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Articles from 2021 In September


Como a terceirização especializada tem ajudado a Indústria 4.0

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Segundo o dicionário, a terceirização é definida como uma forma de organização estrutural que permite a uma empresa transferir a outra suas atividades-meio, proporcionando maior disponibilidade de recursos para sua atividade-fim. Entretanto, no imaginário de algumas pessoas, essa atividade está ligada a serviços externos e que, muitas vezes, não impactam diretamente na operação das empresas. Porém, uma tendência mundial do mercado está voltada à terceirização dentro de processos de concepção, desenvolvimento e testagem de produtos de manufatura de uma empresa.

O desenvolvimento de um novo produto requer diversas etapas antes da finalização: ideia, concepção, planejamento, definição de processos, criação, testes e integração de todos os componentes. Para que todo o processo seja assertivo e ágil, as empresas precisam ter uma equipe especializada, processos definidos e equipamentos capazes de montar, testar e integrar todo o conjunto.

 Na prática, essa não é a realidade. Muitas organizações, ao desenvolverem novas soluções, acabam utilizando a técnica de projetar primeiro e ver o que acontece e no meio do caminho, se houver algum problema, os ajustes são realizados. Em outras palavras, é como se essas empresas colocassem um carro na rua e fizessem os ajustes com ele em movimento. Essa é a realidade de parte da indústria, especialmente a brasileira. Como consequência, há um aumento dos custos da produção e no preço do produto final, além de tirar o foco das equipes que poderiam estar pensando em novas soluções.

Já existem no mercado empresas focadas em auxiliar esses negócios no desenvolvimento mais assertivo dos seus produtos, agregando competência, tecnologia e eficiência aos processos. Um dos exemplos é a Produza, empresa catarinense especializada em montagem e integração de produtos em média e grande escala e parceira da Fundação CERTI, que disponibiliza sua linha de produção para manufatura, integração e testagem de produtos, assim, agilizando o processo de desenvolvimento e otimizando as rotinas das empresas. 

Uma das soluções oferecidas é o desenvolvimento de processos para a introdução de novos produtos em linhas de produção - NPI, com a criação de um cookbook (“receita de bolo”) para saber qual é o ponto ideal de cada máquina e processo. Isso permite, por exemplo, saber qual é o melhor ajuste de equipamentos em etapas críticas do processo. Quando esse planejamento (NPI) volta para a empresa solicitante, a produção já sai com um indicador de qualidade e produtividade elevados. Outra facilidade é a disponibilidade da linha de produção automatizada para integração de placas eletrônicas e testagem de produtos, permitindo às empresas disporem de uma manufatura classe mundial na produção de seus produtos.

Todas estas alternativas são pensadas para que as empresas ganhem tempo e agilidade no processo de produção, eliminando rotinas improdutivas e ineficientes que atrasam o processo de desenvolvimento de novos produtos. Essa nova tendência de mercado é ideal para as empresas que querem lançar novos produtos tecnológicos com agilidade e qualidade no mercado, pois garante toda a etapa de manufatura e logística, liberando-as para focar no desenvolvimento de seus produtos e no crescimento do negócio.

Do 5S para o 4S+S: uma reflexão

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Tive meu primeiro contato com a ferramenta 5S no meu estágio na Valeo Distribuição. Todo o armazém tinha cartaz sobre o 5S, mas nunca entendi a relação entre eles e o que era aplicado na prática. Tudo era padronizado desde a posição do telefone, do computador, do mouse, das cores das placas até a posição das placas com os nomes e departamentos. À época, o 5S era deixar tudo organizado ao final do dia, conforme os padrões.

Ao ser contratada para a Ford Camaçari no projeto Amazon fui imersa no processo de formação de pessoas no FPS, Ford Production System. Durante meses, recebi toneladas de horas de treinamento das ferramentas - entre elas, o 5S. Dessa vez com foco em organização, o que mais se ouvia era “fazer um 5S”, ou seja, fazer uma organização...a cada visita do nosso presidente ou da matriz que vinham conhecer a fábrica da Ford mais moderna do mundo. A gestão a vista também era uma ferramenta muito explorada na gestão o FTT (First Time Thru), do Andon na linhas e marcação de solo.

