A indústria vem, há tempos, passando por diversas transformações. Máquinas mais inteligentes, automação industrial, soluções tecnológicas e por aí vai. A FEIMEC 2026 trouxe todas as tendências disponíveis no mercado, inclusive, no Parque de Ideias, cujo espaço é dedicado a conteúdos técnicos e dinâmicos para o setor.

Uma das ministrações abordou a segurança no trabalho e o futuro preventivo da indústria. O título? “SST 4.0: Transformando a prevenção através da Inteligência Artificial e dados para o cenário industrial”.

Cenário atual da segurança do trabalho

Ao longo da palestra, Everton Guimarães, estrategista em segurança industrial, destacou o cenário atual da indústria. E, segundo ele, é preocupante. Isso porque o avanço tecnológico das empresas não vem sendo acompanhado com uma qualificação adequada dos seus colaboradores. E o problema começa na falta de treinamento e de cultura preventiva.

“Quando a gente fala sobre segurança no trabalho, as pessoas até se espantam um pouco. Mas temos problemas quanto a isso, porque quando se ouve falar sobre treinamento de pessoas, não escutamos o tema segurança do trabalho”, comunicou o palestrante.

E ele ainda chamou a atenção para os impactos financeiros, operacionais e humanos causados pela falta de prevenção nas empresas. Alguns dados (alarmantes) foram apresentados sobre acidentes de trabalho no Brasil.

De acordo com Everton, muitas empresas ainda possuem um protocolo reativo, apenas corrigem as falhas após os incidentes. A saber, em 2025, o país computou cerca de 806 mil acidentes de trabalho, contra os 734 mil de 2024. E, em 2023, foram 614 mil. “Esse número espanta porque, para chegarmos nele, significa que as pessoas não estão sendo capacitadas”.

Tecnologia para segurança e aplicações

Outro ponto debatido no Parque de Ideias 2026 foi a distância entre a tecnologia disponível no mercado e a maneira como ela tem sido aplicada na indústria.

O especialista responsável pelo conteúdo acredita que muitas empresas investem em máquinas modernas, mas não treinam adequadamente os seus profissionais. Dessa forma, eles não conseguem aproveitar todos os recursos de segurança disponíveis nos respectivos equipamentos. 

“Tudo o que a gente está vendo de tecnologia aqui, infelizmente, não está sendo aplicado no mercado porque a gente não está treinando as pessoas para isso.”

Nisso, ele apresentou exemplos práticos (Solução SST 4.0) de como a Inteligência Artificial pode ser utilizada para aumentar a segurança operacional. Na lista de possibilidades, destacou câmeras com visão computacional capazes de identificar a ausência de EPIs, por exemplo, além de IoT como agentes de proteção onipresentes.

“Se a pessoa se aproximar sem o óculos de proteção, por exemplo, a câmera vai detectar que ela está sem o EPI e vai soltar um alerta para a parte de segurança do trabalho. Sem o uso do EPI a máquina nem funciona”, explicou Everton.

Riscos psicossociais (NR-1)

Além dos riscos à integridade física, a palestra trouxe também os riscos psicossociais e o aumento expressivo de afastamentos de profissionais, devido a problemas envolvendo a saúde mental. Conforme foi divulgado, no ano passado foram registrados 586 mil casos.

O palestrante ressaltou a NR-1 que, segundo ele, deve ser interpretada como uma ferramenta para melhorar o ambiente de trabalho e não apenas para cumprir normas burocráticas. “A NR1 não é para tratar o funcionário, ela serve para tratar o ambiente de trabalho”.

Gestão preventiva como foco principal

Em toda a sua apresentação, Everton defendeu o modelo de gestão preventiva na indústria com relação à segurança no trabalho. Ele teve como base o monitoramento contínuo, a rastreabilidade e a cultura organizacional voltada à proteção das pessoas.

Por isso, reforçou que a segurança não deve ser vista pela indústria como um custo a mais, e sim como um investimento estratégico. “Quando a gente fala em segurança no trabalho, a gente está falando de vidas, de processos. De pessoas e de um sistema todo”, disse.

Nesse viés, a integração entre a inteligência artificial, os sensores industriais e o treinamento imersivo com realidade virtual apareceu como uma tendência forte para os próximos anos.

Os visitantes da FEIMEC 2026 puderam compreender que tecnologias desse tipo podem transformar a maneira como os colaboradores aprendem e se relacionam com o ambiente industrial.

Além de apresentar ferramentas, a palestra em questão reforçou que a tecnologia precisa caminhar ao lado da valorização humana. O próprio palestrante reforçou que nenhum avanço será suficiente sem uma mudança de mentalidade nas empresas.

“Não espere o próximo incidente para mudar a sua história. Vamos construir a segurança 4.0 hoje.”

Não deixe de conferir a cobertura completa da FEIMEC 2026.