A robótica colaborativa avançou rapidamente nas fábricas brasileiras. Os cobots estão mais acessíveis, fáceis de programar e prometem integração segura com operadores. Mas existe um erro comum: acreditar que retirar o robô da caixa já garante segurança.
Na prática, a responsabilidade legal e operacional recai sobre o gestor industrial. É ele quem responde por acidentes, paradas de linha e não conformidades.
Por isso, entender as normas de segurança para robótica colaborativa na indústria deixou de ser um tema técnico isolado e passou a ser uma decisão estratégica.

Principais normas de segurança para cobots industriais
Quando o assunto é segurança, não existe uma única norma que resolva tudo. O gestor industrial precisa considerar um conjunto integrado de requisitos internacionais e nacionais que avaliam não apenas o robô, mas também a aplicação, o ambiente produtivo e a interação com pessoas.
Essas normas atuam de forma complementar e orientam desde o projeto do equipamento até sua operação no chão de fábrica, garantindo conformidade legal, redução de riscos e maior previsibilidade operacional.
Principais normas que regem a robótica colaborativa
A segurança na robótica colaborativa é sustentada por um conjunto de normas que orientam desde o projeto do robô até sua integração na linha de produção. Confira a seguir:
| Norma | Aplicação e Objetivo |
|---|---|
| ISO 10218-1 | Trata dos requisitos de segurança do robô industrial em si, incluindo projeto, fabricação e funções de segurança. |
| ISO 10218-2 | Foca na integração do robô ao sistema, abordando células robotizadas, layouts, proteções e interfaces com outros equipamentos. |
| ISO/TS 15066 | Define limites físicos de força, pressão e contato para aplicações colaborativas entre humanos e robôs. |
| NR-12 e Anexo IX | Estabelece os requisitos legais obrigatórios no Brasil para segurança em máquinas e sistemas robotizados. |
Essas normas não competem entre si. Elas se complementam e formam a base para qualquer projeto seguro com cobots.
ISO 10218-1 e ISO 10218-2
A ISO 10218-1 especifica os requisitos de segurança do próprio robô industrial. Aqui entram funções como paradas seguras, limites de velocidade e arquitetura de controle. É o “mínimo” que o fabricante precisa entregar.
Já a ISO 10218-2 trata da integração do sistema. Ou seja, considera o robô instalado na célula, interagindo com pessoas, dispositivos e processos.
Essa parte responde, de forma indireta, à pergunta sobre o que a ISO 10218 realmente especifica: segurança não é só o robô, é o conjunto.
ISO/TS 15066 explicada
A ISO/TS 15066 é o divisor de águas da robótica colaborativa. Ela define limites máximos de força, pressão e dor aceitáveis no contato entre robô e operador.
É essa norma que diferencia, na prática, um robô industrial tradicional de um cobot. Sem respeitar esses limites, não existe colaboração segura, mesmo que o robô seja “colaborativo” no marketing.
NR-12 e Anexo IX
No Brasil, a adequação à NR-12 para robôs colaborativos é obrigatória. O Anexo IX faz a ponte entre a legislação nacional e as normas ISO.
Durante uma fiscalização, o auditor verifica se houve apreciação de risco, se as funções de segurança estão validadas e se a solução atende ao contexto real da aplicação. Não basta citar normas, é preciso evidenciar a conformidade.
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Entendendo a diferença entre robôs e aplicações colaborativas
Um conceito essencial costuma ser ignorado: o robô pode ser seguro, mas a aplicação não. Um exemplo simples ajuda a entender.
Entregar uma faca a um ser humano já envolve risco. Entregar essa mesma faca a um robô sem sensores e controle adequados pode ser letal. A segurança não está apenas no robô, mas no que ele manipula.
Garras, ferramentas, peças quentes ou afiadas e até o layout da célula alteram completamente o nível de risco. Por isso, a diferença de segurança entre robôs industriais e cobots está diretamente ligada à aplicação e ao ambiente.
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A importância da avaliação de risco em cobots
A avaliação de risco em cobots é o coração da segurança colaborativa. Sem ela, não existe conformidade real, apenas uma falsa sensação de proteção.
Essa análise precisa anteceder a operação e ser revisada sempre que houver mudanças no processo, no layout ou na programação.
Como identificar perigos no ciclo de vida
A segurança não é estática. Avaliar riscos significa olhar para todo o ciclo de vida do robô. Isso inclui produção, setup, limpeza, manutenção e reprogramação.
Muitos acidentes acontecem quando o robô está parado ou fora do modo automático. Por isso, o ciclo de vida completo precisa ser considerado na análise.
Critérios de validação e testes de impacto
Após identificar os riscos, é necessário validar as funções de segurança. Isso inclui testes reais de impacto e medições de força e pressão com equipamentos apropriados.
A ISO/TS 15066 exige dados objetivos. Suposições não são aceitas em auditorias nem em investigações de acidentes.
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As 4 metodologias de colaboração segura segundo a ISO
As normas internacionais definem quatro formas reconhecidas de colaboração segura entre humanos e robôs:
| Metodologia | Descrição |
|---|---|
| Parada monitorada de segurança | O robô interrompe totalmente sua operação quando o operador entra na área de trabalho monitorada. |
| Guia manual (Hand guiding) | O operador conduz o robô manualmente de forma segura, utilizando dispositivos de comando específicos. |
| Monitoramento de velocidade e separação | Sensores controlam a distância entre operador e robô, ajustando automaticamente a velocidade conforme a aproximação. |
| Limitação de potência e força (PFL) | O robô limita força, torque e energia em caso de contato, reduzindo riscos em aplicações colaborativas. |
Essas metodologias respondem, de forma integrada, às principais funções de segurança de um robô colaborativo.
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O fator humano na segurança para robótica colaborativa
A segurança não é apenas física. A confiança do operador influencia diretamente o desempenho da célula.
Sinalizações visuais claras, como LEDs de status, ajudam o operador a entender o comportamento do robô. Isso reduz estresse, erros e fadiga, melhorando a interação homem-máquina.
Quando o operador confia no sistema, a produtividade aumenta e a resistência à automação diminui.
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Riscos financeiros da não adequação às normas de segurança para cobots
Ignorar as normas de segurança para robótica colaborativa na indústria gera impactos financeiros diretos. Multas e interdições são apenas parte do problema.
Paradas não planejadas custam caro. Um sistema de segurança bem projetado, com sensores de segurança para robótica, permite que o robô opere mais rápido quando não há pessoas próximas, aumentando o OEE.
Nesse cenário, a segurança deixa de ser custo e passa a ser investimento.

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Segurança dos cobots como vantagem competitiva na indústria
Quando a segurança é tratada apenas como obrigação legal, ela tende a ser vista como custo. Mas, na prática, empresas que enxergam a segurança dos cobots de forma estratégica colhem ganhos claros de produtividade e eficiência.
Um sistema bem projetado reduz paradas inesperadas, evita retrabalhos e mantém a operação rodando com mais estabilidade.
Além disso, soluções de segurança inteligentes permitem ajustar o comportamento do robô conforme o contexto.
Quando não há pessoas por perto, o cobot pode operar em maior velocidade. Quando há interação humana, ele reduz o ritmo de forma controlada. Esse equilíbrio aumenta o aproveitamento dos equipamentos e melhora o desempenho da linha.
Ao mesmo tempo, ambientes seguros geram mais confiança nos operadores e facilitam a adoção de novas tecnologias. Com menos riscos e mais previsibilidade, a automação deixa de ser um desafio e passa a ser uma vantagem competitiva real para a indústria.
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