para a indústria indica os pontos que o setor precisa priorizar para se preparar para a chegada do 5G industrial.

A Internet 5G está chegando. Quais os impactos para indústrias?

As redes 5G estão chegando e prometem mudar de maneira definitiva a rotina, inclusive no meio industrial. O 5G  permitirá às pessoas se manterem conectadas, e, também, que máquinas “conversem entre si”, popularizando inovações tecnológicas.

Assim, uma das principais diferenças entre o 5G para a indústria e as gerações anteriores de redes celulares está relacionado ao fato de que o foco do 5G está na comunicação máquina-máquina e na Internet Industrial das Coisas (IIoT). “Em particular, o 5G suporta comunicação com confiabilidade sem precedentes e latências muito baixas”, indica Frias Junior.

Portanto, segundo o diretor de Inovação Corporativa da Siemens, essa tecnologia abre caminho para uma era da produção industrial que já começou, conhecida como “Indústria 4.0”.

O uso do 5G para a indústria visa melhorar significativamente a flexibilidade, versatilidade, usabilidade e eficiência das futuras fábricas inteligentes. A Indústria 4.0 integra a Internet das Coisas e os serviços relacionados na fabricação industrial e oferece integração vertical e horizontal contínua em toda a cadeia de valor e em todas as camadas da pirâmide de automação”, indica.

Diante disso, a conectividade é um componente essencial da Indústria 4.0, apoiando os desenvolvimentos em andamento, fornecendo conectividade poderosa e difundida entre máquinas, pessoas e objetos.

Principais benefícios do 5G para a indústria

As novas tecnologias de rede sempre foram um importante impulsionador da inovação. O mesmo se aplica ao 5G para a indústria que tem um potencial disruptivo para a infraestrutura e indústria.

No ramo industrial, a Transformação Digital poderá ser alavancada com a disponibilidade de uma conectividade tão poderosa como a que as redes 5G irão oferecer”, salienta José Borges Frias Júnior. 

O especialista explica que as redes 5G funcionam como um habilitador da automação, robotização móvel, veículos autônomos, realidade aumentada, computação a bordo, aprendizado de máquina, gêmeo digital e outras aplicações.

Complementando, embora algumas aplicações possam ser tecnicamente realizadas nas redes públicas 5G, existe um consenso cada vez maior de que as redes privativas 5G é que serão o grande alavancador destas aplicações.

Usando faixas de frequência privadas disponíveis localmente, as empresas podem configurar suas próprias redes 5G privativas para permitir a conectividade em áreas definidas - o que pode aumentar consideravelmente a flexibilidade na produção e logística”, indica o diretor da Siemens.

Além disso, graças à rápida transmissão de dados via 5G industrial, todos os componentes em produção podem responder às mudanças quase em tempo real. “Quando combinadas com tecnologias futuras, como computação de borda e em nuvem, as redes 5G para a indústria irão facilitar a análise flexível de grandes volumes de dados, o que as torna um driver para a transformação digital na indústria”, diz Frias Junior.

A conexão 5G será uma necessidade. Cabe à indústria se preparar para sua chegada

Ainda hoje, muitas máquinas utilizadas por indústrias brasileiras não são sequer preparadas para se conectar às redes convencionais. Por isso, antes de usar o 5G industrial, é preciso pensar com calma para saber qual é a melhor opção para quando essa rede 5G chegar.

Dessa forma, José Borges Frias Júnior ressalta que a indústria, de um modo geral, deve iniciar as discussões e avaliações em grupos multidisciplinares para decidirem qual é a melhor configuração do 5G, privativo ou não, que irá suportar as suas necessidades de conexão no seu plano de transformação digital.  “Em breve, conexão não será um fator limitante e quem sair na frente poderá obter vantagens competitivas no mercado”, diz.

Por fim, o especialista explica que a Siemens está liderando o desenvolvimento do 5G Industrial, atuando de forma ativa na padronização da tecnologia 5G no 3GPP e em associações internacionais da indústria como a 5G-ACIA.

A Siemens vai produzir equipamentos 5G para aplicações industriais e para utilities como as do setor elétrico. O primeiro produto 5G da Siemens é um roteador industrial. O SCALANCE MUM856-1, que suportará redes 4G e 5G. Em um encapsulamento IP65, o dispositivo foi desenvolvido para aplicações em ambientes industriais exigentes e pode ser usado em redes públicas e privativas 5G”, finaliza.

Oportunidades e desafios da Inteligência artificial em PMEs

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Por Júlia Bertazzi*


A Inteligência Artificial (IA) é uma tecnologia chave para a era digital e o advento da Indústria 4.0. Muito de sua aplicação foca na manufatura em especial na automação industrial, mas este é apenas um dos muitos aspectos deste cenário, que pode ser aplicado também para impulsionar a eficiência da produção, melhorar a qualidade e rendimentos preditivos como na manutenção, gerenciar melhor as cadeias de suprimentos, aumentar a velocidade de adaptação às demandas de mercado, e alavancar a colaboração humano-robô.

Com a ajuda de algoritmos de autoaprendizagem, e aprendizagem de máquina, os processos, produtos e ambientes existentes podem ser aprimorados e novos modelos de negócios podem ser desenvolvidos. Isso significa que a IA tem potencial para a implementação de melhorias e mudanças significativas nos processos a curto e médio prazo e mudar setores inteiros e cadeias de valor no longo prazo.

Portanto, a aplicação e uso da IA é essencial para fortalecer a capacidade inovadora e a competitividade da economia como um todo. Além do banco de dados necessário, uma incorporação na estratégia corporativa com envolvimento dos funcionários na gestão da mudança é central, seja para empresas de pequeno a grande porte.

Apesar dos extensos benefícios da IA e da grande gama de possibilidades de aplicação, pequenas e médias empresas, até mesmo na Alemanha, relutam em usar tecnologias de IA.

Um documento lançado recentemente pela Acatech, Academia de Ciência e Engenharia Alemã, realizou um estudo focado nas aplicações, dificuldades e oportunidades da aplicação de soluções de IA em PMEs alemãs. De acordo com este documento, a relutâncias das PMEs geralmente está relacionado à falta de conhecimento ou know-how, aos benefícios não detectados após os projetos iniciais de aplicação ou à digitalização inadequada da empresa, além do escopo de investimento pequeno ou falta de trabalhadores qualificados.

Um exemplo de aplicações apresentadas no documento, condiz com soluções de IA para desenvolver um layout inteligente, com o objetivo de tornar os processos logísticos internos mais eficientes. A solução resultou em economias de cerca de 22.000 euros/ ano para a PME.

Apesar dos benefícios serem claros, é necessário atenção na implementação destas tecnologias, uma vez que se faz necessário o desenvolvimento de estratégias adequadas e alinhadas aos objetivos corporativos para o desenvolvimento de tais soluções.

Portanto roteiros de IA fornecem orientação para empresas com diferentes graus de maturidade digital e diferentes pontos de partida ao definir marcos e projetar planos de implementação práticos para a introdução de IA na empresa.

Devido aos muitos obstáculos e dificuldades que PMEs ainda possuem para fazer parte do ambiente tecnológico e de inovação, a cooperação com grandes corporações, startups e instituições de pesquisa, bem como a cooperação com a rede de valor, para desenvolver soluções baseadas em IA são alternativas a se considerar.

A pesquisa está disponível no siteNo Brasil, a VDI atua como front-office da Acatech e do Centro 4.0 de Aachen para distribuição do Diagnóstico de Nível de Maturidade Digital das instituições. Para mais informações: [email protected]


*Júlia de Andrade Bertazzi é engenheira e Gerente de Projetos na Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha.