Como profissional da indústria metalmecânica, você, provavelmente, já deve ter ouvido falar em capacidade produtiva. O termo pode ser definido como a capacidade máxima que uma empresa tem de produzir em um determinado espaço de tempo, a partir da utilização dos recursos disponíveis.

Portanto, saber desvendá-lo é fundamental para descobrir se a produção industrial está ocorrendo em excesso ou abaixo do esperado e, a partir daí, realizar a análise geral dos níveis de produtividade que servirão como base para a tomada de decisões mais segura.

“Quando não se mede a capacidade produtiva, não se gerencia nada”, sentencia Silvio Eugênio, especialista em manufatura enxuta do SENAI e responsável pela organização da operação em São Paulo do “Programa Brasil mais Produtivo”. Mas como fazer a medição correta da capacidade produtiva das empresas? Confira algumas dicas a seguir:

O que é capacidade produtiva?

Capacidade produtiva é a quantidade máxima de produtos que uma indústria pode fabricar em um determinado período, utilizando ao máximo seus recursos disponíveis, como mão de obra, maquinário e matérias-primas. Esse conceito é essencial para que as empresas possam planejar e otimizar sua produção, a fim de atender à demanda do mercado sem o risco de desperdícios ou excesso de estoque.

A capacidade produtiva é influenciada por diversos fatores, entre eles:

  • Eficiência dos processos;
  • Manutenção das máquinas;
  • Qualificação dos trabalhadores;
  • Gestão do tempo.

Para as indústrias, entender e calcular a capacidade produtiva é crucial para a tomada de decisões estratégicas, como investimentos em novos equipamentos, contratação de pessoal e planejamento de expansões. Além disso, monitorar e ajustar a capacidade produtiva permite identificar gargalos na produção e implementar melhorias contínuas.

Ao utilizar ferramentas como o cálculo de eficiência, as indústrias podem obter uma visão precisa de sua capacidade produtiva atual e potencial, o que contribui no aumento da competitividade e da lucratividade no mercado.

Identificando a produtividade da empresa

Para melhorar os índices de produtividade de uma indústria do setor metalmecânico, enxergar e reduzir e/ou eliminar os desperdícios envolvidos nas etapas do processo produtivo são medidas fundamentais. Confira, abaixo, os mais comuns:

  • Excesso de produção;
  • Excesso de etapas de processo;
  • Estoques intermediários e final;
  • Excesso de movimentos do operador;
  • Excesso de transportes internos;
  • Esperas;
  • Produção defeituosa;
  • Não utilizar a capacidade intelectual da equipe do piso de fábrica.

Quais são os problemas de não calcular a capacidade produtiva da sua indústria?

Caso a sua empresa ainda não saiba como calcular eficiência operacional ou não separe um tempo para fazer isso com uma certa frequência, alguns problemas podem surgir. Veja os principais deles a seguir:

Problema PrincipalProblemas específicosPrejuízos causados
Falta de monitoramentoDificuldade em identificar gargalos na produçãoPerda de produtividade e aumento dos custos operacionais
 Problemas de qualidade não identificadosAumento de retrabalho e desperdício de materiais
Decisões baseadas em achismosPlanejamentos sem dados concretosEstratégias inadequadas e perda de competitividade
 Falta de previsibilidadeImpacto negativo no atendimento ao cliente
Insatisfação do clienteFalhas na entrega de produtos ou serviçosPerda de clientes
 Atrasos e baixa qualidadeRedução na captação e fidelização do público
Descontrole financeiroGastos não monitorados e falta de acompanhamento sobre a rentabilidade de produtos e serviçosPrejuízos no orçamento, redução das margens de lucro
 Inadequada gestão do fluxo de caixaRisco de problemas de liquidez
Não conformidadeFalta de compliance com normas e regulamentosMultas e penalidades
 Riscos legaisDanos à imagem e credibilidade da empresa
Falta de inovaçãoResistência a mudançasPerda de oportunidades de mercado
 Falta de investimento em pesquisa e desenvolvimentoEstagnação e declínio no crescimento da empresa
Desalinhamento estratégicoObjetivos e metas não clarosDesperdício de recursos
 Falta de alinhamento entre departamentosConflitos internos e ineficiência operacional
 Dificuldade de reagir rapidamente às mudanças do mercadoPerda de mercado para concorrentes
Problemas de gestão de equipesBaixa produtividade dos colaboradoresAumento da rotatividade de funcionários
 Falta de treinamento e desenvolvimentoCustos elevados com recrutamento e treinamento
 Desmotivação e insatisfaçãoAmbiente de trabalho negativo

Como calcular a capacidade produtiva?

