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Indústria 4.0: o que o Brasil pode aprender com a Alemanha?

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Saiba como a Alemanha tem trabalho para desenvolver a Indústria 4.0 no país ao mesmo tempo em que qualifica a mão de obra

O conceito de Indústria 4.0 começou a ser difundido no ano de 2011, em Hannover, na Alemanha. Desde então, a iniciativa que propõe uma verdadeira revolução na forma como as fábricas operam é patrocinada e incentivada pelo governo alemão, empresas de tecnologia, universidades e centros de pesquisa.

Por ser a "criadora" da Indústria 4.0, a Alemanha tem muito a nos ensinar sobre como a tecnologia pode revolucionar a produção atual, e, se você não deseja ficar de fora desses aprendizados, não deixe de seguir com a leitura desse artigo!

A Indústria 4.0 na Alemanha

"A Indústria 4.0 já é uma realidade. Desde o seu anúncio, o governo alemão apoia e promove a produção industrial avançada. Este processo ocorre por meio dos diferentes ministérios, órgãos e agências, que trabalham em estreita colaboração com o setor privado", aponta Bruno Vath Zarpellon, diretor de inovação e tecnologia da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha.

Um amplo pacote de políticas e programas de financiamento foi introduzido para tornar a Alemanha provedora mundial de sistemas ciber-físicos em 2020. "Paralelamente a isso, representantes de diversos setores industriais se comprometeram a investir mais de 2,5 bilhões de euros em seis áreas de pesquisa ao longo de dez anos", explica

De acordo com Zarpellon, o potencial econômico da Indústria 4.0 atraiu a atenção de grandes empresas. Por isso, o investimento no avanço das integrações, instalações e estratégias digitais apropriadas já é alto.

Apesar disso, a adoção da Indústria 4.0 não está limitada às grandes empresas. "O foco da estratégia alemã de Inovação e Tecnologia é voltado para as pequenas e médias, e essa inserção já dá caminho para a 4ª Revolução Industrial. Atualmente, 80% das empresas ligadas à indústria de eletrônicos já lidam com a Indústria 4.0. Contudo, apenas 20% possuem soluções concretas", complementa o diretor de inovação e tecnologia.

Foco em pessoas

Zarpellon chama atenção para o foco da implementação da Indústria 4.0 na Alemanha estar nas pessoas, ao contrário do que muitos imaginam. "A Alemanha vê as pessoas como centro de sua estratégia e entende que as tecnologias digitais podem melhorar o ambiente de trabalho, aumentando a eficiência e a segurança dos trabalhadores, prolongando o tempo produtivo".

É exatamente por isso que o projeto Indústria 4.0 exige uma aliança clara entre os setores privado, científico, político e a sociedade. Além disso, as mudanças trazidas por esse novo modelo produtivo também vão impactar nas configurações de trabalho.

"Ao passo que é preciso de menos funcionários em sentido direto, há uma necessidade maior de profissionais para desenvolvimento de sistemas e para o gerenciamento de processos complexos. Ou seja, a Indústria 4.0 proporciona novas oportunidades de emprego para trabalhadores qualificados".

Isso significa que a Indústria 4.0 vai permitir que os funcionários não realizem mais tarefas repetitivas e operacionais. Tornando possível o direcionamento da força de trabalho humano a atividades criativas e com alto valor agregado. Para Bruno, são eliminadas posições de trabalho repetitivo que necessitam de baixa qualificação e se aumenta a demanda por trabalhadores talentosos e bem qualificados.

Formação profissional

Zarpellon explica que a Alemanha tem investido cada vez mais na formação profissional por causa dessa mudança. Dessa forma, são integradas diversas formas de conhecimento para formar profissionais multidisciplinares.

"Neste sentido, o sistema dual de formação alemão é um modelo a ser amplamente copiado pelo Brasil. Afinal, o sucesso é comprovado pelos índices que apontam a Alemanha como o país com menor taxa de desemprego entre os jovens. Uma formação técnica, realizada em parceria com empresas, eleva a qualificação da força de trabalho e a produtividade do país, na medida em que os alunos passam a ser moldados de acordo com as demandas do mercado. Esse modelo já vem sendo desenvolvido pela Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo no Brasil".

