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Lubrificação industrial: entenda e importância para fábricas

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Em indústrias, as operações se dão por intermédio do uso de muitas máquinas e equipamentos que, para atender à demanda, costumam ficar em constante funcionamento, com poucas paradas. Porém, toda máquina necessita, por obrigação, de um sistema de lubrificação industrial.

Esta ação representa menos de 5% de insumos dentro das indústrias. No entanto, a falta de atenção ou má escolha do lubrificante pode causar sérios prejuízos, que vão desde o desgaste prematuro dos componentes até a quebra da máquina.

Por essas razões, priorizar a boa lubrificação industrial é essencial para manter o bom funcionamento das máquinas industriais, e exige muito planejamento e conhecimento técnico.

Por que a lubrificação industrial é tão importante?

No setor, toda máquina industrial necessita, por obrigação, da adoção de um sistema de lubrificação industrial. “Onde há movimento há a necessidade de utilização de lubrificantes específicos para diminuir o atrito e aumentar a vida útil do maquinário”, indica Luiz Maldonado, fundador e CEO da Lubvap e especialista em lubrificação industrial.

Mas o papel da lubrificação industrial vai além de apenas amenizar o atrito entre peças móveis, ele também age na regulagem da temperatura, rotação, suporte de cargas, elevadas, pressão. É também responsável pelo impedimento de corrosão e oxidação dos componentes internos do maquinário.

Segundo Maldonado, a falta de atenção ou má escolha de lubrificantes pode impactar o funcionamento das máquinas de forma negativa, causando prejuízos, como o desgaste prematuro em itens de movimentação, caso das engrenagens.

Sem o papel fundamental dessa engrenagem, a produção é impactada, bem como toda a cadeia que se beneficia da indústria”, salienta.

Além disso, os lubrificantes de alta performance contribuem com o aumento de produção na Indústria e, consequentemente, do PIB brasileiro.

Consequências da falta (e do excesso) do uso de lubrificantes industriais

Em processos industriais, tanto a falta quanto o excesso do uso de lubrificantes industriais podem ocasionar sérios problemas relacionados ao funcionamento de máquinas. Neste cenário, Luiz Maldonado indica que ambas as situações podem resultar em danos nos ativos da indústria. “As duas situações podem, eventualmente, resultar em danos nos ativos”, diz.

A ausência de lubrificação ou a quantidade inadequada de lubrificantes não ajuda o equipamento cumprir seu propósito e pode danificá-lo, causando falhas na operação.

Exatamente por isso é essencial que o responsável pela manutenção recorra ao manual da empresa de lubrificantes - com o objetivo de verificar a lubrificação correta - e a um especialista para entender qual a real necessidade da sua operação.

A falta de lubrificação também pode representar outros problemas, como ressalta Maldonado. “Ela pode gerar o desgaste acelerado das peças, quebra de equipamentos, elevação do custo de manutenção e prejuízo devido a disponibilidade dos ativos para produção”.

Já o excesso de lubrificação industrial também pode acarretar alguns problemas, caso da falha do rolamento e superaquecimento. Pode, também, sobrecarregar vedações importantes, além de vazamentos nos equipamentos.

Como escolher o melhor lubrificante para cada necessidade

Como vimos, tanto a falta quanto o excesso de lubrificantes são danosos para o processo industrial, podendo comprometer o funcionamento dos ativos. Por isso, há a exigência de adotar uma correta lubrificação industrial.

Mas você deve se perguntar: diante de toda a necessidade, qual é o melhor lubrificante industrial? Para responder, Luiz Maldonado faz uma ressalva importante.

É preciso entender que não existe um lubrificante universal, pois cada equipamento necessita de um produto específico para o seu funcionamento. E para realizar um serviço de qualidade, o estudo de caso é de suma importância para um plano de lubrificação adequado”, enfatiza o especialista.

O Plano de Lubrificação é um documento que reúne todas as ações necessárias para manter a saúde dos ativos em relação à lubrificação industrial. Esse documento aponta quais equipamentos devem ser lubrificados, qual a periodicidade de lubrificação, qual lubrificante e quantidade devem ser aplicados, além de outras informações pertinentes.

O especialista explica, também, que a escolha de lubrificantes inadequados para os equipamentos ocorre, geralmente, por falta de conhecimento do time de manutenção ou pela busca de preços baixos, que é uma característica de lubrificantes convencionais. “Essa economia acaba saindo caro futuramente”, diz.

Dessa forma, segundo o CEO da Lubvap, o melhor sistema de controle dos conjuntos lubrificados será sempre a manutenção preventiva. “O apoio técnico de especialistas e fornecedores de lubrificantes especiais, garante o desempenho e o aumento de vida útil de qualquer máquina”, finaliza.

Chão de fábrica 4.0: três tendências para a indústria

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Quando imaginamos uma fábrica ou indústria, logo vem à mente um grande galpão ou prédio, com uma linha de produção e muitos trabalhadores, caldeiras e chaminés enormes! Mas o setor vem se modernizando e caminha para a adoção de tendências para a indústria, com benefícios ao chão de fábrica 4.0.

Desde a revolução industrial, o setor vem experimentando uma contínua evolução na automação de seus processos, com amplo uso de tecnologias e redução do espaço físico. Neste cenário, a introdução do conceito de Chão de fábrica 4.0 é o grande transformador do ambiente industrial.

Diante disso, te convidamos a conhecer as 3 principais tendências do chão de fábrica 4.0 que sua indústria pode presenciar nos próximos anos e os benefícios que elas proporcionam.

