A Messer Cutting Systems apresentou na FEIMEC 2026 uma revolução no processo de oxicorte, um processo químico de oxidação do metal a alta temperatura. A tecnologia HyCut substitui gases combustíveis convencionais por hidrogênio, garantindo maior produtividade, menores custos, ambiente de trabalho mais saudável, além de eliminar a emissão de CO2.
Durante a palestra realizada no Parque das Ideias, Marcos Lobato, especialista em gases e soldagem, e Ronaldo Heanna, engenheiro e supervisor comercial da Messer Cutting Systems Brasil, apresentaram o lançamento que representa um avanço significativo para empresas que buscam aliar sustentabilidade, redução de custos e aumento de produtividade.
Segundo os especialistas, a tecnologia já está implementada em diversos clientes no Brasil e na Alemanha, com resultados comprovados em diferentes aplicações industriais.
Processo Oxicombustível: fundamentos e evolução tecnológica
O processo de oxicorte é fundamentalmente uma reação química de oxidação do metal em alta temperatura. Tradicionalmente, esse processo utiliza gases derivados de hidrocarbonetos como GLP, acetileno, propileno e gás natural combinados com oxigênio.
Marcos Lobato detalha as duas funções dos gases no processo. “Primeiro temos a geração de uma chama, onde utilizamos oxigênio junto com gás combustível. Essa chama vai pré-aquecer o aço no processo oxiforte até uma temperatura em torno de 800°C, que chamamos de ‘temperatura ao rubra’, quando a chama começa a ficar avermelhada”.
Nesse momento crítico, um canal central de oxigênio puro entra em contato com o aço aquecido, gerando uma reação exotérmica que efetivamente realiza o corte. Lobato esclarece: “quem corta o material nesse processo não é a chama, mas sim o oxigênio puro que entra em contato com aço em torno de 800°C”.
Hidrogênio: Sustentabilidade, rapidez e economia
A nova tecnologia da Messer consiste na substituição completa dos gases combustíveis convencionais pelo hidrogênio. A grande diferença está na reação de combustão.
Enquanto gases derivados de hidrocarbonetos geram quantidades significativas de CO2, o hidrogênio produz apenas água como subproduto. As análises estequiométricas apresentadas pelos especialistas demonstram que cada volume de acetileno gera dois volumes de CO2, o GLP produz aproximadamente 3,5 volumes de CO2, enquanto o hidrogênio não gera emissão alguma desse gás de efeito estufa.
A tecnologia também reduz drasticamente a formação de óxidos nitrosos (NOx), gases que contribuem para o efeito estufa e estão relacionados à chuva ácida.
Além dos benefícios ambientais, a tecnologia HyCut apresenta vantagens operacionais significativas. Os testes realizados no Brasil demonstram ganhos de velocidade de 15% a 40% e uma redução de 30% no consumo de oxigênio, pois o hidrogênio aquece mais rápido do que os outros gases.

Em demonstrações práticas, o pré-aquecimento de uma chapa de duas polegadas e meia com hidrogênio leva menos de 10 segundos, enquanto com GLP o processo demandaria de 30 a 40 segundos. Essa eficiência se traduz diretamente em aumento de produtividade.
Outra vantagem apresentada por Heanna é a redução expressiva no custo do corte por metro. O custo do hidrogênio como gás combustível é ligeiramente superior aos gases convencionais, porém a maior velocidade de corte e o menor consumo de oxigênio compensam essa diferença, reduzindo o custo total do processo em torno de 40%, segundo o especialista.
A Messer Gases, parceira da Messer Cutting Systems no desenvolvimento do projeto, garante o abastecimento adequado do hidrogênio para as necessidades industriais.
Ambiente de trabalho mais seguro e saudável
Os especialistas da Messer destacam que a tecnologia HyCut proporciona melhorias substanciais nas condições de trabalho dos operadores.
A chama do hidrogênio apresenta menor irradiação de calor e menor intensidade luminosa, permitindo que os maçariqueiros utilizem óculos de proteção transparentes, sem necessidade de lentes escuras.
A redução de ruídos também é significativa. Enquanto o GLP gera 98 decibéis e o acetileno 95 decibéis, o hidrogênio produz 82 decibéis. A menor geração de fumaça, fuligem e particulados contribui para um ambiente industrial mais limpo e saudável.
Na questão da segurança no uso do gás, Ronaldo Heanna é categórico ao afirmar que “na verdade, o hidrogênio é extremamente seguro e bastante estável”. Outra característica importante é que o hidrogênio é o gás mais leve que existe, dispersando-se rapidamente no ambiente em caso de vazamento.
Implementação e adaptação de equipamentos
A transição para a tecnologia HyCut não exige investimentos elevados. Heanna esclarece que, em um sistema mecanizado, “você tem que trocar a tocha, que é o equipamento utilizado para o corte, para uma tocha desenvolvida para a combustão do hidrogênio”.
Para corte manual, o investimento inclui maçaricos, bicos, válvulas corta-chamas, mangueiras e reguladores de pressão, todos dedicados à combustão do hidrogênio. O especialista destaca que “o investimento seria bastante reduzido e o retorno desse investimento ocorre em poucos meses”.
A Messer desenvolveu uma linha completa de equipamentos específicos para hidrogênio, desde mangueiras com trama adequada para a pequena molécula do gás até bicos de corte projetados para garantir segurança e eficiência. As válvulas corta-chamas possuem quatro funções de segurança: fluxo unidirecional, travamento em caso de pressão indevida, sistema que apaga o fogo em caso de engolimento e elo fusível que impede a continuidade do fluxo de gás.
Além do corte, o processo permite soldagem, brasagem, desempenho e aquecimento.
A qualidade do corte com hidrogênio é superior, com menor formação de rebarbas e melhor acabamento superficial, reduzindo ou eliminando a necessidade de retrabalho com esmerilhamento.
Demonstrações práticas na FEIMEC incluem uma chapa de 300 mm cortada com hidrogênio, evidenciando a capacidade da tecnologia para espessuras elevadas. Clientes no Brasil já implementaram a solução em máquinas CNC, corte com tartaruga e corte manual, com resultados consistentes.
Ronaldo Heanna avalia que a tecnologia HyCut “tem se mostrado disruptivo frente a tecnologias anteriores, gases combustíveis tradicionais”. A presença na FEIMEC 2026 tem como objetivo apresentar a inovação para o mercado brasileiro e demonstrar suas vantagens competitivas.
A tecnologia já está consolidada na Alemanha, onde o primeiro cliente a implementar o sistema foi uma fabricante de torres eólicas. No Brasil, diversos clientes já operam com a solução, comprovando sua viabilidade técnica e econômica em condições reais de produção, posicionando o hidrogênio como protagonista na próxima geração de processos de corte industrial.
Descubra mais lançamentos da FEIMEC 2026 aqui, na cobertura oficial A Voz da Indústria.