A Inteligência Artificial conquistou um espaço considerável na indústria, principalmente nos processos produtivos, nos sistemas de monitoramentos e na tomada de decisão. E, segundo uma pesquisa da Cisco (State of Industrial AI Report), 66% das empresas de manufatura brasileiras já utilizam IA nos processos em tempo real, um índice acima da média global. Com isso, vem amadurecendo também um debate sobre as pessoas no chão de fábrica. 

Segundo Cauê Marinho, CEO da Kinebot, “a pergunta já não é mais se a IA fará farte da indústria, mas como utilizá-la para tornar as operações mais efetivas sem perder o fator humano”. Ou seja, como combinar máquinas, sistemas inteligentes e profissionais dentro de uma mesma operação? 

Marinho afirma que, certamente, a integração de diferentes recursos digitais e a preparação das equipes para atuar em ambientes para que as decisões sejam compartilhadas entre as pessoas e os sistemas automatizados é a principal opção. 

Indústria 5.0: tecnologia e pessoas 

A preocupação com o talento humano está diretamente ligada ao conceito de Indústria 5.0, cujo foco é ampliar a perspectiva da Indústria 4.0. A nova pauta inclui aspectos humanos, sustentabilidade, resiliência e eficiência tecnológica. Tudo no mesmo balaio. A ideia deste modelo é conectar trabalhadores e automação industrial

O CEO explica que ainda existe uma percepção de que a evolução da indústria defende necessariamente a substituição das pessoas por máquinas. “Mas esse não é o caminho que estamos observando. A tecnologia avança para apoiar as decisões, eliminar as atividades repetitivas e tornar o trabalho mais seguro e produtivo, mantendo o fator humano no centro das operações”. 

Integração da tecnologia com o ser humano é o segredo? 

A participação da IA na indústria acontece de maneira coletiva. Isto significa que sensores, sistemas de visão computacional, robôs colaborativos, softwares e plataformas conectadas podem gerar informações relevantes sobre todas as etapas do chão de fábrica. O especialista diz que o problema maior está em fazer com que tais recursos conversem entre si e sejam incorporados à rotina dos colaboradores

Mesmo porquê, para ele, uma solução tecnológica pode apresentar resultados limitados quando não há integração com os demais sistemas e os profissionais envolvidos na respectiva operação. “É fundamental que saibam utilizar e interpretar os dados gerados pela IA”

Sendo assim, podemos dizer que a transformação digital na indústria é benéfica, mas compreende também o processo de capacitação e revisão de fluxos de trabalho. Quem adotar a IA deve considerar o profissional que a utilizará, bem como as decisões que serão apoiadas pelo sistema e de que maneira as informações chegarão aos gestores da produção. 

Mais um ponto importante aqui. Em vez de uma empresa enxergar a automação apenas como resposta à dificuldade de encontrar mão de obra qualificada, é importante utilizá-la para redistribuir e ampliar a capacidade dos profissionais disponíveis. 

De acordo com Marinho, quando falamos em inteligência artificial na indústria, não nos referimos apenas à automação. Estamos falando de criar ambientes de trabalho mais inteligentes, seguros e colaborativos. “O futuro da indústria não será definido pela quantidade de robôs dentro das fábricas, mas pela forma como a tecnologia e a pessoas conseguem trabalhar juntas, completa”

IA é um instrumento de apoio 

Tudo isso revela que a combinação entre o conhecimento especializado e as ferramentas digitais podem gerar resultados que vão além da automação de uma atividade. Mais uma vez conforme o CEO, a tecnologia passa a funcionar como um instrumento de apoio ao trabalho, de modo que profissionais dediquem mais tempo à interpretação dos resultados e à implementação de melhorias. 

“A produtividade continuará sendo importante, mas ela precisará caminhar ao lado da segurança, da sustentabilidade e da valorização do trabalho humano.” 

E, mesmo com a expansão da automação, determinadas competências permanecem diretamente relacionadas à experiência e ao conhecimento das equipes. Entre elas, a interpretação de situações fora do script, a avaliação das consequências, a sugestão de melhorias, a segurança do pessoal, a criatividade e a tomada de decisões em cenários complexos. 

Fato é que a evolução da IA na indústria deve ser vista como uma oportunidade para que pessoas e máquinas desempenhem funções cada vez mais complementares.

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