A Inteligência Artificial tem conquistado um importante espaço na indústria, com potencial para simplificar processos, apoiar decisões e ampliar a produtividade. Neste cenário, a TOTVS mostra novidades do seu portfólio de manufatura, com agentes de IA capazes de identificar inconsistências operacionais, sugerir ações corretivas e auxiliar no planejamento da produção. A proposta é tornar informações complexas mais acessíveis aos profissionais e contribuir para uma gestão mais eficiente do chão de fábrica.
O portal A Voz da Indústria, parceiro de mídia do Universo TOTVS 2026 (13 e 14 de outubro), entrevistou Angela Gheller, diretora de produtos para manufatura na TOTVS. Além das soluções supracitadas, ela apresentou também novidades que compreendem a agenda ESG, como uma solução voltada ao gerenciamento de resíduos industriais, em conformidade com as exigências legais.
Conforme Angela, a adoção dessas tecnologias depende de fatores como maturidade digital, capacitação das equipes e integração de dados.
A seguir, você confere como essas iniciativas podem apoiar a transformação digital do setor e quais desafios as empresas ainda precisam superar.
Quais são as principais novidades do portfólio de manufatura da TOTVS, especialmente em Inteligência Artificial, gestão de custos e ESG?
Angela Gheller: Uma das novidades é a ampliação do uso da inteligência artificial nas soluções de manufatura. Estamos trabalhando para que a tecnologia ajude a identificar situações que precisam de atenção e apresente sugestões de como resolvê-las, mantendo o ser humano responsável pelas decisões.
Um exemplo é quando a indústria encerra uma etapa sem realizar o apontamento do consumo de matéria-prima. Em vez de simplesmente identificar a inconsistência durante o fechamento, a solução pode sinalizar o que não foi feito e sugerir uma ação para corrigir o problema.
Também estamos ampliando os recursos de IA generativa, que permitem aos usuários fazer perguntas sobre a produção, o planejamento e o acompanhamento das operações, recebendo informações e insights para apoiar as decisões.
Outra novidade está relacionada à agenda ESG. Já contamos com um parceiro para a gestão de carbono e trouxemos uma solução para o gerenciamento de resíduos industriais. Essa é uma questão importante para as empresas, tanto pelo desafio de destinar corretamente os materiais quanto pelas exigências da legislação. A solução auxilia no gerenciamento desses resíduos de acordo com as normas aplicáveis.
Com relação à digitalização, ela ainda é um desafio para muitas indústrias. Como a TOTVS trabalha para facilitar a adoção das soluções e garantir que as empresas consigam aproveitar seus benefícios?
Angela Gheller: A facilidade de adoção é fundamental. Quando uma empresa encontra obstáculos durante a implementação de uma solução, pode interromper a jornada de digitalização. Além da tecnologia, existe uma questão de maturidade e de cultura organizacional. Percebemos que, mesmo quando o cliente contrata uma solução capaz de trazer informações da fábrica diretamente para o ERP, em tempo real, ele pode desistir se não estiver preparado para utilizá-la. A cultura da empresa tem um peso muito grande nesse processo.
Por isso, desenvolvemos um programa de maturidade para a indústria, com uma equipe especializada em negócios, que acompanha os clientes nessa jornada. Não basta disponibilizar a tecnologia: é preciso ajudar as empresas a incorporá-la à rotina e aos processos.
Nos últimos anos, observamos uma evolução na digitalização industrial. Nosso indicador passou de 0,52, em 2019, para 0,71, em 2024. Houve um avanço, mas ainda existe um grande desafio para ampliar a adoção da tecnologia. Ela é um meio para alcançar resultados, mas exige uma mudança de mentalidade e uma preparação das organizações.
E como a Inteligência Artificial incorporada às soluções de manufatura pode gerar resultados concretos na operação industrial? Em quais etapas o potencial de aplicação é maior?
Angela Gheller: A IA pode atuar diretamente na operação. Hoje, temos agentes desenvolvidos para diferentes situações. Um deles identifica inconsistências relacionadas ao apontamento do consumo de matéria-prima. Outro verifica a disponibilidade de estoque em outras filiais para avaliar se é possível transferir materiais, em vez de realizar uma nova compra.
Também vemos um potencial importante no planejamento da produção, que é uma das atividades mais complexas para as indústrias. Esse processo exige avaliar a capacidade produtiva, o dimensionamento da operação, as máquinas disponíveis e os prazos assumidos com os clientes.
Com a Inteligência Artificial, podemos tornar essas análises mais acessíveis para quem toma decisões na fábrica. Em vez de precisar consultar relatórios e interpretar diversas informações manualmente, o profissional pode receber indicações mais diretas sobre o que fazer.
Pode nos dar um exemplo?
Angela Gheller: Sim, posso. Uma solução pode alertar que determinado pedido corre o risco de atrasar se continuar programado para uma máquina específica e sugerir uma mudança na sequência de produção para ajudar a cumprir os prazos de dois pedidos. O objetivo é simplificar o cotidiano do chão de fábrica, tornando informações complexas mais fáceis de compreender e utilizar. A IA pode ajudar a reduzir a dificuldade de interpretação dos dados e apoiar decisões que, antes, dependiam de mais tempo, conhecimento e experiência.
Além de automatizar tarefas, a Inteligência Artificial também pode ajudar a enfrentar a falta de conhecimento e de treinamento dos profissionais para utilizar os sistemas?
Angela Gheller: Pode, claro. Esse é outro ponto em que a Inteligência Artificial pode contribuir muito. Uma dificuldade que observamos é que a indústria investe em uma solução e, muitas vezes, existe uma pessoa responsável por patrocinar sua implantação. Entretanto, quando esse profissional sai da empresa, a cultura não necessariamente foi consolidada. O uso da ferramenta pode diminuir até que ela deixe de ser utilizada.
Também identificamos dificuldades relacionadas à falta de investimento contínuo em treinamento. A IA pode ajudar a enfrentar esse problema ao permitir que os profissionais façam perguntas diretamente ao sistema que utilizam. Em vez de precisar assistir a um vídeo inteiro de treinamento para encontrar uma informação, por exemplo, o usuário pode perguntar como executar determinada atividade e receber orientações contextualizadas.
Isso facilita o aprendizado gradual, ajuda o profissional a compreender melhor as funcionalidades disponíveis e contribui para que o conhecimento seja incorporado à rotina. É uma forma de ampliar o entendimento sobre os sistemas e favorecer a continuidade da digitalização nas empresas.
Muitas indústrias enfrentam dificuldades com dados dispersos e sistemas que não se comunicam. O que é necessário para que a Inteligência Artificial funcione de maneira efetiva nesse ambiente?
Angela Gheller: O ponto fundamental é entender como estão organizados os dados da empresa. O primeiro passo é mapear as informações disponíveis e verificar se elas estão integradas ou dispersas entre diferentes sistemas. É necessário realizar um trabalho de tratamento e integração dos dados, porque qualquer agente de Inteligência Artificial precisa ter acesso às informações relevantes para executar suas tarefas.
Uma empresa pode utilizar o ERP da TOTVS e, ao mesmo tempo, ter soluções de chão de fábrica fornecidas por outros fabricantes. Nesse cenário, é preciso entender como os dados desses sistemas podem ser conectados ao ERP e disponibilizados de forma integrada e on-line. Sem essa organização, a tecnologia não terá o contexto necessário para atuar de maneira efetiva. Por isso, antes de implementar agentes de IA, é importante avaliar a estrutura de dados existente e preparar as informações para que elas possam ser utilizadas nos processos industriais.