Conhecimento compartilhado

Além da iniciativa para qualificar o trabalho humano, o governo alemão criou a Plattform Industrie 4.0. Lançada em 2013, ela reúne os mais importantes atores públicos e privados em torno da agenda da 4ª Revolução Industrial. A iniciativa tem como objetivo identificar as tendências e os desenvolvimentos da manufatura para que seja possível coordenar as ações da Indústria 4.0.

Sua liderança é realizada em conjunto pelo Ministério Federal de Economia e Energia alemão (BMWi) e o Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF), com a participação de empresas, sociedade e academia. Para facilitar e agilizar as discussões, existem diversos grupos de trabalho coordenados por empresas, por exemplo: Estrutura Legal (Dr. Hans-Jürgen Schlinkert, thyssenkrupp) e Segurança de Sistema Conectados (Michael Jochem, Robert Bosch GmbH).

E a sua indústria, já está pronta para entrar no universo da indústria 4.0? Ficou com alguma dúvida? Escreva pra gente pelos comentários e até a próxima. 

*Este material é um publieditorial, sob responsabilidade de TOTVS

Entenda como manter a segurança da informação no contexto da Manufatura Avançada

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São muitos os desafios enfrentados pelas indústrias atualmente quando o assunto é a Manufatura Avançada. Nós já falamos a respeito de muitos deles por aqui, mas, agora, o destaque fica por conta da segurança da informação. Como você sabe,  o conceito 4.0 de produção abrange todos os estágios da manufatura, desde a ideia para a concepção de um produto até a entrega final ao cliente, passando por etapas superimportantes, como desenvolvimento, produção, logística e até reciclagem.

E com toda essa conectividade, é grande a quantidade de dados gerados no chão de fábrica. Além disso, quanto mais conexões são feitas, maior também é a vulnerabilidade dos sistemas informatizados utilizados pela indústria. Dessa forma, a Manufatura Avançada exige novas medidas de segurança para garantir a integridade de dados e programas.

A importância da segurança da informação

“Na era da Manufatura Avançada, as estratégias de segurança cibernética devem ser sólidas, estáveis e resilientes, assim como totalmente integradas à estratégia organizacional da empresa”, afirma Ronaldo Alves, consultor do Sebrae-SP.

Mas com  o ritmo intenso da transformação digital, os ataques cibernéticos podem gerar efeitos significativos e extensos na produção industrial – uma realidade que muitas empresas ainda não estão preparadas para enfrentar.

Vale lembrar que os chamados  malwares – são softwares de computadores que se infiltram em um computador alheio com o objetivo de provocar algum tipo de dano. A sofisticação desses tipos de programa  tem os tornado armas potenciais  para as fábricas físicas conectadas, uma vez que podem, não apenas paralisar a produção, mas também serem usados como ferramenta para roubo de segredos industriais.

O Stuxnet, por exemplo, foi o primeiro software malicioso utilizado para controlar e monitorar processos industriais. Em 2009, o malware manipulou a velocidade das centrífugas em uma usina de enriquecimento nuclear no Irã, fazendo com que elas saíssem do controle. Ele foi introduzido no sistema por meio de um simples pendrive e se espalhou automaticamente pelas redes de produção.

Protegendo a indústria de ataques

Com a introdução da Internet das Coisas no chão de fábrica, serão vários os equipamentos conectados à internet. Isso significa que as organizações precisam proteger uma ampla faixa de tecnologia, enquanto os invasores precisam apenas identificar o ponto mais fraco.

Manter todos esses dispositivos atualizados é um grande desafio e, muitas vezes, essa tarefa é negligenciada. Caso um deles apresente uma falha de segurança e deixe de receber a correção em uma atualização, isso pode comprometer todo o sistema em rede, sendo um ponto de entrada para invasões.

As indústrias, portanto, precisam considerar quais dados devem ser compartilhados e de que  forma devem proteger os sistemas e as informações que são seus  ou que apresentam riscos à privacidade ou segurança. Além disso, “módulos de segurança de hardware devem ser incorporados aos dispositivos para fornecer suporte criptográfico robusto, sistemas de autenticação e histórico de acessos, detectando quando alterações não autorizadas são realizadas”, recomenda Fabio Assolini, analista sênior de segurança da Kaspersky Lab.

As equipes de segurança da informação e de gerenciamento de risco também precisam desenvolver novas políticas e diretrizes para se protegerem adequadamente contra fornecedores e concorrentes fraudulentos. Nesse sentido, Assolini faz um alerta: “temos de ter em mente que não existe segurança plena quando tratamos de ataques cibernéticos. Existe é gestão de riscos”.

