Durante os últimos anos, muito vem sendo falado a respeito de inovação, em especial da Indústria 4.0. Este novo cenário, caracterizado por ser bastante competitivo e muito dinâmico, faz com que a introdução da inovação industrial passe a ser cada vez mais valorizada e perseguida, sendo essa uma forma de se manter vivo no mercado.
Entretanto, mesmo reconhecendo a importância da inovação, grande parte das indústrias enfrenta dificuldades ao buscar implementar processos de inovação, dificultando o potencial de inserção e competição no mercado.
Vamos entender um pouco mais sobre a inovação industrial!
O que é inovação industrial?
Apesar de muito associada a disrupção, a inovação industrial é na realidade do chão de fábrica algo muito mais pragmático.
Em essência, a inovação é a união da descoberta com a invenção, orientada pela capacidade de gerar valor. A descoberta é definida como o surgimento de uma nova ideia ou conceito, e a invenção é o passo seguinte, o desenvolvimento de uma forma nova de executar uma tarefa.
Contudo, uma invenção só se torna inovação quando é assimilada pelo mercado ou pela sociedade, ou seja, aquela nova forma de se executar algo passa a ser aplicado e a render frutos de fato. Para o setor manufatureiro, isso se traduz em resultados tangíveis como aumento do faturamento, acesso a novos mercados, otimização do trabalho e redução de custos operacionais.
Embora o caminho para inovar prometa margens de lucro maiores e eficiência, o trajeto é repleto de obstáculos que podem travar o crescimento da sua empresa. Compreender esses desafios é o primeiro passo para superá-los.
Qual o contexto da inovação industrial no Brasil?
O país possui um potencial produtivo imenso, mas a inovação ainda enfrenta barreiras culturais e financeiras. Segundo André Chimura, da Mitsubishi Electric, investir em tecnologia de ponta ainda não é a prioridade de muitas companhias nacionais.
Os dados confirmam esse “gap” tecnológico, enquanto a média global é de 99 robôs para cada 10 mil trabalhadores, o Brasil conta com apenas 14, de acordo com a Federação Internacional de Robótica (IFR).
Muitas indústrias buscam a inovação apenas para resolver problemas emergenciais ou esperam retornos imediatos, o que impede a criação de uma cultura de processos sustentável. Enquanto empresas globais já operam em níveis avançados de integração digital, boa parte do parque industrial brasileiro ainda foca no básico para a sobrevivência operacional.
Quais os principais desafios para a inovação industrial no Brasil?
A jornada rumo à Indústria 4.0 no território nacional não é isenta de obstáculos. Para o gestor brasileiro, inovar exige superar barreiras que vão desde a cultura organizacional até limitações orçamentárias. Abaixo, detalhamos os principais gargalos enfrentados pelo setor.
1. Visão de curto prazo e busca por resultados imediatos
Como destacado por especialistas, muitas indústrias brasileiras encaram a inovação como um “remédio” para problemas pontuais, e não como uma estratégia contínua. Essa busca por ROI imediato dificulta a implementação de processos de inovação profunda, que exigem maturação para transformar verdadeiramente o modelo de negócio e gerar competitividade a longo prazo.
2. Crises frequentes e a ciclicidade econômica
O Brasil convive historicamente com instabilidades econômicas e políticas que forçam as indústrias a operarem em “modo de defesa”. Fatores como a desindustrialização e a dependência do ciclo das commodities dificultam a execução de planos de desenvolvimento de longo prazo.
Em períodos críticos, a prioridade máxima torna-se o fluxo de caixa e a manutenção das receitas, o que acaba relegando o processo de inovação a um segundo plano estratégico.
3. Falta de qualificação de mão de obra
A difusão de tecnologias inovadoras esbarra na falta de profissionais capacitados. Atualmente, vivemos uma escassez acentuada de especialistas técnicos, como cientistas de dados e engenheiros de automação.
Sem profissionais capazes de realizar o tratamento de dados com qualidade para apoiar a tomada de decisão, a implementação da Indústria 4.0 torna-se subutilizada e pouco eficiente.
4. Baixo engajamento no ecossistema de inovação
Inovar de forma isolada é um caminho lento e arriscado. Embora tenhamos avançado, ainda há um enorme espaço para melhorar a integração entre empresas, universidades e centros de tecnologia. Um ecossistema de inovação engajado permite que as indústrias dividam riscos, acelerem o desenvolvimento e ganhem escala através da colaboração mútua.
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