A indústria global tem buscado metas rigorosas com relação às mudanças climáticas e a transparência ambiental. Responsável por uma parcela significativa das emissões de gases de efeito estufa (GEE), o setor de manufatura está optando por técnicas e operações tangíveis para liderar a transição rumo a uma economia de baixo carbono. 

Neste cenário, a Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial (ENDI), do Governo Federal, se mostra como uma opção eficaz, de modo a unir competitividade, inovação e sustentabilidade. 

E é exatamente disso que o parque fabril necessita para produzir mais e emitir menos. A propósito, a ENDI está alinhada aos projetos brasileiros no âmbito do Acordo de Paris. Isto significa que, além de atender às exigências internacionais, o segmento industrial deseja movimentar ações para se posicionar nos mercados que já operam sob os critérios ambientais mais estritos. Entre eles, os da União Europeia, que possui diversos mecanismos de ajuste de carbono. 

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a ENDI vida descarbonizar a indústria existente, modernizando processos e substituindo insumos intensivos em carbono. 

“Além disso, criar cadeias industriais verdes, baseadas em bioinsumos, carbono biogênico e minerais estratégicos.” 

Instrumentos necessários para a ENDI 

Basicamente, a ENDI propõe diretrizes para a redução das emissões em setores cujo desafio seja maior, como o de cimento, aço, química e mineração. No entanto, toda a indústria é compreendida. 

Alguns instrumentos são incansavelmente discutidos, entre os quais a eletrificação dos processos industriais, o uso de hidrogênio de baixo carbono e a captura e o armazenamento de carbono (CCUS). 

Nessa lista também consta a ampliação da eficiência energética e a necessidade de integração com políticas já existentes. Como exemplo disso, o Plano Nacional sobre Mudanças do Clima e a Nova Indústria Brasil (NIB). 

Ainda conforme o MDIC, a ENDI pretende aumentar a demanda por insumos e produtos sustentáveis, estimular tecnologias e cadeias sustentáveis, fortalecer a competitividade e a inovação industrial.  

“Outro objetivo é promover condições habilitadoras para a descarbonização, contribuindo para a neutralidade climática do Brasil até 2050 e para o desenvolvimento regional”, divulgou o ministério. 

Estrutura da ENDI 

O que também faz parte da estrutura da ENDI é o estímulo à inovação tecnológica. Ou seja, instituições financeiras como o BNDES e a Finep assumem um papel importante de viabilizar linhas de financiamento. Estas, voltadas à modernização industrial com foco em sustentabilidade. 

Outro eixo que sustenta o programa é o apoio à pesquisa aplicada e à digitalização de processos produtivos. São caminhos efetivos para ampliar a rastreabilidade das emissões e ainda fomentar a Indústria 4.0 verde, dedicada à preservação do meio ambiente. 

Outro ponto importante nesse aspecto estrutural é o diálogo entre a ENDI e as entidades regulatórias e de governança. Há uma previsibilidade normativa apontada como elemento-chave para atrair investimentos em soluções de longo prazo. 

Diante disso, vemos quatro pilares essenciais:  

  1. Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação (PD&I) e capacitação profissional; 
  1. insumos descarbonizantes; 
  1. estímulo à demanda por produtos de baixo carbono; 
  1. financiamento e incentivos

Nitidamente, a ideia é consolidar a cooperação entre o governo federal e o setor produtivo, de modo que a indústria possa contribuir para a redução da intensidade de carbono na produção.  

Posicionamento brasileiro no desenvolvimento sustentável 

A Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial ainda está em fase de consolidação. No entanto, ela tem sinalizado a maneira como o Brasil pretende conduzir o próprio desenvolvimento produtivo daqui para frente. 

Competitividade e sustentabilidade andam de mãos dadas no respectivo projeto, de modo a posicionar a indústria brasileira de maneira positiva ante aos desafios climáticos e com ações inovadoras para a geração de valor e inserção do país no comércio internacional com resultados positivos.