Para calcular a capacidade produtiva de uma indústria, o gestor deve levar em conta alguns fatores importantes. Vamos falar sobre cada um deles separadamente. Confira!

1. Produção por tempo

Pode ser vista como o primeiro passo do processo produtivo. Ela corresponde à necessidade de quantificar o número de unidades que saem da linha de produção em determinado período de tempo, seja por minuto ou por hora.

2. Tempo produtivo

É o resultado da multiplicação do processo anterior (produção por tempo) pelo tempo de trabalho em si (carga horária necessária para a produção). O ideal é que seja calculado o dia de produção, que, geralmente, é de 8 horas, mas o número vai depender do período trabalhado, levando em consideração os turnos.

Por exemplo: se a produção por tempo corresponder a 100 unidades por hora, o tempo produtivo será de 800 unidades/dia (100 x 8 horas trabalhadas = 800).

Este é o número de unidades produzidas, sem levar em consideração as interrupções da produção, como o almoço dos funcionários e os problemas no maquinário, por exemplo.

3. Interrupções da produção

Como é praticamente impossível manter um dia inteiro de trabalho a pleno vapor, medir o quanto do tempo de trabalho diário não é revertido em produtividade é fundamental.

Para isso, considere, primeiro, as perdas já calculadas, como intervalos para os funcionários e as manutenções agendadas. Isso vai compor a produtividade efetiva da empresa. Em seguida, acompanhe as perdas não calculadas, como funcionários ausentes, paradas por falta de matéria-prima e defeitos inesperados no maquinário. Tire uma média e use-a para calcular a capacidade produtiva total.

4. Cálculo da eficiência

Serve para descobrir o quão eficiente está a produção industrial em questão. Para chegar a um resultado, você deve dividir a produção por tempo pelo tempo produtivo. Veja um exemplo para ficar mais claro:

Digamos que o resultado da produção por tempo de uma empresa seja 100 unidades/hora. Este número deve ser multiplicado por 8 horas por dia (tempo produtivo). Dessa forma: 100 x 8 = 800 => o tempo produtivo.

Já as perdas planejadas correspondem a 2 horas por dia (tempo de almoço dos funcionários, por exemplo) – um período que poderia ser usado para produzir mais 200 unidades. Portanto: 800 – 200 = 600 => a produção planejada.

Logo em seguida, deve-se acrescentar a média das perdas não calculadas. Digamos que os problemas comuns levem 1 hora para ser resolvidos: 600 – 100 = 500 => número equivalente à produção efetiva.

E para chegar ao cálculo da eficiência total, basta dividir os resultados: 500/600 = 0,83.

O cálculo de eficiência foi desenvolvido em torno de 1988, quando Nakajima criava a tão conhecida técnica TPM (Manutenção Produtiva Total), que é um conjunto de práticas e estratégias para aumentar a produtividade e otimizar o funcionamento dos equipamentos das indústrias.

Com este cálculo, você encontra a capacidade produtiva da empresa, em determinado período, considerando todos os recursos disponíveis, podendo perceber se a indústria está realmente trabalhando de acordo com o seu potencial.

Quais os 4 modos de definir a capacidade produtiva da minha fábrica?

Definir a capacidade produtiva é essencial para o planejamento estratégico e a análise de ROI da indústria. Para uma gestão precisa, a existem quatro perspectivas complementares que equilibram o potencial teórico e a realidade do chão de fábrica.

1. Capacidade Produtiva Instalada

A capacidade instalada representa o potencial máximo e teórico de uma planta industrial, baseando-se exclusivamente nos recursos físicos e especificações técnicas dos ativos. Nela, considera-se que o maquinário opera em regime contínuo, sem interrupções ou variações de eficiência.

Diferente de métricas operacionais, a capacidade instalada ignora variáveis como:

  • Manutenções (preventivas ou corretivas);
  • Setups de máquina e trocas de ferramentas;
  • Limitações de mão de obra e turnos de trabalho.

Por ser um indicador de natureza estrutural, sua principal aplicação está no planejamento de CAPEX e em estudos de viabilidade sendo fundamental no dimensionamento de novos investimentos e para comparar o rendimento teórico de novas tecnologias de usinagem frente à demanda projetada.

