O Mercosul, que compreende os países Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, vem se consolidando como uma das principais alternativas para a indústria brasileira internacionalizar a sua atuação.
Enquanto o restante do mundo foca em disputas geopolíticas e na reconfiguração das cadeias de suprimentos, por ora, o Brasil pode ter a oportunidade de desviar das complexidades dos mercados mais distantes.
E, segundo Fábio Nascimento, contador e CEO do Grupo FN, a relevância do Mercosul para a indústria brasileira vai além dos números. “Existem condições que facilitam a entrada de empresas brasileiras no comércio internacional. Há acordos tarifários, proximidade logística e uma demanda relevante por produtos industrializados”.
O Mercosul apresenta uma vantagem considerável para a produção nacional. Trata-se de um dos principais destinos para os produtos manufaturados produzidos por aqui. Entre eles, máquinas e equipamentos, veículos e autopeças, produtos químicos, eletroeletrônicos e bens de capital.
A saber, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que a corrente de comércio entre o Brasil e os demais membros do Mercosul ultrapassa a marca de US$ 40 bilhões anuais. Ou seja, movimenta cadeias produtivas inteiras e ainda fortalece setores industriais de alto valor agregado.
Mercosul valoriza a indústria brasileira
O Brasil exporta para diversos países, porém o Mercosul lidera a demanda por produtos industrializados. E isso favorece as empresas que querem investir em tecnologia, inovação e manufatura avançada. Para se ter uma ideia, a Argentina é uma cliente fiel do Brasil.
Cerca de 80% das exportações brasileiras destinadas ao país vizinho são compostas por bens manufaturados de setores como o automotivo, o metalmecânico, de máquinas e equipamentos, componentes industriais e tecnologia aplicada à produção.
Conforme Fábio, “a internacionalização costuma ser vista como algo distante da realidade de empresas médias, mas o Mercosul pode ser um caminho mais acessível para iniciar esse processo”.
Oportunidades para o interior
Outra vantagem que a expansão das exportações para o Mercosul oferece é com relação às oportunidades para os polos industriais das cidades interioranas. Regiões com forte atuação da indústria, como o Vale do Paraíba, o interior de São Paulo e do Sul, bem como os centros industriais de Minas Gerais, têm no mercado regional uma oportunidade efetiva para ampliar as receitas e diversificar a carteira de clientes a nível internacional.
E mais, empresas especializadas em automação industrial, equipamentos para processos produtivos, componentes mecânicos, tecnologia embarcada e soluções para a Indústria 4.0 apresentam potencial para atender as demandas crescentes do Mercosul, principalmente porque são países que desejam modernizar seus parques fabris.
E Fábio cita uma outra questão importante, “hoje existem programas de apoio, linhas de financiamento e estruturas de consultoria que ajudam pequenas e médias empresas a acessar mercados internacionais”.
Máquinas e equipamentos
Entre os setores da indústria brasileira com maior chance de se beneficiar pela movimentação com o Mercosul está o de máquinas e equipamentos. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), a internacionalização é um dos pilares para o crescimento sustentável do setor manufatureiro no Brasil. Isso, principalmente diante da necessidade de ampliar mercados consumidores e aumentar a escala de produção.
A propósito, enquanto diversos países sul-americanos estão modernizando seus polos industriais, o Brasil tem a chance de vender tecnologias voltadas à produtividade, eficiência energética, automação, controle de processos e transformação digital.
A proximidade cultural com os países parceiros do Mercosul, além do conhecimento das demandas regionais e a capacidade de oferecer suporte técnico com mais agilidade são vantagens competitivas.
Como conquistar o Mercosul?
Embora o Mercosul ofereça as vantagens citadas neste conteúdo para quem deseja exportar aos países membros, é preciso investir numa certa preparação. De acordo com o CEO do Grupo FN, empresas que se organizam antes de iniciar as exportações aumentam as chances de sucesso. “Exportar exige planejamento financeiro, logístico e jurídico. Quando a empresa estrutura esses pilares, o processo tende a ser muito mais seguro”.
Entre as medidas, destaque para a compreensão da demanda local. É preciso entender as características econômicas e necessidades de cada país. É fundamental ainda atender as exigências técnicas e regulatórias das regiões a serem atendidas, bem como planejar a logística com estratégia.
Conforme o especialista, é importante também estruturar a gestão tributária e cambial e ter um apoio especializado, de modo a contar com entidades de classe, consultorias, entre outros suportes focados na ampliação das operações.
Integração regional
Enquanto o mundo deseja reduzir riscos e ampliar a presença internacional, a atuação regional da indústria brasileira ajuda a desenvolver competências diferenciadas e a aperfeiçoar processos internos. Com isso, o Brasil ganha experiências para futuras expansões em mercados mais complexos.
“Começar pelo Mercosul permite que a empresa aprenda a operar no comércio exterior, desenvolva processos internos e construa experiência”, finaliza o especialista.
Entenda também as oportunidades do Acordo Mercosul – União Europeia.