A vida útil dos componentes é muito relevante na indústria. O fim de uma utilidade pode significar a recuperação de elementos de alto valor. Isso, principalmente em setores que dependem de recursos estratégicos. 

Estamos falando da reciclagem de materiais avançados, que tende a abrir espaço para a recuperação de peças e reinserção no processo de manufatura, de modo a reduzir perdas e a necessidade de novas matérias-primas. 

A Voz da Indústria conversou com Gabriel Cruz, gerente comercial da Umicorte, que deu exemplos sobre como a economia circular pode transformar um material que chegou ao fim da vida útil em uma nova fonte de recursos. O catalisador automotivo é um deles. “Para que esse ciclo aconteça de forma adequada, porém, é fundamental que os catalisadores sejam destinados por canais oficiais, que garantam rastreabilidade, segurança e conformidade ambiental em todas as etapas do processo”. 

Do resíduo a matéria-prima 

Ainda sobre o exemplo dado pelo especialista, os catalisadores são considerados materiais complexos que ainda apresentam valor mesmo após cumprirem a sua função primária. Instalados no sistema de exaustão de veículos a combustão e híbridos, eles contribuem com a transformação de gases poluentes em substâncias menos nocivas. 

No entanto, o interior destes equipamentos contém metais nobres como platina, paládio e ródio, os quais, quando recuperados, podem retornar à cadeia produtiva, de modo a serem utilizados em diferentes aplicações. 

Ou seja, em vez da indústria enxergar o componente em si apenas como um resíduo, pode tê-lo como uma fonte secundária de materiais estratégicos. 

Tecnologia e precisão para a reciclagem 

Engana-se quem pensa que recuperar materiais e componentes complexos significa apenas separar e reaproveitar as peças. Economia circular não é isso. O processo começa pela identificação do que há em cada lote. 

Gabriel explica que é preciso fazer uma homogeneização e amostragem, além de análises laboratoriais para identificar e quantificar metais interessantes. 

A propósito, tais etapas são fundamentais porque a composição dos resíduos tende a variar, e é preciso direcionar o material de maneira adequada para a etapa seguinte, que é a reciclagem. É quando processos pirometalúrgicos são utilizados para a recuperação dos metais, que ainda passam pelo processo de refino antes de retornarem ao mercado. 

Materiais secundários no século 21 

A reciclagem de materiais avançados na indústria traz otimismo, uma vez que revela uma tendência ampla, a de transformar materiais que estavam em circulação em novas fontes de recursos. 

“Na Umicore, todo o processo é acompanhado por procedimentos de controle e rastreabilidade. Desde o recebimento até o refino, cada lote é identificado, amostrado e analisado, garantindo transparência na valorização do material e sua destinação ambientalmente adequada”, detalha o gerente. 

Ele acredita que, para a indústria, o movimento de reciclagem de materiais avançados tem uma dimensão estratégica. Ou seja, quanto maior a capacidade de recuperar os materiais disponíveis na economia, menor será a dependência de materiais primários. 

Rastreabilidade de materiais 

Para Gabriel, a economia circular não depende apenas da tecnologia, mas também da rastreabilidade, que significa a maneira como o resíduo entrará na cadeia. “Tudo isso determina a qualidade e a segurança do processo”. 

Além disso, a destinação deve ser feita por canais adequados, de modo a permitir que o respectivo material seja acompanhado. Tal controle, portanto, contribui para evitar perdas de valor, reduzir riscos associados ao mercado informal e também para assegurar que o material em questão tenha uma destinação ambientalmente adequada. 

Em suma, a reciclagem deve ser pensada em um ciclo completo, desde o recebimento, passando pela identificação e amostragem até a análise, a recuperação e o refino. 

Já a rastreabilidade, o especialista considera que é o elo para o acompanhamento do material em seu percurso. 

“A reciclagem sustentável só se completa quando existe controle sobre toda a cadeia, desde o recebimento do material até o retorno dos metais à economia. Por isso, a destinação por canais oficiais é fundamental para garantir rastreabilidade e conformidade”, conclui. 

No tópico da reciclagem e economia circular, saiba sobre as obrigatoriedades de ESG.