Até pouco tempo atrás, a logística na indústria era considerada simples, com processos básicos. E o objetivo não passava de manter os estoques mínimos, reduzir o capital imobilizado e receber insumos quando fossem necessários. Porém, hoje, o setor pode contar com um modelo chamado just in time, que foca na eficiência operacional e em uma gestão mais enxuta.
Ou seja, é preciso rever as estratégias para garantir a continuidade das operações.
Muita coisa mudou. Enquanto antes o excesso no estoque era considerado ineficiente, agora a indisponibilidade dos componentes pode representar uma ameaça à produção.
O caso do mercado de resinas, que recentemente foi afetado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, exemplifica os riscos que as indústrias podem correr ao não observar atentamente a gestão de estoque.
Segundo levantamento da Gartner, mais de 70% das empresas industriais globais revisaram as suas estratégias de abastecimento nos últimos anos. A ideia é priorizar a previsibilidade, a diversificação de fornecedores e a resiliência das cadeias de suprimentos.
Risco de interrupção pelo (baixo) estoque
Melhores estratégias de logística e estoque na indústria são importantes para empresas que utilizam componentes específicos. Entre elas, de automação industrial, equipamentos elétricos, energia, manutenção industrial e manufatura avançada.
Fato é que a ausência de um único item pode comprometer linhas inteiras de produção e gerar prejuízos imensuráveis.
Analisamos também estudos da McKinsey que apontam as interrupções em cadeias críticas de suprimentos como comprometedoras de até 45% do EBITDA anual. O custo de uma parada operacional pode ultrapassar US$ 100 mil por hora, dependendo do nível de automação e da complexidade dos processos.
Mudança de comportamento na indústria brasileira
Segundo Rodolfo Midea, diretor da Fácil Negócio Importação, o perfil de compra das empresas brasileiras mudou significativamente nos últimos anos. “Antes, grande parte das empresas comprava apenas para atender a demanda imediata. Hoje, existe uma preocupação muito maior em garantir disponibilidade. O custo de carregar estoque aumentou, mas o custo de parar a operação ficou ainda maior”, explica.
Com dados internos, ele ressalta ao portal A Voz da Indústria que há um crescimento de aproximadamente 42% na procura por compras programadas e pedidos antecipados nos últimos meses. Foi registrado também um aumento de cerca de 56% na demanda de clientes industriais que procuram por mais previsibilidade no fornecimento e na formação de estoque estratégicos.
Para Rodolfo, a respectiva mudança está relacionada à percepção de que o ambiente global se tornou menos previsível. “Existe uma mudança clara de mentalidade. O estoque, que durante anos foi tratado com ineficiência, voltou a ser visto como uma proteção operacional”, completa.
Eficiência e resiliência
Ao que tudo indica, a nova realidade da logística e estoque traz uma evolução estratégica considerável para a indústria brasileira, que passará a equilibrar dois aspectos importantes: eficiência e resiliência. Ela cria ainda diferenças competitivas dentro do próprio mercado.
Conforme o especialista, é preciso investir em planejamento, previsibilidade financeira e gestão de compras para estruturar os processos com segurança, bem como evitar as oscilações globais. Ele afirma que empresas excessivamente dependentes de aquisições emergenciais tendem a enfrentar maior vulnerabilidade em períodos de escassez ou com o aumento repentino da demanda.
Com o avanço da eletrificação da economia, da automação industrial e da busca por tecnologias mais eficientes, a própria demanda global por materiais críticos deve continuar crescendo. Ou seja, a gestão de estoques deixa de ser apenas uma atividade operacional. Agora, ela é um ponto estratégico nas decisões industriais.
Depois de controlar o estoque e garantir a logística dos insumos, confira também o potencial do mercado de automação industrial.