A FEIMEC 2026 –Feira Internacional de Màquinas e Equipamentos foi marcada por lançamentos, tecnologias, automação industrial, networking e soluções cada vez mais avançadas. Tudo para melhorar a competitividade e a produtividade na indústria.

O Parque de Ideias, por sua vez, entre tantas apresentações, trouxe uma palestra que chamou a atenção pela proposta. “O mito da máquina” convidou os participantes a refletirem sobre até onde a tecnologia pode resolver os problemas da indústria.

Bárbara Quercetti, CEO da Husk, provocou a plateia com questões sobre liderança, cultura organizacional e os gargalos que podem impedir as empresas de alcançarem seus resultados mesmo com grandes investimentos em equipamentos, softwares e inovação.

Segundo a palestrante, a eficiência industrial não morre na tecnologia, mas muitas vezes na liderança. “A liderança parou no tempo”, destacou ao ressaltar possíveis problemas como a arrogância dos líderes, que gera a cultura do medo.

Cultura deve avançar com a tecnologia

Durante a apresentação, Bárbara destacou que muitas empresas ainda acreditam que máquinas mais modernas ou novos sistemas são suficientes para obter resultados. O problema, segundo ela, surge quando a mentalidade da organização não acompanha a respectiva evolução. “A gente busca resultados de 2030, com uma mentalidade de 1980”, completou.

Ou seja, existe uma tendência cultural de priorizar investimentos em maquinário, automação e estrutura física, ao passo em que a formação de líderes e o desenvolvimento humano ficam para depois.

Na palestra, ficou claro que, como resultado, podemos ter um cenário com empresas excelentes no quesito recursos tecnológicos, mas incapazes de extrair o potencial das mesmas ferramentas pela falta de preparo das próprias equipes.

A CEO ainda ressaltou que a indústria consegue promover profissionais técnicos para cargos de lideranças, mas não oferece capacitação adequada para a função. Logo, a organização corre o risco de perder a possibilidade de ter um grande técnico e a performance do time todo, que acaba sendo liderado por um profissional despreparado.

O problema da arrogância corporativa

Num dado momento da palestra, Bárbara falou dos riscos da arrogância corporativa, que, conforme ela, levam líderes a perderem espaço porque ignoram mudanças de  comportamento, cultura e mercado. “Quem está na liderança deve olhar para o retrovisor, para quem está vindo junto”.

Conforme a palestrante, a queda de uma marca pode acontecer não só pela falta de tecnologia, mas por uma combinação de fatores ligados à liderança e à cultura organizacional.

Também, pela resistência à mudança, o excesso de confiança, a burocracia, a lentidão nas decisões e as dificuldades em ouvir sinais vindos do mercado e das próprias equipes internas.

A reflexão apresentada ao público mostrou que as empresas deixam de crescer por falta de inovação tecnológica, mas também por não conseguirem adaptar comportamentos, processos e modelos de gestão.

Despreparo é um outro gargalo

Um dos maiores erros das organizações é acreditar que tempo de casa ou excelência técnica são suficientes para formar líderes. “Às vezes colocamos uma Ferrari nas mãos de alguém que ainda não sabe fazer a curva. Essa pessoa vai frear, quando deveria acelerar”, comparou Bárbara.

Para a palestrante do Parque de Ideias, a falta de preparo emocional e estratégico de líderes gera microgestão, medo, centralização de decisões e ambientes em que colaboradores deixam de compartilhar problemas por receio de julgamentos ou retaliações.

Nesse contexto, a empresa perde agilidade justamente em um momento em que velocidade de resposta se torna questão de sobrevivência para a indústria. “A microgestão é desgastante para todo mundo”, frisou.

Segurança psicológica e retenção de talentos

Outro ponto abordado durante atração da FEIMEC 2026 foi a importância da segurança psicológica nas organizações. Bárbara defendeu que a produtividade e a retenção de talentos dependem também da maneira como as pessoas são tratadas dentro das empresas.

Ela alertou que muitas companhias ainda ignoram sinais de desgaste emocional das equipes, enquanto mantêm estruturas de liderança excessivamente rígidas, centralizadoras ou pouco abertas ao diálogo. “O gargalo de uma empresa pode ter nome, sobrenome e crachá”, pontuou.

Isto significa que desenvolver líderes mais preparados emocionalmente é uma necessidade estratégica para o futuro da indústria, principalmente em um cenário de transformação tecnológica acelerada.

A palestrante destacou também que colaboradores precisam compreender o impacto das suas atividades nos resultados. Quando operadores e equipes entendem como pequenas ações interferem diretamente em produtividade, custos, estoque e eficiência, o engajamento tende a crescer significativamente.

Tecnologia e pessoas

Para finalizar a palestra, Bárbara reforçou que as máquinas continuam sendo fundamentais para o avanço industrial, mas que a tecnologia sozinha não sustenta o crescimento de longo prazo. Logo, o verdadeiro diferencial competitivo das empresas estará na capacidade de integrar inovação, tecnologias, liderança, desenvolvimento humano e cultura organizacional. “As máquinas produzem peças. Pessoas preparadas produzem o futuro, o lucro”.