Tendências para a indústria no âmbito do chão de fábrica 4.0

O conceito da Indústria 4.0 está elevando as fábricas para uma nova fase, com tendências para a indústria sendo esperadas. Esse conceito é baseado na alta tecnologia e está cada vez mais conectado, permitindo ganho de eficiência, redução de custos e disponibilidade de informações de forma ampla e instantânea.

O interessante é que o chão de fábrica de todo tipo de indústria está em constante avanço, com diversas tendências para a indústria sendo esperadas para o futuro. Dentre as principais, vale citar:

  1. Instalações mais enxutas e maior uso da tecnologia

Grandes galpões e fábricas pouco tecnológicas serão coisas do passado. No futuro próximo, as modernas instalações industriais tendem a ficar mais enxutas, justamente pela modernização de seus processos e uso de tecnologias que são mais eficientes e ocupam menos espaço.

Vale fazer uma analogia com computadores. Na década de 90 e início dos anos 2000, os monitores eram de tubo e os CPUs bem grandes, no entanto, eram menos eficientes. Com o tempo, foram ficando mais compactos, e mesmo assim mais potentes e eficientes. A mesma coisa acontece com o maquinário das fábricas: mesmo menores, tendem a ser muito mais eficientes.

Assim, a tendência é que, com o chão de fábrica 4.0, a automação digital, uso da robótica, transformação digital e a inteligência artificial permitam que o tamanho dos equipamentos e quantidade de pessoal para operação sejam reduzidos - e isso obviamente impacta no espaço físico das novas fábricas.

  1. Projetos mais flexíveis

Além dos espaços reduzidos associados à maior produtividade, as tendências para a indústria 4.0 indicam que as modernas plantas industriais vão dedicar menos espaço à linha de produção, investindo mais em projetos flexíveis, que permitem, com baixo custo e em pouco tempo, fazer expansões ou até mesmo adaptar as plantas industriais para o outro fim.

De acordo com a arquiteta Keila Pinho, que tem em seu portfólio profissional vários projetos comerciais e industriais, a flexibilidade é outra forte tendência nos projetos industriais.

As indústrias tendem a adotar layouts flexíveis, que possibilitem rápidas adaptações quando for preciso expandir a sua produção. Então cabe à indústria trabalhar com materiais com os quais seja possível fazer uma mudança, o mais rápido e com o mais baixo custo possível, de layout, de maquinário, de tecnologia”, esclarece.

  1. Maior humanização do ambiente fabril

Segundo a arquiteta Keila Pinho, outra tendência dos modernos projetos industriais tem relação com a questão da humanização dos ambientes das fábricas.

Na primeira Revolução Industrial, iniciada no final do século 19 e começo do século 20, as pessoas se viam obrigadas a trabalhar em fábricas insalubres, com baixa ventilação ou iluminação e com barulhos ensurdecedores.

No futuro próximo, a tendência é que isso não será mais aceito nem recomendado, seja qual for sua finalidade. Pelo contrário, os espaços e estruturas devem garantir o conforto e a segurança de todos os colaboradores.

Tanto por uma questão legal quanto de incentivo a uma melhor produtividade, o espaço fabril tende a ser muito mais humanizado. Hoje você vê as empresas muito preocupadas em oferecer esse conforto para seus colaboradores”, pontua Keila.

Benefícios do chão de fábrica 4.0 para o setor industrial

Diante das tendências para a indústria acima apresentadas, profissionais do chão de fábrica 4.0 serão altamente beneficiados, tendo à disposição uma ampla gama de tecnologias e métodos que elevam a performance e a eficiência dos processos produtivos.

Esse tipo de unidade de produção propicia que a produtividade industrial se multiplique muitas vezes, com o uso cada vez menor de recursos humanos e maior qualidade dos processos e procedimentos, exigindo, para isso, um time de trabalho cada vez mais profissionalizado.

Assim, dentre os benefícios do chão de fábrica 4.0, vale citar:

  • Aumento da produtividade, permitindo a produção em maior quantidade e velocidade;
  • Melhora a qualidade, principalmente pela menor interferência da atividade humana;
  • Significativa redução de custos, principalmente pela possibilidade de produzir mais com menos matéria-prima;
  • Maior previsibilidade;
  • Permite a escalabilidade, ou seja, a infraestrutura tecnológica ganha margem para ser aprimorada a cada dia.

Para sua fábrica, a dica é fazer uma análise de desempenho e buscar aquelas tecnologias e tendências para a indústria que ajudem a aumentar o nível de automação. Em pouco tempo, o chão de fábrica pode caminhar à passos longos rumo à Indústria 4.0.

Reflexão: a necessidade de um novo REFIS

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Conforme já vivenciamos há mais de um ano, a pandemia do COVID-19 não trouxe apenas uma crise de saúde sem precedentes, mas também trouxe uma crise econômica que vem fechando empresas, reduzindo postos de trabalho, e dificultando muito a eterna retomada da economia de nosso país.

Diante deste cenário de adversidades, as empresas e as pessoas físicas, muitas vezes são obrigadas a escolher o que devem pagar no fim de cada mês, ou seja, se devem pagar fornecedores, folha de pagamento, ou tributos (municipais, estaduais e federais), pois este último, não importa o tamanho da empresa, será certamente devido, mas nestas situações de dificuldades, esta é a última despesa a ser paga, pois a manutenção de suas operações e de empregos são essenciais.

Considerando que a dívida tributária somente cresce, fica claro a necessidade de um novo programa de parcelamento de tributos, popularmente chamado de “REFIS”, que seja abrangente e dê condições viáveis aos devedores de honrar com o pagamento de sua dívida tributária, e não apenas visando o recebimento dos tributos por parte do Estado.