Na Karmann Ghia o 5S era presente também, num forte programa de auditorias, competição e reconhecimento dos grupos que funcionava maravilhosamente bem conforme o calendário das auditorias publicado.

O 5S foi a ferramenta da moda por anos como sinônimo de limpeza e organização, explorada no mundo lean, assim como o Kanban (assunto para um outro artigo) pela sua beleza, não pela sua funcionalidade. A época, na minha visão da ferramenta também era essa, afinal, tudo ficava mais bonito quando se fazia 5S. Era possível ver aonde cada colaborador sentava, onde ficava o telefone, o mouse, os pisos pintados em volta da balança de capacidade 1 tonelada (como se ela fosse sair dali ou alguém fosse pega-la) entre tantos outros exemplos de aplicação,

Ao começar a trabalhar na Toyota do Brasil, na primeira fábrica da Toyota fora do Japão, a planta de São Bernardo do Campo com mais de 50 anos comecei a ver qual era a agregação de valor do 5S. Essa planta encerrou a produção do Toyota Bandeirantes em 2005 e a partir de então se tornou uma auto peças principalmente de fundidos, estampados e forjados para as plantas do Brasil e América do Sul. Dessa forma, era uma planta com prensas antigas e chão gasto pelo uso, mas ao mesmo tempo a gestão à vista dos Kanbans de Solda eram instintivas aos olhos, sendo facilmente identificável qualquer desperdício, e logo, a sua correção. A gestão a vista dos Líderes era prontamente identificável nos bonés, em caso de necessidade de acionamento da Cadeia de Ajuda.

No Departamento de Compras da Toyota coordenei as primeiras atividades de Jishuken pelo BRASA com o objetivo de cascatear o TPS na cadeia de fornecedores, assim tive vários senseis que pacientemente, viveram comigo o Toyota way na pratica. Um desses senseis me levava para a Estamparia de SBC, pois o mesmo havia trabalhado na engenharia de processo da área, onde aprendi a ver o valor do 5S - ops, 4S+S.

O funcionamento do fluxo puxado, a gestão a vista, a associação ao trabalho padrão, o teitei, o kanban, tudo funcionava sozinho. Ninguém ficava com a OP na mão correndo, procurando MP, fazendo transbordo na faixa de segurança. Os operadores ficavam em suas células, executando os padrões criados e monitorando os resultados. Foram horas, dias, semanas praticando o Genchi Genbutsu na Estamparia, vendo o fluxo de processos sempre fluindo, na mesma estabilidade oriunda da funcionalidade do 4S ao Fluxo de Valor e da Disciplina de todos no cumprimento e monitoramento dele. O S é a disciplina, é o comportamento, é saber da eterna busca na identificação de variação, para então tomar decisões o quanto antes! Na Toyota, o S vem de berço, vem da cultura Japonesa, dessa forma esse sentimento neles é muito mais forte do que em nós, latinos de sangue quente, mas mesmo assim, a Toyota ressalta o último S justamente por ele estar na mão das pessoas, não mais no processo com os 4 S anteriores. 

Atualmente, sou consultora em lean atendendo os mais diversos tipos de segmentos, desde a manufatura, Serviços, TI e Dados onde acabo sempre voltando as bases, ou seja a estabilidade no fluxo de valor e o comportamento no cumprimento aos padrões, a implantação do 4S+S. Algumas vezes um ou outro cliente não aceita voltar para base e insiste em implementar o Kanban, afinal, não quer ser Lean e sim, ficar bonitinho.....e nesses casos, há um leque de consultores que fazem isso. Não comigo: eu pratico o Toyota Way! 

Entrevista: Fabiana Serra fala sobre as vantagens do 4S+S

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Para a professora e especialista Fabiana Gusti Serra, uma das ferramentas do Sistema Toyota de Produção mais subutilizada na indústria é o 5S. Por isso, foi este o tema escolhido por ela para o primeiro curso da Voz da Indústria, que está com inscrições abertas gratuitamente, por tempo limitado. 

