A Reforma Tributária é uma realidade e a indústria precisa transformar aquele planejamento de gaveta em uma ação concreta. Sabemos que a transição total para o novo sistema tributário foi estendida até 2033, no entanto, 2027 trará mudanças decisivas.
No primeiro dia do ano será efetivada a CBS (Contribuição Sobre Bens e Serviços) no lugar do PIS e Cofins. É fundamental, além de atualizar o ERP e garantir a emissão correta das notas fiscais, olhar para dados, margens, contratos e fornecedores. Enfim, se preparar.
Segundo Wagner Schettini, sócio da área de Tributos da RSM no Brasil, é importante ainda saber qual será o impacto financeiro da nova estrutura sobre o negócio em si. Tal preocupação se torna ainda mais relevante diante das atualizações recentes do respectivo cronograma. Por exemplo, em julho, foram divulgadas as datas para a implementação dos documentos fiscais eletrônicos relacionados à Reforma Tributária.
É preciso estar atento, uma vez que, para diversos documentos, a obrigatoriedade começa em 1º de janeiro de 2027, enquanto a publicação dos layouts e especificações técnicas ocorre ao longo de 2026.
Medidas necessárias para a Reforma Tributária a partir de hoje
Nesse mês de agosto, o governo flexibilizou as regras de validação dos documentos fiscais eletrônicos. Para facilitar a adaptação das empresas a este novo modelo, foi decidido que a ausência de algumas informações relacionadas a CBS e IBS não provocará a rejeição automática dos documentos. Mas não basta que a indústria atualize o sistema e considere tudo resolvido. É preciso acompanhar a regulamentação e seus desfechos, bem como integrar as áreas fiscal, financeira, comercial, de compras e tecnologia.
O especialista relata que boa parte das organizações já avançou na camada operacional da reforma, com a promoção das adequações em sistemas de gestão, ERPs e processos fiscais para garantir a emissão dos documentos dentro das novas regras. “Trata-se de uma etapa essencial para evitar impactos nas operações a partir de 2027”, afirma.
Impactos econômicos
Para a indústria, a questão da Reforma Tributária vai muito além de saber se o sistema está apto a calcular e registrar os novos tributos. É importante conferir o que esses cálculos representarão. Ao que tudo indica, a CBS terá uma dinâmica diferente da atual estrutura do PIS e Cofins, com ampla não cumulatividade e possibilidade de apropriação de créditos.
Wagner expõe novamente que existe, no entanto, uma preocupação ainda maior que é compreender os impactos econômicos da reforma.
Ele pontua os resultados de alguns estudos que realizou, cujas empresas participantes com carga tributária efetiva próxima de 5,15% podem passar a enfrentar impactos equivalentes a 6,84%.
“Organizações que hoje operam com carga próxima de 6,3% podem alcançar patamares superiores a 12,8%. Tudo dependerá da estrutura de custos, da composição das receitas, da cadeia de fornecimento e da capacidade de aproveitamento dos créditos tributários”. Ou seja, a preparação da indústria não é exclusivamente fiscal, mas uma estratégia empresarial. Uma alteração na carga efetiva pode repercutir sobre as margens de lucro, EBITDA, a formação de preços, a política comercial e as decisões de investimento.
E mais, como o setor industrial trabalha a partir de cadeias produtivas e volumes consideráveis de compra e venda, essa análise deve considerar a origem dos insumos, o perfil dos fornecedores, a possibilidade de geração e o aproveitamento de créditos junto com as características de cada processo.
Como fica a equação completa para a indústria?
Quando o assunto é Reforma Tributária, alguns aspectos devem protagonizar o cronograma da indústria. Entre eles, os contratos, os fornecedores, os custos e a formação de preços. Contratos de longo prazo, por exemplo, devem ter a estrutura tributária revisada. O mesmo vale para os fornecedores caso não estejam acompanhando a adaptação da reforma.
O especialista da RSM explica que é preciso compreender o custo tributário da empresa para projetar resultados, assim como avaliar investimentos futuros, aquisições ou expansões.
“O risco corporativo não se encerra dentro de portas. Uma companhia que realize o dever de casa e conclua que a sua carga tributária ficará estável ainda poderá sofrer fortes abalos caso seus fornecedores estratégicos falhem no mesmo exercício.”
Para ele, as empresas precisam liderar as suas redes produtivas para evitar rupturas. “Desenvolver novos fornecedores leva tempo, por isso, as conversas sobre os impactos da Reforma Tributária precisam acontecer agora. Antecipar é muito mais eficiente do que renegociar diante dos impactos”.
Ele finaliza dizendo que o ERP continua sendo fundamental, mas deve fazer parte de uma estratégia maior. “Mais do que preparar os sistemas para emitir notas, as empresas precisam entender como a CBS afetará a rentabilidade, a competitividade e a cadeia de valor”, conclui.
Aproveite e baixe o guia da Reforma Tributária para a indústria.