Além disso, a necessidade de um REFIS, de tempos em tempos, é considerado um reflexo de nosso complexo sistema tributário, e muitas vezes pela arbitrariedade das autoridades fiscais em suas fiscalizações e autuações contra os contribuintes, tornando praticamente inviável aos mesmos acompanhar e cumprir com todas as obrigações legais (principais e acessórias), lembrando ainda que em nenhum REFIS passado o valor principal dos impostos foi perdoado ou objeto de descontos, mas tão somente a multa e os juros de mora foram objeto de descontos, além da concessão de prazo para pagamento, sendo que a grande maioria das empresas cumpre os pagamentos do REFIS.

Outro fator que contribui para um novo REFIS é o tamanho do contencioso fiscal, pois este é mais uma consequência de nosso sistema tributário e os descontos oferecidos pelo REFIS, contribuem para a diminuição deste contencioso, pois além de pagar um valor menor de juros e multa, o custo para manter uma discussão administrativa ou judicial com o Fisco diminui, considerando que as despesas como honorários advocatícios, taxas e emolumentos judiciais deixam de ser necessários.

Contudo, uma minoria de empresas que rotineiramente não pagam os seus impostos devidos, acabam por prejudicar os bons contribuintes e também os cofres públicos, levando a crer que é vantajoso não pagar impostos no Brasil, e criando uma situação de objeção para adoção de um novo REFIS, principalmente por parte da equipe econômica do Governo.

Tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado já anunciaram publicamente que é necessário um novo REFIS, mesmo não tendo um grande apoio dentro do Governo, pois nesta situação extraordinária, é fundamental auxiliar as empresas a se reerguerem e também ajudar os cofres públicos com a entrada, mesmo que em parcelas, dos valores dos tributos em atraso.

Neste sentido, já tramitam na Câmara dos Deputados, em regime de urgência, o Projeto de Lei (PL) no. 2.735/20, de autoria do Deputado Federal Ricardo Guidi, e no Senado o PL no. 4.728/2020, de autoria do próprio presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, com o objetivo de estimular o contribuinte a pagar suas dívidas e facilitar a sua regularização fiscal. O líder do Governo no Senado, o senador Fernando Bezerra está intermediando as conversas com a equipe econômica do Governo, para viabilizar o novo REFIS.

Necessário ressaltar que por ainda se tratarem de projetos de lei, os quais pendem de votação e alterações, isso demonstra a preocupação dos legisladores, em auxiliar na recuperação econômica das empresas e dos empregos já perdidos até o momento, além de recuperar uma parte da receita com tributos que não estão sendo pagos até hoje para o Governo.

Resta-nos aguardar como será a negociação entre o legislativo e o executivo federal, para que as empresas possam receber um alento em seu fluxo de caixa, e este novo REFIS deve ser um instrumento que sirva tanto para as empresas quanto para o Governo Federal para viabilizar o pagamento de tributos em atraso, recurso este extremamente necessário para um alívio aos cofres do tesouro nacional.


Roberto Kochiyama é Sócio Diretor TAG Brazil, formado em Administração de Empresas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e possui MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Tostines da Inovação: inovar para lucrar ou lucrar por ser inovador?

inovação na indústria

Tenho idade para me lembrar da propaganda dos biscoitos Tostines que dizia: “vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”. Somente em 2002 houve a fusão das marcas Nestlé e Tostines, e a partir de então a tradicional marca de biscoitos começou a ceder espaço para a marca unificada dos Biscoitos Nestlé. Nos anos seguintes, a empresa suíça retirou do mercado ou renomeou os produtos para sua própria marca.

O “efeito Tostines” tem sido usado como metáfora para explicar muita coisa. No mundo corporativo, o jogo de palavras também vale. Ganha muito dinheiro porque inova ou é inovadora porque ganha muito dinheiro? A verdade é que não é fácil, por muitas vezes, entender a correlação entre causa e efeito.

Quando a gente fala de inovação, logo vem à cabeça ter uma ideia criativa e fantástica. Mas saibam que criatividade não é o maior desafio. O complicado é a gestão desta ideia criativa e o retorno pretendido – o famoso payback.  Fazendo uma provocação: qual foi o payback do seu primeiro smartphone? Você ganhou dinheiro comprando um smartphone? Você aumentou sua renda por ter um smartphone nas mãos? Em muitíssimos casos, a resposta certamente será um sonoro não.

Mas o que teria acontecido com você, caro leitor, se você continuasse a utilizar um telefone fixo somente? A pergunta nos remete a quais são os benefícios indiretos da inovação, senão dinheiro? De acordo com James Andrew e Harold Sirkin no livro “PAYBACK – A Recompensa Financeira da Inovação” é: conhecimento, marca, ecossistema e organização. Dando continuidade à nossa analogia, em termos de conhecimento, se você ainda não tivesse um smartphone, como você se sentiria quando alguém lhe falasse de aplicativos? E se lhe oferecessem um QR Code, o que você faria? Como você estaria pagando as contas? No meio da pandemia, como compraria online?

A mesma coisa acontece na indústria: devemos contabilizar não somente os ganhos em dinheiro, mas o conhecimento e sua existência. O preço a pagar se a indústria não entrar nas novas tecnologias é o ostracismo global. Assim como falamos de globalização, eu lanço aqui o termo ostracização. O ostracismo ateniense era um dispositivo político usado para exilar ou banir da cidade-estado algum cidadão que representasse algum tipo de ameaça à ordem democrática. Havia uma votação e o método de registrar o voto envolvido era colocar o nome em um pedaço de cerâmica quebrado chamado ostrakon; o voto, por sua vez, chamava-se, ostrakizein, dando-nos ostracismo.

