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Setor produtivo e a pandemia

O setor produtivo e a pandemia

Diante de tantas dúvidas e de um cenário incerto, como o setor produtivo pode se posicionar durante a pandemia? Confira no artigo de João C. Visetti, CEO da TRUMPF Brasil.

Como o planeta irá se reerguer após a pandemia do novo coronavírus é a pergunta que todos se fazem nesse momento, sem vislumbrar a resposta. Sabe-se que ainda há um longo caminho até o fim. E, talvez, esse seja o único consenso. É difícil traçar um panorama, principalmente porque países da Ásia e da Europa, que haviam iniciado o relaxamento das medidas restritivas, confiando na queda de transmissão do coronavírus, voltaram a registrar aumento nos casos. E até o momento, também nesses países, os próximos passos são incertos.

Tudo está muito nebuloso e arriscado. Por outro lado, as pessoas precisam continuar se alimentando e o mercado funcionando. Isso nos permite prever que a recuperação de alguns segmentos será mais rápida, como o de máquinas agrícolas. A estiagem causou quebras e perdas da produção na região Sul do Brasil e na Argentina, o que deve elevar os preços dos alimentos ali produzidos, trazendo um bom resultado ao agricultor brasileiro. Resta torcer para que isso realmente aconteça e o investimento do agronegócio cresça.  

As indústrias de alimentos e de insumos médicos e hospitalares não deixaram de produzir e estão com um cenário melhor.  Já a indústria automobilística amarga com vendas quase paradas e deve ter uma recuperação mais lenta.  O consumidor só vai comprar um carro ou entrar em financiamento quando ele tiver a segurança de que haverá a manutenção e a estabilidade de emprego.

E o nosso setor? O mercado de bens de capital continua funcionando, embora em um ritmo mais lento.  Aqui no Brasil nossa principal atividade é serviços, e estamos seguindo de acordo com a demanda do cliente. Chegaram várias máquinas no mês passado, que agora estão em processo de instalação; então, para nós, o momento é de bastante trabalho. Acreditamos que vai continuar assim e não deixamos de trabalhar. Temos algumas máquinas para entregar até o final do ano fiscal, em junho, e estamos fazendo isso tomando todos os cuidados necessários para preservar a saúde dos nossos técnicos e clientes.

O mês de abril foi bastante atípico, pois a maior parte das empresas grandes e médias aderiu às férias coletivas e a produção de inúmeros setores estacionou. O sindicato e empresas de Caxias do Sul, por exemplo, firmaram um acordo e, por três semanas, as empresas fecharam. Reabriram com um contingente menor de funcionários, estabelecendo regras de distanciamento, uso de EPIs, para evitar qualquer risco de contágio.

Infelizmente, muitos fornecedores da indústria são pequenas e médias empresas. O impacto sobre elas foi muito forte. Sofrem com a falta das linhas de crédito e a dificuldade de conseguir empréstimos, devido a maior restrição dos bancos que exigem mais garantias. O momento é bastante delicado para as PMEs. A maioria não vai ter capital de giro suficiente para sobrevivência durante esta pandemia, e isso é preocupante para o setor, como um todo. Algo precisa ser feito - e rápido - antes que o estrago se torne irreversível. E neste momento não estou falando de redução das restrições, mas sim de crédito. Cabe lembrar que a Ásia e a Europa estão reabrindo, mas os Estados Unidos estão no” fecha- abre” e, com isso, tivemos várias interrupções nas cadeias logísticas globais, que ainda levarão algum tempo para se reestabelecer.

Mas a inovação incentiva na busca de soluções para não se manter parado. Restaurantes, por exemplo, apostaram no serviço de entrega para não fecharem as portas, e muitos estão tendo sucesso. Na área da saúde, alguns laboratórios passaram a utilizar o sistema de drive thru para garantir a realização e entrega de exames médicos com segurança, e ampliaram a coleta domiciliar, que já era praticada, em menor escala.  Os hospitais viram seus pacientes habituais sumirem, e, sem conseguir compensar a perda de receita com os pacientes de coronavírus, também tiveram que se reinventar, estabelecendo novos procedimentos e fluxos para trazer confiança aos médicos e pacientes para retornarem as suas atividades. Todos os setores da economia estão usando a criatividade para continuar faturando e pagando as contas.

A retomada é necessária e benéfica, desde que tomados os devidos cuidados, com orientação e fornecimento de EPIs por parte das empresas e a colaboração consciente de seus funcionários. Muitas empresas têm retomado as atividades mantendo o dobro de espaço físico entre seus funcionários, para evitar a disseminação de vírus, além de todas as demais recomendações das autoridades sanitárias. Esses são bons exemplos de oferecer formas seguras de voltar à normalidade e evitar riscos desnecessários de disseminação da doença.  Em breve chegaremos ao novo normal.

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