Hoje, a indústria tem de lidar com diferentes cenários, entre os quais, custos operacionais, eventos climáticos, complexidades do mercado de atuação, automatizações, gestão de riscos, equipes, etc. Por isso, A Voz da Indústria conversou com especialistas sobre a importância do seguro empresarial para o setor de manufatura, cujos benefícios incluem a proteção patrimonial e a continuidade dos negócios. 

Segundo Gustavo Zanon, CEO da Seguralta, o seguro empresarial não deve ser tratado como uma etapa final ou à parte na abertura de uma empresa. “O seguro deve estar sempre na fase de planejamento financeiro e jurídico”, explica. Mesmo porquê, qualquer tipo de incidente pode causar, além de danos materiais, a paralisação da produção, o atraso nas entregas e prejuízos financeiros.  

Por consequência, manchar a reputação da indústria no mercado e derrubar o seu poder de competitividade. Inclusive, o especialista defende que a contratação de um seguro deve priorizar as particularidades das respectivas operações e nunca um modelo padronizado. 

Cada indústria tem as suas peculiaridades 

Toda indústria está sujeita a imprevistos, isso é um fato. No entanto, cada empresa apresenta características peculiares do seu segmento de negócio, linha de produção, equipamentos disponíveis, etc. Logo, é necessário que haja uma análise aprofundada dessa atuação antes de contratar um seguro empresarial que possa cobrir roubo, acidentes, incêndios, danos a equipamentos e crimes digitais.  

Gustavo explica que o tipo de atividade, os processos produtivos, o parque fabril, a localização da planta, o valor das máquinas, os insumos e a logística compreendem o tipo de apólice a ser escolhido. A escolha correta da cobertura é fundamental. 

“Cada empresa tem um perfil de exposição distinto. Um negócio digital enfrenta riscos diferentes de uma indústria ou de uma empresa de serviços. A escolha do seguro precisa refletir essa realidade.” 

Ou seja, é preciso realizar um diagnóstico completo dos riscos e benefícios. A proteção deve considerar desde a estrutura física até a dependência de tecnologia, fornecedores e contratos comerciais. 

Tal avaliação, portanto, ajuda na identificação dos riscos que oferecem impactos maiores para as operações e também as coberturas que preservam de fato a atividade da indústria. 

Quais são as principais coberturas para a indústria? 

De acordo com Gustavo, na indústria, uma das proteções mais efetivas é o seguro patrimonial, uma vez que cobre danos na estrutura física da empresa, independentemente se for no galpão, escritório, depósito e demais instalações. E ele se refere a incêndios, explosões, descargas elétricas, vendavais, entre outros incidentes que podem gerar prejuízos à produção. 

Outro ponto importante são as máquinas e os equipamentos. Sabemos que na indústria uma única máquina significa altos investimentos e a indisponibilidade pode paralisar a produtividade. Sendo assim, um seguro específico para este fim pode contribuir com a redução dos impactos financeiros decorrentes de falhas, acidentes ou danos inesperados. 

Além disso, outra estratégia importante é investir na proteção do transporte das mercadorias. Tanto o deslocamento de matérias-primas quanto a distribuição dos produtos acabados estão sujeitos a acidentes, roubos e avarias. Esse tipo de contratação, portanto, visa a proteção da carga e a redução dos riscos logísticos. 

E a responsabilidade civil? Também tem força quando o assunto é seguro empresarial para indústrias. Isso porque toda empresa de manufatura pode responder por danos causados a terceiros, sendo essa modalidade um mecanismo essencial para a proteção jurídica e financeira. 

“O crescimento de contratos mais complexos, especialmente no B2B, tem ampliado a necessidade de seguros de responsabilidade civil e garantia, que muitas vezes são negligenciados no início da operação”, expõe o especialista.  

É assim também com a proteção dos funcionários, que entra na parte de gestão de riscos. Conforme a atividade da indústria, os seguros voltados para os acidentes com pessoas e benefícios complementares oferecem mais segurança às equipes e fortalecem as políticas de governança, bem como a cultura organizacional. 

Custos e benefícios do seguro para indústrias 

Gustavo alerta que um erro comum na contratação de um seguro é a escolha da apólice pelo preço. Até porque se a cobertura for insuficiente, assim como os limites de indenização inadequados, a segurança não será completa. 

O especialista ainda frisa que uma contratação eficiente demanda atenção aos detalhes. Uma apólice mal dimensionada pode fazer com que a empresa descubra somente no momento do sinistro que determinados ricos não estavam contemplados. Por isso é fundamental analisar os limites de cobertura, franquias e exclusões e ainda revisar periodicamente os valores segurados. 

Mais um alerta é sobre a atualização das apólices, que ganha ainda mais importância em tempos de inflação, modernização do parque industrial e ampliação da capacidade produtiva. “Com inflação e oscilações de mercado, é fundamental revisar periodicamente as coberturas para evitar defasagens que comprometam a proteção real da empresa”. 

Saiba mais sobre a gestão de riscos e sua relação com o ESG