Sem conhecimento de inovação, o nome da sua empresa ficará escrito em um pedacinho de cerâmica quebrada e você e sua empresa estarão banidos naturalmente da competição global.  Ostracização é fazer contas pensando somente em lucro colocando em risco a perpetuação do seu negócio esquecendo-se que o aprendizado que não se transforma em fluxo de caixa agora pode se transformar futuramente. Pesquisa, investigação, conhecimento tomam tempo para se transformar em fluxo de caixa. Para ter fluxo de caixa você deve ter fluxo de conhecimento.

Ainda segundo James Andrews, o processo de inovação sempre produz conhecimentos, alguns dos quais podem ser imediatamente postos em ação, em mais de uma maneira, para gerar lucro. Usando as palavras de Claus Weyrich, da Siemens, “o dinheiro talvez não seja a resposta completa”. Inovar é uma questão de aquisição de um conhecimento novo.  O cuidado deve ser entre o binômio ideia e conhecimento para comercializar esta ideia. Por isso, criatividade não é o problema. O perigo e a solução, ambos, estão no modelo de negócios a ser adotado. Por exemplo: a tecnologia necessária para desenvolver o primeiro celular propriamente dito foi criada em 16 de outubro de 1956, e o telefone móvel com essa tecnologia em 3 de abril de 1973. E criar um modelo negócios nos levou aos anos 90.

Parafraseando Fernando Pessoa, “navegar é preciso, inovar não”. Trilhamos sempre o caminho das incertezas.

Como saber o Nível de Maturidade Digital da minha indústria?

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A busca incessante pela Indústria 4.0, não só no Brasil, mas em todo mundo têm sido, sem dúvidas, o tema da década e que certamente ainda se perpetuará por muito mais tempo.

O motivo é simples: a implementação da quarta revolução industrial e todas as suas tecnologias habilitadoras, como Artificial Intelligence, Machine Learning, Big Data, entre outras, faz com que as empresas aumentem drasticamente o nível de produtividade e eficiência, além de redução de gastos e erros. Mas promover a integração vertical e horizontal vai além de tecnologia e inclui toda a estrutura dos recursos técnicos, sistemas da informação, estrutura organizacional, e da cultura empresarial.

O principal objetivo é transformar a empresa em um sistema capaz de se adaptar e aprender, de forma ágil e contínua, em um ambiente caracterizado pela constante mudança, devido aos requisitos e necessidades dos clientes por produtos customizados, e pela dinâmica de mercado globalizado.

Portanto é essencial que as empresas desenvolvam suas estratégias de implementação prática da Indústria 4.0, adequadas e alinhadas as necessidades e objetivos específicos de seu próprio negócio, a curto, médio e longo prazo

Essas informações e a identificação dos sistemas e tecnologias implementados permitem reconhecer o cenário específico da empresa e quais objetivos ela almeja alcançar, para então identificar os benefícios desejados (ou seja, qual grau de maturidade da Indústria 4.0 que se espera alcançar), quais as capacidades atuais e quais as ausentes e com isso analisar quais os gaps ou diferenças que existem entre as capacidades atuais e as esperadas no futuro.

Como pode-se perceber, um dos primeiros passos para essa transformação se desenvolver de forma bem-sucedida, é mapear o nível de maturidade da empresa, que irá apoiar o desenvolvimento de uma estratégia ou roteiro de implementação futuro da Indústria 4.0.

Mas como realizar esse mapeamento? E como definir exatamente o nível de maturidade digital da minha empresa?

O Centro de Maturidade 4.0 da universidade de Aachen, uma das mais conceituadas da Alemanha, desenvolveu, junto com a Acatech, criadora do conceito Indústria 4.0 e conhecida como Academia de Ciência e Engenharia Alemã, uma ferramenta de Diagnóstico de Nível de Maturidade Digital, chamado Maturity Scan.

Divulgação - VDI Brasilacompanhamento de maturidade digital - VDI.png

VDI 4000": Maturity Scan

A VDI-Brasil, Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha, atua como front-office do Centro de Aachen na distribuição do Maturity Scan no Brasil. Empresas como Bosch, Evonik, Nestlé, além de Pequenas e Médias Empresas, entre outras, já aderiram ao projeto e tiveram seus resultados recebidos.

O Diagnóstico consiste em 77 perguntas que envolvem as áreas de produção, manutenção, supply chain, operações, qualidade e alta gestão. Resultando em um report completo com direito a reunião de feedback com o Centro de Aachen e a VDI-Brasil.

Para mais informações: [email protected]

Porque a indústria 4.0 depende da instrumentação industrial

instrumentação industrial indústria 4.0

Manter o maior controle possível sobre os processos de uma indústria é de extrema importância não apenas para operadores, mas para a corporação como um todo. Exatamente por isso, a instrumentação industrial tem se tornado cada dia mais presente no dia a dia de empresas, principalmente diante da tão conhecida e aplicada Indústria 4.0.

No ambiente 4.0, todos os instrumentos utilizados no processo industrial são bastante relevantes, seja para a medição de nível, temperatura, pressão, vazão ou qualquer outra grandeza.

Diante disso, fica claro que muitos são os benefícios da instrumentação industrial, principalmente dentro de um contexto cada vez mais voltado ao cenário 4.0. Esses benefícios permitem conquistas capazes de oferecer melhor controle de diversos processos da indústria.

O que é instrumentação industrial?

