A energia elétrica permanece como a principal fonte energética da indústria brasileira, utilizada por 79% das empresas do setor. Os dados fazem parte da Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com mais de 1.400 empresas de diversos portes. 

A pesquisa revela que a ampliação do Mercado Livre de Energia, implementada a partir de 2024, provocou mudanças no modelo de consumo energético das indústrias. Com a edição da Portaria 50/2022 do Ministério de Minas e Energia (MME), todas as empresas atendidas em alta tensão, independentemente da demanda, passaram a poder migrar para o mercado livre. 

Migração para o mercado livre 

Entre as empresas pesquisadas, 41% afirmaram ter migrado para o mercado livre após a implementação da nova regulamentação. A mudança permite que as indústrias negociem o fornecimento de energia diretamente com outros fornecedores, em vez de comprarem exclusivamente da distribuidora local. 

Atualmente, 50% das empresas consultadas atuam como consumidores livres, enquanto 25% permanecem no mercado cativo. Outros 8% das indústrias são autogeradoras de energia. 

A distribuição varia conforme o porte das empresas. Entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já operam no mercado livre. No segmento de médio porte, 53% das empresas adotaram esse modelo. Entre as pequenas empresas atendidas em baixa tensão, 22% estão no mercado livre, enquanto 45% permanecem no mercado cativo. 

Redução de custos com a migração 

A principal motivação para a mudança está relacionada aos custos. Entre as empresas que migraram para o mercado livre, 73% relataram diminuição nos gastos com tarifas de energia elétrica. 

A faixa de redução entre 10% e 20% foi registrada por 23% das indústrias. A diminuição entre 21% e 30% e entre 5% e 10% foram apontadas por 16% das empresas respondentes em cada faixa. 

Entre os setores com redução média entre 10% e 20%, destacam-se a extração de minerais não-metálicos (48% das empresas) e artefatos de couro (44% das empresas). 

Fontes de energia utilizadas pelas indústrias 

A energia elétrica mantém posição dominante como principal fonte energética no processo produtivo. Além dela, outras fontes receberam percentuais menores: gás natural (4%), lenha (3%), bagaço de cana (2%) e GLP (2%). 

A predominância da energia elétrica varia conforme o segmento industrial. O setor de equipamentos de informática registra 97% de utilização, seguido por móveis e bebidas (94% cada), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (93%), calçados (92%) e impressão e reprodução de gravações (91%). 

Entre as indústrias de pequeno porte, a energia elétrica é o principal insumo para 86% das empresas, seguida por lenha (2%). Nas grandes indústrias, 76% utilizam energia elétrica como fonte principal, seguidas por gás natural (6%) e bagaço de cana (4%). 

Impacto dos custos energéticos 

Para 83% das empresas, o custo da energia elétrica é importante para a competitividade. Nos últimos doze meses, 62% das indústrias registraram impacto em seus custos totais de produção devido à variação dos preços de energia elétrica. 

O impacto foi considerado alto (acima de 30% de aumento) para 11% das empresas. Para 29%, o impacto foi médio (acima de 10% de aumento). Outras 27% classificaram o impacto como baixo (abaixo de 10% de aumento). 

A percepção do aumento médio percentual do custo com energia elétrica nos últimos doze meses variou entre 5% e 10% para 27% das empresas pesquisadas. Para 16% das indústrias, o aumento ficou entre 10% e 20%. 

Em relação ao impacto no custo final dos produtos, 67% das empresas indicaram que houve algum efeito nos últimos doze meses. O setor de produtos de borracha registrou o maior impacto no custo de produção, apontado por 33% das empresas, seguido pelo setor de bebidas (21%). 

Estratégias para redução de custos 

A maioria das empresas (64%) investiu em alguma forma de economizar energia ou diminuir os custos tarifários. A principal estratégia é a migração para o mercado livre, apontada por 30% das indústrias. 

Investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram indicados como alternativas por 13% das empresas respondentes em cada categoria. A substituição de fonte de energia foi mencionada por 8% das indústrias. 

Entre as empresas respondentes, 30% não tomaram nenhuma medida para otimização energética de seus processos produtivos. 

Contexto indústria e demanda energética 

A energia elétrica é um dos principais insumos da indústria brasileira. Sua disponibilidade e preço são determinantes para a competitividade do produto nacional. O aumento do custo da energia compromete o desempenho da indústria, especialmente nos setores energointensivos, que estão na base da cadeia produtiva. 

O mercado de energia passa por oscilações devido à alta demanda por energéticos e aos conflitos geopolíticos. A indústria é o setor da economia brasileira mais sensível a essas oscilações, uma vez que a participação da energia no custo total de produção é elevada. 

A pesquisa da CNI foi realizada para entender a visão das indústrias em relação à energia elétrica, sua utilização, seu custo e como isso impacta a atividade produtiva. Os dados revelam que a ampliação do mercado livre representa uma alternativa para as empresas reduzirem custos e aumentarem a competitividade. 

Saiba mais sobre as vantagens da migração para o Mercado Livre de Energia