Mais do que definir metas de produção e estimular as equipes, para 2027, a indústria precisa de planejamento. Ainda mais com o avanço da Reforma Tributária. É essencial que as empresas antecipem os efeitos das mudanças sobre a formação dos preços, o fluxo de caixa, a contratação de fornecedores, os contratos e a competitividade do negócio, se quiserem continuar investindo.
E essa organização compreende diversas áreas do setor, como a produtiva, a fiscal, a financeira, a comercial e a de tecnologia.
Lembrando que já no início do ano que vem, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) substituirá o PIS e a Cofins, ao passo que o Imposto Seletivo começará a ser cobrado sobre produtos e atividades definidos na legislação.
Por sua vez, a transição do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que ficará, de maneira gradual, no lugar do ICMS e o ISS, seguirá até 2033. Ou seja, toda decisão tomada nesses últimos meses de 2026 é decisiva para que a indústria reduza os riscos operacionais e se prepare para investir ante às novidades.
O portal A Voz da Indústria garimpou informações valiosas com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) sobre a importância de todo esse planejamento. Você confere a seguir.
Planejamento ainda em 2026…
Segundo a nota técnica da ABIMAQ, é fundamental que a indústria comece a se preparar antes do réveillon. E é preciso priorizar a adaptação dos sistemas de gestão empresarial (ERP) para conciliar as notas fiscais, os pagamentos e os créditos tributários. Além disso, as empresas precisam separar os valores que estão a apropriar daqueles já apropriados e utilizados.
“Dentro deste checklist, é preciso também monitorar fornecedores cujos créditos permaneçam pendentes com frequência, priorizar meios de pagamentos integrados ao split payment, quando disponíveis, e definir critérios internos para avaliar o recolhimento pelo adquirente em operações relevantes”, completa a associação.
Ainda conforme a entidade, outra medida indispensável é a transição dos créditos de PIS e Cofins. Isso, uma vez que os critérios regularmente apropriados e não utilizados até 31 de dezembro de 2026 serão preservados e as condições legais observadas. Com isso, não poderão ser utilizados para a compensação com a CBS.
A ABIMAQ diz que a preparação para 2027 não deve se limitar à adequação fiscal. As indústrias deverão integrar as áreas tributárias, financeira, comercial e de tecnologia, bem como revisar os processos internos e acompanhar a situação dos créditos.
“No ambiente industrial, decisões jurídicas raramente ficam restritas ao departamento jurídico. Um contrato interfere no comercial, enquanto uma mudança trabalhista alcança o RH e a operação. Já uma alteração tributária pode afetar preços, compras, fornecedores e fluxo de caixa.”
A ideia é evitar que possíveis atrasos na liberação afetem o capital de giro. Ou seja, é preciso transformar toda a mudança trazida pela Reforma Tributária em uma variável efetiva para o planejamento empresarial.
Investimentos no radar do setor
Mesmo diante de incertezas, juros elevados, transição tributária e tensões geopolíticas, algumas empresas tem mantido os planos de expansão e modernização para o ano que vem. Conversamos com Anderson Festa, presidente executivo do Polo Industrial Mooca, que contou como este grupo de empresas da capital paulista está projetando mais de R$ 1 bilhão em investimentos.
Segundo o executivo, o bairro reúne 228 empresas, mais de 70 mil empregos diretos e indiretos e faturamento anual superior a R$ 12 bilhões. A atividade abrange segmentos como aço, metalurgia, vidro, química, alimentos, construção civil, máquinas e logística, com conexões que alcançam diferentes cadeias produtivas do país.
Empresas como Lorenzetti, Ferrolene, Cyberglass e GHT estão entre os exemplos de companhias interessadas em renovação de equipamentos, tecnologia, automação e ampliação da capacidade produtiva. Nesse contexto, a modernização pode contribuir para melhorar a eficiência operacional e preparar as estruturas produtivas para as novas exigências do mercado a partir de 2027.
Para Anderson, “a perspectiva de investimentos demonstra a continuidade dos planos de desenvolvimento industrial em meio a um ambiente desafiador”. A projeção de mais de R$ 1 bilhão em investimentos na região mostra que a indústria segue avaliando oportunidades de crescimento mesmo diante de fatores que exigem cautela.
“Para 2027, o desafio será conciliar esses projetos com uma gestão mais precisa dos custos, das obrigações tributárias e dos recursos disponíveis”, expõe.
Planejar para reduzir riscos
A saber, a experiência de polos industriais como o da Mooca reforça a importância de tratar a Reforma Tributária como parte da estratégia de negócios. Além de adequar documentos fiscais e sistemas, as empresas precisam acompanhar as regulamentações, capacitar as equipes e avaliar os impactos das mudanças sobre suas operações. A ABIMAQ alerta que “até mesmo onde instalar a empresa pode trazer maior ou menor impacto”.
Ou seja, todo planejamento deve considerar diferentes cenários, de modo a evitar que decisões sejam tomadas sem análises atualizadas. Mais do que cumprir as novas exigências da Reforma Tributária, preparar-se para 2027 significa incorporar as mudanças ao planejamento de longo prazo e preservar a capacidade de competir em um ambiente econômico em transformação. “A orientação antecipada permite analisar a situação antes de transformar uma dúvida em problema”, conclui a associação.
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