Por definição, a Instrumentação Industrial é a ciência que estuda, desenvolve e aplica instrumentos de transmissão, registro, controle e ajuste de variáveis, sempre com o propósito de aprimorar o desempenho dos mais variados processos.

Segundo o Coordenador dos Cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia de Controle e Automação e Professor da UNIVATES, Juliano Schirmbeck, a instrumentação pode ser vista como os componentes que fazem a interação entre as máquinas e seus dispositivos de controle/monitoramento.

Seu princípio de funcionamento se baseia em transdutores, componentes eletrônicos ou algum material com a capacidade de converter algum tipo de parâmetro físico em um nível de tensão ou uma corrente elétrica, ou seja, algum sinal. Esse sinal então pode ser traduzido para a informação física monitorada como temperatura, pressão dentre outros”.

Vale ressaltar, ainda, que a importância da instrumentação cresce à medida que a demanda de controle de processos da indústria aumenta diante do avanço da Indústria 4.0. Por consequência, a manutenção do controle tem se tornado cada vez mais relevante e desafiador, sendo a instrumentação industrial capaz de auxiliar nesse sentido.

Indústria 4.0: dependência cada vez maior da instrumentação industrial

A indústria 4.0 está cada vez mais presente no dia a dia de processos industriais, englobando um amplo sistema de tecnologias avançadas, como inteligência artificial, robótica e computação em nuvem.

Neste cenário, a indústria 4.0 é baseada, dentre outras coisas, em dois grandes pilares:

  • Grande quantidade de informações (Big Data); e
  • Elevada capacidade de processamento e análise destas informações.

O setor industrial fala muito de internet das coisas, ou seja, tudo e qualquer equipamento estando continuamente conectado à internet e a instrumentação industrial é imprescindível nesse contexto.

O objetivo das ‘coisas’ conectadas a internet, está na facilidade de receber e enviar informações para compor o Big Data. Mas de onde vêm estes dados, quem é responsável por adquirir estes dados? No âmbito industrial, a instrumentação é a responsável pela aquisição das informações”, indica o professor.

Dessa forma, ao monitorar em tempo real o estado dos equipamentos que fazem parte dos processos de produção dentro da indústria, a instrumentação pode realizar testes e procedimentos de manutenção preventiva e/ou corretiva desses dispositivos.

Benefícios da instrumentação industrial no âmbito 4.0

Como vimos, a instrumentação industrial é primordial para a Indústria 4.0, e, dentre os seus principais benefícios, temos: 

  • Maior produtividade à indústria;
  • Indicação, de forma prévia, da necessidade de ajustes no processo de produção;
  • Controle do processo de forma remota;
  • Aumento significativo da qualidade do produto final.

Hoje em dia, os recursos de instrumentação, além da aquisição de informações de parâmetros físicos já difundidos na automação industrial, apresentam tecnologias extremamente avançadas de identificação de componentes e peças. “Essas tecnologias permitem a rastreabilidade dos componentes que integram um determinado produto, como resultado a indústria terá maior confiabilidade de seu processo de fabricação”, finaliza o professor.

 

Liderança fora da caixa e olhos no futuro: o último dia da Indústria Xperience

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O último dia da edição 2021 do Indústria Xperience reforçou uma verdade: o futuro é agora, e a liderança precisa agir e se tornar protagonista desse novo momento do setor industrial. Na manhã do terceiro dia de evento, as palestras da 14ª ABIMAQ Inova abordaram como a transformação digital já está acontecendo e o que empresas de todos os portes podem fazer para participar desse movimento.

João Delgado (ABIMAQ) recebeu para o primeiro painel Carlos Boechat (Accenture) e Maurício Casotti (CPqD), em uma discussão que colocou as pessoas no centro da conversa. “Vivemos a era da convergência das tecnologias habilitadoras da indústria 4.0, em que estamos discutindo o uso dessas soluções dentro e fora do chão de fábrica”, comentou Boechat. “Mas não adianta ter as melhores ferramentas, equipamentos e processos se a empresa não tem uma equipe engajada na mudança e uma liderança com mindset de transformação cultural”, alertou. Delgado completou o pensamento reforçando que o foco deve sempre estar nas pessoas que vão utilizar a e aplicar a solulão. “Muitas vezes, o medo da tecnologia na verdade é um medo da gestão dessa nova abordagem de negócios”, disse.

Casotti, recebido na sequência, reforçou a necessidade de estabelecer um novo plano de ações para guiar a implantação tecnológica. “Montar um roadmap é indispensável para desenhar e entender essa visão de futuro, olhando não só para o seu negócio, mas sim para todo o ecossistema do negócio. É importante olhar para fora para saber direcionar o investimento interno”, apontou. O especialista do CPqD reforçou também a característica coletiva desse momento: “nunca foi possível inovar sozinho, e isso nunca foi mais verdade do que hoje”, defendeu.

O segundo painel da manhã reforçou que as novas oportunidades de negócio para a indústria dependem tanto de tecnologia quanto de comprometimento das equipes. Juliana Burza (Instituto CESAR) iniciou a conversa comentando o quanto é desafiador reter talentos em um mundo tão conectado e com tantas oportunidades. “Antes, pensávamos muito em inovação como times de engenharia e design dentro de casa, escondidos da concorrência, trabalhando em projetos secretos”, disse. “Hoje, vivemos uma era que precisa valorizar os projetos conjuntos, a inovação aberta e coletiva, que resulte em soluções que beneficiem todos os parceiros”, comentou. “As empresas, principalmente em momentos de crise como a da pandemia, precisam focar em observar e desenvolver novos modelos de negócio, já que os planos antigos sofreram impactos grandes e exigiram reinvenção”, completou.