A aplicação dos conceitos do 5S é o principal ponto desse conteúdo, que será discutido ao longo de todo o curso. Nessa entrevista exclusiva, Fabiana divide um pouco de sua carreira e de suas percepções obre esse tópico - e convida o público a conhecer mais nesse curso gratuito. 

Voz Da Indústria: Fale um pouco sobre a sua carreira. Como foi seu primeiro contato com o Sistema Toyota de produção e o que mais te interessou nessa área?

Fabiana Serra: Sou engenheira mecânica de produção pela FEI e iniciei a minha carreira como engenheira na planta da Ford em Camaçari onde fui contratada para a Engenharia de Sistema da Qualidade e da Linha Final de Inspeção. O projeto Amazon tinha entre suas premissas, a formação da mão de obra entre tantas no FPS (Ford Production System) através de horas massivas de treinamentos e imersões, como FPS Boot Camp. Então aprendi todas as ferramentas do TPS (Toyota Production System) na Ford e a época. A que mais me chamava atenção, por ter parte da responsabilidade, era o FTT (First Time Thru) onde era medido a eficiência dos processos anteriores através da inspeção da Qualidade e foi ai que comecei a questionar que a qualidade deveria nascer no processo, não ser controlada 100%.

VDI: Você comenta que existe uma tendência de encarar esse 5S como uma ferramenta estética e que isso é um erro. Para você, por que isso acontece e como ela deve ser encarada?

FS: O apelo visual da cultura japonesa, traduzido para nós pela gestão a vista, muitas vezes saltam aos olhos a “beleza” visual que ele tem, e muito menos o sistema suportado que o mantém. Outro exemplo típico é o Kanban onde o seu funcionamento salta aos olhos, porém existem diversas outras ferramentas que permitem suporta-lo, como o próprio 5S e o Trabalho padrão. Dessa forma, é possível identificar 5S onde não á funcionalidade com o fluxo do processo e consequentemente, ele na melhor das hipóteses, é para ficar bonitinho, rs.

VDI: Falamos muito sobre Lean Manufacturing, que é uma das suas especialidades como consultora. Como o 5S se relaciona com essa filosofia?

FS: Uma das ferramentas desse sistema é o 5S. O 5S é uma das ferramentas que suporta a estabilidade básica do fluxo de produção. Geralmente é a ferramenta mais desafiadora de implementar e tb a de se fazer melhoria continua, isso sem falar no comportamento, na disciplina, que tem que se refletir pela liderança. Isso quer dizer que manter um 5S funcional e orientado ao fluxo de valor já traz resultados em termos de redução de Lead time, por exemplo.

VDI: Falando sobre o 5S, como ele deve ser aplicado? Para você, quais são os passos para aplicar essa ferramenta em uma indústria de médio ou pequeno porte?

Fabiana Giusti_V2.jpgFS: O 5S é uma ferramenta que tem que seguir o fluxo de valor de Mão de Obra, Material e Máquina de forma a sempre objetivar a utilização máxima dos recursos, assim deve-se começar como mandam o 4S, Utilização, Organização, Limpeza e Padronização.

VDI: Em que áreas de uma empresa o 5S pode ser aplicado? Como ele pode ser adaptado, por exemplo, para a gestão de dados?

FS: O 5S deve ser aplicado em todas as áreas e processos, seguindo o mesmo conceito de orientação de valor. Para as áreas administrativas, aplica- se o 5S eletrônico que nada mais é que o 5S no fluxo de dados e informações.

VDI: Qual o papel do 5S no contexto da indústria 4.0?

FS: Assim como na operação e comercial o 5S está associada ao tratamento de dados e tomadas de decisões oriundas dos dados coletados nesses processos. Se não há organização de dados, padronização de processos capabilidade na coleta, os entregas que os devices da Industria 4.0 serão com base em dados “sujos”, que refletem um processo não padronizado e, por consequência, decisões serão tomadas com dados que nem deveriam ser considerados ao fluxo de valor.

VDI: Sobre seu curso, “4S+S: da Manufatura Enxuta à Gestão de Dados (TI)”, como ele foi desenvolvido? Como você definiu os pontos a serem abordados e, na sua opinião, quais os destaques?

