Antes de sonhar com fábricas totalmente autônomas, a indústria brasileira precisa fazer a lição de casa da digitalização e do saneamento de dados.
A inteligência artificial virou palavra de ordem nos conselhos de administração das indústrias brasileiras. Os números justificam parte do entusiasmo: segundo um levantamento da Future Market Insights – empresa fornecedora de pesquisas de inteligência de mercado – o segmento de IA voltado à fabricação industrial deve saltar de US$ 9,85 bilhões para US$ 128,81 bilhões até 2034. No Brasil, o IBGE apurou que o uso de tecnologias digitais avançadas nas fábricas nacionais mais que dobrou nos últimos anos, com cerca de 89% das indústrias já utilizando alguma solução do tipo. O movimento é global, acelerado e, em muitos casos, precipitado.
“Em todas as rodas de conversa e conselhos de administração, há uma expectativa sobre as promessas de otimização, ganhos de produtividade e inovação que essa tecnologia pode trazer. No entanto, quando olhamos para a realidade da indústria brasileira, a jornada para colher os verdadeiros frutos da IA passa, inevitavelmente, por uma etapa menos glamourosa, mas fundamental: a organização dos dados”, aponta Angela Gheller, Diretora de produtos para Manufatura da TOTVS.
A inteligência de qualquer algoritmo depende diretamente da qualidade, da estrutura e da confiabilidade da base de dados que o alimenta. Quando essa base é precária, o resultado não é eficiência. São predições falhas, decisões equivocadas e, no ambiente industrial, consequências concretas: paradas de linha, ruptura de estoque e desperdício de matéria-prima.
“Não adianta investir na ferramenta mais moderna do mercado se as informações do seu chão de fábrica ainda estão espalhadas em planilhas isoladas, desconectadas do sistema de gestão”, explica Gheller. O que falta, na maioria dos casos, é uma arquitetura tecnológica integrada: um ERP conectado ao chão de fábrica por meio do MES (Manufacturing Execution System), que captura dados das máquinas em tempo real, e do APS (Advanced Planning and Scheduling), que transforma esses dados em planejamento da produção. “É essa digitalização básica que vai capturar e organizar os dados de maquinário, de estoque e de controle de qualidade em tempo real”, explica Angela.
O alicerce ainda está incompleto
Que essa base ainda é exceção, e não regra, é o que mostram os dados da própria TOTVS. Na 2ª edição do Índice de Produtividade Tecnológica (IPT) da Manufatura, estudo desenvolvido pela companhia em parceria com a H2R Insights & Trends, a indústria brasileira demonstrou avanços na adoção de sistemas de gestão — o índice médio do setor subiu de 0,52 para 0,71 pontos em cinco anos, em uma escala de 0 a 1. Quando a análise desce ao chão de fábrica, porém, o cenário muda: apenas 18% das empresas utilizam soluções de APS para planejamento avançado, cerca de 30% implementaram o MES para coleta automática de dados de fabricação e 80% dos apontamentos de produção ainda são realizados de forma manual.
O problema se agrava quando se observa o ritmo de investimento na tecnologia. De acordo com a pesquisa Panorama 2026, realizada pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizada, 77% das empresas investem hoje cerca de 2% de seus orçamentos para iniciativas de IA. Portanto, acelerar a adoção sem ter resolvido a base não é inovação, é risco.
É justamente essa pressa que Angela identifica como um dos erros mais comuns do setor. “Muitos executivos buscam a IA como uma solução mágica, apenas para dizerem que a empresa é inovadora, sem antes identificarem os reais problemas de negócio que precisam ser resolvidos. O primeiro passo é olhar para a própria operação e identificar onde estão os maiores gargalos. A IA deve ser aplicada cirurgicamente para resolver essas dores reais dos negócios”, defende.
Quando isso acontece, os resultados aparecem. A manutenção preditiva usa dados de sensores para identificar padrões de desgaste e antecipar falhas antes que se tornem paradas. Modelos de previsão de demanda combinam histórico de vendas, sazonalidade e variáveis externas para calibrar a produção com precisão. Todos esses casos têm o mesmo denominador comum: dependem de dados limpos e estruturados para funcionar.
Sobre a TOTVS
Maior empresa de tecnologia do Brasil, a TOTVS cria soluções para potencializar a evolução das pessoas e das empresas. Com mais de 70 mil clientes no Brasil e em diversos países da América Latina, possui um ecossistema completo de tecnologia: TOTVS Gestão, com ERPs, soluções cross e sistemas especializados que garantem mais produtividade, eficiência e governança; RD Station, com ferramentas digitais de marketing, vendas e relacionamento para as empresas impulsionarem seus negócios e crescerem; e Techfin ERP Finance, que oferece soluções de crédito B2B e pagamento para ampliar, simplificar e democratizar o acesso das empresas a serviços financeiros. Nos últimos 5 anos, a TOTVS investiu R$3 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, com destaque para Inteligência Artificial, buscando inovar cada vez mais para ser o trusted advisor de seus clientes. As empresas que movem o país confiam na TOTVS. O Brasil que faz com TOTVS.
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