Mais de 250 participantes estiveram reunidos em São Paulo, no dia 27 de outubro, para discutir os caminhos da indústria brasileira diante das transformações tecnológicas e dos desafios de competitividade global. Realizado pela VDI-Brasil (Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha), o DEBA 2026, Dia da Engenharia Brasil-Alemanha, chegou à sua segunda maior edição, reunindo representantes de empresas, profissionais da engenharia e especialistas do setor.

Com o tema “Aprendizados da Hannover Messe 2026 para o Brasil”, o encontro trouxe para o debate nacional tendências e experiências apresentadas na maior feira industrial do mundo, realizada na Alemanha. A proposta foi discutir como essas tecnologias e iniciativas podem contribuir para o desenvolvimento da indústria brasileira.

A edição teve um significado especial para a associação, que completa 70 anos de atuação no Brasil em 2026. A abertura oficial contou com André Wulfhorst, presidente da VDI-Brasil; Bárbara Konner, vice-presidente executiva da AHK-SP e vice-presidente da VDI; e Irmgard Fellner, cônsul-geral da Alemanha em São Paulo.

A presença das lideranças reforçou a importância da cooperação entre Brasil e Alemanha para aproximar empresas, instituições e profissionais envolvidos com o desenvolvimento da engenharia e da indústria.

Inteligência artificial no centro das discussões

Um dos principais momentos da programação foi o painel “Inteligência Artificial Industrial: hype ou transformação real?”, que reuniu executivos da Bayer, Embraer, Pepperl+Fuchs, Bosch Digital Factory e Aquarius.

A conversa abordou o avanço da inteligência artificial nas operações industriais e um desafio que acompanha essa expansão: transformar a adoção da tecnologia em resultados efetivos para as empresas.

Entre os pontos apresentados estiveram a qualidade dos dados, a integração entre sistemas e a preparação das equipes. A discussão mostrou que a implementação da IA exige mudanças nos processos de trabalho e não depende apenas da escolha de ferramentas tecnológicas.

O tema também esteve presente na palestra de Adilson Peres, Head de Estratégia Digital Industry da Siemens, intitulada “Fábricas autônomas: a próxima fronteira da produtividade?”.

O executivo apresentou como a combinação entre inteligência artificial, gêmeos digitais e automação definida por software pode ampliar a capacidade dos sistemas industriais. A evolução aponta para operações mais flexíveis, conectadas e capazes de executar tarefas cada vez mais complexas, com maior autonomia.

Empresas apresentam soluções e resultados

Além das discussões sobre tendências, o evento abriu espaço para experiências empresariais que mostram como a tecnologia já está sendo aplicada na prática.

Paulo Mortari, diretor de Engenharia, Excelência e Inovação da ZEN S.A., apresentou um projeto de utilização de agentes de inteligência artificial para apoiar as áreas de engenharia e vendas. Em um dos exemplos, o tempo para uma primeira resposta qualificada sobre a viabilidade de fabricação de uma peça foi reduzido de 17 dias para menos de 10 minutos. A solução consulta informações técnicas e prepara uma análise que passa pela validação de um engenheiro.

Na sequência, Cesar Almeida, vice-presidente executivo para a América do Sul da Phoenix Contact, compartilhou o case desenvolvido em parceria com a Aegea. A apresentação mostrou como tecnologias de automação, conectividade e telemetria em tempo real podem contribuir para a modernização das operações de saneamento e para a eficiência da infraestrutura.

Outro destaque foi o Tech4Amazonia, apresentado por Tiago Santiago, executivo de Negócios Acadêmicos, Startups e Open Innovation da Siemens Software Brasil. A iniciativa conecta tecnologia e inovação aos desafios da sociobioeconomia amazônica, com projetos voltados à eficiência produtiva e ao desenvolvimento sustentável.

Entre os resultados apresentados está a redução da mortalidade de mudas de 40% para 2%, alcançada com tecnologias de automação e monitoramento. Outro projeto utiliza inteligência artificial para aprimorar a classificação de castanhas-do-Brasil. Na aplicação voltada às nanofábricas, uma plataforma de controle remoto contribuiu para aumentar em 10% a eficiência operacional e alcançar 100% de rastreabilidade.

As apresentações trouxeram diferentes perspectivas sobre o papel da tecnologia na indústria, desde a otimização de processos comerciais e produtivos até iniciativas com impacto em cadeias de fornecimento e comunidades locais.

Hannover Messe inspira reflexões para o Brasil

A programação começou com a palestra de Luiz Torre, CEO da IFM, que apresentou cinco lições da Hannover Messe 2026 para a indústria brasileira.

Os temas abordados foram transição energética, agilidade nos projetos de engenharia, equilíbrio regulatório, digitalização e diversificação das cadeias industriais. A apresentação chamou atenção para a necessidade de coordenar essas frentes, considerando as particularidades e os desafios do ambiente industrial brasileiro.

O executivo também destacou a importância de transformar dados em decisões e de buscar aplicações digitais que apresentem benefícios operacionais concretos.

Luiz Torre, CEO da IFM, apresenta cinco lições da Hannover Messe 2026 para a indústria brasileira durante o DEBA 2026

O evento reservou ainda um momento para reconhecer a contribuição de profissionais da engenharia. Leone Andrade, reitor do Centro Universitário SENAI CIMATEC e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), recebeu o Prêmio Engenheiro(a) do Ano.

VDI-Brasil celebra sete décadas de atuação

Ao longo de sua trajetória, a associação tem trabalhado para fortalecer as relações entre os ecossistemas de engenharia e indústria do Brasil e da Alemanha, promovendo encontros, debates e iniciativas de intercâmbio técnico-científico.

Com mais de 250 participantes, a edição deste ano reafirmou a relevância do DEBA como o maior encontro de engenharia Brasil-Alemanha promovido pela associação e um espaço de aproximação entre empresas, especialistas e lideranças do setor.

Ao trazer os aprendizados da Hannover Messe para o contexto brasileiro, o evento contribuiu para ampliar a discussão sobre os rumos da indústria e as oportunidades que surgem com a evolução tecnológica. A troca de experiências entre os dois países segue como um dos caminhos para estimular a inovação e fortalecer a competitividade industrial.