FS: Esse curso foi desenvolvido acompanhando a transformação no perfil dos meus clientes para a Gestão de Dado e TI. Vendo que a única diferença entre a Manufatura e Gestão de dados é a tangibilidade física, evolui o conceito para a aplicação do 4S+S em Gestão de Dados. O 4S+S é o conceito que aprendemos na Toyota, um pouco ocidentalizado, mas com o mesmo sentido até o 4S, havendo a separação do último S, o comportamento, a disciplina.

VDI: Qual o ponto mais importante que o curso oferece para os alunos?

FS: Os exemplos reais de aplicação praticas apresentados e discutido, que podem ser replicados nos mais diversos processos.

VDI: Para encerrar, qual a principal mensagem que você gostaria de passar sobre o 5S para a indústria?

FS: O 5S é uma ferramenta mínima, básica e necessária para o suporte e sustentação do fluxo de valor. Não é uma ferramenta difícil de se implementar, desde que orientada ao fluxo e com mudança de comportamento da liderança, principalmente.

 

Cursos | A Voz da Indústria

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Indústria 4.0 e a Eficiência Energética

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Por Júlia Bertazzi*


Sustentabilidade é um dos temas mais discutidos na atualidade, e quando pensamos sobre esse tema, também pensamos em ESG. A sigla, que pode ser traduzida como Ambiental, Social e Governança, remete ao quanto uma empresa se engaja em reduzir os danos ao meio ambiente e à sociedade, atuando de maneira sustentável, por meio da adoção de melhores práticas administrativas.

Dentro da esfera ambiental, há dois conceitos importantes voltados à utilização de energia. O primeiro se refere à sustentabilidade ambiental, com o uso de energias renováveis (origem de recursos naturais) e engloba energia eólica, solar, hídrica, biomassa, entre outros. Já o outro remete à Eficiência Energética, cujo objetivo é a utilização eficiente da energia, ou seja, fazer mais com menos.

A Eficiência Energética não é um termo novo, ele já está presente de forma consolidada em projetos de engenharia, visto que o menor consumo de energia, bem como de recursos como um todo, representa menores custos de produção.

São várias as formas de desperdício, mas também as oportunidades de melhorias que podem ser traduzidas em ações simples ou complexas e elaboradas. As ações simples englobam a elaboração de um plano de manutenção corretiva e/ou preventiva, implementação de sistemas de medição e monitoramento de energia em toda a fábrica e também em processos específicos, assim como para monitorar recursos (água, matéria prima etc) e ativos (temperatura, pressão, vibração e outros fatores).

Os projetos e ações elaborados podem envolver a obtenção e análise massiva de dados processados de forma integrada para obtenção de informações importantes sobre todo o sistema de produção, de forma a apoiar os tomadores de decisão em direção à sustentabilidade e eficiência energética. Este cenário é apoiado principalmente pelas tecnologias habilitadoras da Indústria 4.0, que tratam de ganhos contínuos de produtividade e eficiência de recursos a serem entregues em toda a rede de valor.

Não apenas o consumo de energia será mais bem controlado, mas o fornecimento de energia será mais confiável de forma que as cidades se tornem mais sustentáveis. As smart grids são parte essencial deste cenário.

Smart grids são redes inteligentes de transmissão e distribuição de energia com base na troca de dados interativa entre todas as partes da cadeia energética, ou seja, os consumidores e os fornecedores de energia, sejam eles de pequeno a grande porte, formam uma estrutura ampla de comunicação de forma que o melhor consumo energético seja realizado por toda a rede. Elas controlam a geração de energia e evitam sobrecarga da rede, já que durante todo o tempo apenas é gerada tanta energia quanto o necessário.

Discussões inovadoras e tendências atuais do mundo da engenharia, como a abordada neste artigo, são comumente discutidas na VDI-Brasil, Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha, reconhecida como a maior associação técnico cientifica da Europa. Entre em contato e saiba mais: [email protected]


*Júlia de Andrade Bertazzi é engenheira e Gerente de Projetos na Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha.