Gestão

Tecnologias para melhor controle de qualidade na indústria

Antes do século XIX, não era difícil encontrar uma indústria na qual uma única pessoa se encarregasse de todos os processos de fabricação de um objeto. As ferramentas ou as técnicas, comumente, eram mantidas em segredo. No final desse século, os processos de produção em série começaram a se evidenciar, trazendo para a indústria o conceito da linha de montagem, com uma sequência de operações técnicas preestabelecidas. O tempo consumido por cada tarefa passou a ser calculado com precisão.

Esse processo, no entanto, foi se aprimorando e deixando de ser manual para se tornar automatizado, de forma bastante gradual. Ainda hoje, diversos departamentos de controle de qualidade nas indústrias continuam com sistemas baseados em papel ou parcialmente automatizados, que não otimizam o controle de qualidade em si, levando a perdas de eficiência operacional, problemas de qualidade e, eventualmente, a recalls.

Em muitos casos, essa transição do manual para o tecnológico se deve à necessidade de ter um controle de qualidade mais estratégico, tendo em vista que, automatizando os processos, é possível reduzir o tempo de resposta nos resultados e corrigir mais rapidamente desvios, eliminando, assim, variabilidades indesejadas e problemas de qualidade.

Para isso, assim como o mercado disponibiliza diversos sistemas de apoio para a automação e gestão do processo produtivo, os laboratórios ou departamentos de controle de qualidade e inspeção em chão de fábrica contam, hoje, com diversos tipos de soluções para otimizar processos, eliminando as atividades manuais e repetitivas, que geram lentidão, são sujeitas a falhas e de difícil rastreabilidade.

“Entre essas soluções, cito o sistema LIMS, que é Laboratory Information Management Systems, que, em geral, é responsável pela gestão das amostras e análises no controle de qualidade. Além disso, os sistemas ELN ou LES, os quais têm como objetivo eliminar o papel e, consequentemente, os processos manuais e repetitivos que, em última instância, comprometem a eficiência e a confiabilidade dos resultados”, explica o CEO na Labsoft Tecnologia, Georgio Raphaelli.

Como é feito o controle de qualidade?

Vale salientar que, com sistemas de automação e gestão do controle da qualidade, é possível ter melhor visibilidade e eficiência nos controles de qualidade desde a matéria-prima, passando pelos pontos de monitoramento do processo, produtos semiacabados e acabados.

“Em indústrias de processo contínuo, os mecanismos de cronogramas de amostragem dos pontos de controle garantem a automação da criação das amostras de controle de qualidade e a integração com sistemas de automação de processos. Ainda, os resultados de controle de qualidade são entregues em tempo real às equipes de produção”, enfatiza Raphaelli.

Em indústrias de manufatura ou de batelada, os mecanismos de integração com os sistemas de produção garantem a geração automática das amostras na criação dos lotes de controle de matérias-primas, ou produtos acabados nos sistemas de controle da produção, bem como a devolução dos resultados de controle de qualidade em tempo real às equipes de produção.

Sistemas colaborativos nos processos de fabricação

Atualmente, há diversos sistemas colaborativos que têm como objetivo auxiliar no controle de qualidade dos processos da indústria. Entre eles, estão:

ERP: Enterprise Resource Planning

O ERP tem se tornado uma ferramenta indispensável. Inclusive, pequenos negócios já identificam a importância em investir em uma tecnologia do tipo para tornar os processos mais eficazes e melhorar sua participação do mercado. O ERP é, hoje, uma ferramenta indispensável, não só para o controle e gestão das empresas, mas para propiciar redução significativa de custos por meio de uma visão ampla e, ao mesmo tempo, minuciosa dos processos.

“Os sistemas ERP são responsáveis por todo o planejamento de recursos da empresa, como controle de estoques, compras de suprimentos e planejamento da produção, dentre outras possibilidades”, explica o professor Fábio Lima, do departamento de Engenharia de Produção da FEI.

O sistema é capaz de realizar de forma automática diversas funções, como a atualização dos calendários e estoques, envio de avisos e dados para os gestores envolvidos em cada etapa do processo, além de monitoramento das atividades em tempo real. Desta forma, ele evita erros e omissões causados por tarefas manuais – ajudando no aumento da eficiência e produtividade da empresa.

MES: Manufaturing Execution Systems

O MES é uma ferramenta que assume uma grande importância dentro do contexto de digitalização da empresa, sendo capaz de ajudar a indústria a melhorar o seu processo de produção e aumentar o controle sobre a sua manufatura. Entenda a importância disso tudo para a evolução da indústria e como esse sistema pode beneficiar a empresa.

O sistema representa todas as ferramentas utilizadas para gerenciar os processos produtivos do chão de fábrica, tendo como principal objetivo a melhoria destes. Dessa forma, é capaz de auxiliar os gestores na coordenação entre o planejamento da produção e o controle do seu processo produtivo, permitindo que seja avaliado se a execução está realizando o que foi planejado.

Assim, ele apresenta como vantagens a redução de custos de produção, maior visibilidade do chão de fábrica, padronização dos dados de produção e a conectividade dos setores da empresa. É capaz também de prever o cumprimento das metas, diminuir as paradas na linha de produção, além de possibilitar a análise do impacto das ações através de indicadores e ajudar na adaptação e impedimento de problemas para minimizar os impactos negativos.

PIMS: Process Information Management Systems

O sistema PIMS reúne informações geradas de diversas fontes da indústria, permitindo o acesso a dados antigos. Ele ainda cruza informações para oferecer insights de diferentes departamentos.

De acordo com a Gartner, essa tecnologia permite aquisição, exibição, arquivamento e geração de relatórios de informações de uma variedade de sistemas de controle, instalações e negócios. Um componente crítico na arquitetura de aplicativos de uma empresa de manufatura é criar um repositório comum de informações que possa ser efetivamente aproveitado em aplicativos corporativos e de gerenciamento da cadeia de suprimentos.

WMS: Warehouse Management Systems

O WMS tem como um de seus focos a redução de custos e melhoria na operação. Isso com o objetivo de otimizar todas as atividades operacionais e administrativas. Um sistema de gerenciamento de armazém é uma solução de software que oferece visibilidade do estoque completo de uma empresa e gerencia as operações de atendimento da cadeia de suprimentos, desde o centro de distribuição até a prateleira da loja, de acordo com a Oracle.

Você já utiliza essas tecnologias para melhorar o controle de qualidade na indústria? Como esse processo é conduzido na sua empresa? Conte pra gente pelos comentários e até a próxima.

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