Bernardo Bregoli (Randon Tech Solutions), que completou o painel, ilustrou esse conceito com um case interno da Randon. “Utilizando as expertises internas da empresa, nossos laboratórios primeiro geraram soluções internas para nossas necessidades – mas o próximo passo é utilizar esses resultados para gerar novos negócios, inclusive externos, com parceiros e clientes”, contou. “A ideia é converter oportunidades em soluções efetivas”, explicou.

Lean manufacturing e curso A Voz da Indústria

Na primeira palestra da tarde, o professor e embaixador do evento, Mauro Andreassa (IMT), recebeu Eduardo Linzmayer (IMT) para dividir casos reais dos projetos de manutenção preditiva e prescritiva de máquinas, aplicados no campus do Instituto Mauá de Tecnologia.  Apresentando a metodologia do projeto e detalhando etapas e equipamentos envolvidos, o coordenador do IMT dividiu com os presentes parte do trabalho prático executado por professores, alunos e pesquisadores no processo. “Comentamos sempre com os alunos que temos dados sendo gerados o tempo todo, mas que eles por si só não funcionam: é preciso trabalhar esses dados”, defendeu, abordando a necessidade do pensamento estatístico diante dos dados.

Na sequência, a consultora em Lean Manufacturing, Fabiana Giusti abordou em detalhes o conceito de TPM (Total Productive Management) e o sistema Lean de produção. “A TPM só é alcançada quando você tem um trabalho focado, voltado ao desenvolvimento da produção, mas também das pessoas”, comentou. “Todo o sistema Toyota de produção segue dois nortes principais: a busca pela redução de desperdícios e pela estabilidade.”, explicou. Durante o evento, também foi apresentado um teaser do primeiro curso A Voz da Indústria, ministrado pela professora Fabiana, com inscrições abertas em breve.

Liderança e pós-pandemia

Abordando o mundo VUCA e a multiplicidade de possibilidades do mundo contemporâneo, o professor Mauro Andreassa (IMT) trouxe aos presentes uma reflexão sobre o papel da liderança nesse contexto. “Não pense que essa crise, que já está perto do fim, vai permitir que a gente volte ao mundo antigo e nada mais mude. Outras crises virão, e precisamos estar preparados para os próximos acontecimentos que vão transformar nosso mundo”, alertou o embaixador da Indústria Xperience.

“Nós vivemos em um mundo volátil, onde esse dito líder fora da caixa precisa ter claro que os títulos não são o que você é, mas o que você está. O líder hoje deve ser também um professor – porque o maior ativo de uma empresa, hoje, é o conhecimento”, defendeu, apontando que títulos e diplomas não devem mais ser o foco da liderança. “O líder precisa se adaptar para sobreviver nesse novo contexto. Vivemos num mundo que depende da inovação e sabemos que se os negócios não forem inovadores, não vão sobreviver”, disse.

Encerrando o evento, o palestrante convidado foi Caio Mastrodomenico (Vallus Capital), abordando o pós-pandemia na indústria e novos hábitos de consumo, que aponta para um cenário de recuperação em todo o segmento industrial. “A indústria opera em constante velocidade de cruzeiro e, com a chegada da pandemia, houve a necessidade de reduzir o ritmo, diante da redução do consumo”, contextualizou.

“A indústria foi forçada a uma parada repentina na produção, sem que os custos diminuíssem. Houve um comprometimento de toda a cadeia de fornecedores”, explicou. Apontando para um cenário de recuperação, o especialista citou os novos comportamentos dos consumidores, como a compra online e valorização da experiência do cliente, e como a indústria pode se preparar para esse novo momento.

Todos os conteúdos dos três dias de evento estão disponíveis para assistir na íntegra, basta acessar a plataforma Indústria Xperience. Confira a programação completa e inscreva-se!

 

Segurança cibernética e blockchain: destaques no segundo dia de Indústria Xperience

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O segundo dia da edição 2021 da Indústria Xperience reuniu profissionais para abordar a transformação digital e as possibilidades desse novo cenário para a indústria. Como parte da 14ª edição da ABIMAQ Inova, que ocupou a manhã com debates e palestras, a retomada da indústria através da tecnologia foi destaque na abertura dessa quarta-feira. João Delgado (ABIMAQ) recebeu para o primeiro painel do dia Leôncio Barbosa (Processor) e Marcelo Cruzeiro (WEG). O especialista da WEG aproveitou seu espaço para dividir alguns cases de sucesso de aplicações de Cloud Computing e SaaS oferecidos pela empresa, conceituando os termos e exemplificando os benefícios. “Utilizar esse tipo de solução gera muitas possibilidades positivas, como a melhoria da eficiência operacional e mesmo o surgimento de novos negócios”, comentou.

Barbosa destacou também que a indústria se encontra hoje em uma nova realidade. “O mercado está desafiando todas as organizações, inclusive o mercado de máquinas”, disse. “Estamos vivendo em uma transição infinita, uma grande mudança de paradigma, em que os contextos globais afetam diretamente os locais. As soluções que nos trouxeram até aqui podem não ser suficientes para nos levar adianta”, completou. “Vivemos hoje em um mundo que é complexo, e por isso exige soluções complexas. Por isso, precisamos nos apoiar em parceiros competentes para conseguir extrair o melhor desse momento”, defendeu Delgado durante a conversa.

