Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil possui mais de 200 data centers em operação hoje, e novos projetos estão em andamento. Com essa expansão, surge também uma nova frente de negócios para a indústria, as estruturas metálicas.

Essa oportunidade compreende uma grande cadeia de fornecedores, incluindo a própria metalurgia e os setores elétrico e de climatização.

O movimento em questão vem do aumento da demanda pela infraestrutura digital. Para se ter uma ideia, segundo a Associação Brasileira de Data Centers, os pedidos de conexão de data centers à rede de transmissão brasileira já somavam, em novembro de 2025, 26,2 GW.

Tal volume evidencia a dimensão dos projetos em desenvolvimento e, consequentemente, abre as portas para o setor industrial.

Infraestrutura digital: é preciso inovar

Conforme Eduardo Andrzejewski, Gerente de Infraestruturas Críticas da Tractebel Brasil, Chile e Canadá, a maioria dos novos projetos de data centers são impulsionados pela necessidade de infraestrutura para os sistemas de inteligência artificial.

“Treinar e operar modelos generativos exige densidades de potência que tornaram obsoleto o padrão elétrico e de climatização sobre o qual a indústria de data centers se construiu”. Ele afirma que é preciso inovar em todos os sentidos.

E tudo isso gera oportunidades para a indústria, justamente, na diversidade de componentes vindas do setor que podem ser incorporados aos respectivos empreendimentos. As estruturas metálicas estão presentes em diferentes etapas de projeto dos data centers, incluindo suportes, plataformas, passarelas, estruturas auxiliares, bases para equipamentos, etc.

Exigências de um setor para o outro

Sim, a expansão dos data centers no país traz novas oportunidades para a indústria. “E o Brasil reúne vantagens estruturais raras para abrigar essa expansão”, completa Eduardo. No entanto, é necessário que as empresas interessadas neste mercado estejam aptas para atender aos requisitos do setor, e eles são rigorosos.

Isso porque esses equipamentos exigem infraestruturas críticas, com a integração entre os sistemas elétricos, de climatização, segurança, conectividade e elementos estruturais efetivos.

Ou seja, os projetos devem apresentar critérios de confiabilidade, disponibilidade e segurança até a entrega final. Inclusive, existem algumas normas e referências específicas, entre as quais a TIA-942, cuja descrição ajuda a orientar o desenvolvimento dos projetos.

Existe também uma classificação de níveis de disponibilidade, chamada Tiers, que influencia as características da infraestrutura de cada empreendimento.

E o que isso significa para a indústria? Que é preciso investir em especificações detalhadas, rastreabilidade e controle de qualidade. Também, em alguns requisitos específicos, como resistência mecânica, proteção contra corrosão, acabamento e condições ambientais.

Novas possibilidades no setor industrial

Dentro deste tema, um aspecto amplia as possibilidades de negócios para a indústria. A modularidade. Como hoje os prazos estão cada vez mais curtos para a instalação de novos data centers, sistemas construtivos podem ser fabricados, preparados e testados de maneira organizada antes da instalação local.

Um modelo, cuja fabricação industrializada dos componentes metálicos pode contribuir para a redução das etapas executadas diretamente no canteiro, de modo a facilitar a expansão da infraestrutura. Com isso, a indústria pode participar da construção inicial e também das ampliações e adequações posteriores.

Para Eduardo, os novos data centers exigem uma abordagem integrada desde as etapas iniciais de concepção.

“Em um cenário marcado por alta densidade computacional, restrições de infraestrutura elétrica e exigências regulatórias crescentes, a competitividade do Brasil dependerá da capacidade de estruturar projetos tecnicamente robustos, energeticamente eficientes e aderentes às novas demandas da inteligência artificial.”

Em suma, a indústria focada em estruturas metálicas deve acompanhar a evolução dos data centers para, enfim, ampliar a sua capacidade de interpretar os projetos, desenvolver soluções sob medida e trabalhar em conjunto com construtoras, integradores e demais empresas que possam contribuir com os projetos.

Qualificações necessárias para atender data centers

As oportunidades estão aí, mas as qualificações são necessárias. Além de aplicar recursos em especificações e padrões de qualidade, é fundamental que a indústria aposte em uma engenharia própria, processos de fabricação controlados, mão de obra qualificada e na capacidade de personalização dos projetos.

Dessa forma, a empresa pode se consolidar como uma fornecedora oficial do setor de data centers, de modo a entregar precisão, confiabilidade, modularidade, tecnologia e capacidade produtiva.

“É essa convergência entre setores que poderá posicionar o país como destino estratégico para investimentos globais em infraestrutura digital e fortalecer a sua soberania tecnológica nas próximas décadas”, finaliza o especialista.