2. Capacidade Produtiva Disponível

A capacidade disponível representa a fatia da capacidade instalada que a fábrica realmente pretende utilizar. Diferente do potencial teórico, ela é moldada por restrições planejadas e decisões de gestão, sendo o indicador fundamental para o PCP (Planejamento e Controle de Produção).

Nesta métrica, subtraímos do tempo total os fatores que limitam a operação, como:

  • Jornada de trabalho: Definição de turnos, escalas e feriados;
  • Manutenção Preventiva: Paradas programadas para garantir a vida útil dos ativos;
  • Restrições Legais: Pausas obrigatórias e normas contratuais de mão de obra.

Para o tomador de decisão, é o KPI ideal para avaliar a necessidade de horas extras ou a aquisição de novas tecnologias.

3. Capacidade Produtiva Efetiva

A capacidade efetiva é o volume de produção que a fábrica realmente entrega ao descontar as perdas inerentes ao processo. Enquanto a capacidade disponível olha para o tempo, a efetiva foca na performance real, sendo a métrica mais confiável para firmar prazos de entrega e compromissos comerciais.

Nesta análise, são contabilizados gargalos operacionais como:

  • Setups de máquinas: Tempo de troca de ferramentas e ajustes de linha;
  • Perdas de Velocidade: Equipamentos operando abaixo da cadência nominal;
  • Qualidade: Impacto de refugos históricos e necessidade de retrabalho.

Para o gestor, a capacidade efetiva está intrinsecamente ligada ao OEE (Overall Equipment Effectiveness). Compreender este indicador é vital para identificar se a baixa produtividade é fruto de um processo imaturo ou de tecnologia defasada.

4. Capacidade Produtiva Realizada

Por fim, a capacidade realizada é o output real da fábrica, o volume que efetivamente saiu da linha de produção em um período específico. Diferente das métricas anteriores, ela é um dado histórico que reflete a soma da eficiência operacional com a gestão de imprevistos.

Ela é impactada por variáveis não planejadas, como:

  • Absenteísmo e erros de programação de produção.
  • Quebras de máquinas e falhas mecânicas repentinas;
  • Gargalos de suprimentos (falta de matéria-prima).

Sozinha, a capacidade realizada é apenas um número, porém, ao ser confrontada com a capacidade efetiva, ela revela o tamanho exato do seu desperdício e das oportunidades de melhoria contínua.

Como calcular eficiência operacional?

O cálculo de eficiência é indicado para empresas que desejam implementar a otimização de processos para reduzir desperdícios, gargalos e gastos desnecessários ao longo da produção industrial.

Se você deseja saber como calcular a eficiência operacional da sua empresa, é importante realizar a seguinte equação:

Eficiência Operacional = Despesas Operacionais / Receita Total

calculo-eficiencia-operacional.jpgNesse sentido, caso a sua receita total tenha sido de R$ 100.000 (saída) e as despesas operacionais tenham sido de R$ 50.000 (entrada), o índice de eficiência foi de 0,5. Ou seja, R$ 0,50 foi gasto a cada R$ 1 de receita adquirida. Assim, quanto menor for a taxa de eficiência operacional, maior se torna a real eficiência operacional. Confira, a seguir, o exemplo:

Entrada (Despesas Operacionais)R$ 50.000
Saída (Receita Total)R$ 100.000
Índice de Eficiência0.5
Gasto por cada real de receitaR$ 0,50

Outra forma de mensurar a operação da sua empresa, a fim de entender como calcular produção por minuto, é dividir a quantidade do que foi produzido pelas horar de trabalho dos colaboradores. A mesma ideia serve para calcular a parte das vendas.

Quais os benefícios de fazer o cálculo de eficiência?

Fazer o cálculo de eficiência e analisar indicadores de desempenho são práticas essenciais para melhorar sua produtividade, competitividade e sustentabilidade no mercado. Por meio desses cálculos, é possível identificar áreas de melhoria, otimizar processos e alocar recursos de forma mais eficaz. Aqui estão algumas das principais vantagens desse processo:

  • Identificação de gargalos;
  • Redução de custos operacionais;
  • Aumento da produtividade;
  • Melhoria da qualidade;
  • Redução do retrabalho e da sobrecarga;
  • Tomada de decisões baseada em dados;
  • Aumento da competitividade no mercado;
  • Sustentabilidade financeira a longo prazo.

Você já conhecia o método de cálculo da capacidade produtiva? Continue acompanhando o nosso canal de conteúdo e fique por dentro de outras facilidades do setor metalmecânico.