Já no segundo painel, os palestrantes Lucas Silva (Balluff Brasil), Rodrigo Tutilo (Advantech) e Joni Medeiros (TOX) trouxeram os dispositivos IIoT para o centro da conversa. Os convidados foram unânimes em afirmar que é possível trazer mais conectividade para as plantas fabris, mesmo sem substituir as máquinas. “Nem sempre, ao chegar em um cliente, vamos encontrar um terreno plano, pronto para construir do zero uma solução. Encontraremos sempreuma situação mais irregular, e será preciso planejar uma jornada única, que se adapte à realidade de cada cliente”, comentou Silva.

Medeiros defendeu também que os desafios acabam estando interligados e é preciso começar da base, implantando tecnologia em todos os equipamentos em que seja possível utilizar essa solução. “Não é preciso substituir todas as máquinas, o foco precisa estar na instrumentalização, para aumentas a aplicação de IoT nas máquinas, gerando mais conectividade para o parque industrial”, completa Tutilo.

Segurança cibernética, big data e blockchain

Abrindo as palestras da tarde, Celso Louros (CJL Consultoria) apontou que a quantidade de informações e dados disponibilizados pelas tecnologias da era 4.0 exigem também novos cuidados. “Toda essa evolução tecnológica que vem acontecendo tornou ainda mais importante a velocidade e confiabilidade da informação. Com isso, a proteção dos dados, o compliance e a governança das empresas também se tornaram indispensáveis”, comentou o consultor. “A tecnologia facilita nossas ações, mas também nos expõe a novos riscos”, alertou.

Na sequência, Jeff Prestes (PUC-SP) conversou com Mauro Andreassa (IMT), embaixador da Indústria Xperience, sobre os conceitos e mitos envolvendo a tecnologia do Blockchain, que traz mais segurança aos registros de comunicação dos processos industriais. “Um dos problemas encontrados quando falávamos sobre a comunicação M2M – Machine to Machine – era a falta de uma maneira confiável de registrar e armazenar as informações que vinham das máquinas. Com a evolução do blockchain, esse registro hoje é possível e confiável”, explicou. “Isso não é uma tecnologia futurista, para 2050, pelo contrário: já é uma realidade disponível hoje para as indústrias”, completou.

Ainda dentro das possibilidades do uso de blockchain para a indústria, Sérgio Medeiros (7COMm) assumiu a palestra das 15h, trazendo exemplos globais de locais dos benefícios dessa tecnologia. Com cases da indústria, do varejo, de processos públicos e privados, o especialista apontou as fraquezas e oportunidades do uso de BC, defendendo a segurança e a confiabilidade dos sistemas. “Entender em que pontos do processo essa tecnologia pode agregar valor é muito importante antes de investir nela. Conhecendo o processo, os intermediários e parceiros, essas necessidades ficam mais claras e é mais simples definir estrategicamente onde o blockchain pode ser aplicado”, apontou.

Matéria-prima: como reduzir o consumo e lidar com o alto custo

Encerrando o segundo dia de evento, Karan Silva (Altair) e Adriano Koga (Altair) promoveram um debate sobre o alto custo dos materiais e insumos para a indústria, focando principalmente em aço, polímeros e ferro. A opção apresentada e desenvolvida pela Altair reforça o conceito de otimização estrutural, que leva ao desenvolvimento e aprimoramento da fabricação de peças para resultados mais leves e que consumam menos material. “A otimização estrutural é uma técnica que combina tecnologia e conhecimento técnico para que toda a produção faça o aproveitamento completo do material, evitando desperdícios e redirecionando o consumo de matérias-prima”, comentou Koga.  

A otimização acontece dentro de um ambiente digital, um laboratório virtual, que melhora o design e o desempenho das peças, levando em consideração a escolha do material, sua espessura, estrutura e topologia. Apresentando cases de empresas de transporte por trilhos, aeronáuticas e maquinário, os representantes da Altair demonstraram com exemplos reais como essa otimização pode levar a um uso ainda mais eficiente da matéria-prima.

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Indústria Xperience 2021: segunda edição começa trazendo tecnologia, simulações e mudanças de mindset

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Marcando o início da segunda edição do Indústria Xperience, evento virtual e gratuito promovido pela Informa Markets e pela ABIMAQ, o primeiro dia de palestras reuniu profissionais de diversos setores para conversas relevantes sobre o segmento industrial brasileiro.

A manhã foi ocupada por mais uma edição da ABIMAQ INOVA, iniciativa tradicional da ABIMAQ que, esse ano, tem como tema a Transformação Digital na Retomada da Indústria. No primeiro painel do dia, a Engenharia Digital foi protagonista. Mediado pelo professor Klaus Schützer (TU Darmstadt, TU Dresden Alemanha e UFABC), o painel trouxe discussões importantes sobre simulações, dados e digital twins na indústria, reunindo os palestrantes Daniel Scuzzarello (Siemens), Valdir Mendes Cardoso (Altair) e Daniel Cantarelli (AGCO).

“Vivemos em um mundo cada vez mais complexo, em decorrência do nosso comportamento como consumidores, e que se reflete nas necessidades das instituições, que precisam de serviços cada vez mais precisos e com menor margem de erro”, comentou Scuzzarello. “Precisamos agir sem receio de olhar para o todo e encarar o futuro com coragem. É preciso entender esse momento atual como um momento de transformação”, defendeu.

Para Cardoso, a combinação do mundo virtual e real nas simulações de digital twin reúne pontos importantes: gerar os dados e entender que vantagens podem vir a partir deles. “Com o mundo virtual gerando informações simuladas, em conjunto com o monitoramento constante do mundo real, conseguimos criar modelos cada vez mais robustos e confiáveis”, apontou. Cantarelli completou o painel, apontando as ferramentas e expectativas para a aplicação dessas soluções. “Falamos muito em smart manufacturing, em indústria 4.0, mas no final do dia o significado disso é simples: significa que nossas plantas seguem ganhando inteligência e autonomia para sua operação”, explicou.

