Os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o comércio brasileiro ao confirmar a famigerada tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos fabricados por aqui. Na respectiva lista há algumas exceções, no entanto, segmentos industriais estão em alerta sobre as exportações e as relações com o país norte-americano. 

Quais serão os desafios para a indústria a partir de agora? 

A saber, a tarifa passou a valer em julho e compreende cerca de quatro mil produtos brasileiros. Segundo divulgou o próprio governo dos EUA, a medida é baseada em avaliações minuciosas sobre as políticas do Brasil com relação ao comércio digital, aos serviços de pagamento eletrônico e também à propriedade intelectual. Além disso, sobre o acesso ao mercado de etanol, o combate à corrupção, tarifas preferenciais e questões ambientais.  

Algumas negociações ajudaram a isentar inúmeros produtos, mas a taxa recai sobre cerca de US$11 bilhões em exportações brasileiras. E, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), isso equivale a 26,2% das vendas do Brasil. “O que compromete a competitividade da indústria nacional em um dos seus principais mercados”. 

Estados Unidos é o principal cliente da indústria brasileira? 

Os EUA têm uma participação importante na indústria nacional, sendo um dos principais destinos das exportações. Ou seja, possui forte integração com vários setores produtivos, principalmente com relação aos bens de maior valor agregado. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), o setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, tem os EUA como principal cliente internacional.  

Para se ter uma ideia, em 2025, as exportações brasileiras alcançaram em torno de US$3,2 bilhões, enquanto o Brasil comprou cerca de US$ 4,8 bilhões. Número que marca uma relação complementar.  

“A ABIMAQ avalia que a decisão representa um fator adicional de incerteza para o comércio bilateral e para as empresas inseridas nas cadeias produtivas entre Brasil e Estados Unidos.” 

Ainda conforme a associação, grande parte desse fluxo acontece entre empresas do mesmo grupo econômico, cujos gestores mantêm fábricas tanto no Brasil quanto nos EUA. Um desafio e tanto quando o assunto é a tarifa de 25%, uma vez que diversos investimentos, planejamentos industriais e a eficiência das cadeias globais de produção podem ser afetados.  

As cadeias produtivas afetadas 

Ao que tudo indica, as exportações não serão as únicas atingidas pela taxação. Dados mostram que 60,3% dos produtos constantes da lista são bens intermediários utilizados pela própria indústria norte-americana. Entre eles, componentes, insumos e matérias-primas empregados em processos produtivos. 

Isto significa que tal cenário pode elevar os custos de produção, bem como reduzir a competitividade da indústria estadunidense e ainda provocar diversos ajustes em cadeias produtivas que já estão sob pressão por conta das transformações do mercado global. 

As exceções na taxação 

Uma reunião feita por empresas e entidades do Brasil e EUA revelou os possíveis efeitos da medida norte-americana sobre a indústria dos dois países. Com isso, foi feita uma lista de exclusão, com 429 produtos. A propósito, são itens considerados estratégicos para a economica norte-americana, entre os quais, aeronaves civis, fármacos e insumos para a indústria.  

Para a CNI, a ampliação da lista de produtos isentos representa um alívio para alguns setores da indústria brasileira e demonstra que o trabalho técnico e o diálogo conduzidos pelo setor produtivo produziram efeitos práticos. “É um avanço importante, mas ainda distante do cenário ideal que buscamos. Agora, precisamos concentrar esforços nos demais segmentos que continuarão sujeitos à sobretaxa e enfrentarão perdas de competitividade no mercado norte-americano”. 

Já a ABIMAQ afirma que “o próprio relatório final reconhece que diversas exclusões foram concedidas justamente para evitar a desorganização das cadeias produtivas e impactos econômicos mais amplos”

O que diz o setor produtivo? 

Para a ABIMAQ, o momento exige um fortalecimento dos canais diplomáticos e comerciais entre ambos os países. Ou seja, as divergências comerciais devem ser tratadas por meio da negociação institucional, de modo a evitar medidas unilaterais que aumentem os custos e venham a reduzir investimentos. 

A entidade diz, inclusive, que as questões comerciais devem ser resolvidas por meio do diálogo institucional e da negociação bilateral. “Medidas unilaterais de natureza tarifária tendem a elevar a insegurança jurídica, aumentar custos para empresas e consumidores e enfraquecer cadeias globais de valor que vêm sendo construídas ao longo de décadas”. 

Diversas associações estadunidenses manifestaram preocupação com a tarifa adicional dos EUA para máquinas, equipamentos e outros bens industriais brasileiros, pois eles são importantes para manter a competitividade da manufatura. Também porque não há muitas alternativas em outros mercados.  

O que a indústria brasileira pode esperar? 

Mais uma vez, a tarifa dos EUA significa que há uma forte pressão sobre a indústria brasileira, mesmo com a lista de exceções. Além dos impactos imediatos, o setor produtivo vem acompanhando as reviravoltas comerciais conduzidas pelos EUA porque ainda podem resultar em novas restrições.  

Por enquanto, as exportadoras brasileiras precisam reforçar suas estratégias para diversificar os mercados, bem como revisar contratos internacionais e monitorar as mudanças regulatórias. 

E entidades industriais, como a ABIMAQ e a CNI, seguem na defesa do avanço das negociações bilaterais, a fim de preservar a relação econômica entre o Brasil e os EUA em benefício às duas economias. 

“As novas exceções consideradas pelo governo norte-americano reduziram US$2,3 milhões de possíveis prejuízos para a indústria brasileira. O resultado reflete, entre outros fatores, as articulações dos setores produtivos dos dois países”, conclui a CNI. 

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