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Boas práticas: como um engenheiro de produção colocou sua experiência à serviço da luta contra a COVID-19

A atuação dos engenheiros é parte essencial do que fortalece a indústria – e é capaz de fazer a diferença na luta contra o coronavírus.

30 anos de boas práticas e experiência de campo. Foi essa bagagem que Marco Aurélio Fernandes, engenheiro de produção de Campinas, trouxe para a luta contra a COVID-19. Observando a dificuldade dos hospitais com a falta de equipamentos, principalmente de proteção respiratória, Marco Aurélio identificou uma forma de colocar seus conhecimentos à serviço dessa necessidade: a adaptação de máscaras industriais para uso na área hospitalar.

Responsável por uma empresa especializada na manutenção de Equipamentos de Proteção Respiratória (EPRs), Marco Aurélio estava na Europa no início de março quando descobriu, em uma reportagem, que um engenheiro italiano ajudou os médicos do país ao adaptar uma máscara de mergulho para aplicação hospitalar. A partir disso, decidiu adaptar ele mesmo três tipos de máscaras, originalmente utilizadas por bombeiros e brigadistas no controle de emergências, quando ocorrem vazamentos com produtos químicos perigosos, por exemplo. “Como tenho três pessoas na família com sérios problemas respiratórios, minha preocupação é particularmente maior com essa falta de possibilidades de atendimento pelos hospitais.”, comenta. “Por trabalhar com EPRs, decidi buscar no mercado máscaras reconhecidamente seguras que permitissem essa adaptação, entre as que utilizamos em indústrias químicas, farmacêuticas e petroquímicas e por bombeiros, para que elas pudessem ser aplicadas no tratamento de oxigenoterapia não invasiva, com pressão positiva em pacientes de Covid-19. E os resultados foram positivos”, explica.

DivulgaçãoEngenheiro adapta máscaras industriais para uso contra a COVID-19

Fernandes destaca que, como existem vários modelos e marcas de máscaras já aprovados e certificados por vários organismos governamentais nacionais e internacionais, inicialmente foram identificadas quais eram as mais confortáveis, considerando que o paciente não passaria horas, mas dias com uma delas no rosto. “Outro critério foi escolher um modelo que tivesse uma boa vedação, pois os rostos têm anatomias muito distintas. O terceiro diferencial foi a maior resistência aos procedimentos de higienização e desinfecção”, comenta Marco Aurélio. Assim, chegou a três modelos de rosto inteiro e um semifacial. 

Uma das máscaras já foi aprovada em um equipamento sofisticado para testes respiratório e de vedação/estanqueidade (vazamento). O equipamento, chamado de “bancada PosiChek3”, conta com um pulmão mecânico que respira (inalando e exalando) na máscara, simulando o uso por um usuário. “É um dos equipamentos que tenho em minha oficina para testar os EPRs de bombeiros, que precisam estar 100% seguros e prontos para o uso. Este teste está em conformidade com a exigente norma americana da National Fire Protection Association (NFPA)”, garante. Essa versão já foi encaminhada para aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

DivulgaçãoEngenheiro adapta máscaras industriais para uso contra a COVID-19

Marco Aurélio explica que em todas as montagens foram integrados à máscara equipamentos de uso médico-hospitalar adquiridos no mercado, como traqueias, conectores para fornecimento de oxigênio, filtros HMEF - que filtram até 99,99% de vírus e bactérias - e a Válvula de Ajuste de Pressão (PEEP), responsável em manter a pressão positiva dentro da peça facial. “Efetuamos o teste de vedação, o que garante que a peça facial está estanque e que o vírus não irá escapar por ela. Preocupei-me em equipar a máscara com os mesmos filtros utilizados nas UTIs dos hospitais, para filtrar e reter 99,99% de vírus e bactérias do ar exalado pelo paciente, não contaminando o pessoal do corpo médico. O teste respiratório mostrou que o fluxo de ar nas peças que adaptamos, tanto na inalação quanto na exalação, está com a mínima restrição possível, proporcionando ao paciente grande volume de ar”, explica o engenheiro.

Pacientes e médicos

A máscara adaptada pode ter até cinco montagens diferentes, das quais quatro são para utilização nos pacientes e, uma delas, para ser usada pelo corpo clínico, que vem sendo muito atingido por falta de proteção adequada. De acordo com o engenheiro, a máscara facial inteira (full face), por exemplo, possibilita efetuar o tratamento no paciente com pressão positiva aumentada. Com a pressão ampliada, aumenta também o alcance do oxigênio nos alvéolos inflamados do paciente, visando a melhorar a superfície pulmonar para a troca gasosa, o que auxilia muito na sua recuperação. Além disso, conforme esclarece Marco Aurélio, “a máscara possui, além do filtro na entrada do ar para o seu interior, outro filtro na exalação do ar pelo paciente, o que evita a contaminação do ambiente hospitalar e, também, de médicos e enfermeiros”. 

DivulgaçãoEngenheiro adapta máscaras industriais para uso contra a COVID-19

“Conforme os vários médicos com os quais conversei, se assim que o paciente chegar ao hospital com o início da dificuldade respiratória, ele for colocado em uma máscara que trabalhe com pressão positiva controlada por válvula PEEP - com ar enriquecido por oxigênio e sistema de filtragem tanto na entrada quanto na saída do ar -, existe grande chance de o paciente não ter necessidade de ser entubado”, diz Marco Aurélio.

A patente já foi requerida junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) assim como o registro da máscara na Anvisa. “Aguardamos somente a aprovação da Anvisa para que os hospitais possam começar a utilizar as máscaras”, informa.

“Conversei com o fabricante e com o maior distribuidor no Brasil sobre a disponibilidade dessas máscaras para o mercado e o distribuidor. Há disponibilidade imediata de pelo menos 400 máscaras. O problema é o custo, que, com as peças necessárias para a adaptação, chega a cerca de R$ 1.400,00 cada. Mas estamos todos empenhados na redução dos preços e em buscar doações”, sugere.


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