Em conjunto, todas essas abordagens podem ajudar a identificar onde estão as vulnerabilidades, conforme a conectividade aumenta. Com isso, a indústria pode continuar crescendo sem deixar de fortalecer suas capacidades de monitoramento e segurança cibernética.

Você sabia a importância da segurança da informação? Ficou com alguma dúvida? Compartilhe a sua experiência conosco no campo de comentários abaixo e continue acompanhando o nosso canal de conteúdo.  

Energia pode ser economizada com adoção da Indústria 4.0

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Veja como a Indústria 4.0 também vai colaborar para aumentar a eficiência energética e implementar um modelo de produção mais sustentável

Muito tem se falado dos benefícios da Indústria 4.0, afinal, o conceito promete eliminar os desperdícios e aumentar a produtividade das empresas. E, nesse cenário tão vantajoso para as indústrias, a eficiência energética não poderia ficar de fora.

Com a eliminação de falhas em toda a linha de produção, a Indústria 4.0 permite que os negócios se tornem mais sustentáveis. Afinal, será possível usar os recursos naturais de forma mais controlada e pontual, diminuir a geração de resíduos e aumentar a vida útil dos produtos.

Indústria 4.0 e a eficiência energética

Atualmente, 54% da energia consumida no mundo é utilizada pela indústria, sendo 38% da manufatura. O que mais assusta nesse dado é que 42% da energia consumida pela manufatura é desperdiçada no contexto atual - e isso acontece pela perda de calor, pela iluminação na fábrica, entre outros problemas que podem ser facilmente resolvidos com a Indústria 4.0.

Com a adoção das tecnologias base da Indústria 4.0, como a utilização de sensores e Inteligência Artificial, no entanto, a eficiência energética pode atingir o seu potencial máximo.

"Se as industrias brasileiras adotarem os conceitos de Indústria 4.0, as estimativas são de uma economia de 7 bilhões ao ano do consumo de energia", afirma Bruno Jorge Soares, coordenador de Indústria 4.0 da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial - ABDI.

Como a Indústria 4.0 colabora para esse cenário

As fábricas conectadas e automatizadas da Indústria 4.0 disponibilizarão uma série de dados para os seus gestores. Assim, será possível entender o cenário real de capacidade produtiva e ociosidade de equipamentos, dois grandes influenciadores do aumento de consumo desnecessário de energia .

Com isso, a eficiência energética aparecerá como uma consequência do melhor uso e controle dessas informações, bem como pela redução da manutenção dos equipamentos, o aumento da produtividade e eficiência das máquinas e força de trabalho humana.

Como melhorar a eficiência energética na indústria?

De acordo com Soares, a eficiência energética na Indústria 4.0 pode ocorrer por dois motivos.

"O primeiro é a aquisição de máquinas e equipamentos modernos, cujo consumo de energia é menor do que os atuais. A idade média do parque industrial é estimada, segundo algumas entidades, em 17 anos, e a simples troca de maquinário poderia aumentar a eficiência energética", afirma Bruno.

O segundo motivo está relacionado ao uso de tecnologias associadas a Internet das Coisas (IoT). Em específico, devido aos sensores que podem ser acoplados em máquinas antigas para monitorar o uso de energia elétrica. "Tal monitoramento permite identificar desvios no consumo de energia e, assim, possibilita que as empresas adotem medidas que combatam o desperdício de energia elétrica", complementa o especialista.

Fábricas conectadas, autônomas e com mais controle do processo produtivo e dos gargalos: tudo isso com a disponibilização de dados em tempo real e que permitam a tomada de decisões de forma correta e rápida.

Os benefícios da Indústria 4.0 realmente são inúmeros. No entanto, ao passo que algumas das iniciativas podem demandar um uso maior de energia, as tecnologias também permitirão empregá-la de forma mais eficaz. Dessa forma, a eficiência energética será uma realidade e promoverá, ao contrário do que pode parecer num primeiro momento, uma economia muito maior no consumo.

Agora, o momento é de se planejar, levantar os principais desafios do negócio e traçar uma estratégia coerente para começar a adotar a Indústria 4.0. Afinal, essa é uma revolução sem volta. E a sua indústria, está pronta?

*Este material é um publieditorial, sob responsabilidade de TOTVS