Internet Industrial na Automação

O papel da Internet Industrial na Automação foi tema do segundo painel, que reuniu Wilker Oliveira (WK Soluções), Paulo Roberto dos Santos (MetalWork) e André Dagostin (COMAC), sob mediação de João Alfredo Delgado (ABIMAQ). Abrindo a conversa, Wilker Oliveira destacou que é cada vez mais indispensável que a internet industrial possibilite a comunicação entre as máquinas de forma ágil e segura. “Por isso, a rede industrial de internet não pode ser a mesma, por exemplo, que a utilizada pelo setor administrativo no escritório. Precisamos de uma rede diferente, com outros recursos”, comentou.

Para Paulo Roberto Santos, o cenário do 4.0 é irreversível e trouxe uma transformação muito rápida, que exige redução no tempo de setup e no período de máquina parada, garantindo um equipamento sempre o mais eficiente possível. “Não tem como fazer isso sem tornar a planta mais inteligente e automatizada, com equipamentos conectados e mais confiáveis, que exigem uma rede industrial de internet que possibilite isso”, defendeu, apontando também que equipamentos de conexão industrial diminuem também o risco de invasão e de interferências externas na produção. Dagostin completou a discussão reforçando que as redes industriais também possibilitam a coleta de dados e a alimentação de simulações de projetos. “Quando você faz a construção do projeto, sem as simulações, ele pode acabar gerando muitos problemas. Um software de simulação consegue determinar os limites e singularidades dos equipamentos, por exemplo, e isso faz total diferença na performance dos equipamentos na produção”, defendeu.

Energia sustentável, pesquisas operacionais e data science

Mauro Andreassa, professor especialista em indústria 4.0 e embaixador do evento, recebeu o palestrante Carlos Saad, (auditor-líder em sistemas de gestão ISSO), para a primeira palestra da tarde. Abordando as faces da energia sustentável em tempos desafiadores da indústria, Saad apontou os diferentes tipos de geração energética, além de citar os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU e conceitualizar o termo “sustentabilidade” e os impactos que uma boa gestão energética traz ao setor industrial. “A gestão energética dentro das indústrias traz sim uma contribuição ambiental, mas não só isso: essa gestão impacta diretamente também na redução de custos”, defendeu.

O especialista também citou a origem e aplicações da ISO 5001, além de maneiras de observar e corrigir perdas energéticas na fábrica. “A eficiência energética depende tanto de tecnologia quanto de cultura organizacional. Não vai ser por decreto ou imposição de norma que do dia para a noite a empresa vai garantir uma cultura energética de ponta. A presença da indústria 4.0 com certeza vai trazer uma contribuição muito importante para a gestão energética, com a cultura sendo colocada de maneira gradual, constante e organizada, com suporte tecnológico”, completou.

Otimizar as decisões operacionais e estratégicas é um desafio para indústrias de diversos setores e portes. A relação entre a boa tomada de decisões, a pesquisa operacional e a ciência de dados foi o tema da segunda palestra da tarde, que recebeu o professor Marcos dos Santos (USP). Para ele, o uso e a otimização dos dados podem levar a decisões cada vez melhores, unindo método e informação. “Data Science e pesquisa operacional caminham lado a lado, e elas não fazem sentido uma sem a outra. São duas faces de uma mesma moeda. Você precisa dominar a matemática para aplicar o modelo certo no problema certo: só coletar dados não vai te deixar avançar na resolução dos problemas”, apontou. “Você só vai ser capaz de conseguir as melhores soluções se tiver conhecimento técnico e dados suficientes”, completou.

Digital Twins: sustentabilidade, produtividade e eficiência energética

As soluções de digital twin e sua relação com a sustentabilidade foram o tema da palestra de Eder Cassettari, mestre em engenharia de fabricação. Para conceitualizar a discussão, o especialista abordou um pouco sobre as revoluções industriais, corrigindo erros comuns, como considerar a automação como uma característica da indústria 4.0 – na verdade, essa é uma propriedade da terceira revolução industrial. “A indústria 4.0 é a fusão das tecnologias de automação da 3.0 com a conectividade da internet”, explicou. Para ele, essa conectividade é irreversível e afetou todas as áreas da nossa sociedade.

“O conceito de digital twin permite experimentos no mundo virtual, utilizando sensores e dados do mundo real. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial gera inputs a partir desses dados e simulações, gerando novas possibilidades para aplicações no mundo real”, comentou. O objetivo, portanto, é sempre conseguir o melhor resultado possível com o menor gasto possível”. O palestrante trouxe exemplos e conceitos para exemplificar o conceito e suas possibilidades.

Fechando o evento com a última palestra do dia, o diretor de operações na Virtual CAE, Valmir Fleischmann também reforçou as possibilidades de aplicação do digital twin. “O consumidor hoje exige máquinas mais versáteis e com múltiplas aplicações, por isso nos precisamos sempre trabalhar buscando formas de otimizar a produção dessas máquinas. Uma dessas formas é o uso do digital twin e de softwares de simulação”, comentou. Para o especialista, focar em produtividade e confiabilidade das máquinas, para garantir a atuação perfeita dos equipamentos, passou a ser uma responsabilidade de todos os envolvidos. “A eficiência energética passou a ser uma prioridade. Compreender e prever o desempenho das máquinas é uma tarefa que pode ser executada dentro de um digital twin, que te permita testar e descobrir novas oportunidades de melhoria”, defendeu.

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