A cibersegurança tem sido pautada na indústria pela grande exposição aos ataques cibernéticos em virtude da transformação digital dos processos. E a América Latina precisa redobrar a sua atenção, uma vez que aparece como a segunda região mais vulnerável do mundo, segundo um levantamento feito pela Kaspersky. Conforme a pesquisa, as ameaças rondam o Sistema de Controle Industrial (ICS).

Cerca de 20,4% dos computadores industriais latino-americanos já registraram bloqueio de objetos maliciosos. De acordo com David da Silva Alves, especialista em cibersegurança para ambiente industrial na Kaspersky, o e-mail ainda é o elo mais explorado pelos criminosos, a fim de comprometer a tecnologia operacional (OT). Ele diz também que o uso de documentos maliciosos e spyware não tendem a causar danos imediatos, mas acessar os sistemas silenciosamente.

Caminho aberto para a Tecnologia Operacional

Tudo indica que os ataques cibernéticos têm como principal objetivo gerar credenciais de acesso que possam abrir os caminhos para os ambientes de OT, os quais são responsáveis pelo controle dos processos na indústria.

Já os métodos mais utilizados variam entre as campanhas de phishing, os documentos infectados e os scripts maliciosos. Todos eles exploram o fator humano como porta de entrada.

“Depois de conseguirem credenciais válidas, os agentes maliciosos podem se movimentar lateralmente pelas redes corporativas até alcançar os sistemas de controle de processos críticos, o que aumenta drasticamente o risco de incidentes operacionais ou da implantação de ransomware”, completa David.

Ranking latino-americano

Só na América Latina, 5,3% dos computadores industriais foram impactados pelas ameaças distribuídas por e-mail. Tal índice, a propósito, representa o dobro da média mundial. Neste cenário, México (9,51%) e Uruguai (8,56%) ocupam as primeiras posições no ranking de equipamentos mais afetados, ao passo que Brasil, Argentina, Colômbia e Chile permanecem dentro do padrão observado para a região.

Outro ponto importante aqui é sobre as campanhas de phishing que, conforme o levantamento em questão, avançaram consideravelmente junto com os scripts maliciosos e as páginas fraudulentas (9,65%). Neste caso, o campeão de registros é o Panamá (18,24%). “Resultado impulsionado por um aumento significativo de campanhas voltadas ao comprometimento de sites governamentais baseados em WordPress”, explica David.

Cibersegurança: quais são os setores mais expostos?

O trabalho da Kaspersky teve também o objetivo de identificar as diferenças entre os segmentos econômicos mais atingidos pelas tentativas de invasão. Para se ter uma ideia, os maiores índices de atividades maliciosas bloqueadas em OT foram registrados em biometrias (27,1%), automação predial (22,4%), construção (21,9%), energia elétrica (19%), engenharia e integração de ICS (18,7%) e manufatura (15,7%).

A manufatura aparece em último lugar e essa poderia ser uma boa notícia. Mas não é. Isso porque a interrupção das linhas de produção, a indisponibilidade dos equipamentos e a paralisação dos processos críticos podem gerar prejuízos financeiros significativos. Podem também comprometer a visibilidade da empresa e a continuidade dos negócios industriais.

É possível reduzir os riscos e melhorar a cibersegurança?

A partir dos dados revelados, os especialistas da Kaspersky indicam uma proteção reforçada dos ambientes industriais. E isso depende da combinação de tecnologia, processos e da conscientização do pessoal.

Entre as medidas recomendadas, destaque para o fortalecimento da segurança dos e-mails, a segmentação entre as redes de TI e OT, um controle mais rigoroso dos dispositivos removíveis e a manutenção de inventários atualizados dos ativos industriais.

É fundamental ainda investir na capacitação contínua das equipes, de modo que todos os colaboradores estejam aptos a reconhecer possíveis tentativas contra a cibersegurança.

As soluções específicas para os ambientes industriais capazes de monitorar os ativos mais críticos também são indispensáveis. Conforme indicado pela Kaspersky, elas são ideais para detectar comportamentos suspeitos e proteger sistemas legados que ainda fazem parte da infraestrutura de diversas indústrias.