A indústria tem mudado gradativamente a sua maneira de produzir. E a digitalização é a principal influência para esse progresso, inclusive, com relação ao monitoramento dos equipamentos e a tomada de decisão. 

Boa parte das plantas fabris, hoje, compreende sensores, IoT, automação e IA. Tal cenário, porém, exige uma modernização que vai além das máquinas, ela passa pela manutenção 4.0, cujo objetivo é acompanhar a evolução tecnológica. E a finalidade está na conversão dos dados em produtividade. 

Mas e os profissionais da indústria? Estão preparados? 

Segundo Igor Silveira, CEO e cofundador da Melvin, a IA consegue apontar possíveis falhas antes delas acontecerem, mas seus programas não decidem sozinhos o que fazer com a respectiva informação. “Eles dependem de profissionais que entendam tanto de manutenção quanto da gestão de dados. E esse tipo de especialista ainda é raro no mercado”. 

A propósito, a Pesquisa de Inovação (PINTEC) divulgada pelo IBGE, aponta que 84,9% das indústrias brasileiras já utilizam, pelo menos, uma tecnologia avançada. Na lista, automação, IoT ou IA. Esse avanço tende a ampliar a capacidade de monitoramento das operações, bem como criar uma nova demanda de profissionais capazes de transformar grandes volumes de informações em decisões de manutenção. 

Era da manutenção preditiva 

A combinação entre IA e manutenção industrial permite um acompanhamento contínuo das condições dos equipamentos. Fato é que sensores podem coletar informações como vibração e temperatura, enquanto sistemas inteligentes identificam padrões que podem indicar uma possível falha no futuro.  

De acordo com Eymar Barroso, CSO e também cofundador da Melvin, trata-se de um processo que fortalece as estratégias de manutenção preditiva, de modo a reduzir a dependência de intervenções baseadas apenas em calendários ou na percepção dos técnicos. Porém, a tecnologia não exclui a necessidade da mão de obra e o conhecimento humano. 

Ou seja, quanto mais dados a indústria possui, maior é a sua necessidade de ter alguém qualificado para interpretá-los. “Não adianta a empresa investir em sensor e software se o time não sabe interpretar o que aquilo está mostrando”, alerta o especialista aos leitores do portal A Voz da Indústria. 

Como implantar a manutenção 4.0? 

As operações da indústria devem associar seus objetivos a adoção de ferramentas digitais, conforme os especialistas da Melvin explicam. Isto significa que, além da instalação de sensores e a contratação de softwares, é fundamental estruturar os processos para que sejam capazes de usufruir das informações coletadas. 

Eles acreditam que a automação industrial tende a contribuir para o monitoramento dos ativos, ao passo em que os sistemas de IA apoiam a identificação das anomalias e das tendências. E, para que o fluxo em questão funcione, é preciso que haja plena conexão entre a tecnologia, a gestão de ativos, os indicadores de desempenho e o planejamento da manutenção. 

“O setor industrial está passando por uma mudança importante, e a manutenção precisa acompanhar essa evolução. Não basta ter a ferramenta mais avançada, é preciso ter gente preparada para usar essa ferramenta a favor da operação”, reforça Igor. 

Para ele, toda essa implementação passa, inclusive, pela preparação de todos os profissionais das equipes. Ou seja, especialistas em manutenção precisam compreender o funcionamento dos equipamentos e também os conceitos relacionados a dados, confiabilidade e análise de informações.  

Entre os conhecimentos apontados pelos cofundadores da Melvin como relevantes para esse novo cenário estão a gestão de ativos, a confiabilidade, o planejamento e controle da manutenção, os indicadores de desempenho, s manutenção preditiva, RCM e FMEA. 

Tecnologia e qualificação profissional 

A transformação digital da indústria modifica também o perfil dos profissionais da manutenção. O conhecimento técnico continua sendo indispensável, mas agora deve ser combinado com a capacidade analítica e o domínio das novas ferramentas digitais. 

É justamente nessa interseção entre tecnologia e aprendizado que se encontra um dos principais desafios da manutenção 4.0. 

Sensores podem indicar uma alteração de comportamento de um equipamento, bem como algoritmos podem reconhecer padrões e sistemas podem gerar alertas. Mas a decisão sobre como agir depende de profissionais preparados para avaliar o contexto e definir a estratégia adequada. 

Ainda nesse tópico, saiba como integrar pessoas e inteligência artificial na indústria.