COP30 encerrou suas atividades, mas a mobilização dos propósitos continua. Alguns pontos de inflexão foram marcados, com destaque para a contribuição da indústria e da Amazônia para a inovação e a bioeconomia global. 

A Voz da Indústria conversou com Régia Moreira Leite, coordenadora da Comissão ESG do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), que revelou aspectos importantes a respeito. 

Qual é o potencial econômico do modelo industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM)? Quais são as perspectivas da bioeconomia como um eixo estruturante de uma nova agenda de inovação sustentável?  

O CIEAM foi uma das entidades participantes da COP30 com o painel “A bioeconomia como caminho para a transição ecológica e o desenvolvimento sustentável da Amazônia”. Foram apresentados dados e diretrizes que reforçam o papel da região em questão como um ativo estratégico na inovação industrial. 

Ou seja, vai muito além de uma área de preservação. Acompanhe a seguir. 

A indústria e a floresta 

Segundo Régia, a experiência acumulada na ZFM confirma a lógica aqui apresentada com relação ao potencial estratégico da indústria. “Durante muito tempo, ouvimos que a indústria e as florestas são inimigas. Mas a realidade da Zona Franca de Manaus mostra o contrário”

Para ela, é possível produzir em larga escala, gerar emprego e renda e ainda manter 97% da preservação do meio ambiente. 

E mais, a coordenadora explica que o modelo vigente no Amazonas demonstra que a indústria pode sim operar como um vetor na conservação do planeta. 

Indicadores da Zona Franca de Manaus 

A saber, o Polo Industrial de Manaus (PIM) reúne mais de 600 indústrias, as quais participam de diferentes segmentos tecnológicos. O PIM ainda responde por mais de 572 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Dentro deste cenário, aproximadamente 138 mil são empregos formais dentro das indústrias instaladas na respectiva região. 

De acordo com a especialista, a concentração da atividade industrial em Manaus contribui para reduzir de maneira considerável o desmatamento em diversas áreas da floresta. Paralelamente a isso, tende a viabilizar a inovação e a arrecadação. 

Ela reforça também que a chave para ampliar tal impacto está na capacidade de transformar conhecimento científico em valor econômico. “A floresta não é um obstáculo ao desenvolvimento, ela é o nosso maior ativo. O caminho da bioeconomia é usar a inteligência da natureza como matéria-prima para a inovação”, afirma. 

Régia ainda aponta para a necessidade de uma transição que possa unir tecnologia, biodiversidade e mercado. 

Diretrizes para a inovação industrial sustentável 

Sobre a apresentação do CIEAM na COP30, foram citados três pilares fundamentais para a consolidação de uma nova matriz econômica baseada no quesito inovação sustentável. São eles: adensamento industrialdiversificação e interiorização

O primeiro traz a incorporação da biotecnologia, da economia circular e das cadeias produtivas de base biológica às indústrias já instaladas. Enquanto isso, o segundo pilar foca em estimular novos setores industriais. Já o terceiro, a interiorização, visa ampliar novas oportunidades para os municípios do interior e comunidades tradicionais. 

Conforme ressalta Régia, essa abordagem representa uma mudança estrutural no desenvolvimento. “A bioeconomia é uma proposta de reconciliação. Ela mostra que floresta e indústria não precisam estar em lados opostos, elas podem e devem caminhar juntas”

A Amazônia como um ativo global 

O balanço do CIEAM na COP30 deixou a seguinte mensagem: a Amazônia deve ser tratada como um ativo econômico estratégico de alcance global. 

Dessa forma, o seu potencial na geração da ciência, tecnologia e valores agregados a partir da biodiversidade tende a posicionar o Brasil no melhor caminho para a economia verde. 

A propósito, a ZFM, cuja experiência conecta produção industrial, geração de riqueza e manutenção de 97% da cobertura florestal, atesta que o desenvolvimento sustentável não é um conceito abstrato. É, na realidade, uma prática possível. 

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