A indústria brasileira vive um momento importante: o da transição. E o Nordeste se destaca neste cenário, após investir anos na expansão de segmentos específicos como eletricidade, água e saneamento. 

Hoje, a região mostra um desempenho industrial heterogêneo, com alguns polos em ascensão e outros numa certa recuada. 

Estima-se que o cenário apresenta fragilidades (infraestrutura, logística e acesso a crédito), mas tem pontos positivos como um conjunto articulado de políticas públicas, bancos de fomento e iniciativas privadas voltadas para a reindustrialização. Também, para a inovação e a sustentabilidade. 

Certamente, o objetivo é transformar a indústria do Nordeste e dar oportunidades concretas de investimento. 

Segundo Danilo Cabral, superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), existe uma ampliação da capacidade de territorializar as diretrizes da nova política industrial na região. 

A ideia é identificar as potencialidades de cada estado e conectar aos instrumentos financeiros dispostos. “O foco agora é criar sinergia entre os setores produtivos e as políticas de desenvolvimento regional.” 

Perfil das principais indústrias no Nordeste 

O parque industrial nordestino é diversificado. No entanto, apresenta características regionais marcantes, em que predominam atividades ligadas à indústria de transformação. 

Entre os principais setores, temos o de alimentos, têxtil, metalmecânico e químico, bem como o de extração mineral e de geração de energia. 

Paralelamente, há uma participação crescente de atividades relacionadas à infraestrutura e gestão de resíduos, as quais cresceram acima da média nacional, recentemente, conforme o Boletim Macro Regional Nordeste da FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia). 

O estudo ressalta: no acumulado de 12 meses (2024), o crescimento da indústria no Nordeste foi de 2,1%, com destaque positivo para a indústria de transformação e negativo para a indústria extrativa. 

Desempenho e destaques regionais 

De acordo com o boletim da FGV, entre os estados nordestinos, a Bahia vem se destacando, com avanços consideráveis. No primeiro trimestre deste ano, registou um aumento de 3,3%, mostrando uma aceleração na atividade econômica. 

O Ceará também manteve bons indicadores, com crescimento de 3% em janeiro, 3,3% no primeiro trimestre e 5,5% nos últimos 12 meses. 

Já  Pernambuco, que, segundo o material, havia sido um dos motores do crescimento regional em 2024, iniciou 2025 com um leve recuo de 0,1% em janeiro, embora tenha crescido 4% no trimestre móvel. 

“O desempenho do Nordeste já em janeiro de 2025 reforça a capacidade da economia regional de sustentar o crescimento, ainda que com sinais de moderação em alguns estados”, salientam os especialistas da FGV. 

Para eles, entre os desafios da indústria no Nordeste, conforme apresentado, está a volatilidade do ambiente externo, o tarifaço do governo Trump e os desafios macrofiscais do país. 

Oportunidades de investimento na indústria nordestina 

A reindustrialização do Nordeste, com foco na inovação e na sustentabilidade, tem gerado oportunidades de investimento. Recentes chamadas públicas e programas de fomento estão destinando recursos específicos para projetos que integrem modernização, digitalização e práticas sustentáveis. 

Ou seja, um espaço aberto para quem deseja investir na modernização de linhas produtivas, por exemplo, além de projetos de economia circular. 

O Boletim Macro Regional Nordeste destaca que há um bom índice de expectativas para a região, sinalizando otimismo por parte de investidores, apesar de um certo receio. 

Um ponto a ser considerado é a crescente prioridade por projetos de eficiência energética, gestão de resíduos e redução de emissões, de modo a gerar oportunidades para fornecedores de equipamentos, serviços e retrofit industrial, além de soluções de energia renovável aplicada à indústria. “O Nordeste é visto como grande gerador e exportador de energia renovável”

Outra oportunidade de investimento são os projetos para melhorar a capacidade logística na região, incluindo armazenamento, roteamento e acesso a portos. 

Isso porque tendem a reduzir custos para diversas empresas, de modo a tornar a indústria do Nordeste mais competitiva. Para se ter uma ideia, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) mapeou esse ponto como prioridade. 

Na Região Nordeste, a precariedade das condições de infraestrutura é evidente. Três em cada quatro executivos de grandes e médias indústrias (isto é, 75% dos industriais) consideram a infraestrutura da região como regular, ruim ou péssima. 

Os problemas logísticos refletem em altas taxas de acidentes rodoviários e de sucateamento da malha ferroviária, expõe a CNI no Panorama da Infraestrutura – Região Nordeste. 

Agora é o melhor momento? 

Alguns motivos convergentes mostram que sim. Primeiramente, existem janelas de financiamento e chamadas públicas estruturadas de instituições como o BNDES, o Banco do Nordeste, entre outras que facilitam projetos de maior porte. 

Neste ano, diversos programas de fomento para a reindustrialização já mobilizaram propostas acima do esperado. Ou seja, a indústria nordestina está pronta para executar projetos, mas precisa de capital e condições técnicas. 

Tendências globais por sustentabilidade e descarbonização, conforme temos publicado constantemente aqui no portal A Voz da Indústria, abrem nichos de mercado e crédito para as empresas que adotarem tecnologias verdes, desde eficiência energética até processos capazes de reduzir as emissões de carbono. 

Terceiro motivo convergente: o avanço das políticas estaduais e federais de desenvolvimento regional como as que são apresentadas pela Sudene, citada no início deste conteúdo. 

Em suma, o Nordeste reúne hoje os elementos clássicos para uma nova fase industrial: recursos humanos em formação, setores com potencial de agregação de valor, demanda por modernização e janelas de financiamento. 

Os resultados serão possíveis por meio de projetos que integrem inovação, sustentabilidade e arranjos locais. 

“O crescimento dos investimentos públicos e privados é, sem dúvida, uma etapa importante para promover o desenvolvimento econômico. Mas não deve ser ignorada a necessidade de aperfeiçoamento da governança pública e de melhoria da qualidade dos estudos técnicos para a realização dos projetos e obras de infraestrutura”, reforça o material da CNI.